sábado, 1 de agosto de 2009

Destaques de Agosto/2009

Darci da Mangueira
01/08/09 - Darci da Mangueira - Darci Fernandes Monteiro, Rio de Janeiro 15/08/1932 - 20/05/2008, compositor e sambista, nasceu no morro da Formiga, bairro da Tijuca, e desde criança frequentava os ambientes de sambistas, entre os quais o G. R. E. S. Unidos da Tijuca, do qual seu pai, Benedito Monteiro, foi fundador. Depois de cursar o primário...

Dalto
01/08/09 - Dalto - O cantor e compositor Dalto Roberto Medeiros nasceu em 22/06/1949 na cidade de Niterói (RJ), e iniciou-se na carreira como integrante do grupo Os Lobos, com o qual gravou alguns compactos de sucesso, como "Fanny", e o LP "Miragem"(Top Tape), em 1971. Sua carreira solo começou em 1974, gravando na Odeon o compacto "Leila ...

Brasílio Itibierê II
01/08/09 - Brasílio Itiberê II - Brasílio Ferreira da Cunha Luz, compositor, folclorista, crítico e escritor, nasceu em Curitiba-PR, em 17 de maio de 1896 e faleceu no Rio de Janeiro em 10 de dezembro de 1967. Pertencente a uma família de músicos, era sobrinho do compositor Brasílio Itiberê da Cunha (autor de A Sertaneja, a primeira o...

Isaías e seus Chorões
01/08/09 - Isaías e seus Chorões - Grupo de choro formado por Isaías Bueno de Almeida (São Paulo, 1937 - bandolim), Israel Bueno de Almeida (São Paulo, 1943 - violão de 7 cordas), Waldomiro Marçola (violão), Dorival Malavasi (São Paulo, 1934 - cavaquinho), Clodoaldo Coelho da Silva (São Paulo, 1936 - pandeiro), Valdir Guidi (reco-reco...

Irmãs Castro
01/08/09 - Irmãs Castro - Dupla sertaneja formada por Maria de Jesus Castro (Itapeva/SP, 1926) e Lourdes Amaral Castro (Bauru/SP, 1928). Em 1938, Maria de Jesus e Lourdes Amaral participaram escondidas dos pais do concurso Descobrindo Astros do Futuro, em Bauru (SP). Venceram o concurso e continuaram a cantar músicas em inglês...

Lindolfo Gaya
01/08/09 - Lindolfo Gaya - Lindolpho Gomes Gaya, arranjador, regente, instrumentista, compositor. Itararé, SP - 06/05/1921 - Curitiba, 14/09/1987. Começou a aprender piano com sete anos de idade, só se profissionalizando como músico em 1942. Estudou no Colégio Franco-Brasileiro, de São Paulo, SP. A partir de 1942, no Rio de Janeiro, ...

Duo Ciriema
01/08/09 - Duo Ciriema - Dupla sertaneja formada por Aparecida Martins Batista (Franca-SP 1940-) e Irene Lopes (Franca-SP 1941-). Iniciaram carreira em 1960, cantando no programa Alvorada Cabocla, da Rádio Nacional, de São Paulo, e um ano depois estreava em disco com Não beba mais não (Jeca Mineiro e Orlandinho). Sempre ...

Rogério Duprat
01/08/09 - Rogério Duprat - Regente, arranjador e compositor - nasceu no Rio de Janeiro em 07/02/1932 e faleceu em São Paulo em 26/10/2006. Em São Paulo estudou violoncelo inicialmente com Calisto Corazza e em 1953 passou a integrar a Orquestra Sinfônica Estadual. Na mesma ocasião estudou harmonia, contraponto e composição com Olivier ...

Duo Brasil Moreno
01/08/09 - Duo Brasil Moreno - Dupla sertaneja formada pelas irmãs Dora (Dora de Paula, Guariba-SP 1917-) e Didi (Antônia Glória de Paula, Guariba-SP 1924-). As irmãs foram criadas na cidade de Cambará (PR), com mais dois irmãos. Começaram a cantar no coral da Igreja Santa Cecília em Cambará, juntamente com os irmãos. Em 1940, a ...

