quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tava na roda do samba

Tava na roda do samba (samba, 1932) - Salvador Correia

Título da música: Tava na roda do samba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Almirante e Bando de Tangarás / Compositor: Correia, Salvador / Álbum 33524 / Gravação e lançamento: 00/1932 / Lado A / Disco selo Victor 78 rpm:

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)

Salvador Correia

Salvador Correia (Salvador Correia Barraca), compositor e pandeirista (16/8/1898 Rio de Janeiro, RJ - 05/08/1971 Rio de Janeiro, RJ), também conhecido como "Barraca" (por causa de seu sobrenome, de origem espanhola, que muitos pensavam ser um apelido), foi um músico de renome na cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1920 e começo de 1930 (Foto:  Revista O Malho, de novembro de 1926)

Em 1924, formou com outros instrumentistas a "Embaixada do Amorzinho", grupo instrumental que se apresentava na Festa Penha e rivalizava com os grupos "Embaixada do Fala Baixo", de Sinhô, e "Embaixada do Caninha", do compositor Caninha.

Foi afiliado ao "Cordão dos Anjinhos", do Clube Carnavalesco Tenentes do Diabo. Animou muitos dos fandangos, como eram chamados os bailes na época, do Clube Carnavalesco Tenentes do Diabo.

Em 1926, compôs a marcha Salve Jaú em homenagem ao aviador paulista Ribeiro de Barros, pioneiro na travessia do oceano Atlântico de avião.

Em 1927, obteve o primeiro lugar em concurso carnavalesco promovido por um jornal carioca que contava em sua comissão julgadora com os nomes de Coelho Neto, Múcio Leão, Gastão Penalva e Arthur Imbassahy, com a marcha De madrugada.

Nesse ano, sua participação na Festa da Penha com sua embaixada foi assim comentada por um jornal da cidade: "A garbosa Embaixada do Amorzinho, tendo à frente o hábil pandeirista Salvador Correia, foi o conjunto que melhor impressão deixou pela absoluta coesão de todos os elementos (...) Propagando o vasto repertório de sambas e marchas com que se apresentará no próximo ano aos aplausos dos nossos carnavalescos, a Embaixada do Amorzinho constituiu um dos fatos mais palpitantes deste ano no arraial da Penha".

Ainda em 1927, a marcha Salve Jaú foi gravada na Odeon por Francisco Alves. Depois que seu grupo "Embaixada do Amorzinho" se dissolveu passou a integrar a integrar como pandeirista um grupo criado pelo flautista Bide.

Em 1930, teve a marcha Bolinha gravada na Victor por Paulo Ribeiro. Em 1932, seu samba Tava na roda do samba foi gravado na Victor por Almirante e seu Bando de Tangarás. Foi aclamado em sua época como um habilidoso pandeirista.

Em 1965, passou a morar na aprazível Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro onde costumava receber anualmente, por ocasião de seu aniversário, amigos músicos para relembrar os fandangos do passado.

Obra

Bolinha, De madrugada, Salve Jahú, Ser discreto, Sete cordas, Suas-cuecas, Tava na roda do samba.
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Fontes: Coletâneas de crônicas de Jota Efegê – Figuras e Coisas da Música Popular Brasileira Volume I (FUNARTE); Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Nestor Brandão

Nestor Brandão, compositor (circa séc. XIX - anos 1930 ?), marca sua presença na história da Música Popular Brasileira com a composição Braço de cera.

Lançada como marcha em dezembro de 1926, pela Orquestra Pan American do Cassino Copacabana, foi regravada no mesmo período, em forma de samba pelo barítono Frederico Rocha, em disco Odeon, da Casa Edison, número 123.224, tornando-se um grande sucesso no Carnaval do ano seguinte.

Ainda em 1927, Braço de cera foi gravada como samba por Francisco Alves na gravadora Odeonette.

Em 1989, Braço de cera foi relançada pela Collector´s no LP Almirante - Os ídolos do Rádio - Volume XX.

De carreira bastante desconhecida, não se tem notícias de outras composições de sua autoria que tenham sido gravadas.

J. Rui

J. Rui (Jaime Rui Costa Abollo Martinez), compositor, nasceu em 09/07/1909 na cidade do Porto, Portugal. Filho de Manuel Abollo Martinez, espanhol de Santiago de Compostela e Amélia Costa Martinez, portuguesa de Chaves, Trás-os-Montes, chegou ao Brasil com a família em 1913, estabelecendo-se no Rio de Janeiro.

Após terminar o curso secundário, matriculou-se no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. Na época, já escrevia poesias. Participou do grupo chamado "Turma da Emba", do qual faziam parte Nássara e Luís Barbosa. Rui tocava reco-reco, chocalho e era o letrista oficial do grupo.

Em 1931, teve seu primeiro samba composto Para o samba entrar no céu, parceria com Nássara gravado por Almirante na Victor. Em 1933, compôs com o mesmo Nássara a célebre marcha Formosa, gravada por Francisco Alves em dupla com Mário Reis na Odeon, constitundo-se um dos grandes sucessos do carnaval daquele ano.

Em 1937, Francisco Alves gravou na Odeon a valsa Porque você voltou, também uma parceria com Nássara. Com fragmentos dessa melodia, Nássara faria mais tarde a marchinha Periquitinho verde, com letra de Sá Róris. Acredita-se que o compositor tenha colaborado em muitas composições conhecidas sem que nelas apareça seu nome. Um, exemplo deste fato, seria a composição A-M-E-I, Amei, gravada por Francisco Alves, onde uma quadra inteira foi por ele composta.

Atuou ainda no cinema, teatro - O v da vitória e rádio, tendo dedicado-se ainda à TV, onde assinou os scripts de vários programas humorísticos. Em 1963, em parceria com João Roberto Kelly, escreveu várias composições para a TV, dentre as quais Samba de branco, Cha-cha-cha de Cabo Frio, entre outras. 

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.