Mostrando postagens com marcador regional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador regional. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nhô Pai

João Alves dos Santos, o Nhô Pai, nasceu em Paraguaçu Paulista, SP, no dia 28 de março de 1912 e faleceu também na cidade Paraguaçu, no dia 12 de março de 1988

O compositor do corrido Beijinho doce foi lançado por Ariovaldo Pires (o Capitão Furtado) e, como intérprete, formou duplas com seu compadre Nhô Fio, sua prima Nhá Fia e também com sua irmã Nhá Zefa. Também chegou a cantar juntamente com Tonico, da dupla Tonico e Tinoco.

Nitidamente influenciado pela música paraguaia, Nhô Pai fez bastante sucesso nos anos 40 e 50 interpretando vários rasqueados. Em 1943, cruzando pastos em carros de boi, viajando em caminhões de mudança, Nhô Pai excursionou pelo interior paulista, pela região do Triângulo Mineiro e pelos estados de Mato Grosso e Goiás, juntamente com o Capitão Furtado, Nhá Fia e Mário Zan. Apresentaram-se em diversos lugares incluindo cinemas, salões de igrejas e pracinhas.

Já tendo cantado em dupla com Nhô Fio e Nhá Zefa, Nhô Pai formou em 1942 uma dupla com João Salvador Peres, o Tonico da dupla Tonico e Tinoco. Intrepretaram o rasqueado Casinha de Carandá (Nhô Pai) e a valsa Gauchita (Zé Mané). No mesmo ano, Nhô Pai também gravou com Nhô Fio a moda de viola O Brasil entrou na Guerra de Nhô Pai e Ariowaldo Pires, além do rasqueado Fronteira de Nhô Pai e Edgard Cardoso.

Outro fato curioso se deu em 1944, quando Nhô Pai compôs e gravou juntamente com Nhô Fio o desafio Corinthians x São Paulo (Nhô Pai/ Nhô Fio), incluindo o futebol, tema caracteristicamente urbano como assunto também na música caipira.

Como compositor, seu maior sucesso foi sem sombras de dúvida o corrido Beijinho doce, gravado pela primeira vez em 1945 pelas Irmãs Castro e posteriormente pelas Irmãs Galvão. Essa música se tornou um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, tendo sido incluída também no filme Aviso Aos Navegantes de 1951.

Esse famoso corrido foi gravado também em diferentes ritmos, tais como valsa (por Adelaide Chiozzo e Eliana) e Baião (por André Penazzi). Mas foi em 1976 que Beijinho doce voltou a ser novamente um grande sucesso quando foi gravado por Nalva Aguiar, que até então atuava predominantemente nos ritmos da Jovem Guarda. Segundo algumas opniões tal gravação estabeleceu um "segundo marco" na migração de intérpretes da Jovem Guarda para a música Sertaneja, a exemplo de Sérgio Reis, quando da sua gravação de O menino da porteira (Teddy Vieira / Luizinho) em 1973.

Nhô Pai deixou um expressivo repertório de composições em nossa música caipira, tendo tido diversos parceiros como Riellinho, Ariovaldo Pires, Piraci, Ado Benatti, Nalva Aguiar, Sulino, Mario Zan e Raul Torres, além dos já citados Nhô Fio e Nhá Zefa.

Fonte: www.boamusicaricardinho.com

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Teixeirinha, o Gaúcho Coração do Rio Grande

Vítor Mateus Teixeira, cantor e compositor, o Teixeirinha, nasceu em Rolante RS (3/3/1927) e faleceu em Porto Alegre RS (4/12/1985). Filho de carreteiro, tinha seis anos de idade quando o pai morreu. Três anos depois perdeu a mãe, vítima de um incêndio, e passou a sustentar-se fazendo biscates como entregador e vendedor ambulante.

Lançou-se artisticamente em circos e emissoras gaúchas do interior do Estado, apresentando-se depois em Porto Alegre RS, onde começou a obter popularidade cantando em churrascarias e programas folclóricos, acompanhando-se ao violão.

Fazendo programa na emissora de Passo Fundo RS, recebeu convite para gravar em São Paulo SP, estreando na Chantecler em 1959 como intérprete e autor de Xote Soledade e Briga de batizado.

Os primeiros discos não alcançaram repercussão, mas em 1961 tornou-se sucesso nacional com o lançamento de Coração de luto, toada em que narrava a morte da mãe, gravada em disco Copacabana. No mesmo ano, excursionando por cidades gaúchas, conheceu em Bagé a menina Mary Teresinha, acordeonista e cantora na rádio local, que se tornou sua acompanhante efetiva.

Obtendo enorme popularidade como autor e intérprete de um gênero misto de regionalista e sertanejo dirigido a um público bastante específico, passou a atuar no cinema, produzindo cinco filmes, dos quais foi também o argumentista e o ator principal: o primeiro foi o autobiográfico Coração de luto, de 1966, dirigido por Eduardo Llorenti, seguindo-se Motorista sem limites (1969) e Teixeirinha a sete provas (1972), ambos de Milton Barragan, e Ela tornou-se freira (1971) e Pobre João (1974), estes com direção de Pereira Dias.

Com mais de 40 LPs gravados, comandou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, os programas Teixeirinha Canta para o Povo do Brasil e Teixeirinha Amanhece Cantando. Um dos líderes nacionais em vendagem de discos, sua vida foi até transformada em história em quadrinhos. Morreu no dia em que lançaria seu 119°disco, o LP Amor aos passarinhos.

Ao longo de 27 anos de carreira, compôs mais de 700 músicas, ganhou 13 discos de ouro no Brasil e um Galo de Ouro em Portugal. Em 1995, por ocasião dos dez anos de sua morte, foi homenageado em Porto Alegre com uma série de eventos.



