Mostrando postagens com marcador moreira da silva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador moreira da silva. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Moreira da Silva - O Rei do Gatilho


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O rei do gatilho (1962), O último dos moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira contra 007 (1968), O seqüestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O Rei do Gatilho (samba, 1962) - Miguel Gustavo - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva, O "Tal"... Malandro / Título da música: O Rei do Gatilho / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1962 / Nº Álbum: MOFB 3299 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-de-breque.


"O rei do gatilho, o mais temido pistoleiro de Wichita.
Temido pelos bandidos pois só atirava em nome da lei.
O rei do gatilho". 

         Dm                          Gm
Começa o filme com um garoto me entregando
        A7                          Dm
Um telegrama do Arizona onde um bandido de lascar,
                                    Gm
Um bandoleiro transviado, que era o bamba lá da zona
         A7                   Dm   A7
E não deixava nem defunto descansar.
        Dm                             Gm
Pedia urgente que eu seguisse em seu socorro,
       A7                          Dm
A diligência do Oeste nesse dia ia levar
                                     Gm
Vinte mil dólares do Rancho Águia de Prata
         A7                   Dm   A7
Onde a mocinha costumava me encontrar. 

"Venha urgente pois estou morta de medo. Só tu poderá
salvar-nos. Beijos da tua Mary". 

         C7                            F
Botei na cinta os dois revólveres que atiram
              A7                       Dm
Sem que eu precise, nem ao menos, me coçar. "Fiiiuu!"
      Gm                      Dm
Assoviei para um cavalo que passava do outro lado
           A7                   Dm
E com o bandido mascarado fui lutar.
           C7                        F
Cheguei na Vila e nem dei bola pro xerife,
              A7                       Dm
Entrei direto no saloon, fui me encostando no balcão.
         Gm                            Dm
Com o chapéu em cima dos olhos nem dei conta
            A7                     Dm
De que o bandido me esperava à traição. 

"Cuidado, Moreira!" 

      Dm                         Gm
Era o índio, meu parceiro, que sabia
        A7                          Dm
Das intenções do bandoleiro contra mim
                             Gm
E advertia  seu amigo do perigo que corria
           A7                     Dm    A7
Devo-lhe a vida mas isto não fica assim.
         Dm                    Gm
À essa altura o cabaré em polvorosa
        A7                          Dm
Já tinha um cheiro de cadáver se espalhando.
                                  Gm
Houve um suspense de matar o Hitchcock
           A7                     Dm 
E eu em close-up pro bandido fui chegando.
        C7                        F
Parou o show e as bailarinas desmaiaram,
        A7                     Dm
Fugiram todos, só ficando ele e eu. 
      Gm                       Dm
Eu atirei, ele atirou e nós trocamos tanto tiro
        A7                       Dm
Que até hoje ninguém sabe quem morreu...

"Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu!"

         C7                             F
Só sei dizer que a mulher dele hoje é viúva
             A7                       Dm
Que eu nunca fui de dar refresco ao inimigo
       Gm                    Dm
E como filme bang-bang, bang-bang vale tudo,
      A7                   Dm
O casamento da viúva foi comigo. 

"Tem o final mas o final é meio impróprio e eu não digo,
volte na próxima semana se quiser ser meu amigo. Eu de
cow-boy fico gaiato mas não fujo do perigo". 

Final: Gm  Dm  A7  Dm (A7 Dm).

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Zé Carioca

Zé Carioca(samba, 1959) - Zé da Zilda (José Gonçalves) e Zilda do Zé (Zilda Gonçalves) - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - A Volta Do Malandro / Título da música: Zé Carioca / Zé da Zilda (Compositor) / Zilda do Zé (Compositora) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3096 / Ano: 1959 / Lado B /Faixa 6 / Gênero musical: Samba / Samba-de-breque.



História de papagaio
Eu conheço bastante
Vou contar nesse instante uma bem interessante
Quando eu cheguei aqui
Fui tomar um café
Na Praça Tiradentes
No botequim do seu Vicente
Vi um pássaro verde
Em cima de um palanque
Que eu não conhecia
Eu perguntei a freguesia
Me disseram que era
O papagaio Zé Carioca
Professor de português
(Fala francês, italiano e até inglês, um bom freguês)
Ele ficou meu amigo,
E me levou consigo a uma gafieira
(Onde eu sambei a noite inteira)
De madrugada uma dama fuleira fez um tempo quente
E o papagaio pulou na frente
Deixa comigo que eu sou carne de pescoço
Quem mexer com meu amigo tem que mastigar um osso
Não tenha medo isso é café pequeno eu resolvo só
(Pulou pra trás e arrancou o paletó, meu Deus que nó
eu vou fugir, pra Maceió, com minha vó)*
E, mas de repente a polícia chegou e o baile acabou
E todo mundo se pirou
E o papagaio saiu debaixo da mesa todo rasgado
Completamente depenado
Os dançarinos ficaram com pena de ver seu estado
(Disseram: coitado)
Ele saiu gingando se rebolando todo cheio de visagem
É dos pelados que elas gostam mais
É dos depenados que elas gostam mais.