Ana Carolina
01/08/09 - Ana Carolina - Nascida em Juiz de Fora-MG, a cantora, compositora, arranjadora, violonista e percussionista Ana Carolina começou cantando nos bares de sua cidade e teve seus primeiros espetáculos produzidos pela atriz e cantora Zezé Motta. Sua voz de timbre grave chamou a atenção de Luciana de Moraes, filha de Vinícius ...

Custódio Mesquita
01/08/09 - A MPB e o fox-trot dos anos 30 e 40 - A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX. A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto...

Moacyr Bueno da Rocha
01/08/09 - Moacyr Bueno da Rocha - Cantor, nasceu no Rio de Janeiro no bairro das Laranjeiras. Recebeu o apelido de “O Últimos Romântico” na Rádio Marynk Veiga, devido ao grande sentimento emotivo que emprestava as canções que interpretava. Estreou no microfone em 1931, na Rádio educadora na Hora Lamartinesca. Recebeu ...

Amália Rodrigues
01/08/09 - Amália Rodrigues - A ligação artística e efetiva de Amália Rodrigues com o público brasileiro, que tanto admira, sempre foi muito estreita e carinhosa. Saiu ela para cantar em outras terras, pela primeira vez, em 1943, na vizinha Espanha. Em 1944, mesmo na época perigosa da guerra, sua segunda viagem internacional já teria a direção do ...

Zé Rodrix
16/04/09 - Zé Rodrix - José Rodrigues Trindade, compositor, instrumentista e cantor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 25/11/1947. Iniciou-se em música com o pai, mestre-de-banda em Rio de Contas BA. De 1953 a 1963 estudou teoria, solfejo e acordeom no Conservatório Musical do Rio de Janeiro e harmonia e contraponto na E.N.M.U.B. Toca...

Zé Fortuna
16/04/09 - Zé Fortuna - Fortuna José), compositor e cantor, (Itápolis SP ?/1923-São Paulo SP 10/11/1993), compôs sua primeira música, Quinze a sete, aos 11 anos de idade, em homenagem à vitória de seu time de futebol. A primeira composição gravada foi Moda das flores, em 1944, na Victor, interpretada pelo trio Os Três Batutas do Sertão...

Trio Parada Dura
16/04/09 - Trio Parada Dura - Trio sertanejo. Foi criado pelo cantor, compositor e instrumentista Mangabinha (Carlos Alberto Mangabinha Ribeiro - Corinto, MG - 1942) em 1973 e contou inicialmente com as participações de Delmir e Delmon. Com essa formação inicial, o trio durou dois anos e lançou três discos pela gravadora Chororó. ...

Zeca da Casa Verde
16/04/09 - Zeca da Casa Verde - José Francisco da Silva, compositor e cantor, nasceu em São Paulo SP 23/4/1927 e faleceu na mesma cidade em 19/8/1994. Por 1940 começou a participar, como passista, da Primeira Escola de Samba de São Paulo, no morro das Perdizes. Em 1945, com o amigo Mário Lima de Sousa, formou a dupla Silva e ...

Gaúcho
15/04/09 - Gaúcho - Francisco de Paula Brandão Rangel, nasceu em Cruz Alta – RS em 1911 e faleceu no Rio de Janeiro – RJ em 1971. Em 1933 conheceu Joel de Almeida nas rodas boêmias do bairro carioca da Tijuca, e logo começaram a se apresentar em festas e serenatas. No ano seguinte Renato Murce levou-os para seu programa ...

Haroldo Tapajós
15/04/09 - Haroldo Tapajós - Haroldo Tapajós Gomes, cantor e compositor, nasceu em 19/11/1915 no Rio de Janeiro e faleceu em 18/4/1994 na mesma cidade. Filho de Manoel Tapajós Gomes, crítico de arte e poeta, e de Alice Sabino Maia, Haroldo formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Estado do Rio de Janeiro. Integrou com ....

Abel Silva
15/04/09 - Abel Silva - O compositor Abel Ferreira da Silva nasceu em Cabo Frio (RJ), em 28 de fevereiro de 1943, mas foi criado no bairro do Catete, para onde se mudou com a família, aos dois anos de idade. Estudou na Faculdade Nacional de Filosofia e Direito, liderando nas décadas de 60 e 70 os movimentos estudantis. Formado em ...

Almir Guineto
15/04/09 - Almir Guineto - Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946), mais conhecido como Almir Guineto, sambista e compositor. Foi o fundador do Fundo de Quintal, sendo um dos maiores representantes do samba de raiz. Nascido e criado no Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, teve contato direto com o samba desde a ....

Carreirinho
15/04/09 - Carreirinho - Adauto Ezequiel, cantor e compositor, nasceu em Bofete-SP, em 21/10/1921. Aos sete anos cantou uma modinha de sua autoria numa comemoração escolar de fim de ano, recebendo de presente uma viola. A partir de então, passou a apresentar-se em festinhas, cantando e tocando. Em 1946 estreou profissionalmente ao lado de Ferraz, ...

Baiaco
15/04/09 - Baiaco - Osvaldo Caetano Vasques nasceu em 1913 e faleceu em 1935 na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Compositor e instrumentista, era freqüentador das reuniões de sambistas do Bar do Apolo, no subúrbio do Estácio, ao lado de Bide, Ismael Silva, Mano Edgar, Mano Rubem, Nílton Bastos e outros, com eles fundou a primeira escola de  ... 

Noel Rosa e Wilson Batista
05/02/09 - A polêmica - Na época, Wilson Batista era um jovem e talentoso sambista, porém um sambista desconhecido, que sonhava com a fama e apostava que a conseguiria. Ele acabou entrando para história como um dos grandes compositores sambistas da década de 40. Mas, naquele ano de 1934, ele ainda se apresentava em lugares obscuros do...

Amália Rodrigues


A ligação artística e efetiva de Amália Rodrigues com o público brasileiro, que tanto admira, sempre foi muito estreita e carinhosa. Saiu ela para cantar em outras terras, pela primeira vez, em 1943, na vizinha Espanha.

Em 1944, mesmo na época perigosa da guerra, sua segunda viagem internacional já teria a direção do Rio de Janeiro, viagem repetida em 1945, quando grava na Continental, e em 1949, em ambas as oportunidades também se apresentando em São Paulo. Foram em seguida tantas as vindas e tantos os seus triunfos no Brasil que se torna difícil e desnecessário enumerá-los.

De família modesta da Beira Baixa, Amália da Piedade Rodrigues, nasceria, todavia, por acaso, em Lisboa, em 1920, num dia e mês que a memória de seus familiares nunca conseguiu determinar com exatidão. Até os quatorze anos, ficou na casa de seus avós maternos, na capital portuguesa.

Muito pequena, em casa, a pedido de seu avô começou a cantar, e depois nas festas escolares. A escola freqüentaria até os doze anos, deixando os estudos para ser bordadeira, passadeira de roupa, empregada de fábrica de doces e vendedora de laranjas no cais lisboeta.

Ao voltar para junto de seus pais e irmãos na Beira Baixa, no Fundão, na serra da Estrela, continuou a fazer o que mais gostava, cantar em toda a parte.

"Cantei desde menina, quando andava descalça e seguia os cegos que pediam esmolas. Quando comecei, inovei o fado. Sou filha de gente da Beira Baixa, gente que tem uma maneira diferente de cantar e esta minha maneira foi considerada uma inovação. Depois mudei, estou sempre mudando aqui dentro e por isto minha música muda. Sou desigual, canto como estou sentindo, por isso canto sempre diferente."

Em meados de 1939, sua vida profissional de cantora tem início quando aceita convite para atuar no Retiro da Severa, em Lisboa, prestigiosa casa de música portuguesa típica. Rapidamente Amália começa a construir sua fama.

Ao mesmo tempo em que se apresenta nas melhores casas noturnas, inclui o teatro de revista, o radio, o disco, as excursões, inclusive internacionais, na sua agenda cada vez mais lotada. O cinema aparece-lhe em 1947. Dois anos atua no filme Vendaval Maravilhoso (Vida e Amores de Castro Alves), uma co-produção luso-brasileira, com locações no Brasil e em Portugal.

Sua glória mundial faz-se perante platéias as mais variadas e exigentes: Madri, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Londres, Nova Iorque, Milão, Tóquio, Buenos Aires, Cidade do México e tantas outras pelo mundo a fora. E onde não chega pessoalmente, seus discos levam sua voz.

"O fado me deu muito mais do que eu dei a ele. Minha voz foi somente o veículo humilde através do qual a alma de minha terra chegou a todas as partes do mundo".

Além de tudo, Amália era despojada das humanas vaidades. Mas quem pode pensar no fado e não pensar imediatamente em Amália Rodrigues?

Faleceu em 05/10/1999.

Fonte: http://www.revivendomusicas.com.br/biografias_detalhes.asp?id=211

Moacyr Bueno Rocha

Moacyr Bueno da Rocha - 1939
Moacyr Bueno Rocha, cantor, nasceu no Rio de Janeiro no bairro das Laranjeiras. Recebeu o apelido de “O Últimos Romântico” na Rádio Marynk Veiga, devido ao grande sentimento emotivo que emprestava as canções que interpretava.

Estreou no microfone em 1931, na Rádio educadora na Hora Lamartinesca. Recebeu seu primeiro cachet na PRA-2. Gravando Nancy de Bruno Arelli e Luiz Lacerda, obteve um dos maiores êxitos de sua carreira, Meu amor por toda vida de Osvaldo Santiago também fez sucesso.

Além de magnífico cantor revelou-se rádio-ator de admiráveis recursos. Dizia Sadi Cabral, que se Moacyr não fosse o brilhante cantor que era, as suas qualidades de rádio-ator já lhe garantiriam posição de destaque na radiofonia nacional.
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Fonte: http://www.revivendomusicas.com.br/biografias_detalhes.asp?id=446

A MPB e o fox-trot dos anos 30 e 40

Custódio Mesquita
"O samba se tornou mais samba depois que Noel Rosa criou algumas das suas originais melodias. Era no tempo em que o nosso conjunto regional constituía uma esperança de organização instrumental típica, ou seja, um anseio de realização para aqueles que viam como bom aquilo que poderia não ser compreendido pelos outros povos e capaz de se tornar exótico (...).

Contribuía para a dificuldade
(foto: Custódio Mesquita) de aceitação, o fato de ser o nosso ritmo difícil para os executantes de outras terras, acrescentando-se ainda que não se chegou a escrever instrumentações para o referido agrupamento (...).

Se a possibilidade contrapontística desta espécie de conjunto era enorme, a sua harmonia era relativamente pobre – se levarmos em conta a invasão da música americana de após 1914, em todos os países, bem orquestrada e com certo ritmo mais ou menos acessível, facilitando a sua execução.

Ora, o fato de assimilar-se o estilo de música de um país estranho, por qualquer que seja a sua música popular, constitui sempre um problema. Os ianques por questões de seu poderio econômico (editoras, fonógrafos, orquestras oficiosas e, posteriormente, cinema e rádio) impuseram sua música ao mundo e, mais recentemente, a música de outros povos (...)"


(Trecho de um artigo de Guerra Peixe para a revista Música Viva, 1947)

A música americana começou a entrar de maneira mais abundante no Brasil a partir da segunda década do século XX . A relação dessa produção artística com a música brasileira, cremos, tem sido tratada de maneira superficial pela historiografia e musicologia brasileira e, entretanto foram muitos os compositores daqui que escreveram foxes principalmente nos anos 30 e a primeira metade dos anos 40. Esses autores ora explicitavam a forma no subtítulo em inglês, fox-trot, fox, fox-blue, canção blue ora "nacionalizavam" a subtitulação indicando fox-canção ou simplesmente foxe a denotar o correspondente brasileiro.

No seu livro A canção no tempo, volume I, Jairo Severiano inclui como sucesso de 1923 o fox Vênus, de José Francisco de Freitas e, em 1924, o Cigano, fox-canção de Marcelo Tupinambá e João do Sul, esta composição, como a outra, seguia "a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época". Vale a pena nos determos um pouco, ainda que ilustrativamente, nesta composição.

Melodia de Marcelo Tupinambá (nome artístico do compositor paulista Fernando Lobo), é feita em "estilo andaluz", tendo sido regravada por Francisco Alves em 1946. Tupinambá ululava sobre o indubitável sucesso da melodia desde que fora lançada: 100.000 partes de piano entre 1924 e1946 (Severiano, 1997: 66).

Ressalta de imediato nesta gravação o fato de que ela muito pouco ou nada faz lembrar o estilo de dança que vulgarmente identificamos como foxetrote. A explicação possível poderia ater-se a alguns vários argumentos. Mas à primeira audição somos levados a pensar que o estilo ainda não tinha sido devidamente absorvido pelos músicos, mormente os acompanhadores. O fato é que o esquema do acompanhamento do piano é nitidamente devedor da fórmula típica de acompanhamento da polca. A comparação com aquela outra gravação, 23 anos depois, por Francisco Alves, em 1946, parece não deixar margem para dúvidas. Uma outra explicação pode ser de razão editorial porquanto sabidamente este período é fortemente marcado por uma certa busca do exótico. Severiano tem toda razão quando alude ao seu "estilo andaluz" e não é à toa que Tupinambá ufanava-se do sucesso de vendas de partituras.

Formalmente o Cigano tem forma [A][B] com quadratura regular fraseológica sendo a primeira parte em menor com modulação para o relativo maior da parte B. O arranjo, se é que assim podemos chamá-lo, consiste de um monótono uníssono entre flauta, clarinete e a melodia cantada por Vicente Celestino. Resta lembrar que esta gravação pertence à fase mecânica do registro em discos no Brasil. Indubitavelmente todas essas peculiaridades apontam para condições embrionárias de desenvolvimento desse estilo na composição popular brasileira.

Talvez o foxe canção Cantor do Rádio de Custódio Mesquita com letra do "Dr. J. Marques" resuma um pouco o quadro de aportes com os quais poderiam ter dialogado os nossos autores. Era 1933.

"Eu sou o cantor do rádio / Cantor que nunca viste / E que não verás jamais / Sou a melodia triste / Os tangos sentimentais / O blue, o samba-canção / Que vêm do espaço / Pela estrada da amplidão / Emocionar os teus sentidos / Acarinhar os teus ouvidos / Fazer vibrar teu coração

Mulher amada, fantasiada / Pelo meu sonho emocional / Ouve o tristonho cantor do rádio / Nesta balada sentimental / De onde és tu? / Lyon, Corrientes? / Talvez do Leme, de Honolulu... / Mas yo te quiero, moi je táime / Amo-te muito, I love you"

As presunções a respeito de uma possível "influência" do fox-trot sobre a música popular brasileira é contemporânea da maior disseminação do estilo no Brasil. É assim que, por exemplo, o choro-canção Carinhoso, de Pixinguinha, gravado em dezembro de 1928 pela Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, na gravadora Parlophon, recebeu uma crítica nada abonadora dos comentaristas da revista PhonoArte:

"parece que o nosso popular compositor anda sendo influenciado pelos ritmos e melodias do jazz. É o que temos notado desde algum tempo e mais uma vez neste seu choro, cuja introdução é um verdadeiro fox-trot e que, no seu decorrer, apresenta combinações de música popular yankee. Não nos agradou"

Jairo Severiano, a propósito do comentário que faz para Dor de recordar (foxe-canção, 1930) de Joubert de Carvalho e do "imortal" e compositor bissexto Olegário Mariano, afirma que a música americana invadiu "nossas lojas de discos no final dos anos 20, implantando a moda do fox-trot". O "nacional" Dor de recordar nada ficava a dever, diz ele, aos melhores foxes americanos da época como My blue heaven e You were meant for me (Severiano, 1997: 99).

Segundo Eric Hobsbawm sem o fox-trot , "o triunfo do jazz híbrido na música pop teria sido impossível" numa medida semelhante ao avanço de ritmos latino-americanos respaldados no tango por ocasião da Primeira Grande Guerra. Nesse sentido deveremos considerar a presença do foxetrote entre nós como a presença mesmo da música americana de jazz e mesmo que seja na forma de música de jazz híbrido como a classifica o historiador inglês (Hobsbawm, 1996: 63-83). Justificamos tal consideração recorrendo à didática divisão que este autor apresenta ao analisar a expansão do jazz. Para ele, a primeira fase do jazz vai de 1900 a 1917, quando se tornou a linguagem musical da música popular negra em toda a América do Norte; daí até 1929, sua forma "estrita" se expandiu pouco, mas é "quando uma infusão de jazz altamente diluída se tornou a linguagem dominante na música de dança ocidental urbana e nas canções populares"; de 1929 até 1941 o jazz conquista a Europa (embora um público ainda minoritário) e músicos de avant-garde e "uma forma bem mais diluída de jazz (swing) entrou para a música pop de maneira permanente." É somente depois de 1941 que ocorre o verdadeiro "triunfo internacional" do jazz e a "penetração de linguagens ainda mais puras de jazz na música pop – jazz de N. Orleans, jazz moderno avant-garde e os blues country e gospel." (Hobsbawm, 1997: 63)

De sorte que o escopo temporal da pesquisa concorre, em relação à música de jazz, com aquilo que Hobsbawm descreve como "fase antiga" e "período médio". O "antigo" refere-se ao jazz no estilos New Orleans, Dixieland, Chicago e Nova York, "música de pequenos conjuntos de improvisação, com arranjos rudimentares de cantores de blues e pianistas". No período médio tem-se uma música essencialmente "para orquestras comerciais maiores, com os virtuoses a que deram ensejo". Essa divisão está de acordo com Bellest e Malson para os quais "os agrupamentos maiores se impuseram (...) no final dos anos 20, preparando assim a época das grandes orquestras –e dos arranjadores – que atingiu seu auge com Basie" (Bellest,1989:59). Conforme se sabe, é exatamente a partir do final dos anos 20 que apelos reivindicatórios com vistas a "orquestração da nossa música popular" se tornam mais freqüentes (Braga, 2002).

Compor foxes foi uma atividade bastante significativa na produção do compositor popular brasileiro e como tal necessita de um estudo abrangente porquanto cremos que essa relação foi importante no desenvolvimento geral da composição urbana brasileira que dominava na "indústria cultural" do tempo. Recentemente tivemos oportunidade de ler uma pequena biografia do músico Custódio Mesquita por Bruno F Gomes e um trabalho de doutorado de Orlando Barros no qual a figura do compositor de Rosa de maio é enfatizada. Em ambos, por um motivo ou por outro, se é considerada a importância das possíveis contribuições da música americana e em particular do fox-trot para a música brasileira, isto é feito apenas ilustrativamente.

Discografia brasileira do fox-trot

Segundo o comentarista/apresentador da coleção No tempo do Fox da gravadora Revivendo, o "apogeu do fox-trot no Brasil se deu no final dos anos 30 e já possuía nitidamente características bem brasileiras." Destacamos as 42 peças componentes da coleção, algumas delas retumbantes "sucessos".

RVCD-041 - No Tempo do Fox - Vários Intérpretes

1. HEI DE VER-TE UM DIA - Francisco Alves - 3'22"
2. RENÚNCIA - Nelson Gonçalves - 2'44"
3. MEU GRANDE AMOR - Castro Barbosa e Dircinha Batista - 2'59"
4. DÁ-ME TUAS MÃOS... - Orlando Silva - 2'52"
5. TUDO CABE NUM BEIJO - Manoel Reis - 2'29"
6. MULHER - Sylvio Caldas - 2'48"
7. SEGREDOS - Carlos Galhardo - 2'56"
8. QUERES MENTIR - Gilberto Alves - 3'01"
9. EMCONTRI-TE AFINAL - Sebastião Pinto - 3'02"
10. VOCÊ SÓ... MENTE - Aurora Miranda e Francisco Alves - 3'06"
11. NÃO TROQUEMOS DE MAL - Newton Teixeira - 3'07"
12. ZÍNGARO - Orlado Silva - 2'53"
13. LOURA OU MORENA - Paulo e Haroldo Tapajós - 2'53"
14. AUSÊNCIA - Sylvio Caldas - 2'49"
15. INCERTEZA - Carlos Galhardo - 3'04"
16. ADEUS - Gilberto Alves - 3'07"
17. BISAREI ESTA CANÇÂO - Moraes Neto - 2'43"
18. MARILENA - Francisco Alves - 2'47"
19. NOITE DE LUA - Nelson Gonçalves - 2'43"
20. ERA UMA VEZ... - Arnaldo Amaral e Neide Martins 3'02"
21. NADA ALÉM - Orlando Silva - 3'34"
TOTAL: 62'01"

RVCD-085
NO TEMPO DO FOX Vol. 2
Vários Intérpretes

1. DOR DE RECORDAR - (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) - Francisco Alves - 2'47"
2. QUININHA - (J. M. de Abreu e Castelo Neto) - Moacyr Bueno Rocha - 2'35"
3. TENS NO OLHAR A MINHA INSPIRAÇÃO - (Nelson L. Pereira) - Carlos Roberto - 2'57"
4. MINHA CONSOLAÇÃO - (Gomes Júnior e J. Oliveira) - Jayme Vogeler - 2'58"
5. VOLTA - (Custódio Mesquita) - Orlando Silva - 3'04"
6. O DIA EM QUE CONHECI - (Aloysio da Silva Araújo) - Jorge Fernandes e Domanar - 3'09"
7. APAIXONEI-ME OUTRA VEZ - (Georges Moran e O. Santiago) - Roberto Paiva - 3'06"
8. VEM AMOR! - (Saint-Clair Senna) - Gastão Formenti - 3'05"
9. NOSSA COMÉDIA - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Nelson Gonçalves - 2'54"
10. PRÍNCIPE - (Joubert de Carvalho e Hélio Silveira) - Francisco Alves - 2'35"
11. NÃO POSSO TE DIZER ADEUS - (Silvino Neto) - Nuno Roland - 2'53"
12. PERFIL - (Roberto Martins e Mário Rossi) - Carlos Galhardo - 2'14"
13. CHOREI - (Newton Teixeira e Mário Rossi) - Newton Teixeira - 2'58"
14. QUANTO CUSTA UMA ILUSÃO - (Oswaldo Santiago e M. de Oliveira) - Nilton Paz - 3'12"
15. TUDO EM VÃO - (Roberto Martins e David Násser) - Nelson Gonçalves - 2'44"
16. AI! SE EU PUDESSE! - (Glauco Viana) - Castro Barbosa - 2'57"
17. SIM OU NÃO - (Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy) - Sylvio Caldas - 3'00"
18. CANTOR DO RÁDIO - (Custódio Mesquita e Paulo Roberto) - João Petra - 2'54"
19. DESPEDIDA - (Tito Ramos) - Gilberto Alves - 2'57"
20. NOSSA MELODIA - (Carolina Cardoso de Menezes e J. C. Lisboa) - Francisco Alves - 3'16"
21. NANÁ - (Custódio Mesquita/Jardel e Geysa Bôscoli) - Orlando Silva - 2'54"
TOTAL: 61'09"

Fonte: http://www.domain.adm.br/dem/pesquisa/braga/foxtrot.html