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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Porta estandarte


Porta estandarte (samba, 1966) - Geraldo Vandré e Fernando Lona - Interpretação: Dalva de Oliveira

LP A Cantora do Brasil / Título da música: Porta estandarte / Geraldo Vandré (Compositor) / Fernando Lona (Compositor) / Gravadora: Odeon / Ano: 1967 / Álbum: MOFB 3484 / Lado B / Faixa 1.


Intro: Em7/9 C#m5-/7

Em                                         Am     D
Olha que a vida tão linda se perde em tristezas assim
Am                                        F        Em
Desce o teu rancho cantando essa tua esperança sem fim
Am       D
Deixa que a tua certeza se faça do povo a canção
Am
Pra que teu povo cantando teu canto
F          Em
Ele não seja em vão
C    B7  E7
Eu vou levando a minha vida enfim
Am   D   G    B7
Cantando e canto sim
Em           C      B7  E7
E não cantava se não fosse assim
Am    D    G        E7
Levando pra quem me ouvir
Am          B7          Em
Certezas e esperanças pra trocar
Bm5-/7     E7             Am
Por dores e tristezas que bem sei
Bm5-/7 E7 Am
Um dia ainda vão findar
A#°
Um dia que vem vindo
Em
E que eu vivo pra cantar
C                   B7
Na avenida girando, estandarte na mão
Em
Pra anunciar

domingo, 4 de janeiro de 2009

O cavaleiro


O cavaleiro (canção, 1966) Geraldo Vandré e Tuca (Valeniza Zagni da Silva) - Intérprete: Tuca

Compacto simples / Título da música: O cavaleiro / Tuca (Compositora) / Geraldo Vandré (Compositor) / Tuca (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Ano: 1966 / Álbum: C-33.6241 / Lado A / Gênero musical: Canção.



Bem no fundo do coração
Guardo há tempos um cavaleiro
Que ainda vou mandar pro norte
Vestido de boiadeiro

A caatinga é o seu lugar
Sua andança pra voltar
Esperança suas armas
Injustiças pra guerrear

Mas meu cavaleiro
Não vai se descuidar
Quem sai de uma seca brava
No mar pode se afogar

E há um mundo inteiro
Que espera ouvir falar
De um bravo cavaleiro
Que bem soube se guardar

Para um dia lá no sertão
E no mar e em teu coração
Sertanejo ou jangadeiro
Trazer paz para o Norte inteiro

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O menino das laranjas


O menino das laranjas (canção, 1964) - Theo de Barros - Intérprete: Geraldo Vandré

LP Geraldo Vandré / Título da música: O menino das laranjas / Theo de Barros (Compositor) / Geraldo Vandré (Intérprete) / Gravadora: Audio Fidelity / Ano: 1964 / Álbum: AFLP 2008 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção.