O sequestro de Ringo


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia. São seis os sambas: O Rei do Gatilho (1962), O Último dos Moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira Contra 007 (1965), O Sequestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

O Sequestro de Ringo (samba, 1970) - Miguel Gustavo - Interpretação: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - Mo "Ringo" Eira / Título da música: O Sequestro de Ringo / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Continental / Nº Álbum: PPL 12466 / Ano: 1970 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



Filme estrelado por: Moreira da Silva

Correu pela Itália o grito de guerra
O Ringo está preso, quem foi que prendeu
O Ringo famoso sofrendo torturas
Nas celas escuras, quase morreu

Mandaram uma carta pedindo resgate
Sua noiva tão linda tem que ser entregue
Exigem em troca montanhas de liras, procuram os tiras
E o filme prossegue

Ringo é aquele pão de ló
Que já esteve no Brasil
Dólar de prata que exibiu-se
Na buzina do Chacrinha
Criatura sem frescura
Meia porção de simpatia
Apaixonado pela Beth Faria.

Tá na Cecília aquela ilha
Onde a máfia predomina
Mão assassina, traição
Tem um canhão na sua boca
Comida pouca, sem bebida
A trinta dias maltratado
Pelos bandidos da Calábria
Mas não dá o recado.

Moreira da Silva embarcou pela Varig
Depois do apelo que o papa lhe fez
Prá ver se salvava o Ringo da morte
Cuidado Moreira!
Chegou tua vez.

Levou na garupa montanhas de liras
Falou com os bandidos na língua de gang
Salvou Juliano e já ia saindo
Com a cara feliz de quem está triunfante.

Mas os bandidos começaram a contar a dinheirama
E foram vendo que os pacotes estavam cheios de jornal
Foram no papo do Moreira e começou o tiroteio
Com estampido e ruído espacial
Tiro prá cá, tiro prá lá
Ringo só tinha uma bala
Mas não se cala é quando a bomba ia cruzando pelo ar
Atira certo, a bomba cai
Morremos todos na explosão
Esta é a razão porque eu não posso mais cantar.

Tá morto o Ringo
Grande herói
Com toda a Itália a soluçar.

Mas já no próximo domingo
Aguardem a volta de Ringo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O último dos moicanos

O Último dos Moicanos (samba, 1963) - Miguel Gustavo - Interpretação: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - O Último Dos Mohicanos / Título da música: O Último dos Moicanos / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: MOFB 3351 / Ano: 1963 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



Tinha jurado à minha mãe por toda vida
Não me meter em mais nenhuma trapalhada
Depois daquela do bandido em que o índio me salvara
Eu decidi levar a vida sossegada

Comprei um sítio e já ia criar galinhas
Quando a notícia no jornal me encheu de ódio
Um bandoleiro aprisionara aquele índio
Que me salvara no primeiro episódio
"Cuidado Moreiraaaaaaaa"

E tal viúva do bandido que eu matara
Com quem case perante o padre no local
Roubou meu sítio e fugiu para Nevada
Apaixonada por um velho marginal

E minha noiva por quem tanto eu lutara
Estava dançando em um saloon fora da linha
Como é que pode um pistoleiro aposentado
Comprar um sítio e querer criar galinhas

"pó, pó pó pó, pó ó "

Montei de novo num cavalo mais ligeiro
Em Hollywood Harry Stone me esperava
E Moacyr chamava os extras para a cena
Enquanto a câmera já me focalizava

A luta agora era com os índios Moicanos
Que pelos canos nos empurram devagar
Me disfarcei, pintei a cara e apanhei a machadinha
E com a princesa comecei a namorar

"Índio cara-pálida chamar Morengueira"
"Morengueira que não é mané vai dar no pé"

Voltei à vila e arrasei os inimigos
Salvei o índio, minha dívida paguei
Dei uma surra na viúva e minha noiva
Naquele mesmo cabaré a desposei

E assim termina mais um filme americano
Com Hollywood já meio desminliguida
Eu vou passar para o cinema italiano
Pra descansar eu vou filmar La Dolce Vita

Não filme agora que a censura está sendo proibida
Perto de mim o Mastroianni não dá nem pra partida
Sofia Loren vem chegando mas já estou de saída
Arrivederti Roma ...

Morengueira contra 007


O ciclo mais notório de continuações na música brasileira foi o dos sambas de breque de Miguel Gustavo para Moreira da Silva, em que o cantor era apresentado inicialmente como um herói de faroeste (passando depois para agente secreto e até cangaceiro!), Kid Morengueira, em gravações que pareciam capítulos de radionovela, com atores, narrador e sonoplastia.

São seis os sambas: O Rei do Gatilho (1962), O Último dos Moicanos (1963), Os Intocáveis (1968), Morengueira Contra 007 (1968), O Sequestro de Ringo (1970) e Rei do Cangaço (1973).

Em "Morengueira Contra 007", além de Moreira da Silva e o agente britânico, estrelam Pelé e Cláudia Cardinale. James Bond dá um flagrante em Pelé, que beijava a estrela italiana. Moreira dá um soco em Bond e livra a cara do rei. Mais tarde, ela confessa ser apaixonada pelo sambista e diz que só esteve no Brasil para sequestrar Pelé e evitar que ele jogasse contra a seleção inglesa.

Morengueira Contra 007 (samba, 1965 (sucesso em 1968) - Miguel Gustavo - Intérprete: Moreira da Silva

Primeira gravação: Compacto simples (7", vinil) Moreira Da Silva ‎– Morengueira Contra 007 / Título da música: Morengueira Contra 007 / Miguel Gustavo (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº Álbum: 7B-117 / Ano: 1965 / Lado A / Gênero musical: Samba / A gravação a seguir é de 1968.



Narrador (introdução):

"Moreira da Silva contra 007. Sexo e violência no mais espetacular filme de espionagem do famoso diretor americano Abelardo 'Chacrinha' Barbosa. Com James Bond, Cláudia Cardinale e Edson Arantes do Nascimento."

