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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sorrir dormindo

Gilberto Alves
Sorrir dormindo (Por que sorris?) (valsa, 1911) - Juca Kalut - Versos de: Catulo da Paixão Cearense

Disco selo: Favorite Record / Título da música: Sorrir dormindo (Por quê sorris?) / Juca Kalut (Compositor) / Banda da Casa Faulhaber / Cia. (Intérprete) / Nº do Álbum: 1-452131 / Nº da Matriz: 11353-o- / Data do lançamento: 1911 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: Nirez D



Em 1962, a canção Por que sorris?, foi relançada por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de Sempre, gravadora Copacabana (CLP 11268). Ainda em 1969 outra edição agora pela gravadora Som (SOLP 40162):

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Por Que Sorris / Juca Kalut (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) /Gravadora: Copacabana / Álbum: CLP 11268 / Ano: 1962 / Gênero musical: Valsa



Mas por que sorris / De me ver assim chorando?
Sorris porque não sou feliz / E não mereço teu amor
Gostas de brincar com a dor / E gostas de zombar das dores
Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim de mim.

Mas do som, mas sabor / Tem sempre o amor
Demais amargor / Oooooh.... ri... ri de mim!
É uma glória viver / A rir desta dor
Que também, sorri / Que se sente prazer de feliz
Que vê, / Ri que tu és a pureza
É o anjo / A beleza / Não sabe gemer

Feliz quando / O trovador na lira chorando 
Tem o coração / Nos grilhões das prisões 
Do amor são as dores / a extrema 
A inspiração dos cantores / Desejo assim findar 
Cantando os meus amargores / com os teus primores rimar...

Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim... / De mim...


Luís de Souza

Luís de Sousa (Joaquim Luís de Sousa - 1865 / 1920 - Rio de Janeiro, RJ), compositor, instrumentista e pistonista, começou a estudar trompete no Ceará, com o mestre de banda Soares Barbosa, e chegou a ser contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores de Fortaleza (CE).

Por volta de 1904, frequentava a casa Cavaquinho de Ouro, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro onde era acompanheiro de importantes chorões da época como Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Juca Kalut, e outros. Foi integrante do famoso Rancho Ameno Resedá. Foi diretor do Grupo Luís de Sousa, conjunto instrumental que gravou vários discos pela Odeon no começo do século passado.

Por volta de 1905, sua valsa Clélia, ainda sem a letra de Catulo da Paixão Cearense com a qual ficou conhecida, foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. Por volta de 1910, a mesma valsa foi gravada pela Banda da Casa Faulhaber & Cia. Recebeu ainda uma gravação da Banda da Força Policial em disco Columbia.

Por volta de 1907, a canção Missa de amor, com letra de Catulo da Paixão Cearense, foi gravada na Odeon pelo cantor Mário Pinheiro. Por essa época, fez várias gravações na Odeon com seu grupo incluindo o xote Nair, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira, além de choros e valsas como A mulata e Iluminada, provavelmente de sua autoria já que não havia qualquer indicação de autores nos selos dos discos. Por essa época, sua valsa Clélia com letra de Catulo da Paixão Cearense, tornou-se a modinha Ao desfraldar da vela sendo gravada na Odeon por Mário Pinheiro.

Em 1913, voltou a gravar com seu grupo registrando os xotes Mercedes, de Luiz Faria, e Meu ideal, de Irineu de Almeida. Dirigiu também o Quarteto Luis de Souza que ainda em 1913, gravou a valsa Guiomar e as polcas Angelina e Enedina, de Artur Ayrão. Gravou também com seu grupo pela Columbia registrando a polca Isto não é vida, de Felisberto Marques, a valsa O regato, de Catulo da Paixão Cearense, as polcas Amenade e Jurandi, de Albertino Pimentel, e a valsa Em ti pensando, de J. Belizário.

Sobre ele, assim escreveu Alexandre Gonçalves Pinto:

"Pistom dos mais chorões que até hoje ainda ocupa o primeiro lugar entre todos os chorões. O seu pistom tinha a magia das grandes melodias, tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só ele possuía, por isso era muito distinguido".

Já Catulo da Paixão Cearense assim o descreveu:

"Foi o mais gigantesco e mimoso pistonista que tive a glória de ouvir até o momento em que escrevo estas linhas. Anacleto de Medeiros no saxofone, Irineu de Almeida, oficlide, Lica, no bombardino, Pedro Augusto, no clarinete; e Luís de Sousa, no pistom, em uma serenata plenilunar, era a maior homenagem que a noite poderia receber de corações humanos."

Obras

Ao desfraldar da vela (c/ Catulo da Paixão Cearense); Carroca; Clélia (c/ Catulo da Paixão Cearense); Georgina; Mimo; Missa de amor (c/ Catulo da Paixão Cearense).

Fontes: Enciclopédia Crevo Albin da MPB; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto).

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os boêmios

Os boêmios (tango, 1903) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Os boêmios, tango-cançoneta do maestro Anacleto de Medeiros cheio da efervescência rítmica do popular maxixe, traduz em sua melodia o ambiente boêmio da cidade do Rio de Janeiro, as rodas de choro nos bares e nas casas de família, os bailes populares e os encontros musicais nas festas religiosas.

A composição, interpretada pelo cantor da Casa Edison Mário Pinheiro, é, sem dúvida, uma homenagem ao meio cultural em que Anacleto construiu sua identidade como músico e compositor. Ele viveu intensamente a agitação do Rio de Janeiro na virada do século XIX para o XX. Ouça a gravação abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Boêmio / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40486 / Lançamento: 1906 / Gênero musical: Tango Cançoneta / Coleção de Origem: IMS, Nirez


Os boêmios - Letra: Catulo da Paixão Cearense

Deus que viver, que prazer
Nesta vida que teço o senhor
Eu gozo só, sem tocar no
Duede travesso do amor!

Oh lé lé! Sou feliz! Uma pinga
De lieias, me faz entrever
O gozar nesta vida borida
É traze-la florida
Em alaere folgar

Mas, oh, que importa o sofrer
Se eu só conheço o prazer?
Eu sei desviar-me da dor
E leve o diabo ao amor!

Meu coração, não aceita
Os espinhos daninhos do amor
Se a mulher, veja ali
Vou passando
Brincando, folgando
A cantar, sou assim!

E que fuja a mulher
O demonio de mim!
Deus me deu esta vida
Por prêmio, serei o boêmio
Que ele quiser

Leve o diabo até inferno
Da vida, a este terreno
Ridente sofrer!
Num copo eu venço o amargor
Do viver!
Tem doçura ao beber! Oh!

Leve o diabo a este inferno
Da vida, este terreno
Cansado sofrer
Eu só encontro alegria no céu
Da folia, cantando a beber!

Oh, como é bom, como é boa
Esta vida que passo sem lar!
Não quero amar, só namoro
A natura que levo a cantar
Uma flor, o luar
Das estrelas, namoro

O divino fulgor
Que ao boêmio dão
Almas meiguices, sem essas
Pieguices do bobo do amor

O fadário (Medrosa)

O fadário - (Medrosa) (canção, 1902) - Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense

Mário Pinheiro ( circa 1880 Campos, RJ - 10/01/1923 Rio de Janeiro, RJ) foi um dos intérpretes mais populares da música brasileira em seu tempo. Estreou sem sucesso como palhaço de circo na Piedade, bairro do subúrbio carioca.

Apresentou-se depois como cantor no Passeio Público, acompanhando-se ao violão. Entre 1904 e 1909, gravou modinhas, lundus e cançonetas para a Casa Edison, introdutora no Brasil da gravação de discos de gramofone.

Esses discos, nos quais se apresentava apenas como Mário, obtiveram enorme vendagem, tornando-o conhecido em todo o Brasil. Devido à sua perfeita dicção, tornou-se o principal anunciador de discos da Casa Edison.

