sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Moreira da Silva - O Rei do Gatilho


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O rei do gatilho (1962), O último dos moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira contra 007 (1968), O seqüestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O Rei do Gatilho (samba, 1962) - Miguel Gustavo - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva, O "Tal"... Malandro / Título da música: O Rei do Gatilho / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1962 / Nº Álbum: MOFB 3299 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-de-breque.


"O rei do gatilho, o mais temido pistoleiro de Wichita.
Temido pelos bandidos pois só atirava em nome da lei.
O rei do gatilho". 

         Dm                          Gm
Começa o filme com um garoto me entregando
        A7                          Dm
Um telegrama do Arizona onde um bandido de lascar,
                                    Gm
Um bandoleiro transviado, que era o bamba lá da zona
         A7                   Dm   A7
E não deixava nem defunto descansar.
        Dm                             Gm
Pedia urgente que eu seguisse em seu socorro,
       A7                          Dm
A diligência do Oeste nesse dia ia levar
                                     Gm
Vinte mil dólares do Rancho Águia de Prata
         A7                   Dm   A7
Onde a mocinha costumava me encontrar. 

"Venha urgente pois estou morta de medo. Só tu poderá
salvar-nos. Beijos da tua Mary". 

         C7                            F
Botei na cinta os dois revólveres que atiram
              A7                       Dm
Sem que eu precise, nem ao menos, me coçar. "Fiiiuu!"
      Gm                      Dm
Assoviei para um cavalo que passava do outro lado
           A7                   Dm
E com o bandido mascarado fui lutar.
           C7                        F
Cheguei na Vila e nem dei bola pro xerife,
              A7                       Dm
Entrei direto no saloon, fui me encostando no balcão.
         Gm                            Dm
Com o chapéu em cima dos olhos nem dei conta
            A7                     Dm
De que o bandido me esperava à traição. 

"Cuidado, Moreira!" 

      Dm                         Gm
Era o índio, meu parceiro, que sabia
        A7                          Dm
Das intenções do bandoleiro contra mim
                             Gm
E advertia  seu amigo do perigo que corria
           A7                     Dm    A7
Devo-lhe a vida mas isto não fica assim.
         Dm                    Gm
À essa altura o cabaré em polvorosa
        A7                          Dm
Já tinha um cheiro de cadáver se espalhando.
                                  Gm
Houve um suspense de matar o Hitchcock
           A7                     Dm 
E eu em close-up pro bandido fui chegando.
        C7                        F
Parou o show e as bailarinas desmaiaram,
        A7                     Dm
Fugiram todos, só ficando ele e eu. 
      Gm                       Dm
Eu atirei, ele atirou e nós trocamos tanto tiro
        A7                       Dm
Que até hoje ninguém sabe quem morreu...

"Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu!"

         C7                             F
Só sei dizer que a mulher dele hoje é viúva
             A7                       Dm
Que eu nunca fui de dar refresco ao inimigo
       Gm                    Dm
E como filme bang-bang, bang-bang vale tudo,
      A7                   Dm
O casamento da viúva foi comigo. 

"Tem o final mas o final é meio impróprio e eu não digo,
volte na próxima semana se quiser ser meu amigo. Eu de
cow-boy fico gaiato mas não fujo do perigo". 

Final: Gm  Dm  A7  Dm (A7 Dm).

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Cronologia de Artistas da MPB Séc. XIX / 1960

Marília Batista canta para o encanto dos artistas - Década de 1930.


Destaques da Velha Guarda


















Séc. XIX

























1901-1910

























1911-1920





























1921-1930






























































1931-1940




































































































































1941-1960


















































































































































sábado, 6 de janeiro de 2018

Orlando Silva - Biografia


Orlando Garcia da Silva, o grande Orlando Silva, uma das mais admiradas vozes da música brasileira em todos os tempos, nasceu no no dia 03 de outubro de 1915, na rua Augusta, 35, situada no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro. O nome dessa rua, mais tarde, passaria a ser General Clarindo. O pai se chamava José e a mãe, Balbina. Era uma família feliz, embora modesta. 


Mas o pai morreu por ocasião do surto de gripe espanhola, por volta de 1918, e a situação se complicou para a jovem Balbina, então com apenas 21 anos e dois filhos pequenos para cuidar, sem ter pensão do marido - Orlando e Edmundo. Balbina casaria outra vez, agora com um funcionário da prefeitura do Rio.