Começa o filme com o 007
Saltando em Santos com a Cláudia Cardinale
Com seu decote italiano ela é tão bela
Que ninguém vê o James Bond junto dela

Os dois se hospedam na concentração do Santos
E, entre tantos, ninguém sabe por que é
Que ela desfila de biquíni na piscina
E na maior intimidade com o Pelé

Breque:
A bonitinha não percebe a tabelinha que ele faz.
Pelé controla a Cardinale, dá-lhe um beijo e avança mais.
Gol do Brasil!
O temperamento latino é fogo!...

O James Bond nesse instante dá o flagrante
Diz que Pelé tem que pagar pelo que fez
Entram em luta corporal e o '07
Vai abater o jogador com um soco-inglês

Porém, Moreira, que assistia a toda a cena,
Entra sem pena, vai no '7 e manda o pé
Rabo-de-arraia e antes que caia dá-lhe um coco
Apara o soco e livra a cara do Pelé

Moreira leva James Bond para o DOPS
E na fofoca mais fofoca que eu já vi
Vem jornalista, embaixador inglês sem vida
E entra na fita todo o Itamaraty

Aí Moreira leva a Cláudia Cardinale
Para jogar um pif-paf em Guarujá
Vão no boliche e comem pizza lá no Braz
E cantam samba de Vinícius de Morais

Cláudia confessa o seu amor por Morengueira
Faz a besteira de dizer que o ama com fé
Só foi a Santos com o 007
Para ajudá-lo a raptar nosso Pelé.

Roubar Pelé pra não jogar contra a Inglaterra
Porque os ingleses sofrem de alucinação
E toda noite vêm um fantasma de chuteiras
Fazendo gol no gol da sua seleção

Breque:
E vem o time brasileiro se sagrando campeão
Termina o filme com Moreira dando um drible no espião
O James é derrotado e acabou sua missão.



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - São Paulo, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB; A Canção no Tempo - Volume 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Moreira da Silva - Discografia de vinil.

Malandro não vacila

Bezerra da Silva
Bezerra da Silva

Malandro não vacila - Julinho

Tom: Am

Am          Dm           G7           C
Já falei pra você, que malandro não vacila
Am         Dm          G7            C
Já falei pra você, que malandro não vacila
Am              Dm
Malandro não cai, nem escorrega
G7            C
Malandro não dorme nem cochila
Am           Dm
Malandro não carrega embrulho
G7            C
E tambem não entra em fila

Am                Dm
É mas um bom malandro
G7                   C
Ele tem hora pra falar gíria
Am                       Dm
Só fala verdade, não fala mentira
G7           C
Você pode acreditar

Am                 Dm
Eu conheço uma pá de otário
G7                  C
Metido a malandro que anda gingando
Am         Dm             G7           C
Crente que tá abafando, e só aprendeu a falar:

Am                   Dm
Como é que é? Como é que tá?
G7              C
Moro mano? É, chega pra cá!

Judia rara

Moreira da Silva - 1938
De origem humilde, as polacas trabalhavam quase sempre no baixo meretrício - locais de prostituição frequentados por quem tinha poucos recursos. Nos cabarés e bordéis de luxo, a soberania era das francesas, que exerciam na época grande fascínio no imaginário masculino. Atentas a esse fato, algumas judias aprendiam palavras em francês para tentar melhorar de vida.

Motorista de lotação e sambista, o cantor Moreira da Silva namorou por 18 anos uma polaca: a russa Estera Gladkowicer, que chegou ao Brasil com 20 anos em 1927, foi dona de bordel no Mangue e se matou em 68, ingerindo barbitúricos.

Para ela, Moreira compôs Judia Rara: "A rosa não se compara / A essa judia rara / Criada no meu país / Rosa de amor sem espinhos / Diz que são meus seus carinhos / E eu sou um homem feliz" (Fonte: Homenagens em músicas e poemas - Aventuras na História ).

Judia Rara (samba, 1964) - Jorge Faraj e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Morengueira 64 / Título da música: Judia rara / Jorge Faraj (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado B / Faixa 9 / Gênero musical: Samba.


Tom: C

Introd.: Dm   Am   E7   A7   Dm   Am   F7   E7   Am   

Bm7/5b    E7       Am   
A rosa não se compara   
A7         Dm   
A essa judia rara   
E7             Am     A7   
Criada no meu país   (virada)   
Dm                  C   
Rosa de amor sem espinhos   
C7                      Dm7   
Diz que são meus seus carinhos   
Bm7/5b       E7     Am   
E eu sou um homem feliz   
G7               C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                   Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7             C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                   Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Ebm torno dela a bailar.   
G7                C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                  Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7            C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                  Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar. 

domingo, 27 de janeiro de 2008

Esta noite eu tive um sonho

De Wilson Batista é o samba-de-breque Esta noite eu tive um sonho, feita em parceria com Moreira da Silva. A composição, de 1941, foi lançado numa gravação antológica de Kid Morengueira, e ambienta o malandro em plena Alemanha da Segunda Guerra, entre Graaf Zeppelins e salsichas, com direito à possivelmente única citação do mundo do samba na língua de Goethe: Ich nag dich (Foto: Moreira da Silva em 1938).

Esta Noite Eu Tive Um Sonho (samba, 1941) - Wilson Batista e Moreira da Silva - Interpretação: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Esta Noite Eu Tive Um Sonho / Autoria: Silva, Moreira da (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1941 / Nº Álbum 34754 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Saltei em Berlim, entrei num botequim,
Pedi café, pão e manteiga pra mim,
O garçom respondeu: não pode ser não !
Fiquei furioso e fui "hablar" ao patrão,
Que me recebeu com duas pedras na mão,
E me disse quatro frases em Alemão,
Néris disso, sou doutor em samba,
Venho de outra nação !