Provavelmente em 1905, gravou as clássicas modinhas Na casa branca da serra, de Guimarães Passos e Miguel Emídio Pestana, O talento e a formosura, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira e O Fadário, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, que se pode escutar abaixo:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Fadário / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Mário Pinheiro (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 40165 / Nº da Matriz: Rx-157(15) / Lançamento: 1904 / Coleção de Origem: Nirez D




Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

General Gasparino

General Gasparino (Gasparino de Castro Carneiro Leão), instrumentista e compositor, morou em São Paulo, capital, e faleceu, na mesma cidade, no ano de 1919. Oficial do Exército e músico, freqüentava as rodas dos chorões da época. Foi professor de flauta e também compôs, destacando-se a polca Ibiapina, a modinha A flor do ipê, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e o tango Indígena, que também ganhou versos de Catulo, com o título Ave Maris do sertanejo.

Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:

"... musico de cultura, e valor. Era professor de flauta e de grande saber. De uma educação finissima e posição elevada. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana".


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias do Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Vai ò meu amor, ao campo santo

Catulo
Vai, ò Meu Amor, ao Campo Santo (canção, 1912) - Catulo da Paixão Cearense e Irineu de Almeida - Intérprete: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Vai, Ò Meu Amor, ao Campo Santo / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Almeida, Irineu de (Compositor) / Celestino, Vicente (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 08/08/1952 / Nº Álbum 801023 / Gênero musical: Canção.



Tu, tu não queres crer como eu te quero!
Venero o teu amor, que é minha vida
Tudo nesta dor do mundo espero
Sou poeta e sou cantador, ó alma infinda!
Sobre o coração que me consome
A rutilar luz diamante do teu nome
Sei que o meu penar será infindo
Irei cumprindo o que Deus determinar

Hás de chorar a minha desventura
Quando eu repousar na gelidez da sepultura
Hás de lamentar os sofrimentos
Tantos tormentos que sofri
Enquanto vivo aqui por ti

Vai, vai ó meu amor ao campo santo
Verás a minha cruz lá num recanto!
Vai, que lá verás cheias de odores
Numa genuflexão algumas flores
Vai e uma por uma sem ter medo
Colhe essas flores – a meiguice de um segredo
São os versos d’alma que eu não disse
E enfim dizer, dizê-los só, quando eu morrer

U poeta do sertão


Outra versão de Caboca di Caxangá - a toada “U poeta du Sertão” - foi gravada em 1927 por Patrício Teixeira e novamente em 1936 por Paraguassu. Ela foi dedicada à memória do companheiro nordestino (Catulo veio do Maranhão) e homem de teatro Arthur Azevedo, que morreu em 1907. A gravação de Paulo Tapajós de 1957 foi relançada no CD da Revivendo "Catulo da Paixão Cearense nas vozes de Paulo Tapajós e Vicente Celestino".

Poeta Do Sertão (toada) - Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco - Interpretação: Paulo Tapajós

LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Poeta Do Sertão / João Pernambuco (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Toada.



Si chora o pinho
Im desafio gemedô
Não hai poeta cumo os fio
Du sertão sem sê doutô
Us óio quente
Da caboca faz a gente
Sê poeta di repente
Que a puisia vem do amor

Não há poeta, não há
Cumo os fio do Ceará!

Dotô fromado, home aletrado
Lá da Côrte
Se quisé mexê comigo
Muito intoncê tem qui vê
Us livro da intiligença
I dá sabença
Mas porém u mato virge
Tem puisia como quê!

Poeta eu sô sem sê dotô
Sou sertanejo
Eu sô fio lá dus brejo
Du sertão do Aracati
As minha trova
Nasce d’arma sem trabaio
Cumo nasce na coresma
Nu seu gaio a frô de Abri



Fonte: As Crônicas Bovinas, parte 17

Tu passaste por este jardim


Alfredo Dutra (circa 1860 - 1920 Rio de Janeiro, RJ) é o autor da canção Tu passaste por esse jardim (composta como polca), que Catulo da Paixão Cearense pôs letra. Sabe-se que a canção foi apresentada pela primeira vez pelo próprio Catulo, em festa de casamento do sobrinho do compositor, de nome Oscar de Meneses Pamplona, realizada em 28 de setembro de 1905.

Em 1962, a canção "Tu passaste por este jardim", foi relançada em ritmo de maxixe, por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de sempre lançado pela gravadora Copacabana.

