quarta-feira, 3 de maio de 2006

A moda da mula preta

Por alguns anos o disco que mais dividendos rendeu a Luiz Gonzaga foi "A Moda da Mula Preta", um autêntico recordista de vendagem. E o surpreendente é que esta moda-de-viola nem inédita era na ocasião, pois já havia sido lançada por Raul Torres e Florêncio em 1945.

Recolhida do folclore mineiro pelo próprio Torres, a peça conta em quatro partes a história de uma certa mula, ensinada e manhosa, que morre no verso final picada por uma cobra. Só que a história é contada com muita graça - e aí esta a razão do sucesso - sobre uma melodia repetitiva, fácil de memorizar. "A Moda da Mula Preta" foi na época um dos raros casos de música sertaneja a fazer sucesso em todo o país.

A moda da mula preta (moda de viola, 1948) - Raul Torres - Intérprete: Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Moda da mula preta / Raul Torres (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 16/02/1947 / Lançamento: 04/1948 / Nº do Álbum: 80-0580 / Nº da Matriz: S-078827-1 / Gênero musical: Moda de viola



A ----------------------------------------------------E7
Eu tenho uma mula preta tem sete palmos de altura
----------------------------------------------A---- E----- A
A mula é descanelada, tem uma linda figura
-----------------------------------------------E7
Tira fogo na calçada no rampão da ferradura
--------------------------------------------A---- E------ A
Com morena delicada, na garupa faz figura
-------D ----------E7 --------------------A ------E7 ------A
A mula fica enjoada, pisa só de andadura
------------------------------------------E7
Ensino na criação vejo quanto ela regula
-------------------------------------------------A----- E----- A
O defeito do mulão se eu contar ninguém calcula
-------------------------------------------------E7
Moça feia e marmanjão na garupa a mula pula
-----------------------------------------------A
Chega a fazer cerração todo pulo desta mula
------------D --------E7 -------------------A---- E------ A
Cara muda de feição, sendo preto fica fula
-------------------------------------------------E7
Eu fui passear na cidade só numa volta que dei
-----------------------------------------------A------ E--------- A
A mula deixou saudade no lugar onde passei
--------------------------------------------------E7
Pro mulão de qualidade, quatro milhões injeitei
--------------------------------------------A------ E -------A
Pra dizer a verdade, nem satisfação eu dei
----------D ---------E7---------------------- A------ E ------A
Fui dizendo boa tarde pra minha casa voltei
-------------------------------------------------E7
Soltei a mula no pasto veja o que me aconteceu
---------------------------------------------A----- E------- A
Uma cobra venenosa a minha mula mordeu
--------------------------------------------------E7
Com o veneno desta cobra a mula nem se mexeu
-----------------------------------------------------A----- E ------A
Só durou umas quatro horas depois a mula morreu
---------D --------------E7 ----------------------A------ E------- A
Acabou-se a mula preta que tanto gosto
me deu


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Segredo


Lançado por Dalva de Oliveira em julho de 47 e, um mês depois, por Nelson Gonçalves, "Segredo" se tornou um dos maiores sucessos do ano. Sucesso, aliás, que contribuiu para popularizar a expressão "O peixe é pro fundo das redes, segredo é pra quatro paredes", citada na primeira parte: "Seu mal é comentar o passado / ninguém precisa saber o que houve entre nós dois / o peixe é pro fundo das redes...".

De estilo dramático/sentimental, como tantos outros sambas que integram a vertente principal da obra de Herivelto Martins, "Segredo" tem segunda parte de Marino Pinto, feita a pedido de Dalva. "O Marino fez aqueles versos à minha revelia" - esclarece Herivelto - "mas , ficaram tão bons que aceitei imediatamente".

Segredo (samba-canção, 1947) - Herivelto Martins e Marino Pinto - Intérprete: Dalva de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Segredo / Herivelto Martins (Compositor) / Marino Pinto (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 06/05/1947 / Lançamento: 07/1947 / Nº do Álbum: 12792 / Nº da Matriz: 8218 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez



---------A --------------------Ab7
Seu mal é comentar o passado
---------A ------------Gb7
Ninguém precisa saber
-----------Bm---- Gb7---- Bm
O que houve entre nós dois
-------D--------------------- Dm
O peixe é pro fundo das redes
------A ---------------------Gb7
Segredo é pra quatro paredes
---------Bm------------------ E7
Não deixe que males pequeninos
------------------A-------------------- Gb7
Venham transformar os nossos destinos

-------D --------------------Dm
O peixe é pro fundo das redes
-------A-------------------- Gb7
Segredo é pra quatro paredes
------Bm ---------------E7
Primeiro é preciso julgar
---------------------A
Pra depois condenar

------E------------------------------ A
Quando o infortúnio nos bate à porta
---------A7 -----------------D
E o amor nos foge pela janela
---------Eb0-------- A-------- Gb7
A felicidade para nós está morta
----------B7--------------- E7
E ninguém pode viver sem ela
----D ------------Eb0 ----------A--------- Gb7
Para o nosso mal não há remédio, coração
------------------Bm------- E7-------- A
Ninguém tem culpa da nossa desunião



Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Rumba de Jacarepaguá

Emilinha Borba
Rumba de Jacarepaguá (rumba, 1947) - Haroldo Barbosa - Intérprete: Emilinha Borba

Disco 78 rpm / Título da música: Rumba de Jacarepaguá / Haroldo Barbosa (Compositor) / Emilinha Barbosa (Intérprete) / Chiquinho e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 28/05/1947 / Lançamento: 06/1947 / Nº do Álbum: 15784 / Nº da Matriz: 1668-2 / Gênero: Rumba / Coleções de origem: IMS, Nirez


A rumba que eu canto / Não nasceu na Nicarágua
Em Las Vegas, em Manágua / Acapulco ou Panamá
Não tem rimas de Havana / Com banana, hasta mañana
Nem Caracas, nem Maracas / Nem bongôs pra atrapalhar

É no duro brasileira / Nasceu lá pra Madureira
Pouco além de Cascadura / A oeste de Irajá
Salve a rumba mascarada / Que não é rumba nem nada
Mas dá pra gente / Requebrar até cansar, ai, ai
Salve a rumba de Jacarepaguá



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Pirata da perna de pau

Depois de três carnavais sem sucesso, João de Barro (Braguinha) voltou firme em 1947 com "Pirata da Perna de Pau". Esta marcha vitoriosa conta as aventuras de um personagem, que poderia também habitar o universo das historinhas infantis de seu criador.

Braguinha, porém, preferiu colocá-lo no comando de uma alegre galera, tripulada só por garotas, que ele ao ver ameaçada por um pirata rival, defende com o grito de guerra: "Opa, homem não!".

"Pirata da Perna de Pau" serviu ainda para consagrar seu intérprete, Nuno Roland, um cantor competente que não tivera até então um grande sucesso. Seu valor e versatilidade seriam confirmados em seguida com o samba paisagístico "Fim de Semana em Paquetá".

Pirata da Perna de Pau (marcha/carnaval, 1947) - João de Barro - Intérprete: Nuno Roland

Disco 78 rpm / Título da música: Pirata da perna de pau / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Nuno Roland, 1913-1975 (Intérprete) / Chiquinho e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 15/08/1946 / Lançamento: 10/1946 / Nº do Álbum: 15727 / Nº da Matriz: 1591-2 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez



Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição

Por isso, se outro pirata
Tenta a abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! Homem, não.


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.