Algumas músicas cifradas:

A morte não marca hora, A partida, A volta do tordilho negro, Abraçada com a tristeza, Amor de contrabando, Apenas uma flor, Burro picaço, Canarinho cantador, Canta meu povo, Cinzeiro amigo, Cobra sucuri, Coração de luto, É meu, é só meu, Estância do meu pai, Eu quisera, Facão três listas, Falso amigo, Filha de gente valente, Fim do nosso amor, Gaita e violão, Gaita velha do seu Ary, Gaúcho amigo, Gaúcho da Passo Fundo, Infância frustrada, Já me cansei, Judiaria, Lindo rancho, Mocinho aventureiro, O colono, Olhar feiticeiro, Passo Fundo do coraçãoQue droga de vidaQuerência amada, Recordações de Ypacaraí, Relho trançado, Santa Catarina, Só espero ser felizTordilho negro, Triste madrugada, Tropeiro velho, Última carta, Última ginetiada, Um mundo de amor, Vai cantador, Velho casarão, Veneno da terra, Verde e amarelo, Vida de solteiro

Veja também:


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira. Ed. Publifolha.

Gaúcho da Fronteira

GAUCHO DA FRONTEIRA - DE VANERAO A CHAMAME

Gaúcho da Fronteira (Heber Artigas Fróis), compositor e instrumentista, nasceu em Santana do Livramento-RS, em 23/6/ 1947. Aos sete anos de idade, iniciou-se na gaita de botão com quatro baixos; aos nove, já tocava acordeom, bandoneom e violão.

Foi motorista de táxi e de caminhão até 1968, quando ingressou no conjunto Os Vaqueanos, com o qual trabalharia oito anos e gravaria dois discos. Em 1975 gravou pela Beverly seu primeiro LP individual, Gaúcho da Fronteira, consolidando o apelido pelo qual já era conhecido.

Em 1979 mudou-se para Porto Alegre-RS e foi convidado pela gravadora WEA para inaugurar o selo Rodeio com Meu rasto, seu terceiro LP individual, que incluiu seu maior sucesso, o vanerão Nhecovari Nhecofum.

Representante da cultura e das tradições do Rio Grande do Sul, conquistou popularidade em todo o Brasil com sua música bem-humorada, que mistura os ritmos sulinos ao samba, forró, country e até rock.

Em 1989 foi uma das atrações do 1 Festival Internacional de Música Country, apresentando-se em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Belo Horizonte. Em seus 30 anos de carreira, gravou, entre outros, os discos:

Gaita companheira (1982, WEA/Rodeio), O toque do gaiteiro (1987, WEA), Gaitaço (1990, Continental/Chantecler), Gaúcho negro (1991, Som Livre), Tão pedindo um vanerão (1994, Chantecler), Amizade de gaiteiro (1996).

domingo, 3 de outubro de 2010

Ivan Taborda

Ivan Taborda nasceu em São Gabriel, RS,  e iniciou sua carreira nos anos de 1958 e 1959 cantando sozinho e já fazendo humorismo em suas apresentações. Em 1974 junto de Benone Botega formou a dupla “Os Maragatos”, a primeira gravação da dupla foi “O baile do seu Amaranto”.

Consta que a dupla chegou a fazer uma apresentação musical, na época, para o presidente Geisel.

Autentica imagem gaúcha, de bombacha larga, vocabulário carregado com palavras regionais e sotaque sulino. Em suas prosas sempre gosta de ressaltar algum acontecido, contando causos muitas vezes cômicos, outros carregados de saudade.

Ex-motorista do Palácio Iguaçu nos anos 60, o gaúcho Ivan Taborda acabou encontrando seu espaço no Sudoeste do Paraná. Acordeonista e cantor, Taborda - gaúcho de vastos bigodes, aparência saudável do homem do Sul (o que o fez, inclusive, ser requisitado para muitos comerciais de televisão) tem já uma discografia ampla. 

Buscando o humor e o informal em suas gravações - preferindo, aliás, algumas vezes ficar mais como contador de causos do que cantador, Taborda tem um público seguro que garante a absorção de seus discos no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Seu novo lp ("As Proezas do Pedro Bino", Chantecler) - 15º de uma carreira de muitos êxitos - alterna as suas próprias (e bem humoradas) composições - como o contrapasso que dá título ao disco, os xotes "Gaúcho de Bossoroca", a toada milongueira "Cantigas do Cruzador", a chamarrita "Minha Filha", também músicas de outros autores do Sul. 

É o caso do delicioso "É Mentira Dele" do saudoso Pedro Raimundo (Imaruí, SC, 29/6/1906 - Rio de Janeiro, 9/7/1973) - intérprete regionalista cuja vida e obra acaba de merecer um ensaio do pesquisador Israel Lopes, de Santa Maria, RS - com edição prevista pela Editora Tchê!, de Porto Alegre, na série "Esses Gaúchos" (embora Pedro Raimundo fosse catarinense de nascimento). 

Ivan Taborda é um intérprete e criador de forte personalidade, que sem se fixar no Nativismo - inclusive por estar há anos fora do Rio Grande do Sul - traz músicas interessantes e bem-humoradas, que merecem atenção.






Versão gaudéria da Bíblia

A versão gaudéria da Bíblia ou "O causo das escrituras"

Pois não sei se já les contei o causo das Escritura Sagrada. Se não les contei, les conto agora. A história essa é meio comprida, mas vale a pena contá por causo dos revertério. De Adão e Eva acho que não é perciso contá os causo, porque todo mundo sabe que os dois foram corrido do Paraíso por tomá banho pelado numa sanga. Naqueles tempo, esse mundaréu todo era um pasto só sem dono, onde não tinha nem dele nem meu.

O primeiro índio a botá cerca de arame foi um tal de Abel. Mas nem chegou a estendê o primeiro fio porque levou um pontaço no peito, do irmão dele, um tal de Caim, que tava meio desconforme com a divisão. O Caim, estonces, ameaçado de processo feio, se bandeou pro Uruguai.

Deixou o filho dele, um tal de Nóe, tomando conta da estância. A estância essa ficava nas barranca de uma corredera e o Noé, uns anos despois, pegou uma enchente muito feia pela frente. Cosa muito séria. Caiu água uma barbaridade. Caiu tanta água que tinha até índio pescando jundiá em cima de cerro.

O Noé entonces botou as criação em cima de uma balsa e se alargou nas correnteza, eta índio velho. A enchente era tão braba que quando o Nóe se deu conta a balsa tava atolada num banhado chamado Dilúvio. Foi aí que um tal de Moiséis varou aquela água toda com vinte junta de boi e tirou a balsa do atoleiro. Bueno, aí com aquele desporpósito, as família ficaram amiga.

A filha mais velha do Noé se casou-se com o filho mais novo do Moisés e os dois foram morá numa estância muito linda, chamada estância da Babilônica.

Bueno, tavam as família ali, tomando mate no galpão, quando se chegou um correntino chamado Golias, com mais uns trinta castelhano do lado dele.

Abriaram a cordeona e quiseram obrigá as prenda a dançá uma milonga. Foi quando os velho, que eram de muito respeito, se queimaram e deu-se o entrevero. Pelia braba, seu. O correntino Golias, na voz de vamo, já se foi e degolou de um talho só o Noé e o velho Moisés.

E já tava largando planchaço em cima do mulherio quando um piazito carreteo, de seus dez ano e pico, chamado Davi, largou um bodocaço no meio da testa do infeliz que não teve nem graça! Foi me acudam e tou morto.

Aí a indiada toda se animou e degolaram os castelhano. Dois que tinham desrespeitado as prenda foram degolado com o lado cego do facão. Foi uma sangüera danada. Tanto que até hoje aquele capão é chamado de Mar Vermelho.

Mas entonces foi nomeado delegado um tal de major Salomão. Homem de cabelo nas venta, o major Salomão. Nem les conto!

Um dia o índio tava sesteando quando duas velha se bateram em cima dum guri de seus seis ano que tava vendendo pastel. O major Salomão, muito chagado ao piazito, passou a mão no facão e de um talho só, cortou as velha em dois. Esse é o muito falado causo do Prejuízo de Salomão que contam por aí.

Mas, por essas estimativas, o major Samolão, o que tinha de brabo tinha de mulherengo. Eta índio bueno, seu. Onde boleava a perna, já deixava filho feito. E como vivia boleando a perna, teve filho que Deus nos livre. E tudo com a cara dele, que era pra não havê discordância. Só que quando Deus nosso Senhor quer, até égua véia nega estribo.

Logo a filha das predileção do major Salomão, a tal de Maria Madalena, fugiu da estância e foi sê china no bolicho. Uma vergonhera pra família. Mas ela puxou a mãe, que era uma paraguaia meio gaudéria que nunca tomô jeito na vida.
O pobre do major Salomão se matou-se de sentimento, com uma pistola Eclesiaste de dois cano.

Mas, vejam como é a vida. Pois essa mesma Maria Madalena se casou-se três ano despois com um tal coronel Ponciano Pilatos.

Foi ele que tirou ela da vida. Eu conheço uns três caso do mesmo feitio e nem um deles deu certo. Como dizia muito bem o finado meu pai, mulher quando toma mate em muita bomba, nunca mais se acostuma com uma só. Mas nesses contraproducente, até que houve uma contrapartida.

O coronel Ponciano Pilatos e a Maria Madalena tiveram doze filho, os tal de aposto, que são muito conhecido pelas caridade que fizeram. Foi até na casa deles que Jesus Cristo churrasqueou com a cunhada de Maria Madalena, que despois foi santa muito afamada. A tal de Santa Ceia.

Pois era uns tempo muito mal definido. Andava uma seca braba pelos campo. São José e a Virge Maria tinham perdido todo o gado e só tavam com uma mula branca no potrero, chamada Samaritana. Um rico animal, criado em casa, que só faltava falá. Pois tiveram que se desfazê do pobre.

E como as desgraça quando vem, já vem de braço dado, foi bem aí que estouraram as revolução. Os maragato, chefiado por um tal coronel Jordão, acamparam na entrada da vila.

Só não entraram proque tava lá um destacamento comandado pelo tenente Lazo, aquele mesmo que por duas vezes foi dado por morto.

Mas aí um cabo dos provisório, um tal de cabo Judas, se passou-se pros maragato e já se veio uns tal de Romano, que tavam numas várzeas, e ocuparam a vila. Nosso Senhor foi preso pra ser degolado por um guasca muito forte e muito feio chamado Calvário. Pois vejam como é a vida. Esse mesmo Calvário, degolador muito mal afamado, era filho da velha Palestina, que tinha sido cozinheira da Virge Maria.

Degolador é como cobra, desde pequeno já nasce ingrato. Mas entonces botaram Nosso Senhor na cadeia, junto com dois abigeatário, um tal de João Batista e o primo dele, Heródio dos Reis.

Os dois tinham peleado por causo de uma baiana chamada Salomé e no entrevero balearam dois padre, Monsenhor Caifás e Cônego Atanásio.