Tu Passaste Por Este Jardim (polca / maxixe, 1905) - Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra - Interpretação: Gilberto Alves

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Tu Passaste Por Este Jardim / Alfredo Dutra (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1962 / Nº Álbum: CLP 11268 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Maxixe.



Tu passaste por este jardim!
Sinto aqui certo odor merencório
Desse branco e donoso jasmim
Num dilúvio de aromas pendeu
Os arcanjos choraram por mim
Sobre as folhas pendidas do galho
Que a luz de seus olhos brilhantes verteu

Tu passaste, que de quando em quando
Vejo as rosas no hastil lacrimado
Das corolas de todas as flores
As minhas angústias, abertas em flores
Neste ramo que ainda se agita
Uma roxa saudade palpita
E esse cravo, no ardor dos ciúmes
Derrama os perfumes num poema de amor

De um suspiro deixaste o calor
Neste cálix de neve, estrelado
Neste branco e gentil monsenhor
Vê-se o íris de um beijo esmaltado
Tu deixaste num halo de dor
Nas violetas magoadas, sombrias
A tristeza das ave-marias
Que rezam teus lábios à luz do Senhor

Vejo a imagem da minha ilusão
Nessa rosa prostrada no chão
Meus afetos descansam nos leitos
Destes lindos amores-perfeitos
Como chora o vernal jasmineiro
Que me lembra o candor de teu cheiro!
Este cravo sangüíneo é uma chaga
Que se alaga no rubor da cor

As gentis magnólias em vão
Muito invejam teu rosto odoroso
Rosto que tem a conformação
De um suspiro adejando saudoso
E esses lírios têm a presunção
De imitar em seus níveos brancores
Esses dois ramalhetes de amores
Andores de flores num seio em botão

Templo ideal

Templo Ideal (modinha, 1912) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Albertino Pimentel - Interpretação: Mário Pinheiro

Disco 78 rpm / Título da música: Templo Ideal / Pimentel, Albertino (Compositor) / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Pinheiro, Mário (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1912 / Nº Álbum:99726 / Lado único / Gênero musical: Modinha.



Olha estes céus, ó anjo, iluminados
De corações sofrentes e magoados
E o teu candor na tela cérula a brilhar
sob um trasflor de madrepérola
De versos consagrados
Com camafeus, opalas e turquesas
E as ametistas que tu exalas no falar
Com o éter da saudade, eterno marmor do sofrer
Um templo ideal eu vou te erguer

A teus pés terás a hiperdúlia da poesia
Ave-Maria dos meus ais!
Consagração do pranto deste santo coração
Virgíneo escrínio da ilusão

Ó, teus pés florei!
Com os meus extremos
Que são fluidos crisântemos
Deste amor com que te amei
Mandei a minha dor soluçar
Num resplendor de diademar

Do coração de essências lacrimosas
Que eu marchetei de rimas dolorosas
Fiz um missal espiritual que adiamantei
Filigranei com os alvos lírios
Destas lágrimas saudosas
O teu altar num pedestal de mágoas
Eu fiz das águas do Jordão do meu penar
Tens uma grinalda em tua fronte constelei

Versos passionais
Meigas violetas, borboletas
Das idéias, orquídeas dos meus ais
Voai, saudosos, primorosos
Dulçorosos beija-flores
Dos tristores que eu lhe fiz dos amargores
Doces hóstias multicores
E um turíbulo de dores
Cujo incenso é a inspiração
Com amor e pura santidade
Guardo o culto da saudade
No meu coração

Eis o teu templo de aurirais fulgores
Que eu perfumei só com o ideal das flores
Arcanjos de ouro tendo às mãos ebúrneas liras
E a teus pés cantando em coro
Sobre um trono de safiras
Nos pedestais dos róseos alabastros
Verás dois astros: Tasso e Dante a soluçar!
Sobre o teu altar e debruçado em áurea cruz
Meu coração numa explosão de luz

Sertaneja

Tango brasileiro "Nenê", de Ernesto Nazareth, publicado em 1895 pela Casa Arthur Napoleão & Cia. e dedicado "ao amigo Dr. Jovino Barral da Fonseca". Segundo o biógrafo Luiz Antonio de Almeida, não se sabe a origem do título, podendo ser uma referência ao apelido de Maria Carolina, irmã do compositor falecida ainda jovem, a um apelido do próprio Dr. Jovino, ou ao apelido de sua ex-discípula Anna Rangel de Vasconcellos Moreira, jovem viúva conhecida por sua grande beleza e que foi apaixonada por Ernesto.