Mas, de novo, a viuvez iria criar-lhe dificuldades por mais uma vez falta de pensão. Deste modo, Orlando e Edmundo, que por parte da mãe ganharam outros quatro irmãos, tiveram que assumir responsabilidades da manutenção do lar, enquanto Balbina lavava e passava roupa para fora.

Em 1932, com 17 anos de idade e trabalhando como entregador de encomendas na Casa Raunier, Orlando sofreu sério acidente ao tentar subir num bonde em movimento, por pouco não tendo perdido o pé esquerdo. Ficou com defeito, porém, e depois da alta, calçava sapato normal no pé direito e alpercata no esquerdo. O manquejar acabaria se transformando numa das desconfortáveis características de sua personalidade até ele morrer. Mas, se ao andar Orlando claudicava, cantando ele deixava a todos admirados por sua segurança e firmeza.

Em 1934, graças a uma série de encontros e felizes coincidências, de tudo isso participando o compositor Bororó e o "Rei da Voz", Chico Alves, Orlando Silva estreou em rádio. Na Cajuti, é verdade, uma emissora modesta, mas, para ajudar, ao lado do "Rei da Voz". Curioso é que, ao ser anunciado pelo locutor e criativo compositor Cristóvão de Alencar, este o apresentou como "Orlando Navarro", pretendendo prestar homenagem ao ator Ramón Navarro, na época de visita ao Rio de Janeiro. O futuro astro da música brasileira protestou na hora, indignado com a falta de cortesia do apresentador. E o embaraçoso incidente foi contornado pelo jornalista e compositor Orestes Barbosa, que, por acaso, estava ali no estúdio na hora.

Orlando ganhou cinquenta mil réis pela apresentação, na qual o acompanhante, consta, foi Hervé Cordovil, ao piano, e o programa onde Francisco Alves representava a principal atração, iria durar sete meses. O repertório do rapaz de 19 anos era constituído, evidentemente, de músicas dos outros, destacadamente de Sílvio Caldas, que, na oportunidade, já era famosíssimo com somente 26 anos de idade. Ainda no fim deste ano, Orlando Silva ganhou oportunidade para gravar seu primeiro disco comercial: "Ondas Curtas" de um lado e "Olha a baiana" do outro. O 78 rpm não fez sucesso, mas, em compensação, serviu para exibi-lo por execuções em rádio ao grande público.

A grande oportunidade surgiria, fonograficamente, em meados de 1935, quando o diretor americano da RCA Victor, Mr. Evans, após observá-lo durante alguns meses como corista de discos carnavalescos dos outros, decidiu confiar-lhe um registro público, com dois lados à escolha de Orlando. Surgiram, então, Lágrimas e A última estrofe, ambas de Cândido das Neves. Sua carreira, desde então, em gravações, foi uma das mais impressionantes da música brasileira. De início vertiginoso, com média ao menos de cinco grandes sucessos por ano, ele se manteve até 1942, como líder absoluto dos discos mais procurados do país, além dos mais executados dia-e-noite de rádio.

No fim da década de 40, com o mundo em reconstrução após a terrível guerra, Orlando Silva parecia superado, seja pelo estilo, seja pelo modo novo que aparecia, de cantar música popular. Esse modernismo chegava dos Estados Unidos, propagado pelo cinema, e o microfone ajudava consideravelmente as vozes pequenas e aveludadas. Seus seis ou sete anos iniciais de impressionante forma vocal, porém, faziam-no inesquecível.

Orlando Silva morreu em 7 de agosto de 1978, internado que havia sido, quatro dias antes, no Hospital "Grafeé Guinle", na Tijuca, Rio de Janeiro, Causa mortis: acidente cárdio-vascular esquêmico. Idade: 63 anos, incompletos. O enterro foi no cemitério São João Batista. Antes que o cortejo saísse, contudo, o cantor Roberto Silva entoou Lábios que beijei e Carinhoso diante do caixão, logo acompanhado com muita emoção por todos os presentes ao velório. Havia sido um dos últimos desejos revelados pelo cantor, e não foi esquecido.

Veja também:


Playlist - A Voz de Orlando Silva:







Fonte: Encarte do CD duplo "A Voz de Orlando Silva" - Marcus Pereira Discos.