Tom: Am

Introdução: Eb7/9 D7/9 Db7/9 C7/9 F7/13 Bb7/9 Am7 D7/9  
  
  Am7                D7/9             Am7             D7/9 
Menino que vai pra feira vender sua laranja até se acabar  
Am7      D7/9       Am7 D7/9       Am7      D7/9    Am7  D7/9       
Filho de mãe solteira cuja ignorância tem que sustentar  
         C7         F7/9  Am7  D7/9  
E madrugada vai sentindo frio  
            C7        F7/9     Am7 D7/9  
Porque se o cesto não voltar vazio  
   C7      F7/9                 Am7   
A mãe já arranja um outro pra laranja 
       D7/9   F7          E7 Am7
e esse filho vai ter que apanhar
F7/13            Bm7    E7/9   
Compra laranja menino  
Bm7        E7/9 Bm7 E7/9 Bm7 E7/9 Bm7 E7/9 Bm7 E7/9 Bm7 E7/9 Bm7  
E vai   pra feira  
         C7         F7/9  Am7  D7/9  
E madrugada vai sentindo frio  
            C7        F7/9     Am7 D7/9  
Porque se o cesto não voltar vazio  
   C7      F7/9                 Am7     
A mãe já arranja um outro pra laranja 
         D7/9  F7         E7 Am7
e esse filho vai ter que apanhar 
Bm7  
Compra laranja, laranja, 
laranja doutor ainda dou uma de quebra pró senhor  
Gm7/9          C7/13      Fm7/9  
Lá no morro a gente acorda cedo e é só trabalhar  
                        Bb7/13       Ebm7/9   
Comida é pouca e muita roupa que a cidade manda pra lavar  
                   Ab7/13       Dbm7/9  
De madrugada ele menino acorda cedo tentando encontrar  
                   G7/13         C#m7/9          F#7/13      
Um pouco pra poder viver até crescer e a vida melhorar  
Bm7        E7/9             Bm7         E7/9        Bm7  C7/9     
Compra laranja doutor ainda dou uma de quebra pró senhor  
Bm7  
Compra laranja, laranja, 
laranja doutor ainda dou uma de quebra pró senhor  
         Gm7/9                    C7/13      Fm7/9  
Lá no morro a gente acorda cedo e é só trabalhar  
          Fm7/9       Bb7/13           Ebm7/9   
Comida é pouca e muita roupa que a cidade manda pra lavar  
    Ebm7/9       Ab7/13                   Dbm7/9  
De madrugada ele menino acorda cedo tentando encontrar  
          Dm7/9       G7/13            C#m7/9  F#7/13      
Um pouco pra poder viver até crescer e a vida melhorar  
Am7      D7/9                 G7                     F#7  
Compra laranja doutor que eu dou uma de quebra pro senhor  
Bm7     E7 Am7       D7      G7  Cm7       Bm7   
Seu doutor compra laranja doutor    seu doutor 

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Disparada

Geraldo Vandré
Em 1966, o compositor Geraldo Vandré participou vitoriosamente de três grandes festivais musicais promovidos pela televisão: em junho, foi 1° lugar na TV Excelsior, com “Porta Estandarte” (parceria de Fernando Lona); em outubro, tirou o 10º lugar na TV Record, com “Disparada” (parceria de Téo de Barros); e ainda em outubro, ficou em 2° lugar na TV Rio (1° Festival Internacional da Canção), com “O Cavaleiro” (parceria de Tuca).

Dessas três composições, a de maior repercussão seria inegavelmente “Disparada”, a mais vigorosa canção de protesto surgida até então, um verdadeiro cântico revolucionário. Musicado por Téo sobre uma versalhada que Vandré havia escrito durante uma viagem, “Disparada” é uma moda-de-viola com sotaque nordestino. “A intenção era compor uma moda-de-viola baseada no folclore da região Centro-Sul, porém nossas raízes se infiltraram no processo e resultou uma catira de chapéu de couro”, esclarece Téo na contracapa de seu primeiro elepê.

Para apresentar “Disparada”, os autores escolheram Jair Rodrigues, então no auge da popularidade, entregando o acompanhamento ao Trio Novo — Téo (viola), Heraldo do Monte (violão) e Airto Moreira (percussão) — reforçado pelo Trio Marayá. O Trio Novo atuou na eliminatória e na gravação de estúdio, mas não pôde participar da final (por já ter compromisso agendado para a data), sendo os seus músicos substituídos por Aires (viola), Gianulo (violão) e Manini (percussão).

Mas nas duas fases o resultado foi excelente, com a canção sendo ruidosamente aclamada pela facção mais politizada da platéia — principalmente em trechos como “Mas o mundo foi rodando / nas patas do meu cavalo / e já que um dia montei / agora sou cavaleiro / laço firme, braço forte / de um reino que não tem rei...” — que rivalizava em número e entusiasmo com os partidários de “A Banda”. Em vista disso, embora “A Banda” tenha ganho pelos votos dos jurados, a direção da Record resolveu considerar as duas concorrentes empatadas na primeira colocação, a fim de evitar um confronto entre os torcedores.

Uma nota pitoresca na apresentação de “Disparada” foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte da seca (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Disparada - (moda-de-viola, 1966), Geraldo Vandré e Theo de Barros - Interpretação: Jair Rodrigues.

LP O Sorriso do Jair / Título da música: Disparada / Geraldo Vandré (Compositor) / Theo de Barros (Compositor) / Jair Rodrigues (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1966 / Álbum: P-765.004-P / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Moda-de-viola.