Recebeu letra de Catulo da Paixão Cearense, provavelmente ainda no século XIX, sob o título de "Sertaneja". A edição de Sertaneja de 1968, pela Editora Arthur Napoleão, contém a dedicatória "Ao maestro Nicolino Milano (nenê)", que foi inserida postumamente pelos editores.

Era uma das peças mais tocadas pelo próprio autor, que a executou em diversos recitais ao longo da vida e inclusive a gravou em 1930 (78-RPM Odeon matriz 3940, cujo lançamento não foi aprovado pela gravadora na época, considerando-o "prova má"). Até 2012 recebeu 27 gravações, sendo uma de suas peças mais famosas.

O pianista e compositor Odmar Amaral Gurgel (Maestro Gaó), que tocou esta peça para Nazareth em 1926, contava que o compositor logo lhe chamou a atenção, dizendo que ele deveria fazer um tenuto logo no primeiro acorde (i.e. segurá-lo um pouco), como podemos ouvir na gravação do próprio Nazareth (depoimento de Carlos Eduardo Zappile Albertini, aluno de Gaó). 

Aqui, na interpretação do próprio Nazareth, os seus dois tangos, Nenê e Turuna, gravados em 10/09/1930 e não lançados em disco na época. Matrizes Odeon 3940 e 3942 - Álbum "Os Pianeiros" (FENAB).


Sertaneja (tango, 1895) - Catulo da Paixão Cearense e Ernesto Nazareth

Sestrosa, dengosa
Derriçosa, odorosa flor
Maldosa, formosa
Sertaneja, meu lindo amor!
Anjinho, benzinho
Meu carinho, meu beija-flor
Condena sem pena
Que minh’alma te adora o rigor


Quando tu passas na orla do monte
Caminho da fonte, da tarde ao morrer
Meu pranto rola por sobre a viola
Que a noite consola no seu gemer

Provocante, radiante
Fascinante, ondulante
Num teu fado ritmado
Tu nos fazes até chorar
Logo a gente, a gente sente
Uns desejos dos teus beijos
Uns desejos dos teus beijos
Que até nos fazem delirar

Ingrata, ingrata
Volve a mim um teu doce olhar
Teu riso me mata
Me maltrata, me faz banzar
Desata, desata
Esse olhar do meu coração
Ingrata, ingrata
Suspirosa irerê do sertão

Também se passas
Formosa e tirana
Por minha choupana
Da tarde ao cair
Vou te seguindo
Na estrada arenosa
Qual rola saudosa
A carpir, carpir

Na dança deslizas
E assim pisas mil corações
Teu peito é o leito
Doce leito das tentações
Teus olhos, teus olhos
Vaga-lumes de ingratidões
Teus olhos, teus olhos
Os queixumes das nossas paixões



Fonte: Ernesto Nazareth 150 Anos.

Recorda-te de mim

Catulo da Paixão
Recorda-te de mim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Recorda-te de Mim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912 / Nº Álbum: 137006 / Lado único / Gênero musical: Modinha.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Recorda-te de Mim / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Modinha.



Recorda-te de mim quando de tarde
Gloriosa a morrer na luz do dia
E nos seios da noite a serrania
Em candores de neve se ocultar
Recorda-te de mim nesse momento
As estrelas saudosas do penar

Recorda-te de mim quando alta noite
Escutares um canto de tristeza
Descantado por toda a natureza
Nos formosos harpejos do luar
Recorda-te de mim quando acordares
E sentires no peito do adolescente
Um espírito em mágoa florescente
Uma hora em teu peito a suspirar

Recorda-te de mim quando no templo
Numa prece serena, doce e fina
Sob o altar florescido de Maria
Teus segredos à Virgem confiar
Recorda-te de mim nesse momento
Para que minha dor tenha um alento
E me deixe morrer com o pensamento
De que morro feliz só por te amar

Quando ela passa


Quando Ela Passa (Na aldeia) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Mário Alvares - Interpretação: Patrício Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Na Aldeia / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Alvares, Mário / Teixeira, Patrício (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum: 10084 / Gênero musical: Maxixe.



Quando ela passa
A caminho da choça do monte
Lá no horizonte
A ascensão do luar
Pela aldeia vem se derramar
Geme a fonte
E as minhas mágoas vêm vê-la passar
Passar cantando
Com a flor brincando
De quando em quando a suspirar

Vai bandoleira
A faceira que de mim se esquece
Até parece uma flor
Que ao luar, ao luar
Irrorada de orvalho
Do galho se desprendesse
E lá fosse a ondular
E ondulando fosse voando
De quando em quando a suspirar

Deixa em seu rastro o odor
Do rescendente sassafrás em flor
Deixa onde passa o olvido
O aroma de um coração ferido
Geme a viola então
Em meio da solidão do sertão calado
Um canto apaixonado, aveludado
De suspiros do coração

Se ao longe um lacrimal
Desliza sobre a areia de cristal
Descalça o pé dengoso
E o riozinho estremece airoso
E todo dia a se arrufar
Não quer mais deslizar
No planger fluente
Quer essa flor virente
Nas madeixas da corrente
Leva, levar

Quando amanhece
E à porta da choça aparece
Acorda a flor que umedece
O frescor que é tão grato
Acorda o regato e no mato
Acorda a rola em seu ninho de amor
Acorda a fonte, o horizonte
E lá no monte o trovador

Palma do martírio

Catulo
Palma do Martírio (Implorando) - Letra: Catulo da Paixão Cearense - Música: Anacleto de Medeiros

Disco 76 rpm / Título da música: Implorando / Medeiros, Anacleto de, 1866-1907 (Compositor) / Banda do Corpo de Bombeiros (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Nº Álbum 40574 / Gênero: Schottish.



LP Catullo O Poeta Do Sertão - Na Interpretação De Paulo Tapajós / Título da música: Implorando / Anacleto de Medeiros (Compositor) /Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1957 / Nº Álbum: SLP 1709 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Valsa.

Quando um deus cruento
Vem sangrar meu sentimento
E do meu tormento
Põe as cordas a vibrar
Solto o pensamento
Que se perde no infinito
Desse azul bendito
Que te luz no olhar

Se teu nome pulcro
Em devoção desfio em prece
Frio em seu sepulcro
Me estremece o coração
Pedras de cristal sentimental
Correm fugazes
Pelas minhas faces
A brilhar, rolar

Brilhas entre as gemas
Dos poemas dos meus prantos
Choras nos quebrantos
Destas lágrimas supremas
Tu sorris das rosas
Policromas nos aromas
Fulges no cismar
Da minha dor, do meu penar

Cantas nos enleios
Dos gorjeios mais insones
Corres pelos veios
Da campina esmeraldina
Gemes pelos seios
Esteríssimos das fontes
Pelos horizontes
No arrebol ao pôr-do-sol

Em vestes celestes
Nos ciprestes de minh’alma
Ergues uma palma
De martírio a meu penar
Brilhas como um círio
Iluminando sobre flores
Minhas agras dores
Cor do azul do mar

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Fechei meu jardim

Catulo da Paixão
Fechei O Meu Jardim (modinha, 1912) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Orestes de Matos

Disco 78 rpm / Título da música: Fechei o Meu Jardim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Matos, Orestes de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1912-1914 / Nº Álbum: 137000 / Gênero musical: Modinha / Seresta.



Tu me perguntas por que, solitário
Inda mais vário sou que um beija-flor
Ai, quantas vezes cumprindo o fadário
Fui ao calvário do falsário amor!