Tive vontade de comer uns bifes,
Ich nag dich, seu Fritz,
Não se resolve assim não,
Venho do Brasil,
Trago um presente pro senhor,
Esta ganha e esta perde,
Na voltinha que eu dou,
Já tinha ganho todos os marcos para mim,
Quando ouvi o ruído de um Zeppelin,
Eu acordei, tinha caído no chão,
Salsicha à noite, não faz boa digestão.

Idade não é documento

Idade Não é Documento (samba, 1979) - Ciro Aguiar e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Jovem Moreira / Título da música: Idade Não é Documento / Aguiar, Ciro (Compositor) / Silva, Moreira da (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Polydor, 1979 / Nº Álbum: 2451 138 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



No domingo passado / eu fui tomar um banho
na Barra da Tijuca / Pra esfriar a minha cuca
puxei meu carango no buteco
eu fiz uma rango e mandei pendurar:
(-Escuta qui meu camarada eu estou escovando
no burro / chamando o pavão de meu louro)

Camisa listrada, piteira francesa e anel de doutor
pra dar mais pinta de credor
Calção rosa choque, chapéu de palinha
Que retirei do penhor
(estava dando uma de horror)

No meio da praia fui logo cercado por lindas garotas
umas gostosas outras marotas
enquanto os playboys de água na boca paqueravam de lado
(olhos de jacaré dopado)

E eu e seu Silva num papo avançado
com o seu Lapa sorrindo aquele grupo feminino
convidei a primeira para dar um mergulho na água gelada
(para acalmar minha vanguarda)

Enquanto na praia as outras pequenas se inspiravam
dizendo: -Esse Moreira é um veneno
Sai todo prosa convidei a segunda e depois a terceira
para entrar na brincadeira beijei todas elas peguei
meu carango e sai do local
(foi um tremendo carnaval)

Enquanto a moçada de longe me olhava
com água na boca
Deixei a turma quase louca
( muitos anos de vivência corpo limpo sem varizes
já enfrentei o leão da metro e com ele eu posso).

Cachorro de madame

Cachorro de Madame (samba, 1961) - Moreira da Silva e Wilson Pires

LP Moreira Da Silva - Malandro Em Sinuca / Título da música: Cachorro de Madame / Moreira da Silva (Compositor) / Wilson Pires (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1961 / Nº Álbum: MOFB3207 / Lado B / Faixa 04 / Gênero: Samba de breque.



Há cachorro que tem
Vida melhor do que a minha
Enquanto eu tomo caldo de baleia
É, seu Zé, o seu menu é galinha

Há cachorro que tem
Para dormir no macio colchão
Enquanto eu trabalho no duro, Zé pão duro
E a noite vou dormir no chão

Há dias eu não tenho no bolso
Cinco cruzeiros pra tomar um bonde
E ao passo que um cachorro tem um automóvel
Para passear não sei aonde

É por isso que eu quero ser cachorro
Agora quero ser o meu patrão
Pra quando chegar as cinco horas
Eu vou lhe esperar com latido no portão

Eu quero ter o meu reclame... Au, au, au
Vou ser cachorro de madame... Au, au, au

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

J. B. de Carvalho

J. B. de Carvalho (João Paulo Batista de Carvalho), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 24/12/1901 e faleceu em 24/8/1979. Iniciou carreira artística em 1931, na extinta Rádio Cajuti, liderando o Conjunto Tupi, que interpretava corimás, músicas cantadas durante os rituais de macumba.

No repertório do grupo estava incluído o seu batuque Cadê Viramundo, depois gravado com sucesso pelo próprio conjunto e mais tarde por Xavier Cugat. O Conjunto Tupi foi um dos primeiros a ter programa de umbanda em rádio, durante muitos anos, além de realizar inúmeras gravações na Odeon.

O grupo se apresentou na maior parte das emissoras cariocas, sendo freqüentemente interrompido pela polícia, que invadia os auditórios de seus programas, quando as pessoas entravam em transe ao ouvir os pontos de macumba e orações. Foi preso inúmeras vezes, sempre dizendo que saia livre graças a sua amizade com Getúlio Vargas.

Em 1937 obteve grande êxito no Carnaval com o samba Falso amor (com Osvaldo Silva), gravando com sucesso, na Odeon, a batucada Poeira (J. Santos e Abigail Moura), em 1940, e a marcha Pó de mico (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), em 1941.

Ainda na Odeon, gravou com Eladir Porto o batuque africano Ponto do caboclo Rompe-Mato (com Nelson Trigueiro), em 1941, além das macumbas Pai Xangô (com E. Silva e H. Almeida) e São Jorge Guerreiro (Amado Régis), lançados em 1943, com acompanhamento de Garoto e seu conjunto.

Afastado do rádio em fins da década de 1960, reapareceu em 1971, na Rádio Carioca, com A Carioca dos Terreiros, programa de grande audiência e popularidade, realizado por ele com a colaboração do locutor Moreira e de seu filho, J. B. Júnior, pandeirista e compositor da Portela.

Conhecido também como O Batuqueiro Famoso, gravou alguns dos maiores sambas cariocas, como Juro (Milton de Oliveira e Haroldo Lobo), em 1937, Só um novo amor (Max Bulhões) e Foste embora (Djalma Esteves, Raul Resende e Carlos de Almeida), ambas em 1938.