Mas aí veio uma força da Brigada, comandada pelo coronel Jesus Além, que era meio parente do homem por parte de mãe e com ele veio mais três corpo de provisório e se pegaram com os maragatos. Foi a peleia mais feia que se tem conhecimento, Foi quarenta dia e quarenta noite de bala e bala.

Morreu três santo na luta: São Lucas, São João e São Marco. São Mateus fico três mês morre não morre, mas teve umas atenunante a favor e salvou-se de lado a lado. Ainda levou mais um pontaço do mais velho dos Romano, o César Romano, na altura da costela.

Ferimento muito grave que Nosso Senhor curou tomando vinagre na Sexta-feira da paixão. Mas aí, Nosso Senhor se disiludiu-se nos home, subiu na cruz, disse adeus pros amigo e se mandou-se de volta pro céu. Mas deixou os dez mandamentos, que são cinco e que pode mutio bem acolher em dois "não se mata home pelas costa, nem se cobiça mulher dos outro pela frente."

Fonte: Puxa o banco e senta, que tá na hora do chimarrão - cifraclub.

Os dez mandamentos do chimarrão

Os dez mandamentos do chimarrão ou "As regras do bom comportamento numa roda de mate" :

Não peças nunca açúcar no mate

O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço de Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, dólar, etc..., mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma Coca-Cola com canudinho que tu vais te sentir bem melhor...

Não digas que o chimarrão é anti-higiênico

Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é, só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de Chimarrão. Repito, pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa. Não nele).

Não digas que o mate está quente demais

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueis. Se, porém te julgas perfeitamente igual as demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

Não deixes um mate pela metade

Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte.

Não te envergonhes do ronco no fim do mate

Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar um mal educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para a Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

Não mexas na bomba

A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesmo, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

Não alteres a ordem em que o mate é servido

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas, depois de entrar, espera sempre a tua vez, e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado.

Não durmas com a cuia na mão

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando. E às vezes, te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que, apareceu no baile do Gaudério... Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí, o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.

Não condenes o dono da casa por tomar o 1º mate

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio primeiro, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro e quem toma está te prestando um favor.

Não digas que o chimarrão dá câncer na garganta

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der pra esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho que ela.... etc... etc...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Elpídio dos Santos

Elpídio dos Santos (São Luís do Paraitinga, SP 14/01/1909 — idem 03/09/1970), compositor, escultor e poeta, nasceu em uma família de músicos e artesãos. Durante a infância participou de uma banda regida pelo pai e, autodidata, aperfeiçoou-se no violão, compondo suas primeiras músicas.

Foi para São Paulo onde estudou no Conservatório Paulista de Canto Orfeônico. Escolheu o violão como instrumento que o acompanharia por toda a vida. Foi professor de música, autor de uma extensa obra com inúmeros sucessos gravados por artistas como  Almir Sater e Sérgio Reis, Fafá de Belém, Vanuza, Cascatinha e Inhana, Renato Teixeira entre outros.

No cinema foi o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, criando 25 trilhas para filmes do cineasta.

Suas músicas fizeram parte da trilha sonora das novelas: Cabocla (Rede Globo), Rei do Gado (Rede Globo), Pantanal (TV Manchete/SBT) e Meu Pé de Laranja Lima (Band).

Embora seja conhecido como compositor de música caipira, sua obra conta com vários gêneros musicais como valsa, samba, choro, etc.

Em 1952 grava a primeira canção (A cruz de ferro) em parceria com os amigos e compositores Anacleto Rosa Junior e Patativa, contando a lenda da cruz de ferro em Ubatuba.

Logo depois, em 1955, a gravadora Toda América lança mais uma composição de Elpídio dos Santos: Despertar do Sertão, interpretada por Cascatinha e Inhana, uma conhecida dupla da música popular na época e que foi a primeira canção brasileira tocada na rádio BBC de Londres.

Novamente sua música é tocada nas rádios, seu nome começa então a ser citado nos jornais da época e a partir dali uma série de composições são gravadas por vários interpretes diferentes, entre eles: Amilton, Cascatinha Inhana, Dircinha Costa, Duo Brasil Moreno, Elza Laranjeira, Irmãs Galvão, José Tobias, Laurinha, Mary do Arte, Mazzaropi, Mires de Oliveira, Nei de Fraga, Pinheirinho, Titulares do Ritmo, e recentemente foi gravado por Renato Teixeira, Almir Sater, Fafá de Belém e Sérgio Reis, entre outros.

Esses intérpretes tornaram conhecidas as músicas como: Você vai gostar (Lá no pé da serra); A mulher do canoeiro; Chegadinho chegadinho; Lua na roça; Bandinha do interior; Despertar do Sertão (primeira música brasileira tocada na rádio BBC de Londres); Milagre de São Benedito; Desce a noite; Não sei chorar; Cai sereno; Velho moinho; Namoro antigo; entre outras.

A amizade com Mazzaropi

Elpídio era o compositor preferido de Amácio Mazzaropi, sempre convidado para criar as músicas específicas de cada filme e que seriam cantadas pelo próprio artista. A amizade surgiu quando Mazza veio para a região com um circo quadrado bem velho e chovia muito.

Procuraram o Elpídio e disseram que este homem estava a perigo e não tinha dinheiro para pagar músicos. Então Elpídio foi ajudá-lo e disse-lhe que tocaria sem cobrar nada. Mazza nunca esqueceu e reconheceu o talento de Elpídio. Assim surgiu uma grande parceria e amizade que duraria até o fim da vida de Elpídio dos Santos.

Em 1970 Elpídio dos Santos morre. No ano subsequente, Amácio Mazzaropi retorna à casa de Cinira para fazer um apelo: que um de seus jovens filhos tentasse fazer a música para seu novo filme e não deixassem assim, cessar aquela parceria.

