domingo, 4 de junho de 2006

Deusa do Maracanã

Deusa do Maracanã (valsa, 1942) - Jaime Guilherme - Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Deusa do Maracanã / Jaime Guilherme (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 30/07/1942 / Lançamento: 10/1942 / Nº do Álbum: 80-0002 / Nº da Matriz: S-052585 / Gênero musical: Valsa



LP Nelson Gonçalves - Buquê de Melodias / Título: Deusa do Maracanã / Jaime Guilherme (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº Álbum: BPL 17 / Ano: 1958 / Lado A / Faixa: 4 / Gênero musical: Valsa

Dm                           Gm
Sempre, às seis horas da manhã,
A7
No Largo do Maracanã,
Dm  A7
Eu ouço com emoção
Dm                   Am
Uma mensagem que o sino,
B
Da igrejinha do Divino
F              E7   A7
Dirige ao meu coração...

Dm                      Gm
E, quando escuto o badalar,
A7
Vou à esquina pra ver passar,
Dm  D7
A Deusa dos sonhos meus,
Gm       A7          Dm   Dm/C
Que, com graça e singeleza,
E7/B
No seu pisar de princesa
A7                Dm
Vai prostrar-se aos pés de Deus.


A7
E o que mais me encanta,
Gm
É ver que essa linda santa,
Dm  A7
A outra santa implorar,
Dm                     Am
Sem saber que, apaixonada,
B
Aos seus pés, ajoelhada,
F             E7   A7
Minh'alma vive a rezar...


Dm                  Gm
A Deusa que tanto quero,
A7
Que ocultamente venero,
Dm  D7
No altar do meu coração,
Gm                    Dm
Passa por mim, na igrejinha,
Dm/C            E7/B
E nunca, nunca advinha,
Bb  A7            Dm
Meu amor sem remissão !!! 


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Boêmio demodê


Quando este samba foi lançado, em 1971, seu autor, Adelino Moreira, estava brigado com Nelson Gonçalves. Então Adelino procurou um cantor que pudesse substituir Nelson como seu intérprete oficial. Escolheu Paulo Vinícius, mas só este samba conseguiu repercussão. Um ano mais tarde, 1972, Adelino Moreira e Nelson Gonçalves se reconciliaram, após sete anos de estremecimento (Fonte: Samuel Machado Filho).

Boêmio Demodê (1971) - Adelino Moreira - Interpretação: Paulo Vinícius

LP Boêmio Demodê / Título da música: Boêmio Demodê / Adelino Moreira (Compositor) / Paulo Vinícius (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1971 / Nº Álbum: CLP 11659 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Samba.

F                C7 
Vou fazer uma seresta  
                   F 
Moderninha como o quem 
                  C7  
Misturar os tratamentos 
                      F  
Juntar o "tu" com "você" 
                      C7 
Eu não quero que me chamem 
               F    
Um boêmio demodé. 
 
                  C7 
Com acordes dissonantes 
                      F  
Sem marquise, sem calçada 
                      C7 
Sem vulto de mulher amada 
                   F     
Na penumbra do balcão 
                C7  
Seresta ultramoderna 
                F 
Sem viola e violão 
 
        C7    
Minha seresta 
                   F    
Nâo terá pinga na rua 
                   C7  
Não terá luar nem Lua 
                   F  
e nem lampião de gás 
          C7  
Porque a lua 
                  F 
Nestes tempos agitados 
                  C7  
Já não é dos namorados 
                    F  
Romantismo não tem maís 
 
         C7 
Minha seresta 
                F  
Nesta era espacial 
                  C7  
Vai-se tomar imortal 
                      F 
Na voz daquele ou daquela 
         C7 
Minha seresta 
                      F  
Vai ganhar placa de bronze 
                        C7  
Pois nem mesmo a Apollo 11 
                    F 
É mais moderno que ela. 

Viagem

O poeta Paulo César Pinheiro tinha apenas quatorze anos quando compôs “Viagem”. Impregnada de um lirismo extremo, que se espalha por quase cinqüenta versos, sua letra — muito bem musicada por João de Aquino — descreve uma espécie de viagem poética, alegre, luminosa, cheia de imagens surpreendentes que ressaltam o clima onírico da composição: “Vamos indo de carona / na garupa leve / do vento macio / que vem caminhando / desde muito tempo / lá do fim do mar...” Ou, ainda: “Nós só voltaremos / no cavalo baio / o alazão da noite / cujo nome é raio / Raio de Luar.”

Mas, apesar de sua qualidade, a canção teve que esperar nove anos para chegar ao sucesso. Assim, ao ser lançada em 1969, por Baden Powell (primo de João de Aquino) em disco instrumental e logo depois pela cantora Márcia, não despertou maiores emoções. Este compacto da Márcia, com acompanhamento de Baden, lançou também “Gente Humilde”, sucesso só no ano seguinte, com Ângela Maria.

Finalmente, em 1973, chegou a vez de “Viagem”: Clara Nunes a tinha gravado, mas, como rejeitou o arranjo e não houve tempo para nova gravação não a incluiu em seu elepê anual. Então apaixonada pela canção, sugeriu à amiga Marisa Gata Mansa que fosse ouvi-la num show que Márcia, ao lado de Jair Rodrigues, trouxera para o Teatro Casa Grande, no Rio. Semanas depois “Viagem” entrava nas paradas radiofônicas e na vida de Marisa como o maior sucesso de sua carreira.