Eu te respondo mesmo assim cantando
Exacerbando os sonhos meus de então:
Lágrimas frias, creias ou não creias
Tantas chorei-as que fiz um Jordão

Quando a primeira confessei que amava
E ela jurava eterno afeto a mim
Senti minh’alma tão feliz, vaidosa
Mais orgulhosa que a de um querubim
Para ofertar-lhe desprendi a rosa
A mais formosa do espiritual jardim

Rosas, camélias, dálias, açucenas
Lírios, verbenas, cravos, resedás
Íris, violetas, manacás, mil flores
Tantos primores dispensei em vão
Jardim não teve nenhuma rainha
Como a que eu tinha no meu coração

Vieste tarde! Nem agora existe
Um golvo triste de funéreo dó
De tantas flores que eram meus carinhos
Só vejo espinhos, folhas secas só

O amor-perfeito que eu tinha em meu peito
Perdeu a vida, emurcheceu por fim
Mas essa flor modou-se, emurchecida
Numa ferida que viceja em mim
Eis minha vida, a minha história é esta
Nada mais resta, fecho o meu jardim

Cabocla bonita

Catulo da Paixão
Cabloca Bonita (canção sertaneja, 1915) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Patrício Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Cabocla Bonita / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Teixeira, Patrício (Intérprete) / Patrício (Acomp.) / Guimarães, Rogério (Acomp.) / Violão (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Gênero musical: Canção sertaneja.



Quando tu passa nus mato, meu bem
Cantando pulos caminho
Vai seguindo atrás de ti, meu bem
Um bando di passarinho

Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!

Quando tu inda vem de longe, meu bem
Eu já di longe adivinho
Eu sinto istremecê, meu bem
As corda desse meu pinho

Ai, caboca facera / Mi dá um beijinho!

Quando tu samba nus samba, meu bem
Parece um beija-frozinho
Qui avoa di frô in frô, meu bem
Cumo a percura di um ninho

Ai, caboca dengosa / Mi dá um beijinho!

Versão de Patrício Teixeira:

Quando tu passa no mato, meu bem
Cantando pelo caminho
Quando tu passa no mato, meu bem
Cantando pelo caminho
Por onde tu vai passando, meu bem
Vai gorjeando um passarinho

Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!
Ai, caboca bunita / Mi da um beijinho!

Tu inda vem muito longe, meu bem
Eu já di longe adivinho

Tu inda vem muito longe, meu bem
Eu já di longe adivinho
Eu sinto istremecê, meu bem
As corda desse meu pinho

Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!
Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!

Si Deus mi desse a ventura, meu bem
De tu me dá um beijinho
Si Deus mi desse a ventura, meu bem
De tu me dá um beijinho 
Eu seguia (tão feliz?), meu bem
Qual se fosse um cachorrinho

Ai, caboca bonita / Mi dá um beijinho!
Ai caboca bonita / Mi dá um beijinho!

Até as flores mentem

Catuloo da Paixão
Até As Flores Mentem (modinha, 1928) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Até As Flores Mentem / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1928 / Nº Álbum: 12823 / Lado B / Gênero musical: Modinha.



Em um jardim à beira-mar
Fazia um luar de níveo albor
E o céu sem véu tinha o fulgor
Da cor do meu primeiro amor)
Estava ali a meditar
A meditar pensando em ti
Quando uma flor estando a sonhar
Do nosso amor falar ouvi

Compaixão! À flor eu disse então:
Ó tu que o coração conheces dela
Dize a mim se é vero o seu amor!
E a flor sonhando ainda
Assim me diz, assim:

"Ó feliz, tu és poeta!
A tua mais dileta flor
A nossa irmã de mais candor
Tem amor a ti ardente
Somente vive por te amar
E morrerá por te adorar!"

E a rosa ouvindo assim falar
Senti minh’alma a Deus voar
E de prazer, cheio de amor
Ia na flor um beijo dar…
E ouvi então a flor dizer:
"Eu quis magoar teu coração
Eu quis zombar da tua dor
A ti não tem, não tem amor!"

Ao luar


Ao Luar (modinha, 1880) - Catulo da Paixão Cearense - Intérprete: Paulo Tapajós

LP Luar Do Sertão - Paulo Tapajós Com Orquestra E Coro Interpretando Catullo Da Paixão Cearense / Título da música: Ao Luar / Gravadora: Sinter / Ano: 1959 / Nº Álbum: SLP 1770 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Modinha.