Passados alguns anos, Amácio Mazzaropi grava a música “Despertar do Sertão” e a parceria com o velho amigo continua mesmo após sua morte.

Ao todo foram vinte e cinco canções de Elpídio dos Santos gravadas por Amácio Mazzaropi.

Elpídio deixou uma extensa obra composta de mais de mil músicas, várias peças de escultura, poemas e desenhos.

Fontes: Wikipédia; Museu Mazzaropi: Biografia de Elpidio dos Santos; Elpídio dos Santos - 100 anos; Terra Paulista: Artes: Música: Cantores e Compositores.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Despertar do Sertão

Elpídio dos Santos
 Despertar do Sertão (canção, 1955) - Elpídio dos Santos e Pádua Muniz

A barulheira incessante da cascata
Um sabiá cantando alegre lá na mata
O sol que nasce por de trás do verde monte
Unindo a terra com o céu, no horizonte
A natureza sempre alegre e tão festiva
Num prazer ruidoso, comunicativa
O arvoredo com a música dos ninhos
Forma um poema à beira dos caminhos.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai,
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai,
Bom dia irmão!

Já é manhã, as aves enamoradas
Falam de amores no alto das ramadas
O caboclo, ligeiro deixa a palhoça
Pega na enxada e vai cuidar da sua roça
A caboclinha tão bonita, um coração
Corre toda aflita cuidar da criação
Tudo se agita em doce harmonia
Assim no meu sertão começa um novo dia.

Ai, ai, ai
Mas como é lindo o despertar do meu sertão
Ai, ai, ai
Benção Nhá Mãe, Benção Nhô Pai
Bom dia irmão!

Galanteios e milongagens

Galanteios e milongagens

1
Tua carinha mimosa,
Teu corpinho delicado
Os teus olhos feiticeiros
Me trazem abichornado.

2
Neste capão tem um bicho
Que se chama solidão
Junto dele mora um anjo
Que roubou meu coração.

3
Lá no arroio está chovendo,
No capão está trovejando
Por via daquela ingrata,
Meu coração está penando.

4
Toda volta dos arroios
Procura o seu natural;
Não sei que voltas darei
Que tu não leves a mal

5
Eu pedi a uma morena
Que me desse uma boquinha
A chinoca respondeu:
- Esta boca não é minha

6
Um beijo, quando é bem dado,
Daqueles que eu dava e dou,
Faz uma amante dizer:
— Mais outro, que esse mermou.

7
Touro xucro e cupinudo,
Sozinho tenho matado;
Só não pude inda vencer
Quem me traz todo enredado.

8
Quando estou longe de ti
E dói-me a separação,
Começo logo a berrar
Como um terneiro mamão.

9
Quando passas nas coxilhas,
As ancas se boleando,
Até as folhas ,e flores
Vão todas se requebrando.

10
O veado quando corre
Deita a orelha e vai pulando;
Meu amor, quando me enxerga,
Vem toda se requebrando

11
Assim que te vi, chinoca,
Fiquei te querendo bem,
E ando de boca fechada,
Sem dizer nada a ninguém.

12
A açucena quando nasce
Toma conta do jardim;
Também eu ando campeando
Quem tome conta de mim.

13
Adeus, meus amados pagos
Lugar onde eu passeava,
Vivia alegre e contente
Quando com meu bem estava.

14
Estou me lembrando agora
Dos pagos do meu rincão;
Amores que foram meus,
Agora de quem serão?

15
As correntezas do rio
Torcem os paus da balsa;
Tu também és inconstante
E, como as águas, és falsa.

16
Papagaio, pena verde,
Dos encontros cobrados;
Meu amor, diz se me queres,
Não me tragas enganado.

17
Andorinha do coqueiro,
Dá-me novas do meu bem,
Diz-me se é vivo ou morto,
Se está nos braços de alguém.

18
Em cima daquele cerro
Tem uma sela dourada
Para assentar meu amor
Com divisa cobrada.

19
Eu vivo tão preso ao laço
Do amor, que tu me atiras,
Que me parecem teus braços
Palanques de guajuvira!

20
Quando eu vim de lá de fora,
Oito dias de viagem;
Trocar um amor por outro?
Eu não tenho essa coragem.

21
És branca como jasmim,
Cobrada como a rosa;
Por teu amor eu daria
Minha terneira barrosa.

22
No oco de uma figueira
Achei um ninho de anu;
Para negar o que fazes,
Ninguém melhor do que tu.

23
O aguapé da Lagoa
Floresce da cor do luto;
Se é por ti que ando chorando,
Como tens o rosto enxuto?

24
Tenho o meu laço de fita
E as minhas bolas de prata;
Pois nem assim eu pealo
O coração desta ingrata.

25
Já não ando enrabichado,
Não arrasto o meu cambão;
Aos bamburrais da tristeza
Foi-se o pobre coração.

Fontes: Jangada Brasil / (Lopes Neto, João Simões. Cancioneiro gaúcho, p.111-115).

