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sexta-feira, 24 de março de 2006

Tristeza de caboclo

Tristeza de Caboclo é um tanguinho, a primeira música que Marcelo Tupinambá compôs sob o contrato com Campassi & Camin, editores de São Paulo. Com letra de Arlindo Leal ela se tornou um sucesso instantâneo, vendendo o número fenomenal de 120.000 partituras para piano em um ano.

Tristeza de Caboclo (tanguinho, 1916) – Arlindo Leal e Marcelo Tupinambá

Interpretação de Os Geraldos em disco selo Gaúcho:

Disco selo: Gaúcho R / Título da música: Tristeza de Caboclo / Ainda sem compositor / Arlindo Leal (Letra) / Os Geraldos (Intérprete) / Nº do Álbum: 4043 / Nº da Matriz: Sem dados / Ano: 1913 (¹) / Lançamento: 1916 (²) / Gênero musical: Tanguinho



Interpretação de Roberto Fioravanti em 1968:

LP Mensagem De Saudade / Título da música: Tristeza de Caboclo / Marcelo Tupinambá (Compositor) / Arlindo Leal (Compositor) / Roberto Fioravanti (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Álbum: CMG 2425 / Ano: 1968 / Tracklist: B2 / Gênero musical: Tanguinho


Quando na roça anoitece / Fico sempre a meditá!.. / (Coro) Fica sempre a meditá!... (bis) / Meu coração, que padece, / Não me deixa sossegá!... / (Coro) Não o deixa sossegá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, / Quando ha lua / Chora o seu amo / E sem podê

se aconsolá / Garra logo a suspirá!... / (Coro) Quem ama, com fervô, etc.

Meu coração, com tristeza, / Quando surge o bom luá. / (Coro) Quando surge o bom luá... (bis) / Sabe, com muita firmeza, / Seus queixumes disfarçá!... / (Coro) Seus queixumes disfarçá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quem sabe amá, com ternura, / Nunca deixa de sonhá... / (Coro) Nunca deixa de sonhá! (bis) / Não sofre a negra amargura / Que me anda a acabrunhá! (Coro) Que o anda a acabrunhá!.. (bis)

Estribilho: Minh'arma, com fervô, etc.

Quando eu pego na viola, / Com vontade de cantá, / (Coro) Com vontade de cantá!... (bis) / Meu coração se aconsola, / Alliviando seus pená!.../ (Coro) Alliviando seus pená!... (bis)



(¹) O Instituto Memória Musical Brasileira data o disco como sendo de 1913; (²) Segundo o IMS/Discografia Brasileira foi lançado em 1916.

quarta-feira, 22 de março de 2006

O despertar da montanha

Eduardo Souto
"Você acaba de fazer o seu "Danúbio Azul", disse o professor Guilherme Fontainha a Eduardo Souto, quando este lhe mostrou, ao piano, "O Despertar da Montanha". Peça essencial do repertório pianístico brasileiro, típica dos saraus do início do século, "O Despertar da Montanha" é a obra mais conhecida de Souto. Lançada em 1919, com sucesso imediato, tem na capa da edição inicial curioso desenho, que mostra uma cena pastoril de natureza européia: ao pé de suntuosa montanha, um pastor descansa tocando flauta, enquanto seu cão vigia um rebanho de quinze ovelhas...

Mas, se a cena é européia, a composição é bem brasileira, tendo ajudado até a fixar uma forma de tango, que Eduardo Souto chama de tango de salão, diferente dos tangos de Nazareth, mais próximos do choro. "O Despertar da Montanha" tem uma letra de Francisco Pimentel, que nada lhe acrescenta.

O Despertar da Montanha (tango de salão, 1919) - Eduardo Souto e Francisco Pimentel

Interpretação de Francisco Mignone e Conjunto Orquestral em 1943:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Conjunto Orquestral (Intérprete) / Francisco Mignoni [Região] (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Nº do Álbum: 75001-b / Nº da Matriz: #594-1 / Gravação: 5/janeiro/1943 / Lançamento: 1943 / Gênero musical: Tango / Coleção de fontes: Nirez, IMS D



Interpretação de Sílvio Caldas em 1946:

Disco 78 rpm / Título da música: Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Continental (Acomp.) / Gravadora: Continental / Nº do Álbum: 28000-b / Nº da Matriz: #1567-1 / Gravação: 5/agosto/1946 / Lançamento: 1946 / Gênero musical: Canção de tango / Coleção de fontes: Nirez



Interpretação de Roberto Fioravante em 1963:

LP Seresteiro Da Saudade Nº 5 / Título da música: O Despertar da Montanha / Eduardo Souto (Compositor) / Francisco Pimentel (Compositor) / Roberto Fioravante (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Nº do Álbum: CMG 2218 / Ano: 1963 / Gênero musical: Canção / Seresta



Quando a noite entra na agonia, / Surgem os primeiros raios, / Na moldura do horizonte, / Iniciam seus ensaios, / Doira-se um monte... / E os lindos ramos mais felizes, / Os que ao longe estão mais altos, / Pintam-se em matizes, / No cimo do planalto... / Sai da sombra um novo dia.

E a luz da madrugada, / Entrando suavemente na floresta, / Beija os ninhos, / E esta festa, / Desperta os passarinhos / E envolve troncos, / Vindo através das folhagens, / Em acordes selvagens, / Anunciam a alvorada.

Desses cantos, sob o sol da manhã, / Em linda festa pagã, / Escorre a vida, cheia de encantos, / E transborda, numa chuva de cores, / E entre os vales sonhadores, / A montanha acorda.


Fonte: A canção no tempo - 85 anos de músicas brasileiras (Vol. 1: 1901-1957) - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello.