quinta-feira, 20 de abril de 2006

Pierrot

O teatrólogo Pascoal Carlos Magno procurava uma canção inédita para a abertura de sua peça "Pierrô", prestes a estrear. Além de romântica, a canção deveria explorar o timbre agudo de Jorge Fernandes, o cantor escolhido para interpretá-la. Todos esses requisitos seriam preenchidos por Joubert de Carvalho, que compôs a tempo, sobre uma letra de Pascoal, a dramática canção "Pierrô" ( "Arranca a máscara da face, Pierrô / para sorrir do amor / que passou..."), sucesso no palco e no disco.

Pierrot (valsa-canção, 1932) - Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno

Disco 78 rpm / Título da música: Pierrot [Pierrô] / Joubert de Carvalho (Compositor) / Pascoal Carlos Magno (Compositor) / Jorge Fernandes (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1931 / Lançamento: 03/1932 / Nº do Álbum: 22080-b / Nº da Matriz: 381154-2 / Gênero musical: Canção / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi


(Em)-------------------------- Am
Há sempre um vulto de mulher
------Em-------------------- B7------- E
Sorrindo / Em desprezo à nossa mágoa
-------------------- Gbm---- B7
Que nos enche os olhos d’água

---(E)-------- E------------------------ B7
Pierrot, Pierrot ! ... / Teu destino tão lindo
-----------------------------Gbm
É sofrer, é chorar toda a vida
----------------B7------------ B7/5--------- B
Por amor, do amor, de alguém ... de alguém
--------E7----------------- A------- Db°
Arranca a máscara da face, Pierrot,
------------E -------B7---- E----- Em
Para sorrir do amor / Que passou

----------------------------Am------- Em----------- B7----- E
Deixar de amar não deixarei / Porque o amor feito saudade
--------------- Gbm---B7----- (E)------- E
É a maior felicidade /------- Pierrot, Pierrot ! ....



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Festa do Interior

Embora muito cantada nos carnavais a partir de 1982, “Festa do Interior” é uma canção junina, mais frevo do que marcha, diferente do estilo antigo, mas que inegavelmente revive a tradição desses festejos que continuam celebrados no Nordeste com o entusiasmo dos velhos tempos: “Fagulhas, pontas de agulhas / brilham estrelas de São João / (...) / e ardia aquela fogueira / que me esquentava a vida inteira / eterna noite, sempre a primeira / festa do interior...”

De autoria de Abel Silva, a letra faz a certa altura uma referência velada ao episódio da bomba no Rio Centro, ocorrido em 30 de abril de 81: “Ninguém matava, ninguém morria / nas trincheiras da alegria / o que explodia era o amor...”

Além da qualidade da composição, contribuíram para o seu sucesso o arranjo de Lincoln Olivetti, misturando sopros com teclado eletrônico, e a calorosa interpretação de Gal Costa, que vive no elepê Fantasia alguns de seus melhores momentos. Uma prova disso seria a presença do repertório do disco nas rádios, meses seguidos, com cada faixa — “Açaí”, “Meu Bem, Meu Mal”, “Faltando um Pedaço”, “Festa do Interior” — se revezando na preferência dos ouvintes (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Festa do interior (1982) - Moraes Moreira e Abel Silva - Intérprete: Gal Costa


  A              D7  A
Fagulhas, pontas de agulhas
D7        A         C#m7  F#7/9- Bm7   F#7
Brilham estrelas de São   Jo.....ão
  Bm7          E7  Bm7
Babados, xotes e xaxados
E7        Bm7    D/E     A   D/E
Segura as pontas meu coração
A             D  E A
Bombas na guerra-magia
E7        Em7      A7      D
Ninguém matava, ninguém morria

D               Bm7 D/E  A
Nas trincheiras da ale...gria
      F#m7 Bm7     D/E  Em7  A7 A7/13
O que explodia era o   amor
D/A             G7    A
Nas trincheiras da alegria
      F#m7 Bm7     E7 A    A#7  B7
O que explodia era o amor