sábado, 18 de setembro de 2010

Cifras de músicas gaúchas

A morte não marca hora, A partida, A vida que véio mandô, A volta do tordilho negro, A.M.M.M, Abraçada com a tristezaAbram cancha pro Rio Grande, Abre o fole tio Bilia, Amor de contrabando, Amor de infância, Amor de verão, Ao som de um gaitaço, Apenas uma florBaile da Mariquinha, Baile de candeeiro, Baile nas Cabritas, Baita macho, Barbaridade, Bate-coxa no Totonho, Bebum, Bem gauchão, Boi Barroso, Bombacha preta, Bugio da fronteira, Burro picaço, Canarinho cantador, Canção do Araguaia, Canta meu povo, Canto alegretense, Canto dos livres, Capão de mato, Céu, sol, sul, Céu, sol sul terra e cor,  Chacoaiando as mondonguêra, Chamamento, Churrasco lá em casa, Cinzeiro amigo, Cobra sucuri, Coração de luto, DesgarradosDoce amargo do amor, Domingueiro, É disso que o velho gosta, É meu, é só meu, Engarupado, Estância do meu pai, Eu quisera, Eu só peço a Deus, Facão três listas, Falso amigo,  Fica comigo, Filha de gente valente, Fim do nosso amor, Gaita e violão, Gaita velha do seu Ary, Gauchinha Bem-Querer, Gaúcho amigo, Gaúcho da Passo Fundo, Grito dos livres, Infância frustrada, Já me cansei, Judiaria, Lendário avô, Limpa banco, Lindo rancho, Majestade no Pampa, Mala de garupa, Menino potro, Mercedita, Meu sistema, Mocinho aventureiro, Morena Rosa, Morocha nãoNa casa do Zé do Guincho, Não vá, Negrinho do pastoreio, O bugioO colono, Olhar feiticeiro, Passo Fundo do coração, Prenda minha, Que droga de vida, Que saudadeQuerência amada, Rastro de bugio, Recordações de Ypacaraí, Relho trançado, Retoço de gaita e pandeiro, Roda de chimarrão, Santa Catarina, Seguindo o vento, Sistema antigo, Só espero ser feliz, Só restou, Tempo de guri, Tertúlia, Tordilho negro, Trem da fronteira, Trem da saudade, Triste madrugada, Tropeiro velho, Última carta, Última ginetiada, Um mundo de amor, Vai, vai no balanço do Tchê, Vai cantador, Vai começar, Vamo rapaziada, Vaneirinha das prendasVanerão da noite inteira, Velho casarão, Veneno da terra, Verde e amarelo, Veterano, Vida de solteiro,Yahoo,

Vida de solteiro

Teixeirinha

Vida de Solteiro
Tom: C7
Intro: F C7 F


Nascido e criado lá meu Rio Grande
C7
não tem quem me mande eu sou meu patrão

Encilho meu pingo quando amanhece
F
e quando anoitece estou noutro rincão

Chego numa festa de chapéu tapeado
C7
não sou mal criado trato com respeito

Eu toco violão e sou bom cantador
F
ser namorador é meu maior defeito
Int.

Gosto de carreira e de briga de galo
C7
tenho um bom cavalo para condução

Por onde eu passo eu namoro um pouco
F
mas eu não sou louco prender o coração

As moças perguntam porque não me caso
C7
eu não me atraso pra dar a resposta

Eu sou muito novo e se eu me casar
F
irei carregar uma mulher nas costas
Int.

As velhas implicam por que não me amarro
C7
só ponho no barro algum namoradinho

Conheço as morenas, das loiras eu entendo
F
mas não me arrependo de viver sozinho

Em porta de baile eu arrasto as esporas
C7
briga sem demora logo me aparece

Puxo meu facão e no meio da sala
F
eu encho de bala quem não me obedece
Int.

A vida é tão curta por isso aproveito
C7
vivo desse jeito até quando eu quiser

Quero aproveitar a vida de solteiro
F
gasto meu dinheiro e não quero mulher

Se eu me casar eu perco a liberdade
C7
vou sentir saudade das noites de farra

Mais quando eu cansar de viver na orgia aí,
F
qualquer dia uma moça me agarra

Verde e amarelo

Teixeirinha


Verde e Amarelo
Tom: F
Intro: F C7 F
Sou caboclo amante da minha terra de um ranchinho lá da serra
C7
Eu cheguei estou aqui
Sou tão simples como a flor da pitangueira 
mas eu conheço a bandeira
F C7 F
Desta terra brasileira pátria amada onde eu nasci
Bb
Não desfaça da minha simplicidade da vergonha e da hombridade
C7
Que eu trouxe da verde mata
Bb F
Sou caboclo, sou a água da cachoeira
C7 F
Sou o sabiá laranjeira sou a lua cor de prata
Int.
Sou caboclo, da bandeira o amarelo 
sou os trigais dourado e belo
C7
Sou a soja e o arrozal
Sou o verde da bandeira, o campo, é céu o Brasil é meu troféu
F C7 F
O caboclo sem chapéu cantando o hino nacional
Bb
Sou vinte e duas estrelinha cor da água
sou um brasileiro sem mágoa
C7
A grandeza do universo
Bb F
Sou a haste da bandeira, sou azul
C7 F
Sou o cruzeiro do sul sou a ordem o progresso
Int.
Sou caboclo deste Brasil continente sou a bandeira imponente
C7
Amo ela e não é pouco
Se um irmão do meu verso desmerece menos do que eu conhece
F C7 F
A bandeira que enaltece este meu Brasil caboclo
Bb
O bom Jesus nasceu de Maria santa e este caboclo que canta
C7
De outra Maria nasceu
Bb F
Outra Maria eu casei e me beija a boca
C7 F
É a mais linda cabocla brasileira que nem eu
Int.