    D             G          D                  G
Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
C           Bm        C     Am D    G
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
B7      Em      C      Am D      G
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
D             G          D          G
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
C               Bm       C    Am  D     G
E a morte, o destino tudo, a morte o destino tudo
B7      Em        C    Am    D   G
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar
G7          C          A7        D
Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
B7        Em     D                      G
Não por um motivo meu ou de com quem comigo houvesse
B7              Em         B7        C
Que qualquer querer tivesse porém por necessidade
Am      D   G C      Am     D   G
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu
D              G          D              G
Boiadeiro muito tempo, laço firme, braço forte
C          Bm    C     Am  D   G
Muito gado, muita gente pela vida segurei
B7       Em       C     Am   D      G
Seguia como num sonho que boiadeiro era um rei
D          G         D             G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C                G        Am   D       G
E nos sonhos que fui sonhando as visões se clareando
B7          Em      C         Am  D    G
As visões se clareando, até que um dia acordei
D            G        D               G
Então não pude seguir, valente em lugar tenente
C              G            Am      D      G
E o dono de gado e gente, porque gado a gente marca
B7      Em       C              Am D      G
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente
D             G          D           G
Se você não concordar, não posso me desculpar
C         Bm          Am      D      G
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
B7            Em   C    Am       D     G
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar
G7          C        A7           D
Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
B7             Em         C      Am  D    G
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
B7              C            B7               C
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
B7                C               Am    D   G
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu
D          G         D              G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C               Bm      C            G
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
B7            Em       C       Am      D   G
Laço firme, braço forte de um reino que não tem rei

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Geraldo Vandré


Geraldo Vandré (Geraldo Pedrosa de Araújo Dias) nasceu em João Pessoa-PB em 12 de Setembro de 1935. Apresentou-se num programa de calouros na Rádio Tabajara de João Pessoa quando tinha 14 anos. Em Nazaré da Mata, onde cursava o ginásio em internato, participou de alguns shows organizados para as missões.


Foi para o Rio de Janeiro em 1951, e nesse mesmo ano se apresentou no programa de calouros de César da Alencar, no qual foi desclassificado. Aproximou-se então de Ed Lincoln, que nessa época tocava com Luís Eça, na boate do Hotel Plaza, tentando cantar nos intervalos das apresentações.

Em 1955, com o pseudônimo de Carlos Dias, defendeu a canção Menina (Carlos Lyra) num concurso musical promovido pela TV-Rio. Mais tarde, o encontro com o folclorista Waldemar Henrique abriu-lhe a oportunidade de se apresentar no programa da Rádio Roquete Pinto, usando o nome Vandré, que resultou da abreviatura do nome do pai, José Vandregísilo.

Cursou a Faculdade de Direito, do Rio de Janeiro, época em que participou do Centro Popular de Cultura, da extinta União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu primeiro parceiro, Carlos Lyra. Passou então a interessar-se mais pela composição, abandonando a ideia de tornar-se cantor.

Fez a letra da música de Carlos Lyra Quem quiser encontrar o amor, gravada por ele em abril de 1961 em 78 rpm, na RGE, e em 1962 por Carlos Lyra no LP O sambalanço de Carlos Lyra, pela Philips. Esta música seria incluída no episódio "Couro de gato" do filme Cinco vezes favela, trabalho produzido pelo Centro Popular de Cultura.

Em 1962 apresentou-se no Juão Sebastião Bar, em São Paulo SP, iniciando trabalhos com Luís Roberto, Baden Powell e Vera Brasil. Nesse mesmo ano gravou com Ana Lúcia o Samba em prelúdio (Baden Powell e Vinícius de Moraes), pela Áudio Fidelity, com grande sucesso, e compôs com Carlos Lyra o samba Aruanda.

Em dezembro de 1964, gravou na Áudio Fidelity seu primeiro LP, apresentando a toada Fica mal com Deus, além de O menino das laranjas (Téo de Barros). Em 1965 defendeu Sonho de um carnaval (Chico Buarque) no I FMPB, da TV Excelsior de São Paulo. No mesmo festival, inscrevera sua composição Hora de lutar, que não se classificou. Essa música foi gravada, no mesmo ano, num LP homônimo. Nesse período, musicou o filme de Roberto Santos A hora e a vez de Augusto Matraga.

No ano seguinte lançou pela Som Maior o LP Cinco anos de canção, que incluía Pequeno concerto que virou canção, Canção nordestina e Rosa flor (com Baden Powell). Venceu em São Paulo o FNMP, da TV Excelsior, com a música Porta-estandarte (com Fernando Lona), defendida por Tuca e Airto Moreira, assinando depois contrato com a Rhodia para excursionar pelo Nordeste com o Trio Novo, formado por Téo (violão), Airto Moreira (viola caipira) e Heraldo (percussão).

Nesse mesmo ano de 1966 venceu ainda o II FMPB, da TV Record, de São Paulo, com Disparada (com Téo de Barros), na interpretação de Jair Rodrigues, do Trio Novo e do Trio Maraiá, empatando com A banda (Chico Buarque). Obteve ainda o segundo lugar no I FIC, da TV-Rio, do Rio de Janeiro, com O cavaleiro, parceria com Tuca, que também foi intérprete.

Em 1967 a TV Record, de São Paulo, concedeu-lhe um programa próprio, Disparada, com direção de Roberto Santos. Inscreveu Ventania (com Hilton Accioly) no III FMPB, que foi desclassificada, e De serra, de terra e de mar (com Téo de Barros e Hermeto Pascoal), no II FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, que também não obteve classificação. Nesse ano conseguiu sucesso com Arueira e com o frevo João e Maria (com Hilton Accioly).

No mesmo período compôs, a convite dos padres dominicanos de São Paulo, a Paixão segundo Cristino, alegoria da crucificação de Cristo num contexto nordestino; participou do programa Canto Geral, depois Canto Permitido, da TV Bandeirantes, de São Paulo.

Em 1968 gravou o LP Canto geral pela Odeon, com Maria Rita, O plantador (com Hilton Accioly) e músicas suas desclassificadas em festivais. Participou ainda do IV FMPB, com Bonita (com Hilton Accioly). A música foi apresentada duas vezes, pois se desentendera com o parceiro, rompendo com o Trio Maraiá.

Nas eliminatórias para o III FIC, em São Paulo, causou impacto com a apresentação de Caminhando (Prá não dizer que não falei das flores); defendeu-a no festival com o Quarteto Livre, integrado por Naná (tumbadora), Franklin (flauta), Nelson Ângelo (violão) e Geraldo Azevedo (violão e viola), tendo-se classificado em segundo lugar. A música teve grande êxito, tornando-se uma espécie de hino estudantil, mas teve seu curso interrompido pela censura.

Esteve no exílio, inicialmente no Chile (1968), onde compôs a música Desacordonar, com que venceu um concurso, enquanto Caminhando se tornava sucesso. Obrigado a deixar o país, pois se apresentara em televisão como profissional sem a devida licença, seguiu para a Argélia, onde assistiu ao Festival Pan-Africano, viajando depois para a então República Federal da Alemanha, ocasião em que gravou alguns programas para a televisão da Baviera.

Esteve na Grécia, Áustria, Bulgária, cantando em povoados do interior. Na Itália, Sérgio Endrigo regravou músicas suas. Em Paris, França, remontou com um grupo de artistas brasileiros a Paixão segundo Cristino, na igreja de Saint-Germain des Prés, na Páscoa de 1970. Trabalhou com um novo tipo de composição, montada apenas com assobios e sons de violão, com forte ritmo nordestino.

Gravou o LP Das terras de Benvirá, lançado no Brasil pela Philips em 1973, com Na terra como no céu, Canção primeira e De América. Ainda em 1973 gravou apresentações para o programa de Flávio Cavalcanti e para o Fantástico, da TV Globo, mas foram censuradas.

Em 1982, em Presidente Stroessner, Paraguai, apresentou-se em um show, rompendo silêncio de 14 anos. Em março de 1995 apresentou-se no Memorial da América Latina, em São Paulo, no concerto realizado pelo IV Comando Regional (CONAR), em comemoração a Semana da Asa. Na ocasião, um coral de cadetes lançou sua música Fabiana, uma homenagem a FAB.

Em 1997 o Quinteto Violado lançou o CD Quinteto Violado canta Vandré (selo Atração), incluindo antigos sucessos e apenas uma música inédita: República brasileira. Ainda em 1997, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho regravaram Disparada e Canção da despedida no CD Grande encontro 2.

