domingo, 9 de abril de 2006

Adelino Moreira


Adelino Moreira de Castro, compositor, nasceu na cidade do Porto, em Portugal, no dia 28 de março de 1918. Filho de um joalheiro, emigrou com a família para o Brasil em 1919, fixando residência no bairro carioca de Campo Grande. Estudou até o segundo ano científico, que abandonou para trabalhar com o pai. Não se tornou exímio na ourivesaria, como também se contagiou pelo amor paterno pela poesia e pela música.

Em 1936 casou-se com Maria da Conceição (da qual se separaria em 1951). Por volta de 1938 começou a aprender bandolim, passando depois para a guitarra portuguesa. No início da década de 40, seu pai patrocinava o programa Seleções Portuguesas, na Rádio Clube do Brasil, dirigido pelo maestro Carlos Campos, seu professor de guitarra. Foi através dele que Adelino começou a se apresentar no Rádio como cantor.

Em 1945, convidado por João de Barro, diretor-artístico da Continental, gravou os fados Olhos d'alma e Anita, o samba Mulato artilheiro e a marcha Nem cachopa, nem comida, todos de sua autoria. Em 1948 foi para Portugal onde gravou, como intérprete, diversas músicas brasileiras na Parlophon portuguesa, além de ter participado, também como cantor, da revista musicada Os Vareiros. De volta ao Brasil, deixou de cantar, continuando a trabalhar com o pai e a compor.

Em 1951 compôs a marcha Parafuso (parceria com Zé da Zilda e Zilda do Zé), gravada pela dupla em 1953. Em 1952, foi apresentado a Nelson Gonçalves, a quem entregou sua composição Última seresta (parceria com Sebastião Santana) para ser gravada. Essa gravação, realizada na Victor em 1952, foi a primeira de uma série de outras feitas pelo cantor, que se tornaria seuprincipal intérprete.

Nos anos seguintes, Nelson lançaria os primeiros dois grandes sucessos do compositor: Meu vício é você (gravado em 1955) e A volta do boêmio (gravado em 1956). Adelino e Nelson passaram também a compor juntos, surgindo assim vários sucessos, como o bolero Fica comigo esta noite (1961) e os sambas-canções Escultura (1958) e Êxtase (1959).

Na década de 60, vários outros cantores gravaram músicas de Adelino, entre eles, Ângela Maria, Carlos Galhardo e Orlando Silva. Por volta de 1966, alguns desentendimentos separaram Adelino de Nelson Gonçalves. Entre 1967 e 1969, atuou como disc-jockey na Rádio Mauá, no Rio de Janeiro. Em 1970 abriu uma churrascaria em Campo Grande, onde se apresentaram muitos cantores famosos.

A briga com Nelson duraria até 1971, quando voltaram a trabalhar juntos. E, em meados da década de 70, além de continuar a compor, tornou-se empresário do cantor. Em 1978, Maria Bethânia grava uma nova versão do samba-canção Negue, de Adelino Moreira (parceria com Enzo de Almeida Passos), fazendo enorme sucesso.

Faleceu aos 84 anos de idade, na madrugada de 09 de maio de 2002, de infarto fulminante. Foi encontrado por sua esposa caído no chão da cozinha de sua casa, na Estrada do Monteiro, em Campo Grande.

Adelino Moreira foi um caso raro na história da MPB: um compositor que construiu a carreira com talento e cuidado, conseguindo manter um confortável padrão de vida, principalmente porque nunca parou de receber direitos autorais. Exerceu a vice-presidência e cargo de conselheiro na SBACEM.

Algumas músicas

A devota e o pecador
A flor do meu bairro
A volta do boêmio
Argumento
Cabrocha Maria
Chore comigo
Ciclone
Cinderela
Deusa do asfalto
Devolvi
Doidivana
Enigma
Escultura
Esta noite ou nunca
Estudante
Eu te amo
Êxtase
Fantoche
Fica comigo esta noite
Fim de estrada
Funga-funga
Garota solitária
Intriga
Levanta-me meu amor
Manicure
Mariposa
Meu desejo
Meu dilema
Meu perfil
Meu triste long-play
Meu vício é você
Moço
Não fujas
Não me perguntes
Nego da calça amarela
Negue
Noite da saudade
Nosso amor
O amanhã do nosso amor
Odeio-te meu amor
Ofensa
Olha o côco Sinhá
Ontem à noite
Página portuguesa
Piedosa mentira
Pra teu castigo
Preciso de uma companhia
Profeta
Protesto
Queixas
Quem tem
Quero saber
Razão
Regresso
Saudade resto de amor
Seresta moderna
Seria tão diferente
Silêncio da seresta
Sinfonia da mata
Sonho
Solidão
Timidez
Última seresta
Vida
Vitrine


Fonte: História do Samba - Editora Globo.

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