A partir de fins da década de 1960 passou a gravar uma série de LPs de pontos de macumba e outras musicas de terreiro, muito vendidos em casas de artigos de umbanda de todo o Brasil.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora

sábado, 26 de agosto de 2006

Olha o Padilha

Moreira da Silva
Olha o Padilha (samba, 1952) - Ferreira Gomes, Bruno Gomes e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Olha o Padilha / Bruno Gomes (Compositor) / Ferreira Gomes (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Continental, 1952 / Nº Álbum: 16587 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: C  

Intr:  Ab  Fm  C  Am  D7  D79 Gaug C9+

                     C                   G7
Prá se topar numa encrenca, basta andar distraído,
               C                             C
Que ela um dia aparece - não adianta fazer prece.
                            C7                    F
Eu vinha anteontem, lá da gafieira, com minha nega Cecília.
- Quando gritaram - Olha o Padilha!
                                   Fm
Antes que eu me desguiasse, um tira forte e aborrecido
    C
Me abotoou, e disse: - Tu és o nonô! Heim?
                    Dm                    G7
“Mas eu me chamo Francisco, trabalho como mouro,
         C
Sou estivador - Posso provar ao senhor.”
                            E7
Nisso o moço de óculos 'Raibam’,
                       Am
Me deu um pescoção: - bati com a cara no chão.
      A7
E foi dizendo, “Eu só queria saber
                                  Dm
Quem disse que és trabalhador. - Tu és salafra, achacador
       F                               G6
Esta macaca ao teu lado, é uma mina mais forte
                      C
Que o Banco do Brasil - Eu manjo ao longe este tiziu”
              Dm                        G7
E jogou uma melancia, pela minha calça adentro,
                       C
A =      Que engasgou no funil, - Eu bambeei, ele sorriu.
             Dm               G7
Apanhou uma tesoura, e o resultado
          C
Desta operação: - É que a calça virou calção
        C7
Na chefatura um barbeiro sorridente
                F
Estava à minha espera. - Ele ordenou: “Raspa o cabelo desta fera”
           Fm
“Não está direito, seu Padilha, me deixar
                   C
Com o coco raspado - Eu já apanhei um resfriado
                Dm                       G7
Isto não é brincadeira, pois o meu apelido era
                  C
Chico Cabeleira.” - Não volto mais à gafieira.

(solo) C  G7  C  C7  F  Fm  C  B  Bb  A7  Dm  G7  C  (A)

(Ele quer ver minha caveira. Eu, heim? Se eu não me desguio a tempo
Ele me raspa até as axilas. O homem é de morte…)  Dm  G7  C9+

Na subida do morro

Clássico do samba de breque, de autoria de Geraldo Pereira, que o compôs especialmente para uma peça teatral apresentada no Morro de Mangueira, onde Geraldo então morava, escrita, dirigida e interpretada por ele mesmo, como número de encerramento. Anos mais tarde, Moreira da Silva comprou de Geraldo Pereira os direitos autorais e de gravação da música por um conto e trezentos.

O lançamento se deu pela Continental, em maio-junho de 1952, disco 16553-B, matriz C-2816, mas no selo original e na edição impressa apareceram apenas os nomes de Moreira da Silva e Ribeiro Cunha (fabricante dos chapéus do cantor), sendo o de Geraldo Pereira omitido.

O próprio Moreira reconhecia ser Geraldo o verdadeiro e único autor de "Na subida do morro", e regravaria a música em outras oportunidades, além de interpretá-la no filme "Maria 38" (1959), de Watson Macedo, estrelado pela sobrinha do cineasta, Eliana (Fonte: Samuel Machado Filho - Youtube).

Na Subida do Morro (samba, 1952) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Na Subida do Morro / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Orquestra Tabajara (Acomp.) / Araújo, Severino (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951-1952 / Nº Álbum 16553 / Lado B / Lançamento: 1952 / Gênero musical: Samba de breque.


  (A)
Na subida do morro, me contaram   (breque)
  A         E7          A       
Que você bateu na minha nega  
             A7 
Isto não é direito
                        ( D )             
Bater numa mulher que não é sua  (breque) 
                   ( D )
Deixou a nega quase crua (breque)
             Dm                           ( A )
 No meio da rua / A nega quase que virou presunto (breque)
                       ( A )                             Bm
Eu não gostei daquele assunto (breque) / Hoje venho resolvido
                        E7        ( A )
Vou lhe mandar para a cidade de pé junto (breque) 
                      ( A ) 
Vou lhe tornar em um defunto
            Db7                          (Gbm) 
Você mesmo sabe que já fui um malandro malvado (breque)
                  (Gbm)                            Gb7
Somente estou regenerado (breque) /  Cheio de malícia
                           ( Bm )          
Dei trabalho à polícia pra cachorro (breque) 
                    (Bm)
Dei até no dono do morro(breque)
             Bm           Db7                  (Gbm)
Mas nunca abusei de uma mulher que fosse de um amigo (breque)
                   (Gbm)                         Bm  
Agora me zanguei consigo(breque) / Hoje venho animado  
                    E7                    ( A )
A lhe deixar todo cortado / Vou dar-lhe um castigo (breque)
Meto-lhe o aço no abdome e tiro fora
 o seu umbigo (breque)
 