    C#7/B        C#7
E ardia aquela fogueira
             F#m7
Que me esquentava a vida inteira
       B7                Bm7    E7
Eterna noite sempre a primeira
D/E        E7/9   A
Festa do interi...or

Falsa Baiana

Geraldo Pereira
Na noite de segunda-feira do carnaval de 1944, Roberto Martins estava no Nice, conversando com Geraldo Pereira, quando chegou sua esposa, dona Isaura, fantasiada de baiana. Acontece que, não tendo temperamento carnavalesco, a Sra. Martins era a própria imagem da desanimação, em contraste com os foliões, o que levou o marido a observar: "Olha aí, Geraldo, a falsa baiana...". O que Roberto não sabia era que, inconscientemente, estava oferecendo a Geraldo Pereira o mote para ele criar "Falsa Baiana", o maior sucesso de sua carreira.

Neste samba de ritmo sacudido, bem característico de seu estilo, Geraldo estabelece uma divertida comparação entre a falsa baiana - que "Só fica parada / não canta, não samba / não bole, nem nada" - com a verdadeira - "Que mexe, remexe / dá nó nas cadeira / e deixa a moçada com água na boca". Nascido em Juiz de Fora e criado no morro carioca da Mangueira, este notável compositor - bom de letra e melodia entraria na década de 1940 para a história do samba, gênero que revigorou em escassos quinze anos de atividade.

Talvez pelo caráter inovador de sua obra, que inclui até certas resoluções harmônicas inusitadas na época, Geraldo Pereira não foi suficientemente valorizado em vida. Várias dessas inovações estão bem à mostra em "Falsa Baiana": a originalidade melódica, o deslocamento da acentuação rítmica (que causaria forte impressão em João Gilberto) e o ritmo interno das construções verbais, independentes da melodia. Tudo isso seria valorizado na interpretação inconfundível de seu lançador, o grande sambista Ciro Monteiro.

Uma curiosidade: antes de entregar "Falsa baiana" a Ciro, o autor mostrou-a ao cantor Roberto Paiva, que a rejeitou. "Era de madrugada" - relembra Paiva - "e o Geraldo, ‘meio alto', cantou enrolando as palavras, dando a impressão de que o samba estava ‘quebrado'. Um mês depois, ao ouvi-lo na voz do Ciro, descobri que aquela beleza toda era o samba que o Geraldo me oferecera".

Falsa baiana (samba, 1944) - Geraldo Pereira - Intérprete: Ciro Monteiro

Disco 78 rpm / Título da música: Falsa baiana / Geraldo Pereira (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Benedito Lacerda [1903-1958] e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 03/04/1944 / Lançamento: 06/1944 / Nº do Álbum: 80-0181 / Nº da Matriz: S-052940-1 / Gênero: Samba

Intro.: G7+ D7/9

G7+                                  A7
Baiana que entra na roda e só fica parada
                                   D7/9
Não samba, não dança, não bole nem nada
                             G7+ G7
Não sabe deixar a mocidade louca
           C7+              
Baiana é aquela que entra no samba
               Bm7
de qualquer maneira
            E7                 A7
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
              D7/9-            G7+  E7
Deixando a moçada com água na boca
          Am7                   D7/9-
A falsa baiana quando entra no samba
              G7+
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
                Am7                D7/9
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
          G7+    G7
Salve a Bahia, senhor
             C7+               Cm
Mas a gente gosta quando uma baiana
           Bm7               E7
Samba direitinho, de cima embaixo
            Am7
Revira os olhinhos dizendo
         D7/9-         G7+   D7/9
Eu sou filha de São Salvador


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Chuva de Prata

Ronaldo Bastos
Havia muito Ronaldo Bastos já ultrapassara aquela fase de início de carreira em que o letrista só escreve, ou prefere escrever, sobre o que vivenciou. “Depois a gente descobre que pode armazenar e transferir outras emoções, escrevendo com o estilo de um profissional”, observa o poeta a propósito de uma música que uma gravadora lhe enviara para letrar. O autor da música era o compositor Ed Wilson — Edson Vieira de Barros, irmão do Renato dos Blue Caps —, atuante na Jovem Guarda, e de quem Roberto e Erasmo Carlos falam nos versos: “lá fora um corre-corre / dos brotos do lugar / era o Ed Wilson que acabava de chegar”, da composição “Festa de Arromba”.

