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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pavio da verdade

Déo
Pavio da verdade (samba, 1949) - Ataulfo Alves e Américo Seixas - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Pavio da verdade / Américo Seixas (Compositor) / Ataulfo Alves, 1909-1969 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Cópia e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1949 / Lançamento: 05/1949 / Nº do Álbum: 16040 / Nº da Matriz: 2052 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Pouco importa que me chame
De cruel, até de infame
Ou seja lá do que for
É despeito, eu compreendo
O pior é andar dizendo
Que já foi o meu amor

Gente assim da sua espécie
O desprezo é o que merece
Como você mereceu
Não me lance desafio
Você sabe que o pavio
Da verdade tenho eu

Do contrário qualquer dia
A tua biografia
Vai sair com nitidez
Porque não é com lirismo
Que se descreve o cinismo
De quem sabe o mal que fez

Veja lá se não me obriga
A desfazer tanta intriga
E provar por A mais B
Num puro e simples exame
Quem já fez papel infame
Se fui eu ou foi você . . .



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Cochichando

Déo
Cochichando (choro, 1944) - Pixinguinha , João de Barro e Alberto Ribeiro - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título: Cochichando / Autoria: Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Milionários do Ritmo (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 06/1944 / Lançamento: 09/1944 / Nº do Álbum: 15207 / Nº da Matriz: 867-1 / Gênero musical: Choro / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão


Murmurando, cochichando
Vive sempre a falar mal de mim
Sem querer perceber que afinal eu não sou

Eu não sou mal assim

Murmurando cochichando
Quem te ouvir de pensar é capaz
Que o nosso amor já não tem calor

E que não somos felizes demais

Eu sou teu e tu és só minha
Quem nos conhecer inveja sentirá de nosso amor
Porém sempre a brigar

E a duvidar de um bem querer
Transformar sempre em aflição
O que só deve ser prazer

Por que será que eis tão má assim
Se o nosso amor não pode ter fim
Eu acho bom deixar este cochicho

Pois sei que é capricho e que gostas só de mim.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 16 de março de 2008

A casta Suzana

Déo
A casta Suzana (marcha/carnaval, 1939) - Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: A casta Suzana / Alcir Pires Vermelho, 1906-1994 (Compositor) / Ary Barroso (Compositor) / Déo (Intérprete) / Grupo da Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 02/12/1938 / Lançamento: 01/1939 / Nº do Álbum: 11690 / Nº da Matriz: 5981 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez

Tom: G

D6                B7
Será você a tal Suzana!
D6
A Casta Suzana
               Em7
Do posto Seis?
Em7
Coitada!
Em7
Como está mudada!
         A7
Teve "apendicite"
A7              D6
E ficou sem "ite"

D6
Quando conheci Casta Suzana
                  A7
Nas areias de Copacabana
A7
Era namorada de um chinês
                           D6   D7
Mas olhava assim pra um japonês

G
Taí!
G         G#°     D/A
Deu-se a confusão
  B7        Em7
Estourou a guerra
     A7        D6
China com Japão!
Letra:

Será você a tal Suzana !
A Casta Suzana
Do posto Seis ?
Coitada !
Como está mudada !
Teve "apendicite"
E ficou sem "ite"...

Quando conheci Casta Suzana,
Nas areias de Copacabana
Era namorada de um chinês
Mas olhava assim pra um japonês

Taí !
Deu-se a confusão :
Estourou a guerra,
China com Japão !



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 27 de janeiro de 2008

De qualquer maneira

Déo
De Qualquer Maneira (samba, 1939) - Ary Barroso e Noel Rosa - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título: De Qualquer Maneira / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1939 / Álbum 11762 / Gênero: Samba.



Quem tudo olha… / Quase nada enxerga
Quem não quebra se enverga / A favor do vento
Eu não sou perfeito / Sei que tenho de pecar
Mas arranjo sempre jeito / De me desculpar…

Eu lá na Penha agora vou estifa¹
Mas não vou como um cacifa²
Que foi lá desacatar / Mas a força falha
Ele teve um triste fim / Agredido a navalha
Na porta de um botequim!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Faz hoje um mês que fui naquele morro
E a Juju pediu socorro / Lá na ribanceira
Toda machucada / Saturada de pancada
Que apanhou do seu mulato / Por contar boato

Meu coração bateu a toda pressa
E eu fiz uma promessa / Pra mulata não morrer...
Pela padroeira / Ela foi bem contemplada
Levantou do chão curada / Saiu sambando fagueira!

Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pra ver a minha santa Padroeira
Eu vou à Penha de qualquer maneira

Eu vou à Penha de qualquer maneira
Pois não é por brincadeira / Que se faz promessa
E... o tal mulato / Para não entrar na lenha
Fêz comigo um contrato / Para sumir da Penha

Quem faz acordo não tem inimigo / A mulata vai comigo
Carregando o violão / E com devoção junto à santa milagrosa
Vai cantar meu samba prosa / Numa primeira audição.

__________________________________________________
¹ Gíria da época: alinhado; ² Gíria da época: sujeito sem sorte.

domingo, 13 de agosto de 2006

Até parece que eu sou da Bahia

Deo
Até Parece Que Eu Sou da Bahia (samba-batucada, 1942) - José Batista e Roberto Martins - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Até Parece Que Eu Sou da Bahia / Autoria: Batista, J (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Déo (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1942 / Nº Álbum 55376 / Lado B / Lançamento: 1942 / Gênero: Samba.



Depois da briga
Ela fez um cangerê pra mim
Meu Santo é forte
E o feitiço não pegou
Até parece que eu sou da Bahia
Ate parece que eu sou de São Salvador
(bis)

Eu trago um breve
Pendurado no pescoço
E uma medalha
Do meu santo protetor
Até parece que eu sou da Bahia
Ate parece que eu sou de São Salvador
(bis)

Tenho uma figa
Pra lidar com mau olhado
E um patuá
Que tem pra mim muito valor
Até parece que eu sou da Bahia
Até que eu sou de São Salvador
(bis)

Mas o feitiço
Virou contra o feiticeiro
Tenho dinheiro,
Tenho sorte e tenho amor
Até parece que eu sou da Bahia
Até parece que eu sou de São Salvador
(bis)

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Mais cedo ou mais tarde

Geraldo Pereira
Mais Cedo ou Mais Tarde (samba, 1945) - Geraldo Pereira - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Mais Cedo Ou Mais Tarde / Geraldo Pereira (Compositor) / Déo (Intérprete) / Gravadora: Continental / Ano: 1945 / Nº Álbum: 15299 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: A7+

  A7+                     F#5+/7
Ah, mais cedo ou mais tarde
              B7
Ela tem que voltar
     C#m  E7               A7+
Meu Deus, não posso me conformar
À outra meu coração não entrego
Confesso, não nego
Sem ela não posso continuar
A7+         A#º          Bm
Outra meu coração não aceita
                   E7
Parece até coisa feita
                      A7+
Mas seja o que Deus quiser
 F#7                       Bm
Quero seguir para outro caminho
Buscar um novo carinho
           E         A7+
Mas meu coração não quer

Cego de amor

Déo
Cego de Amor (samba, 1951) - Geraldo Pereira e Wilson Batista - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Cego de Amor / Geraldo Pereira (Compositor) / Wilson Batista (Compositor) / Déo (Intérprete) / Gravadora: Continental / Ano: 1951 / Nº Álbum: 16.366 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Cego, não vejo nada
Já não é o primeiro que me vem dizer
Que ela estava no baile, nos braços de outro
Vi com olhos que a terra há de comer
Só eu não vejo, pode crer
Ou com certeza, são meus olhos que não querem ver

Sou feliz, pois nada enxergo
E gosto tanto dela, que sou cego
Se ela faz alguma coisa, a Deus entrego
Tenho os dois olhos, mas finjo que nada enxergo
Mas tenho fé que Deus há de cegar
Toda essa gente que vê o que ela faz, e vem me contar.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Eu nasci no morro

Deo
Eu nasci no morro (samba, 1945) - Ary Barroso - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Eu nasci no morro / Ary Barroso (Compositor) / Déo (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 1945 / Lançamento: 10/1945 / Nº do Álbum: 15440 / Nº da Matriz: 1263-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez

Bb6       Bbdim      Eb6/Bb
Não tenho queixas da vida
Adim      Gm7               G7/+5
nem de ninguém que nasceu feliz
Cm7       Ddim  Ebmaj9    Ddim   C7
Pois cada um de nós neste mundo, 
       Bdim Eb6/Bb       Adim
tem o destino que Deus lhe deu
Bbmaj7 D7/A    G#maj7/-5 G7
Não adianta chorar,
Cm7            F7  Edim F7
Não adianta se re- vol- tar
Bmaj7                             Cm7  G7
Eu nasci no morro, num pobre barracão,
Cm7 G#m6 G7
De caixão
Cm7  G#m6 Cm7     Dbdim Dm7  F7        Bmaj7 F7
Vida de cachorro, pé no chão,   Sem tostão
Bmaj7 F7     Bmaj7 Dbdim Cm7   G7      Cm7
E   depois segui o meu caminho,   Eu sozinho
F7   C7   F7         Bmaj7 G7    Cm7      F7
Conheci o luxo, a vaidade,    Lá     da cidade
Bmaj7                               Cm7  G7
Meus amores não duravam mais que um dia,
Cm7  G#m6 G7
Eu sofria,
Cm7  G#m6   Cm7 Dbdim  Dm7 F7    Dm7/-5 G7/+5
Consolava o coração no meu    violão
              Ebmaj7 F7  Emaj7        F#dim Bmaj7 G7
A-       final me convenci, Lugar melhor não encontrei
Cm7        F7       Cm7      F7   Bmaj7
No morro eu nasci e no morro eu morrerei
(1x Gm7 Cm7 F7 Bmaj7 ...) (2x B7 Ebmaj7 ...)


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Terra seca

Numa entrevista à Revista da Música Popular, em 1954, Ary Barroso apontou "Terra Seca" como sua música predileta, entre as tantas que havia feito. Com uma melodia elaborada, bem adequada a vozes de registro grave, a canção aborda o drama do trabalho do negro escravo no Brasil:

"O nego tá moiado de suó / trabaia, trabaia, trabaia nego... / a mão do nego tá que é calo só / trabaia, trabaia, trabaia nego...". Embora, com o passar do tempo, alguns tenham-na considerado conformista, com o personagem numa postura submissa, "Terra Seca" permanece como um clássico.

Terra Seca (samba, 1943) - Ary Barroso - Intérpretes: Quatro Ases e Um Coringa (1943) e Déo (1944)

Disco 78 rpm / Título da música: Terra seca / Ary Barroso (Compositor) / Quatro Ases e Um Coringa (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 20/09/1943 / Lançamento: 11/1943 / Nº do Álbum: 12375 / Nº da Matriz: 7387 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez



Disco 78 rpm / Título da música: Terra seca (1ª parte) / Ary Barroso (Compositor) / Coro do Apiacás (Intérprete) / Déo (Intérprete) / Napoleão e Seus Soldados Musicais (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1944 / Lançamento: 06/1944 / Nº do Álbum: 15179 / Nº da Matriz: 842-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi, IMS D



Disco 78 rpm / Título da música: Terra seca (2ª parte) / Ary Barroso (Compositor) / Coro do Apiacás (Intérprete) / Déo (Intérprete) / Napoleão e Seus Soldados Musicais (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1944 / Lançamento: 06/1944 / Nº do Álbum: 15179 / Nº da Matriz: 843-1 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi, IMS D

Primeira Parte:

  Am            D7     Am
O nêgo tá, moiado de suó
  Ab5+       C     Am6       Ab5+      C      Am6
Trabáia, trabáia, nêgo  /  Trábaia, trabáia nêgo
     Dm           Gm6        A7       Dm
As mãos do nêgo tá que é calo só
  Db5+     F      Dm6  Dm     Db5+       F       Dm6  Dm
Trabáia, trabáia nêgo  /       Trabáia, trabáia, nêgo
D7          G7                           [ C ]
Ai “meu sinhô”nêgo tá véio    /   Não agüenta !
[C  ]                  F         E7   Am
Essa terra tão dura, tão seca, poeirenta... 
Ab5+     C     Am6        Ab5+       C     Am6
Trabáia, trabáia nêgo   /  Trabáia, trabáia, nêgo
Am            D7         Am
O nêgo pede licença prá falá
   Ab5+     C      Am6
Trabáia, trabáia, nêgo
 Am    Am/C      Bm7  E7       Dm7 Bm7 E7
O nêgo não pode mais trabaiá

Segunda Parte:

  A       Gb7   Bm7   E7    A  Dm7  Bm7  E7
Quando o nêgo chegou por aqui
  A       Gb7      Bm7    E7     A  G7  Gb7
Era mais vivo e ligeiro que o saci
  Bm                    Gb7                       Bm
Varava estes rios, estas matas, estes campos sem fim
  B7                                       E7   E5+
Nêgo era moço, e a vida, um brinquedo prá mim
 A              Dbm
Mas o tempo passou
         Gb7          Bm
Essa terra secou ...ô ô
       Dm                         E7
A velhice chegou e o brinquedo quebrou ....
   A7                                    D7+
Sinhô, nêgo véio tem pena de têr-se acabado 
    [B7]                      E7       A   Gb7 B7 E7 [A]
Sinhô, nêgo véio carrega este corpo cansado
[Dm]  [A]
ô ô


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Pra machucar meu coração

Ary Barroso
Mesmo na fase em que criou a maioria de seus sambas-exaltação, Ary Barroso continuou produzindo música essencialmente popular como "Pra Machucar Meu Coração".

Um clássico do repertório sambístico, esta composição encanta não apenas pela qualidade da melodia, mas, principalmente, pela forma natural como desenvolve o tema da separação: "Está fazendo um ano e meio, amor / que o nosso lar desmoronou / meu sabiá, meu violão / e uma cruel desilusão / foi tudo que ficou, ficou-o-ô / pra machucar meu coração". Este samba foi lançado pelo cantor Déo no melhor período de sua carreira, quando era chamado de "O Ditador de Sucessos".

Pra machucar meu coração (samba, 1943) - Ary Barroso - Intérprete: Déo

Disco 78 rpm / Título da música: Pra machucar meu coração / Ary Barroso (Compositor) / Déo (Intérprete) / Chiquinho e Seu Ritmo (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 29/05/1943 / Lançamento: 06/1943 / Nº do Álbum: 55445 / Nº da Matriz: 645-1 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi


G                  Am
Está fazendo um ano e meio amor
        D7           G      G7
Que o nosso lar desmoronou
        C             Cm
Meu sabiá , meu violão
                 G
E uma cruel desilusão
                 Bm E7 Am A7
Foi tudo que ficou ,ficou
          D7          G  E7 A7
Pra machucar meu coração
                D7
Quem sabe não foi
         G       E7 A7
Bem melhor assim
                D7
Melhor pra voçê
       B7        E7
E melhor pra mim

O mundo é uma escola
        A7
Onde a gente presisa aprender
                Am
A ciência de viver
            D7
Pra não sofrer

Outra versão:

D7M/F#         Dm7M/F     Em7
Está  fazendo um ano    e meio, amor
       A7      A7#5           D6(9) A7#5
Que o nosso lar,    desmoronou
D7(4/9)     D7(9) G7M
Meu    sabiá,         meu violão
Gm6                  D7M/F#            F°(13-)    Em7
E uma cruel desilusão      foi tudo que ficou,  ficou
Em7   A7(9-)            D7M(9)  D6(9) 
Pra machucar meu coração

Em7             A7      D7M(9)      Bm7(9)
Quem sabe não  foi  bem melhor assim
Em7         A7    F#7(13)       F#7(13-)                          
Melhor pra você e melhor pra mim
  B7(9-)                     E7(9)                 Bm6(9)
A  vida  é uma escola onde a gente precisa aprender
E7(13)  E7(13-)    Em7           A7(9-)
A      ciência  de viver pra não sofrer


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Súplica

O cantor Deo
Homem de intensa atividade na imprensa e no rádio paulistanos dos anos trinta, Otávio Gabus Mendes (pai do telenovelista Cassiano Gabus Mendes) ainda arranjou tempo para uma vitoriosa incursão na música popular, compondo com José Marcílio e o cantor Deo a valsa "Súplica".

Sem demérito para os parceiros, o ponto alto desta valsa é a letra de Gabus Mendes, que, além de muito bem construída, não possui rimas, uma característica incomum nas canções da época: "Aço frio de um punhal / foi teu adeus pra mim/ não crendo na verdade / implorei, pedi / as súplicas morreram sem eco, em vão / batendo nas paredes frias do apartamento...".

O curioso é que esse detalhe não é percebido pela maioria dos ouvintes, graças, talvez, à integração perfeita entre letra e melodia. Composta em 1938, "Súplica" permanecia inédita em disco quase dois anos depois, quando foi descoberta e gravada por Orlando Silva.

Súplica (valsa, 1940) - Octávio Gabus Mendes, José Marcílio e Déo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Súplica / Déo (Compositor) / José Marcílio (Compositor) / Otávio G Mendes (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/02/1940 / Lançamento: 04/1940 / Nº do Álbum: 34587 / Nº da Matriz: 33327-1 / Gênero: Valsa


Bm -----------------------------------Em
Aço frio de um punhal / Foi seu adeus para mim
-----------------------------------Bm--------- B7
Não crendo na verdade / Implorei, pedi
----------------------------------Em----- A7
As súplicas morreram / Sem eco, em vão
-----------------------D --------------Gb7
Batendo nas paredes frias do apartamento
Bm
Torpor tomou-me todo
------------------Em-------------- Gb7
E eu fiquei sem ser mais nada
---------------------Bm-------------- B7 ------Em
Envelhecido tenha / Talvez, quem sabe
------------------------Bm
Pela janela, aberta, a fria madrugada
-----------------------G7 ---------------Gb7---- Bm
Amortalhou-me a dor / Com o manto da garoa
----------Gb7------------------- Bm
Esperança morreste muito cedo
----------B7 -------------------Em
Saudade cedo demais chegaste
-----------------------------------------Bm
Uma quando chega / A outra sempre parte
-------Db7------------ G7--- Gb7
Chorar já lágrimas não tenho
-----------------------------Bm
Coração, porque é que tu não paras
---------B7-------------------- Em
As taças do meu sofrer findaste / É inútil prosseguir
-----------------------Bm
Se forças já não tenho
----------------------------------G7
Tu sabes bem que ela era minha vida
-----------------Gb7 -----Bm
Meu doce e grande amor.



Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Deo

Deo (Ferjalla Rizkalla) - 1942


Deo (Ferjalla Rizkalla), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 26/1/1914 e faleceu em 23/9/1971. Filho de comerciante, em 1929 mudou-se com a família para São Paulo SP. Trabalhava no comércio e estudava contabilidade, mas gostava de cantar tangos em festas e serenatas, numa das quais conheceu o maestro Gaó, em 1932, que o convidou para um teste na Rádio Cruzeiro do Sul.


Passou a atuar num programa de amadores da emissora. Seu apelido foi escolhido pelos ouvintes de um programa de Celso Guimarães. Cantou tangos durante três anos, até passar para o samba.

Em fins de 1934 empregou-se como discotecário na Rádio Record e também participava como cantor dos programas da emissora, gravando em 1936 seu primeiro disco, na Columbia: o samba-choro Cantando (João Pacífico) e o samba-canção Vendedora de flores (Ari Machado).

Ainda em 1936, gravou outro samba de sucesso: Sinto lágrimas (Francisco Malfitano e Aloísio Silva Araújo). Mais tarde obteve sucesso com Um amor que passou (uma das primeiras composições de Adoniran Barbosa, parceria com Eratóstenes Frazão) e, para o Carnaval de 1938, Falseta negra (adaptação do hino Fascerta nera).

Em fins do mesmo ano, levado para o Rio por Ary Barroso, foi contratado pela Odeon e em dezembro gravou a marchinha carnavalesca A casta Suzana (Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho), uma das mais cantadas no Carnaval de 1939.

Gravou mais 12 discos na Odeon, destacando-se o samba De qualquer maneira (Noel Rosa e Ary Barroso), 1939, e a marcha Veneno (Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho), para o Carnaval de 1940.

Por essa época já era cantor bem sucedido, sendo inclusive apelidado O Ditador de Sucessos. Ainda em 1940 tornou-se conhecido como compositor, com a gravação da valsa Súplica (com Otávio Gabus Mendes e José Marcílio), lançada com grande sucesso por Orlando Silva em disco da Victor.

Em março de 1942 recomeçou a gravar na Columbia. No mesmo ano excursionou ao Nordeste com grande sucesso e gravou Mulher de luxo (Newton Teixeira e Edelir Gameiro), Eu te agradeço (Mário Lago e Benedito Lacerda), o samba-exaltação Brasil, usina do mundo (João de Barro e Alcir Pires Vermelho), Até parece que eu sou da Bahia (Roberto Martins e José Batista), este um dos maiores êxitos de sua carreira.

Seu sucesso de 1944 foi Terra seca (Ary Barroso). Em 1947 gravou o samba-canção Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues). Por essa época, seus sucessos começaram a rarear. Continuou cantando em rádio e gravou LPs, trabalhando como diretor artístico da etiqueta Rádio até 1961, cargo que ocupou também no ano seguinte, na Estúdio F.

Doze dias antes de falecer regravou para o fascículo da Abril Cultural sobre Haroldo Lobo (série História da música popular brasileira), os sambas da dupla Haroldo Lobo e Wilson Batista, Não é economia (Alô padeiro) e E o cinquenta e seis não veio, gravados originalmente por ele mesmo em 1943 e 1944. Ao todo, gravou, em 78 rpm, 136 discos com 263 músicas.

Algumas músicas













Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Luar de Paquetá

"Luar de Paquetá" é a mais conhecida das composições sobre a bucólica ilha, que inspirou tantas outras canções e até um romance célebre, A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo. E merece essa popularidade muito mais pela melodia de Freire Júnior do que pelos versos de Hermes Fontes.

Um exagerado simbolista, o poeta impregnou a canção de imagens afetadas como "nereidas incessantes", "hóstia azul fervendo em chamas", "noites olorosas"... Aliás, a propósito desta imagem, há algumas gravações em que os intérpretes - entre os quais Francisco Alves - trocam o adjetivo e cantam "nessas noites dolorosas". Lançado em 1922, "Luar de Paquetá" estendeu seu sucesso ao ano seguinte, quando deu nome a uma revista teatral.

Luar de Paquetá (tango / fado, 1922) - Freire Jr. e Hermes Fontes

Interpretação de Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Luar de Paquetá / Freire Júnior (Compositor) / Hermes Fontes (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Nº do Álbum: 122064 / 122065 / Lançamento: 1922 / Gênero musical: Tango Fado / Coleção: Nirez D



Intepretação de Déo com Dircinha Batista em disco Continental lançado em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Luar de Paquetá / Freire Júnior (Compositor) / Hermes Fontes (Compositor) / Déo (Intérprete) / Dircinha Batista, 1922-1999 (Intérprete) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Continental / Nº Álbum 15105-a / Nº Matriz: 688-1 / Lançamento: Dezembro/1943 Gênero musical: Marcha-rancho



Nestas noites olorosas, / Quando o mar desfeito em rosas,
Se desfolha à lua cheia, / Lembra a ilha um ninho oculto,
Onde o amor celebra em culto, / Todo o encanto que a rodeia.


Nos canteiros ondulantes, / As nereidas incessantes,
Abrem lírios ao luar, / A água em prece burburinha,
Em redor da capelinha / E vai rezando o verbo amar.


Jardim de afetos, pombal de amores, / Humildes tetos de pescadores,
Se a lua brilha - que bem nos dá - / Amar na Ilha de Paquetá !


Pensamento de quem ama / Hóstia azul fervente em chamas
Entre lábios separados, / Pensamento de quem ama,
Leva o meu radiograma / Ao jardim dos namorados,
Onde é esse paraíso / O caminho que idealizo,

Na ascensão para este altar, / Paquetá é um céu profundo
Que começa neste mundo / Mas não sabe onde acabar...


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34