Vê que amenidade,
que serenidade
tem a noite, em meio,
quando, em brando enleio,
vem lenir o seio
de algum trovador!
O luar albente
que do bardo a mente
no silêncio exalta,
chora a tua falta
rutilante estrela
de eteral candor!

Minha lira geme
no concento extreme
que a Saudade inspira!
Vem ouvir a lira,
que, sem ti, delira
nesta solidão!
Vem ouvir meu canto
no fluir do pranto,
com que a dor rorejo!
Lacinante harpejo,
que das fibras tanjo
deste coração!
nosso amor fanado,
quando, eu, a teu lado,
mais que aventurado
por te amar vivi!
Quero a fronte tua
ver à luz da lua
resplandente e bela!
Descerra a janela
que eu durmo as noites,
só pensando em ti!

Dá-me um teu conforto,
que este afeto é morto
que me consagravas...
quando protestavas,
quando me juravas
eviterno amor!
Vem um só momento
dar ao pensamento
radiosa imagem
depois, na miragem,
deixa, eu tua ausência,
cruciar-me a dor!

De saudade o dardo
vem ferir do bardo
o coração silente!
Esta dor latente
só na campa algente
poderá findar!
Mas se ainda o peito
palpitar no leito
de eternal abrigo,
hei de só, contigo,
sob a lousa, em sono
funeral, sonhar. 

Ai de mim!

Catulo da Paixão
Ai de Mim (modinha) - Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Mário Pinheiro

Disco 76 rpm / Título da música: Ai de Mim / Cearense, Catullo da Paixão, 1863-1946 (Compositor) / Pinheiro, Mário (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Nº Álbum: 40565 / Gênero musical: Modinha.



Foi um sonho te querer com doido amor
Foi loucura penhorar-te o coração
Dá-me mesmo assim ferido esse penhor
Não te peço nem te imploro gratidão
Guardo dentro deste peito por te amar
Uma dor que sempre e sempre cresce mais
Nem a tua ingratidão me vem matar
Nem a tua ingratidão me abranda os ais

Ai de mim! Ai de mim!
Por que matar-me assim?
Por que matar-me assim?

Este amor, ó este amor, me foi fatal
Nunca mais o meu sossego encontrarei
Tu, travessa, sorridente e jovial
Eu, em busca de minh’alma que te dei
Mas não posso te dizer por que razão
É mais doce o azedume desta dor
Serei teu e teu será meu coração
Não te posso, ó não, negar tão santo amor!

sexta-feira, 24 de março de 2006

Meu ideal

Meu Ideal - Música de Irineu de Almeida / Versos de Catulo da Paixão Cearense / Intérprete: Mário Pinheiro / Gênero: Canção / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 / Álbum 40533 / Data da gravação 1904-1907 / Lançamento 1904-1907 / Lado A / Disco 78 rpm:



Pudesse esta paixão na dor cristalizar / E os ais do coração em pérolas congelar / De tudo o que sofreu na tela deste amor / Faria ao nome teu divino resplendor / Pudesse est’alma assim com a tua entrelaçar / E aos pés de Deus num surto ao fim voar / E as nossas almas transmutar / Numa só alma de um insonte querubim

Lá, lá nos céus então / Contigo ali / Do amor na pura e etérea floração / Lá, junto a Deus então / Cantar uma canção / De adoração a ti / Lá eu diria aos pés do Redentor / Perante os imortais: / Senhor, eu venero muito a ti / Mas confessor sem temor/ Que a ela eu amo mais

Minh’alma ascende além, que Deus já te esqueceu / E a terra não contém afeto igual ao teu / Procuras, mas em vão, na térrea solidão / Ouvir a pulsação do coração do amor / Num raio inspirador, no plaustro do luar / Percorre o céu, o inferno, a terra e o mar / Não acharás, não acharás amor igual / Que o teu amor é imortal

Ontem ao luar (Choro e poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: Ontem ao Luar / Pedro de Alcântara (Compositor) / Catulo Cearense (Compositor) / Vicente Celestino (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 80-1023-b / Nº da Matriz: SB-093389 / Gravação: 8/agosto/1952 / Lançamento: Novembro/1952 / Gênero musical: Canção



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34