Em 2000 o cantor e compositor paraíbano Zé Ramalho gravou Prá não dizer que não falei de flores, no CD duplo Nação nordestina.

Em 2002, a Rádio Tabajara AM, de João Pessoa, Paraíba, apresentou no programa "Espaço experimental", produzido pelo Laboratório de Radiojornalismo do Curso de Comunicação Social da UFPB, sua peça "Paixão segundo Cristino", gravada a partir de uma montagem encenada em 1984 em Curitiba, além de obras inéditas de sua autoria.

Em 2009, teve a sua música, Disparada (c/ Theo de Barros), gravada em nova versão pelo cantor Ricky Vallen, no CD/DVD "Rick Vallen ao Vivo", lançado pela Sony Music.

Algumas músicas










Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, 18 de junho de 2006

Samba em prelúdio

Vinícius e Baden Powell
No final de 62, talvez considerando esgotado o ciclo bossa nova, ao lado de Tom Jobim, Vinícius de Moraes saiu de circulação, trancando-se em seu apartamento no Parque Guinle, para compor com o novo parceiro Baden Powell. Então, durante quase três meses, tempo em que consumiram vinte caixas de uísque, os dois fizeram 25 canções, o que deu uma media de 0,8 caixa por canção.

Dessa produção obsessiva resultaram os famosos afro-sambas e mais algumas composições fundamentais, como “Samba em Prelúdio”, cuja letra pertence à vertente mais romântica da obra de Vinicius: “Eu sem você / sou só desamor / um barco sem mar / um campo sem flor / tristeza que vai / tristeza que vem / sem você, meu amor, eu não sou ninguém.”

Composto em forma contrapontística sobre um tema de Villa-Lobos (o prelúdio/introdução da “Bachianas n° 4”), “Samba em Prelúdio” é classificado pelos autores como uma homenagem ao mestre. Seu sucesso imediato, puxado pela gravação de Geraldo Vandré e Ana Lúcia, na ocasião jovens iniciantes que o poeta procurava ajudar, seria confirmado por outras gravações como a do próprio Vinícius com Odete Lara (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Samba em prelúdio (samba, 1963) - Baden Powell e Vinícius de Moraes - Intérpretes: Geraldo Vandré e Ana Lúcia.

Disco 78 rpm / Título da música: Samba Em Prelúdio / Vinícius de Moraes (Compositor) / Baden Powell (Compositor) / Geraldo Vandré (Intérprete) / Ana Lúcia (Intérprete) / Gravadora: Audio Fidelity / Ano: 1962 / Álbum: 78-091 / Gênero musical: Samba.

Tom: Am7
Intro: Am7

Am7               E7
Eu sem você não tenho porque
     A7               Dm7
Porque sem você não sei nem chorar
    Bm5-/7       E7     Am7
Sou chama sem luz, jardim sem luar
  B7               E7
Luar sem amor, amor sem se dar
  Am7              E7
E eu sem você sou só desamor
    A7                 Dm7
Um barco sem mar, um campo sem flor
   Bm5-/7    E7     Am7
Tristeza que vai, tristeza que vem
        B7                   E7       Am7    E7
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Am7        E7           A7                        Dm7
Ai que saudade, que vontade de ver renascer nossa vida
Bm5-/7 E7   Am7           B7
Vol ... ta querida, os teus braços precisam dos meus
         E7
Meus abraços precisam dos teus
   Am7        E7   
Estou tão sozinho, 
         A7                               Dm7
tenho os olhos cansados de olhar para o além
Bm5-/7  E7    Am7
Vem    ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Prá não dizer que não falei das flores

Geraldo Vandré
Foi preocupado com uma possível rejeição do público e do júri que Geraldo Vandré entrou em cena para defender sua canção “Caminhando” na eliminatória paulista do III Festival Internacional da Canção. A preocupação tinha dois motivos: primeiro, a lembrança da vaia e da desclassificação que sofrera em 1967 na Record, com a música “Ventania”; segundo, o esquema que escolhera para apresentar “Caminhando” — sozinho no palco, acompanhado apenas de um violão. Mas o público o aplaudiu freneticamente e o júri acabou por lhe dar o segundo lugar na final, quando cantou com o Quarteto Livre.

