sexta-feira, 14 de abril de 2006

Nelson Gonçalves


Antônio Gonçalves Sobral nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no dia 21 de junho de 1919. Logo depois, ele mudou-se com seus pais portugueses para o bairro do Brás, em São Paulo, onde foi criado. E para sobreviver, chegou a desempenhar as atividades mais diversas.

Antes de trabalhar como garçom no bar de seu irmão na Avenida São João, em São Paulo, trabalhou como engraxate, mecânico e jornaleiro. Bastante impulsivo e violento, aos 16 anos, foi campeão paulista de box, na categoria de peso-médio.

Depois, durante o tempo em que morou no Rio, após ser recusado em várias rádios, foi finalmente crooner do Cassino Copacabana Palace, alcançando então o início da tão sonhada glória nacional.

Grande ídolo na década de 50, apresentou-se em diversas capitais e cidades brasileiras. Fora do Brasil, no Uruguai, Argentina e nos Estados Unidos, onde apresentou-se, em 1961, no lendário Radio City Hall, de Nova York. No final dos anos 50, envolveu-se com cocaína. Em 1966, chegou a ser preso em flagrante, passando um mês na Casa de Detenção. Depois caiu num ostracismo que lhe custou muito sofrimento e trabalho para se reerguer.

Apesar da vida atribulada e do temperamento quente, Nelson Gonçalves dedicou mais de cinqüenta anos de sua vida à música. Durante sua carreira, gravou mais de 2.000 canções, 183 discos em 78 rpm, 128 álbuns e vendeu cerca de 78 milhões de discos, ganhou 38 discos de ouro e 20 de platina. Por seu último disco, "Ainda é Cedo" (1997), Nelson iria receber o disco de ouro.

A mais bem sucedida parceria de Nelson Gonçalves foi com o seu amigo de longa data, Adelino Moreira, um dos maiores letristas e compositores do gênero samba-canção, que compôs para Nelson mais de 370 músicas. Adelino, que ajudou a cunhar definitivamente o estilo de Nelson, esteve presente no enterro do amigo, muito emocionado, cantando trechos da música "Lua Namoradeira", tema que estava terminando de compor para a voz de Nelson.

E foi exatamente dessa parceria, a partir dos anos 50, que nasceram alguns dos maiores sucessos de Nelson, como A volta do boêmio, Deusa do asfalto, Fica comigo esta noite, Êxtase e Escultura. Eram temas românticos, em geral arrebatadores, de paixões perdidas ou imortais. E tudo devidamente embalado naquele maravilhoso vozeirão de grande extensão e muita emoção pura. E Nelson gabava-se de usar apenas um terço da potência de sua voz. A morte de Nelson Gonçalves, aos 78 anos, no sábado do dia 18 de abril de 1998, encerrou uma era na música brasileira.

Algumas músicas

A alma do tutu, A beleza dos meus olhos, A deusa da minha rua, A flor do meu bairro, A hora é boa, A media luz (versão), A mulher do seu José, A mulher dos sonhos meus, A noite do meu bem, A rainha do mar, A saudade é um compasso demais, A saudade mata a gente, A última estrofe, A valsa de Maria, A valsa de quem não tem amor, A volta do boêmio, A voz do violão, Adeus (Cinco letras que choram), Ai, morena, Ai amor, Alma que chora, Amarga confissão, Amigo, Amor perfeito, Apelo, Aquela mulher, Argumento, Arrependida, As pastorinhas, As rosas não falam, Até que enfim favela, Atiraste uma pedra, Ave-Maria no morro,

Baianinha, Boêmio demodê, Bons tempos aqueles, Brasil, Brasil coração da gente, Brinquei com o amor, Cabelos brancos, