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domingo, 5 de novembro de 2006

Sérgio Porto

Stanislaw Ponte Preta
Sérgio Porto (Sérgio Marcus Rangel Porto), cronista, radialista e compositor, conhecido também como Stanislaw Ponte Preta, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11/1/1923 e faleceu na mesma cidade em 30/9/1968.

Iniciou carreira jornalística escrevendo para a revista Sombra, em 1949. Dois anos depois estava no jornal Diário Carioca, em 1953 na Tribuna de Imprensa e em 1954 na Última Hora, do Rio de Janeiro, onde, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, deu início às crônicas satíricas que lhe deram fama.

Escreveu em 1953 a Pequena história do jazz e no ano seguinte foi colaborador da Revista de Música Popular, fundada por seu tio Lúcio Rangel e Pérsio de Morais. Com Lúcio Rangel e o pintor Santa Rosa fundou a revista O Mundo Ilustrado.

Em 1956 escreveu com Nestor de Holanda TV para crer, e com Luís Iglésias, no ano seguinte, Quem comeu foi pai Adão, revistas teatrais encenadas com êxito. Escreveu shows musicais para boates, entre os quais o levado em 1964 na boate Zum-Zum, do Rio de Janeiro, com Araci de Almeida e Billy Blanco e apresentação dele próprio.

Como compositor destacou-se com o Samba do crioulo doido, gravado pelo Quarteto em Cy no LP Em Cy maior, em 1968, pela Elenco. O samba glosa a dificuldade dos compositores de escolas de samba quando obrigados a estudar a História do Brasil para compor os enredos dos desfiles.

Suas crônicas começaram a ser reunidas em livro a partir de 1961, com Tia Zulmira e eu, culminando em 1966 com o Febeapá, festival de besteira que assola o país. Foi em certo momento, pela linguagem, estilo, temas e críticas, a encarnação da “alma carioca”.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

sábado, 22 de julho de 2006

Samba do crioulo doido

Observador afiado do cotidiano brasileiro, que criticava de forma inteligente e espirituosa, Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, teve a oportunidade de conhecer o sucesso como compositor nos últimos meses de vida com o “Samba do Crioulo Doido”.

Satirizando as dificuldades dos autores de samba-enredo, obrigados a desenvolverem em suas composições temas históricos — muitas vezes absolutamente inadequados a uma descrição poética —, Sérgio fez neste samba uma divertida caricatura do gênero, misturando escravas, princesas, imperadores e estações de trens: “Foi em Diamantina / onde nasceu JK / que a princesa Leopoldina / arresolveu se casá / mas Chica da Silva / tinha outros pretendentes / e obrigou a princesa / a se casá com Tiradentes...”

Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta)
E arrematou a confusão com o disparate maior, digno de um Lamartine Babo: “Assim se conta essa história / que é dos dois a maior glória / Dona Leopoldina virou trem / e Dom Pedro uma estação também.”

Com um prólogo falado, em que o autor esclarece ter o crioulo endoidado de vez, ao compor sobre o tema “A atual conjuntura”, o “Samba do Crioulo Doido” — cujo título tornou-se uma expressão popular — foi gravado pelo Quarteto em Cy, virando em seguida um musical, “o Show do Crioulo Doido”, estrelado pelo elenco do disco. Sérgio Marcos Rangel) Porto morreu de um ataque cardíaco no dia 29 de setembro de 1968 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Samba do Crioulo Doido (1968) - Sérgio Porto / Interpretação: Quarteto em Cy

LP Quarteto Em Cy Em Cy Maior / Título da música: Samba do Crioulo Doido / Sérgio Porto (Compositor) / Quarteto Em Cy (Intérprete) / Sérgio Porto (Part.) / Gravadora: Elenco / Ano: 1968 / Nº Álbum: ME-47 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.

Am   E7       Am        A7
Foi em Diamantina   /  
Dm
Onde nasceu JK
E7                  Am   B7
Que a princesa Leopoldina /
E7    Am
Arresolveu se casá
A7            Dm    
Mas Chica da Silva   /
B7              F7    E7
Tinha outros pretendentes
Am     Dm         Am  B7       E7             Am
E obrigou a princesa   / A se casar com Tiradentes
Dm     E7    Am         B7        E7           Am
Lá iá lá iá lá ia  /  O bode que deu vou te contar
Dm     E7     Am        B7      E7           Am
Lá iá lá iá lá iá / O bode que deu vou te contar
   Dm     Am                     ( Dm )
Joaquim José      /      Que também é
E7      Am       Gm6     A7          Dm   E7
Da Silva Xavier   /  Queria ser dono do mundo
Am
E se elegeu Pedro II
( Am )
Das estradas de Minas  /  Seguiu pra São Paulo
( E7 )
E falou com Anchieta  /   O vigário dos índios
( Am )
Aliou-se a Dom Pedro / E acabou com a falseta
                                      E7
Da união deles dois / Ficou resolvida a questão
Dm          E7            Am   Dm         E7            Am
E foi proclamada a escravidão/E foi proclamada a escravidão
Dm                      Am       Dm      E7           Am
Assim se conta essa história/Que é dos dois a maior glória
A7                   Dm        E7                      Am
Da.Leopoldina virou trem / E D.Pedro é uma estação também
Dm          Am             B7        E7             Am
O, ô , ô, ô,  ô,  ô  / O trem tá atrasado ou já passou
Dm           Am            B7         E7            Am
O, ô ,  ô, ô,  ô, ô  / O trem tá atrasado ou já passou