“Aí meti-lhe o aço, hum! Quando ele ia caindo disse: 
Moringueira você me feriu; Eu então disse-lhe: É claro,
você me desrespeitou, mexeu com a minha nega. Você sabe 
quem em casa de vagabundo malandro não pede emprego; 
Como é que você vem com xavecada, está armado; eu quero 
é ver gordura que a banha está cara. Aí meti a mão lá 
na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, 
cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino 
pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e 
fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum, todo ensanguentado; 
E as senhoras como sempre nervosas: Meu Deus esse homem 
morre, moço. Coitado olha aí está se esvaindo em
sangue; Ora minha senhora, dê-lhe óleo canforado, 
penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até
 vacina Salk; Mas o homem já estava frio; Agora o 
malandro que é malandro não denuncia o outro, espera 
para tirar a forra. Então diz o malandro:”
 
              Db7                                 (Gbm)
Vocês não se afobem que o homem desta vez não vai morrer (breque)
                       (Gbm)          
Se ele voltar dou pra valer (breque) 
              Gb7
Vocês botem terra nesse sangue
                     ( Bm )           
Não é guerra / É brincadeira (breque) 
                    ( Bm )
Vou desguiando na carreira (breque)
               Bm   
A jungusta já vem 
          Db7                  ( Gbm )
E vocês digam que eu estou me aprontando ( breque)
                     ( A )              
Enquanto eu vou me desguiando (breque) 
                  Bm
Vocês vão ao distrito
    E7            (  A )
Ao delerusca, se desculpando (breque)  
Foi um malandro apaixonado
                 ( A )
Que acabou se suicidando.

Margarida


Margarida (samba, 1948) - Zózimo Ferreira e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - Malandro Em Sinuca / Título da música: Margarida / Zózimo Ferreira (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Nº Álbum: MOFB 3207 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Samba de breque.


Tonalidade: F
Introdução: Bb  C7  Am7 D7  Bb  Am  Gm  C9

       Gm         C7          F
Eu preciso consertar a minha vida,
    Am       Gm   C7            F          Dm7
Que ficou arruinada quando a Margarida me deixou.
         Gm          C7       F
Eu, que nunca havia ido ao pesado,
    Bdim    E7  Am           E         Am
Desta vez fui obrigado a enfrentar o batedor
          C7
- mas que calor

        Gm              C7        F
Fui trabalhar dentro de uma cervejaria,
Dm        Gm          C7        F      
E, em poucos dias, dei o fora no patrão.
F7                       Bb
Trabalhei tanto, que quase levei a breca,
Bdim    F7   D7    Gm    C7      F   A7
Cheguei a ficar careca de tanto chifrar caixão.

    Dm       Dm/C      Bb  
Meu Deus, eu vou me acabar,
A7          Dm   Dm/C
se a Margarida não voltar.
                  A7               
Eu não sei como vai ser,
        D7                     Gm
a minha canja de galinha se acabou.
         C7                      F   
Eu estou cansado de enfrentar o batedor
  A7    Dm
- eu vou morrer.

        Dm/C           Bb          A7           Dm
Fui trabalhar num restaurante prá poder comer bastante.
      A7                         D7
Numa vaga de caixeiro, em pouco tempo,
                 Gm                     C7
Promovido a secretário, porque o proprietário
                F                A7     
Não conhecia dinheiro - era um fuleiro

Dm  Dm/C       Bb        A7         Dm
Ele tinha confiança na minha sinceridade,
Dm/C                A7
E eu trabalhava à vontade.
D7                         Gm               Dm
É, mas se a polícia não descobre, eu ficava rico,
            A7          Dm
E o meu patrão ficava pobre.

Bb  C7  Am7 D7  Gm  Am  Gm  C9

Jogando com o capeta


Jogando Com o Capeta (samba, 1959) - Moreira da Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Jogando Com o Capeta / Moreira da Silva (Compositor) / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado B / Faixa 1 / Gênero: Samba de breque.


Tonalidade: G

Introdução: C7M  C#° G7M  E7 Am  D7  G7M  D7

          G7M                D7
Jogando baralho, no terreiro grande
               G7M
No meio de homens fortes
- eu estava jogando com a sorte
           G7
Um desconhecido chegou, bem vestido
        C7M
E me pediu o corte
- eu disse-lhe “Jogo até com a morte.
             C#dim
Mas se acaso ganhar, não vá sorrir e nem zombar,
                  G7M     
Que hoje é meu companheiro
                 E7
- não vá levar o meu dinheiro
          Am7                        D7
Não sou brigador, mas se perder e não pagar,
            G7M
Eu vou bater no senhor”
- ele me disse ‘és um terror’

         Am7       D7     G7M
Fiz um macete de valete e dama
- o Vargo perde e não reclama

E diz ‘que lama’
G7                           C7M
Puxou de uma bolada e me desacatou,
- depois a sorte me deixou.

Ele tomou do lesco, e desfolhou
C#dim              G7M  
Fiquei sozinho, sem um companheiro
E7
- porque perderam o seu dinheiro
Am7           
Depois ele sorrindo me disse:
D7                     G7M
‘desista porque eu sou trigueiro.
                 Am7
Eu sou o Chico Tintureiro, o Zé Carneiro’. Fiz
     D7                     G7M
Umas paradas mais eu tinha um peso
- eu já estava quase pronto,
        G7                                C7M
Acabei teso. Puxei minha solinje e fiz o “pelo-sinal”

Ele me disse: ‘isto é que é mal’

“Deus me defenda do senhor”,
   C#dim                G7M  
falei em Deus mas sem má intenção.
          E7     
Mas para mim foi muito bom,
       Am7
porque deu um estouro e sumiu,
    D7             G7M
Era o capeta, mete cabelão
- mas que cheirinho de alcatrão.

Fui ao dentista


Fui Ao Dentista (samba, 1964) - Sebastião Fonseca e Cícero Nunes - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - Morengueira 64 / Título da música: Fui Ao Dentista / Sebastião Fonseca (Compositor) / Cícero Nunes (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1964 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tonalidade: A

Introdução: D  Ebdim  A7M  Gb7  Bbm  E7  A7M  E7

          A7M            Cdim      Bbm
Fui ao dentista, prá chumbar uma panela,
E7                 A7M  G7M
Mais o gajo achou que ela, não podia obturar.
Ab7M   A7M           Bm    Cm     E
Ele me disse, “Vou mudar toda a mobília,
Dbm         Gbm         B7           E7
Tu vais ver que maravilha, Morengueira vai ficar.

Arranco tudo, arranco até o maxilar…”

- Mas doutor, o que está me doendo é o primolar.
Eu acho que vou ter um atrito com o senhor… -

              A7M      Cdim           Bbm
Mas quando eu vi o boticão que ele trazia,
E7                   A7
Minha tripa ficou fria, começou a tremedeira.
D             G           Dbm7
Quem foi que disse que o papai a boca abria,
Gb          Bm7         E7        A7M
Prá espetar a anestesia, na gengiva do Moreira.

Mas tem que ser, queira ou não queira.
Db7                            Gbm
Em vista disso, prá acabar com o meu berreiro,
Db7                        Gbm
O doutor me deu um cheiro, e eu ferrei numa soneca
Db7           Db/B      Gbm
E quando acordo, nem te conto camarada,
Gbm/A        Dbm          Ab7         Db7
Minha boca está chupada, e a gengiva está careca.

Meu panelão levou a breca…
Db7                         Gbm
Enquanto espero, se a gengiva murcha e seca,
Db7                   Gb    Gb7
Prá mudar a perereca, provisória no bocão.
Bbm         E7           A7M
Tudo o que é efe, sai comprido, sai soprado,
Gbm        D7          Db7          Gbm
Que até fico encabulado, com tamanha assopração:

Farora fofa faz fofoca no feijão.

Fenômeno


Fenômeno (samba, 1989) - Joaquim Domingos e Nilton Moreira - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - 50 Anos De Samba De Breque / Título da música: Fenômeno / Nilton Moreira (Compositor) / Joaquim Domingos (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Fama/CID, 1989 / Nº Álbum: 90070 / Lado A / Faixa 03 / Gênero: Samba de breque.
Tonalidade: C  

Introdução: F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  

                  Dm            G7  C           
Doutor des’que nasci, que vivo adoentado.  
           E7                 Am     C7 
Tenho um nariz um tanto avantajado. 
        F      Ebdim        C 
A minha cara é larga prá chuchu,  
      A7           D7                     G7 
o meu queixo até parece uma castanha de cajú. 
Nerusca de ai lóve iou… 

           Dm     G7       C 
É, a minha boca é grande demais,  
          E7                    Am   C7 
e sendo assim, eu sou muito infeliz, 
   F             Ebdim  C 
Doutor, veja por quanto faz,  
A7          D7 G7         C    E7 
uma intervenção, em meu nariz. 

       E7                           Am 
E o doutor olhou prá mim, deu um sorriso, e disse assim: 
          A7             Dm 
 “Você precisa é tomar juízo, vá por mim.  
       Bdim        E7      Am 
Você é forte e tem muita saúde, 
  Am/      B7                      E7 
Você até parece um astro lá de roliúdi…” 

      B7          E7        Am 
Acreditei no lero deste cientista de valor.  
       A#            A7         Dm         Dm/C 
Meti o peito e fui fazer uma conquista de amor, 
          Bdim         E7     Am 
Logo a primeira que chamei de flor,  
       Am/G     F            E7      Am 
me deu um catiripapo e um contra-à-vapor… 
                     C7 
Ai, ai, que dor, ai, ai… 

            Dm      G7           C 
Eu vi anunciado, um tal de seu Macário,  
             E7                  Am     C7 
que tem três filhas em estado precário. 
       F          Ebdim   C        
Meti o peito, e mudei prá lá.  
         A7      D7                     G7 
fui conhecer Maricota, Mariquinha e Maricá 

-É que o velho tem uma nota preta prá gastar,  
e eu estou entusiasmado. 
Desta vez eu vou ficar com aquela faca de (cortar) água morna,  
esterilizada e tudo o mais. 

          Dm     G7         C 
Mas seu Macário usou de franqueza:  
           E7                  Am    C7 
“as minhas filhas não querem beleza, 
      F           Ebdim       C 
Mas você com esta cara que me traz,  
         A7          D7          Db7 
eu tenho visto gente feia, mas assim 
       C  
Já é demais…Desguia Satanás. Que funeragem” 

F7  Ebdim  C  A7  D7  G7  C  C7 F7  
Ebdim  C  A7  D7  G7  C6 

Dormi no molhado


Dormi No Molhado (samba, 1942) - Moreira da Silva, Tancredo Silva e Ribeiro Cunha - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - O Último Malandro / Título da música: Dormi no Molhado / Moreira da Silva (Compositor) / Tancredo da Silva / Ribeiro Cunha (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1958 / Nº Álbum: MOFB 3058 / Lado A / Faixa 5 / Gênero: Samba de breque.

Disco 78 rpm / Título da música: Dormi no Molhado / Silva, Moreira da (Compositor) / Cunha, Ribeiro (Compositor) / Silva, Tancredo (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1942 / Nº Álbum 12144 / Lado A / Gênero musical: Samba:


Tonalidade: C

Introdução: F Ebdim C Am7 Dm7 G7 C Am7 Dm7  G7  C

                    C            G7                C
Eu quando vejo um rapaz, da sua idade estendendo a mão –
Dele não tenho compaixão
              C                       C7  
Porque não me conformo ver um homem de talento
                F
não querer trabalhar

Sente, meu velho, tou mais duro do que beira de sino,
Vê se tu me arranja uma nota aí prá pegar um prato feito
É, um P. F. um aparelho da zona acumulada.
        F                       Fm
Eu também já passei fome, já sofri e não morri,
               C                             Am7
Estou aqui de lição - e ninguém vai dizer que não.
                Dm7                   G7
Eu já dei atrapalhado, eu já andei afanado,
                   C
Mas nunca pedi tostão - acho que estou com a razão.
                                    G7
Eu enfrentei uma marreta, na pedreira São Diogo,
                           C
Quebrando pedra roliça - passando a pão e a linguiça.
                        C7                        
Dormia no cais do porto, no meio da sacaria,
              F
onde o rato dormia –
                   Fm
Onde ventava e chovia. Quando o dia amanhecia,
vinha o chefe da limpeza,
          C                         Am7
Jogando água fria - vejam só como eu saía.
         Dm7                       G7
Sem café e sem cigarro, sem saber prá onde ia,
                     C
Sem tostão e sem vintém - mas nunca pedia a ninguém.
                      G7
Cortei asfalto na linha, fui vendedor de galinha,
                      C
Carreguei cesto na feira - eu fui garçom de gafieira.
                          C7    
Comia numa vendinha, que só fritavam sardinha,
                    F
Com azeite de lamparina - eu só cheirava a gasolina.
                      Fm
Fui peixeiro, carvoeiro, fui carteiro, fui bicheiro
                C                            Am7
Apanhei como ladrão - mas não mudei de opinião.
                 Dm7                        G7
E como sou caprichoso, hoje me sinto outro homem,
                  C
Até já mudei meu nome
- oi, já me disseram até que eu virava lobisomem.
F  Ebdim  C  Am7  Dm7  G7  C  Am7  Dm7  G7  C

Cidade lagoa


Cidade Lagoa (samba, 1959) - Sebastião Fonseca e Cícero Nunes - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira Da Silva - A Volta Do Malandro / Título da música: Cidade Lagoa / Sebastião Fonseca (Compositor) / Cícero Nunes (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1959 / Nº Álbum: MOFB 3096 / Lado B / Faixa 01 / Gênero: Samba de breque.


Tonalidade: A

Intro: 

D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A  A7
 D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A7M 
 
    A7M             C°        Bm 
Esta cidade, que ainda é maravilhosa,
Bm/A           E7 
Tão cantada em verso e prosa,
A7M   G7M
Desde os tempos da vovó.
   G#7M     A7M   C#m7         E7 
Tem um problema, crônico renitente,
    C#m7               F#m
Qualquer chuva causa enchente,
B7         E7 
Não precisa ser toró.
     A7M          C°              Bm 
Basta que chova, mais ou menos meia hora,
     Bm/A      E7                A7M  A7 
É batata, não demora, enche tudo por aí.
  D7M         G7            C#m7
Toda a cidade é uma enorme cachoeira,
       F#7           Bm7 
Que da Praça da Bandeira, 
E7               A7M   C#7 
Bis       Vou de lancha a Catumbi.
       F#m            A         Bm7 
Que maravilha, nossa linda Guanabara,
 Bm7/A     C#7 
Tudo enguiça, tudo pára, 
                   F#m 
Todo o trânsito engarrafa.
  G#7             C#m7 
Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço,
E7                 Eb7 
Entre n’agua até o pescoço, 
   G#7                  C#7 
E peça a Deus prá ser girafa.
    F#m              A             Bm7 
Porisso agora já comprei minha canoa,
     Bm7/A     C#7                             F#       F#7
Prá remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva cai,
  Bbm           C7          Fm 
E se uma boa me pedir uma carona,
 F#m/E           D7
Com prazer eu levo a dona,
    C#7         F#m
Na canoa do papai.
 
D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A  A7   
D7M  G7  C#m7  F#7  Bm7  E7  A7M 

Chave de cadeia


Chave-de-cadeia (samba, 1963) - Moreira da Silva e Geraldo Gomes - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - O Último Dos Mohicanos / Título: Chave-de-cadeia / Moreira da Silva (Compositor) / Geraldo Gomes (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1963 / Nº Álbum: MOFB 3351 / Lado B / Faixa 01 / Gênero: Samba de breque.


Tom: G  

Intro: G  Am  D7  Bbm  E7  Am  D7  G

G             C#dim    G
Vamos, não me faça desacato,
C#dim          G
Gosto das coisas claras,
Em               Am
não vê que sou bom mulato
Am/G      B7                Am
Anda me malhando, não sou palhaço
D7                  G
Vou mandar tirar seu nome tatuado no meu braço.
D7          G                  Edim       G
Aquele terno branco, que eu dei duro prá fazer
G7                       C
Você botou no prego e a cautela foi vender
Cm                 G
O relógio de ouro não estava perdido,
Em           Am            D7     G
Só agora estou sabendo, também foi vendido
B7                            Em
Pode se abrir, prá minha malandragem
B7              Em    E7   Am
Conte a todo mundo como eu fiquei
B7         Em           G          C
Está tirando a desforra, das dezenas de palhaços
B7
Que eu marretei.
Em
Você, mulher, é uma chave de cadeia
B7                   E7
Me paga a ceia prá depois propalar
Am          D7       G
Você sabia, que eu era da orgia,
Em            Am          D7   G
Quem entra na chuva é prá se molhar.