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sexta-feira, 24 de março de 2006

Pierrô e Colombina

Antes do advento do samba e da marchinha, fazia sucesso no carnaval qualquer tipo de música, nem sempre alegre, como é o caso de "Pierrô e Colombina". Também chamada de "O despertar de Pierrô" e "Paixão de Pierrô", esta valsa de versos ("A vós que acabais de ouvir meu pranto, meu padecer / quero um pedido fazer / tenham dó do meu carpir...") e melodia carregados de tristeza, tomou conta do Rio de Janeiro nos carnavais de 1915 e 16, por paradoxal que possa parecer.

Embora atribuída em algumas publicações à dupla Oscar de Almeida e Eduardo das Neves, "Pierrô e Colombina" é só de Almeida, segundo Almirante em sua coluna no jornal O Dia: "'Pierrô e Colombina' é letra e música de Oscar de Almeida dos Correios; o Edu das Neves somente a gravou". Como vários personagens da música popular brasileira no início do século, Almeida era funcionário dos Correios e Telégrafos.

Pierrot e Colombina (valsa, 1913) - Oscar de Almeida e Eduardo das Neves - Intérprete: Eduardo das Neves

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Despertar de Pierrot / Eduardo das Neves (Compositor) / Oscar de Almeida (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 120257 / Nº da Matriz: R-8 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Canção / Coleção de Origem: IMS / Obs.: No rótulo ou selo do disco o título impresso da música é "O Desespero de Pierrot".



Há quanto tempo saudoso / Procuro em vão Colombina
Sumiu-se a treda ladina / Deixou-me em trevas choroso
Procuro-a sim como um louco / Nos becos, nas avenidas
As esperanças perdidas / Tendo-as vou já pouco a pouco


Se em todo o carnaval / Não conseguir ao menos
Seu rosto fitar / Palavra de Pierrot
Eu juro me matar / Não posso suportar
Esta cruel ausência / Que me afoga em dor
Meu coração morrer / Sinto de amor


É dia de risos e flores / Todos folgam só eu não
Ela, talvez num cordão / Procure novos amores
Oh! Companheira impiedosa / Vê que suplício cruel
Vejo a minha alma afogar-se / Num oceano de fel


Oh!: Vós que acabaes de ouvir / Meu pranto, meu padecer
Tenho um pedido a fazer / Tenham dó do meu carpir
Se encontrarem Colombina / Que é da minha alma o vigor
Digam-lhe que assim se fina / Procurando-a, seu Pierrot



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Oscar de Almeida

Oscar de Almeida (Oscar José de Almeida), compositor, cantor e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 18/7/1895 e faleceu em 1/11/1942. Carteiro de profissão, fazia versos de improviso, cantando e tocando modinhas ao violão.


Sua primeira letra conhecida é a da valsa Pierrô e Colombina (ou Paixão de pierrô), de 1915, com música de Eduardo das Neves, grande sucesso do Carnaval de 1916.

Em 1919, integrando o rancho Ameno Resedá, compôs com Bonfiglio de Oliveira a marcha A Queda da rosa. Na década de 1920 integrou o rancho Recreio das Flores, como maestro ensaiador e diretor de canto.

A 2 de fevereiro de 1921, preparando-se para o Carnaval, o rancho exibiu-se no Teatro Lírico, apresentando músicas de vários compositores - com versos de sua autoria: Hino do Recreio, Ouvindo as aves, Saudade, Nuvem que passa, Entre pérolas, Segredos do arrebol, Culto à música, Odisseia do Sairá, etc.

Em 1932 fez parte do bloco Reinado de Siva, para o qual escreveu as marchas Plenilúnio e Saudação à imprensa. É autor de um livro de versos, Aturdidos, s.d., mas a maior parte de sua obra ficou sem registro.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.