Propositalmente despojada no aspecto melódico-harmônico (apóia-se somente em dois acordes), “Caminhando” tem o seu forte no teor revolucionário da letra — “Vem, vamos embora / que esperar não é saber / quem sabe, faz a hora / não espera acontecer / (...) / nas escolas, nas ruas / campos, construções / somos todos soldados / armados ou não...” Era um enorme passo à frente do ponto alcançado por “Disparada”, dois anos antes.

Essa postura audaciosa de desafio à ditadura, em pleno 1968, quando se processava a radicalização do regime, empolgou a platéia presente ao Maracanãzinho que, inconformada por não haverem os jurados dado a vitória a “Caminhando”, repudiou a vencedora “Sabiá”. O sucesso fulminante da canção de Vandré seria, porém, logo interrompido pela censura, enquanto o autor exilava-se no Chile.

Muitos anos depois, extinta a proscrição, “Caminhando” pôde novamente ser apreciada como exemplo de canto político-revolucionário Uma curiosidade: classificada pelo maestro Lindolfo Gaya como uma guarânia e pelo próprio Vandré como “um rasqueado de beira de praia”, “Caminhando” mereceu do general Luís de França Oliveira, secretário de Segurança da Guanabara, o seguinte comentário, em entrevista que justificava a sua proibição: “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores’ tem letra subversiva e sua cadência é do tipo de Mao-Tsé-Tung” (sic) (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Caminhando) (rasqueado, 1968) - Geraldo Vandré - Intérprete: Geraldo Vandré

Gravação original em compacto simples / Título da música: Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores (Caminhando) / Geraldo Vandré (Compositor) / Geraldo Vandré (Intérprete) / Gravadora: Som Maior / Nº Álbum: SMCS-209 / Ano: 1968 / Lado A / Gênero musical: Rasqueado / Guarânia.

(Em D)
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Bm                D        A            E
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Bm                D        A            E
Caminhando e cantando e seguindo a canção

(refrão)

(Em D)                                     
Vem, vamos embora, que esperar não é saber  (2x)
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

(Em D)
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
         Bm       D              A       E
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
         Bm       D        A            E
E acreditam nas flores vencendo o canhão

(refrão)

(Em D)
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
          Bm            D          A       E
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
        Bm          D        A          E
De morrer pela pátria e viver sem razão

(refrão)

(Em D)
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
     Bm            D         A            E
Caminhando e cantando e seguindo a canção
     Bm          D         A           E
Somos todos iguais braços dados ou não
(Em D)
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
    Bm            D          A           E
Caminhando e cantando e seguindo a canção
      Bm          D          A        E
Aprendendo e ensinando uma nova lição

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Quem quiser encontrar o amor

Geraldo Vandré
Quem quiser encontrar o amor (samba, 1961) - Geraldo Vandré e Carlos Lyra - Interpretação de Geraldo Vandré

Disco 78 rpm / Título da música: Quem quiser encontrar o amor / Vandré, Geraldo (Compositor) / Lyra, Carlos, 1939- (Compositor) / Vandré, Geraldo (Intérprete) / Conjunto RGE (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1961 / Nº Álbum 10311 / Gênero musical: Samba bossa nova.



-----------Gbm --------E ----Ebm7/-5
Quem quiser encontrar o amor
D7+ --Ebm7/-5--D7+ -----Gbm
Vai ter que sofrer / Vai ter que chorar - BIS

Bm7------------ E7------------ A7+----- Gbm7
Amor assim não é amor / É sonho é ilusão
------Bm7 ---------E7 ------------D7 --------Db7
Pedindo tantas coisas que não são do coração

Bm7--------- E7 --------------------A7+ --------Gbm7
Amor que pede amor /Somente amor há de chegar
----Bm7 -------------E7 -------------D7 --------Db7
Pra gente que acredita e não se cansa de esperar

----Bm7---------- E7------------ A7+ ------Gbm7
Feliz então sorrindo / Minha gente vai cantar
-------Bm7-------- E7 --------D7-------- Db7
Tristeza vai ter fim / Felicidade vai ficar - REF.