A presença de Wilson no iê-iê-iê deu a Ronaldo a ideia de homenagear a precursora do gênero no Brasil, Celly Campelo, e o seu grande sucesso “Banho de Lua” (uma versão de “Tintarella di Luna”), rememorando o tema da canção na letra de “Chuva de Prata”: “Se tem luar no céu / retira o véu e faz chover / sobre o nosso amor / chuva de prata que cai sem parar / quase me mata de tanto esperar / um beijo molhado de luz / sela ó nosso amor...”

Seguem-se outras românticas citações sobre o amor ao luar, suavemente cantadas em tempo de bolero por Gal Costa, com a participação vocal e instrumental do grupo Roupa Nova. É evidente nessa versão de “Chuva de Prata”, lançada no álbum Profana, a influência do arranjo de Stevie Wonder para o seu grande sucesso “I Just Called to Say I Love You”, da mesma época (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Chuva de prata (1985) - Ed Wilson e Ronaldo Bastos - Intérprete: Gal Costa


 A            Am           G#m           C#m 
Se tem luar no céu    retira o véu e 
G       F#                  E    B7
 faz chover  sobre o nosso amor
E                  G#m            Bm               C#7
Chuva de prata que cai sem parar, quase me mata de tanto esperar
   F#m               C     B7           E    B7
Um beijo molhado de luz, sela o nosso amor
E                     G#m
Basta um pouquinho de mel pra adoçar,
              Bm              C#7
  deixa cair o seu véu sobre nós
F#m              C    B7              E   B7
Oh lua bonita no céu, molha o nosso amor
E                B/D#               C#m  C#m7/B
  Toda vez que o amor disser vem comigo
         A  F#            B7  B7/4 B7
Vai sem medo de se arrepender
E             B/D#                C#m  C#m7/B
  Você deve acreditar no que eu digo
         A   Am              E    B7
Pode ir fundo, isso que é viver

(solo)  E  G#m  Bm  C#m7  F#m  C  B7  E  B7
E|-------------------------------------------------------------
B|------------------------------------------------------------
G|------------------------------------------------------------
D|------------------------------------------------------------
A|---1/2--2-2-2--4--4/6--2—2-2-2---0-2-2-2-2-4-4/5-4----------
E|-------------------------------4----------------------------

E|-------------------------------------------------------------
B|------------------------------------------------------------
G|------------------------------------------------9/7--6/4----
D|-------------------1-2--4-4/5----4-2-1-4-2------9/7--6/4----
A|---0p-------0-2-4-------------------------------------------
E|-----4p2--4-------------------------------------------------

E                 G#m
Cola seu rosto no meu vem dançar,
             Bm                C#7
   pinga seu nome no breu pra ficar
  F#m                  C   B7            E   B7
Enquanto se esquece de mim lembra da canção
E                B/D#               C#m  C#m7/B
  Toda vez que o amor disser vem comigo
         A  F#            B7  B7/4 B7
Vai sem medo de se arrepender
E             B/D#                C#m  C#m7/B
  Você deve acreditar no que eu digo
         A   Am              E    B7
Pode ir fundo, isso que é viver
E                  G#m            Bm               C#7
Chuva de prata que cai sem parar, quase me mata de tanto esperar
F#m                 C    B7          E    C#m  G#m7 Gm7
Um beijo molhado de luz, sela nosso amor
  F#m7                  C    B7            E   C#m G#m7 Gm7
Enquanto se esquece de mim, lembra da canção
   F#m7           C    B7             E
Oh lua bonita no céu, molha o nosso amor