Veneno da terra

Teixeirinha


Veneno da Terra
Tom: Ab7
Intro: Db Ab7 Db

                               Ab7
Veio o progresso destruiu as matas
Db
e os passarinhos já foram embora
Ab7
Os que não foram o veneno matou
Db
ai que tristeza o Rio Grande de outrora
Ab7
Sei que o progresso é muito importante
Db
mais muita coisa ele também destrói
Ab7
A natureza silvestre e saudável
Db
não tem mais, o coração me dói
                             Ab7 
Não vejo as águas dos rios e riachos
Db
tão cristalina como antigamente
Ab7
Onde as espécies matavam a sede
Db
e a natureza sorria pra gente
Gb
Veneno bravo do progresso louco
Ab7 Db
poluiu tudo desgraçadamente
Int.
Ab7
É muito lindo verduras plantadas
Db
ver os trigais, os arrozais também
Ab7
Mais á na base do puro veneno
Db
então me diga que graça isso tem
Ab7
Ganância triste querem plantar tudo
Db
por que não plantam só a metade
Ab7
Preservem as matas e mãe natureza
Db
que dá saúde para humanidade
                               Ab7 
Como é que antes plantavam a colhiam
Db
sem o veneno não havia a fome
Ab7
Por que um inseto combatia o outro
Db
e não morria envenenado o homem
Gb
Mas gananciosos derrubaram as matas
Ab7 Db
e é só veneno que o povo consome
Int.
Ab7
Quero a volta das verdes matas
Db
quero as espécies do animal nativo
Ab7
Quero os peixes de águas puras
Db
e também quero o progresso vivo
Ab7
Quero retorno dos passarinhos
Db
quero a pureza dos campos e da serras
Ab7
Pra não matar o homem do amanhã
Db
não ponham mais veneno na terra
                            Ab7
Quero que morra o cientista burro
Db
e no caixão leve todo o veneno
Ab7
Quero que nasce um cientista humano
Db
com outra química para o terreno
Gb
Vão se unir as matas e as plantações,
Ab7 Db
e amanhecer molhados de sereno
Int.

Velho casarão

Velho Casarão (xote) - Teixeirinha

LP 20 Anos de Glória - 1979



Tom: E
Intro: E A B7 E

B7   
Velho casarão já quase tapera
E
da grande figueira sombreando o telhado
B7
Se ela falasse contava a história
E
de quem te plantou há um século passado
B7
Mas como eu sou neto de quem lhe plantou
E
eu conto a história casarão amado
A
Nas suas paredes tem furo de bala
B7
das revoluções que a história fala
A B7
Serviu de trincheira a varanda e a sala
E
pra seu construtor meu avô afamado
Int.
B7
Ali meu avô os doze filhos criou
E
sou filho que um empunhou a bandeira
B7
Meu avô morreu e ficou o meu pai
E
mandando na estância pela vida inteira
B7
Meus tios foram embora pra outra querência
E
ficou o casarão que foi sempre trincheira
A
Na frente o meu pai seu chimarrão tomava
B7
comigo no colo ele me embalava
A B7
Com a minha mãe os dois cantarolavam
E
para mim dormir na sombra da figueira
Int.
B7
Lá por trinta e dois houve outra revolta
E
as forças chegaram e foram invadindo
B7
Meu pai minha mãe abraçados aos fuzis
E
velho casarão outra vez resistindo
B7
Lá do meu berço eu sai engatinhando
E
pra ver e ouvir a bala zunindo
A
As forças recuaram acabou a desgraça
B7
a figueira grande abafou a fumaça
A B7
Meu pai demonstrou ter ficado com a raça
E
do meu velho avô que brigava sorrindo
Int.
B7
Casarão querido da grande figueira
E
ali fiquei moço faceiro e pachola
B7
Meu pai me ensinou a ser bom cantador
E
e o primeiro acorde de uma viola
B7
Depois veio a morte e levou os meus pais
E
sai pelo mundo minha fama minha rola
A
Quando ficar velho, velho casarão
B7
volto pra contigo tombar no chão
A B7
Da grande figueira quero o meu caixão
E
e pra minha alma o céu por esmola
Int.

Infância frustrada

Infância frustrada - Teixeirinha

LP Que Droga de Vida - 1982



Tom: E
Intro: D A E7 A

E7       A
O fim do ano está chegando novamente
E7
Me faz lembrar da minha infância tão cruel!
D A
Eu me frustrava, como eu me sentia mal
E7
Naquele dia: vinte e cinco do Natal
A
Pobre de mim! Não tinha o bom Papai Noel.
REFRÃO
E7 A
Papai Noel, quanta tristeza você me dava
E7 A
Papai Noel, no meu ranchinho você não chegava!
Int.
E7 A
Naquele tempo pensei que o bom Papai Noel
E7
Ele viesse pra criançada toda em geral
D A
Acreditava ardorosamente no bom velhinho
E7
Que também vinha poro menino pobrezinho
A
Vem até hoje mais só quem pode ganha o Natal
E7                           A
Papai Noel velhinho esnobe, é comercial
E7 A
Papai Noel por isso os pobres não ganham Natal
E7             A
Papai Noel hoje eu entendo quem é você
E7
É um comerciante que só propaga na televisão...
D A
Não vem do céu, como eu pensava, antigamente
E7
Ainda judias do pobrezinho do inocente
A
Como judiava do coitadinho do meu coração
E7                            A
Papai Noel hoje eu me vejo em cada criança
E7 A E7 A
Papai Noel que continuas na desesperança

Vai cantador

Teixeirinha

Vai Cantador
Tom: D
Intro: A7 D A7 D

D                   A7             D 
Ponteando sua viola lá vai indo o cantador
A7
Nos seus versos bem rimados vai cantando a sua dor
G D
Sua voz cheia de mágoa sai do peito sofredor
A7 D
Na sua melancolia eu ouvi quando dizia saudades de um grande amor.
A7
Vai cantador, desabafa tua mágoa, pra onde tu vais eu venho
D
Notes bem que eu também tenho, os meus olhos rasos d'água.
D              A7                 D 
Escuta minha tristeza no ponteio da viola
A7
Os acordes doloridos é o pouco que me consola
G D
Pareço um menino triste que ainda não teve escola
A7 D
Pareço com o jogador que jogou o próprio amor agora pede esmola.
A7
Vai cantador, tu vais voltar como eu quem vai atrás de guarida
D
Nos caminhos desta vida saudades nunca morreu.
D                   A7                 D 
Viola quando eu morrer vou te deixar de herança
A7
Pra aquela ingrata mulher uma dia terá lembrança
G D
De chegar na campa fria nem que seja por vingança
A7 D
Depositar uma flor para o triste cantador que eternamente descansa
A7
Vai cantador que de volta estou chegando não há consolo alem
D
Irás aonde eu fui também, também voltarás chorando.