Curiosamente, o maestro Lindolfo Gaya, que assinara o arranjo recusado por Clara, redimiu-se ao fazer o da gravação de Mansa, utilizando outra concepção. Ainda sobre a melodia de João de Aquino, há uma breve semelhança entre os seus compassos iniciais e os da rancheira “In a Little Spanish Town”, da americana Mabel Wayne, lançada em 1926 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Viagem (1973) - João de Aquino e Paulo César Pinheiro - Intérprete: Marisa Gata Mansa

LP Viagem / Título da música: Viagem / João de Aquino (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Marisa Gata Mansa (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1973 / Nº Álbum: SMOFB 3768 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção / MPB.


D--------------------- Bm7-------------- E
Oh tristeza, me desculpe / Tou de malas prontas
-------------Em -------------------A7
Hoje a poesia veio ao meu encontro
--------------Em ---A7-------------- D ---------D7
Já raiou o dia, . . . . . . . .vamos viajar
G ---------------------Ab0-------------- D
Vamos indo de carona / Na garupa leve
------------------Bm7 ------------------E
Do tempo macio / Que vem caminhando
-------------------A7 -----------------D------- A7
Desde muito longe / Lá do fim do mar

D -------------------Bm7 -------------- E
Vamos visitar a estrela / Da manhã raiada
-------------------Em--------------- A7
Que pensei perdida / Pela madrugada
------------------Em-- A7 -------------D-------- D7
Mas vai escondida, . . . querendo brincar
G -----------------------Ab0 ------------D
Senta nessa nuvem clara / Minha poesia
---------------Bm7 ------------------E
Anda se prepara / Traz uma cantiga
-----------------A7 --------------D---------- A7
Vamos espalhando música no ar

D ------------------------Bm7 -----E
Olha, quantas aves brancas / Minha poesia
--------------------Em --------------------A7
Dançam nossa valsa / Pelo céu que um dia
----------------Em ------A7 -----D -------D7
Fez todo bordado de raios de sol
G -----------------Ab0------------------ D
Oh poesia me ajude / Vou colher avencas
-------------------Bm7 ------------------E
Lírios, rosas, dálias / Pelos campos verdes
----------------A7 ----------------D-------- A7
Que você batiza de jardins do céu

D ----------------------Bm7------------- E
Mas, pode ficar tranquila / Minha poesia
------------------Em --------------------A7
Pois nós voltaremos / Numa estrela guia
-------------------Em-- A7----------- D ----------D7
Num clarão de lua . . . .quando serenar
G ------------------Ab0------------------- D
Ou talvez até, quem sabe / Nós só voltaremos
----------------Bm7 ---------------E
No cavalo baio, no alazão da noite
------------------A7------------ D
Cujo nome é Raio, Raio de Luar

Três apitos

Noel Rosa escreveu "Três Apitos" baseado na fábrica de tecidos Confiança localizada em Vila Isabel, onde hoje se encontra o Supermercado Extra Boulevard. A fábrica de fiação e tecidos foi fundada em abril de 1885 e desativada após 85 anos de atuação. 

Uma das maiores inspirações de Noel eram as mulheres e com esta canção não foi diferente. Noel Rosa tinha um relacionamento com Clara, vizinha e conhecida da família. A moça era operária da fábrica, e seu grande admirador era atraído pelos apitos que indicavam o término do expediente de trabalho.  Exibido como sempre foi, Noel passava em seu carro fazendo questão que sua presença fosse notada. 

Porém há controvérsias sobre a musa inspiradora da música. Existem relatos que mostram que a música não foi dedicada a Clara, mas sim à Josefina que trabalhava numa fábrica de botões localizada no Andaraí, e era um caso a parte ao seu namoro. Porém Não existem comprovações referentes à verdadeira homenageada pelo poeta, pois até o próprio não deixou claro sua intenção em 1936 quando disse que “outra operária de fábrica, se encaixaria nessa canção”. (fonte: Feitiço do Noel - feiticodonoel.blogspot.com),

Três apitos (samba-canção, 1933) - Noel Rosa - Intérprete: Araci de Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Três apitos / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Araci de Almeida, 1914-1988 (Intérprete) / Orquestra de Cordas (Acompanhante) / Gnattali, Radamés (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 / Nº Álbum 16392 / Lado B / Lançamento: 1951 / Gênero musical: Samba-canção.

Tom: E
Intro: E7 A Am E F#7 B7

           E         E7         A
Quando o apito da fábrica de tecidos
Am             E   C#7
Vem ferir os meus ouvidos,
F#7  B7  E
eu me lembro de você
E7                    A
Mas você anda sem dúvida bem zangada
Am        E     C#7  F#7   B7        E B7
Ou está interessada em fingir que não me vê

                     E            E7         A
Você que atende ao apito de uma chaminé de barro
Am                     E         C#7
Por que não atende ao grito tão aflito
F#7   B7       E   B7
Da buzina do meu carro?
E          E7             A
Você no inverno sem meias vai pro trabalho
Am         E    C#7     F#7       E  B7
Não faz fé em agasalho nem no frio você crê

        E       E7               A
Você é mesmo artigo que não se imita
Am      E   C#7    F#7  B7  E   B7
Quando a fábrica apita faz reclame de você
E           C#7     F#7
Nos meus olhos você lê como eu sofro cruelmente
Am              E          C#7
Com ciúmes do gerente impertinente
F#7  B7 E   B7
Que dá ordens à você

         E       E7           A
Sou do sereno, poeta muito soturno
Am             E C#7  F#7  B7      E
Vou virar guarda-noturno e você sabe por quê
E7                         A
Mas você não sabe que enquanto você faz pano
Am       E     C#7   F#7   B7    E
Faço junto do piano esses versos pra você