Um mundo de amor

Teixeirinha

Um Mundo de Amor
Tom: Dm
Intro: Dm A7 Dm
Que bom se eu pudesse um dia 
A7
levar alegria pra quem tem tristeza

Que se eu fosse mais que os nobres
Dm
pra levar aos pobres o pão sobre a mesa
D7 Gm
Quem bom seu pudesse sair fazer o surdo ouvir e mudo falar
Dm A7
Que bom se eu pudesse fazer o paralítico andar e correr
Dm
E o bom ceguinho eu fizesse enxergar
C
(Eu não queria ser cristo senhor
Bb A7
Nem eu o cantor que vive de canções
Gm Dm
Eu simplesmente só queria ser
A7
Um homem qualquer que tivesse o poder
Bb A7 Dm
Pra dar alegria a tantos corações)
Int.

Que bom se eu pudesse agora para as mães
A7
que choram buscar seu filho amado

Que bom se eu pudesse acalmar
Dm
a viúva a chorar, o esposo sepultado

Que bom se eu pudesse a amante curar
D7 Gm
num instante seu coração da dor
Dm
Se eu pudesse os enfermos curar
A7
e as guerras pudesse acabar
Dm
E fazer do mundo um mundo de amor
( )Int.

Que bom se eu pudesse ao ladrão
A7
lhe tornar cidadão de roubar ele deixasse

Que bom se eu tornasse o bandido num bom pai,
Dm
bom marido da prisão eu lhe soltasse
D7 Gm
Que bom se ao ébrio eu pudesse e ele viesse do álcool deixar
Dm
Que bom que seria e que prazer profundo
A7
se eu pudesse dar paz a este mundo
Dm
Para todos crescer, viver e amar
( )Int.

Última ginetiada

Teixeirinha

Última Ginetiada
Tom: C#7
Intro: F# C#7 F#

C#7 
Eu encilhei o meu cavalo e levei outro
F#
fui convidado pra uma linda ginetiada
B Cº F#
Sai do rancho virava de meia noite
C#7 F#
a estrela Dalva repontava a madrugada
C#7
Cheguei na festa o dia vinha clareando
F#
chegava o povo de carreta e a cavalo
B Cº F#
As oito horas tinha um concurso de rédeas,
C#7 F#
as dez e meia outro concurso de pealo Bis
Int.
C#7
Levei um zaino e um tordilho bom de rédeas
F#
com dois cavalos e com sobra de recursos
B Cº F#
Passei do zaino os arreios pra tordilho,
C#7 F#
já levantei com o primeiro concurso
C#7
As dez e meia outro concurso de pealo
F#
passei pro zaino os arreios novamente
B Cº F#
Soltaram o potro, meu laço estava armado,
C#7 F#
botei certinho nas duas patas da frente Bis
Int.
C#7
Ao meio dia o churrasco foi um colosso
F#
cantei um xote pra saudar a gauchada
B Cº F#
No entrevero vi tanta prenda bonita,
C#7 F#
no meio delas minha antiga namorada
C#7
E a meia tarde uma sanfona só chorava,
F#
deu um fandango e eu já me misturei
B Cº F#
O sanfoneiro era o Adelar Bertussi,
C#7 F#
por ser dos bons tirei a prenda e dancei Bis
Int.
C#7
Entrou a noite o fandango se animou,
F#
como foi lindo aquele divertimento
B Cº F#
A minha antiga namorada estava bela
C#7 F#
chamou seu pai e já marquei o casamento
C#7
Passei por lá uma semana e me casei
F#
genro fiquei do seu Antônio Maximino
B Cº F#
Me despedi da gauchada e retornei
C#7 F#
eu vim no zaino e ela veio no tordilho Bis
Int.

Última carta

Teixeirinha

Última Carta
Tom: D
Intro: D A7 D A7 D
D
Eu recebi uma carta
A7
De um amor que já gostei
Saudades mandou lembranças
D
Por isto já esperei
Mas agora é muito tarde
A7
Tuas cartas eu já queimei
Em
E o teu retrato morena
A7 D
Por desaforo rasguei
Quantas noites sem dormir
A7
Por tua causa passei
Perdi momentos preciosos
D
Nas vezes que te visitei
Quantos versos de autoria
A7
Pra você eu dediquei
Em
Não respondo a sua carta
A7 D
De ser traído cansei
O prazer que ainda me resta
A7
Que de tudo eu me vinguei
O amor que deste a outro
D
Eu primeiro que gostei
Os lábios que outro beija
A7
Eu primeiro que beijei
Em
Eu não estou me gabando
A7 D
Teu nome não declarei
Na firma do nosso amor
A7
Um erro grande eu achei
Botaste um sócio honorário
D
Por isto eu me retirei
Resposta da tua carta
A7
É estes versos que cantei
Em
Sociedade com outro
A7 D
No amor nunca gostei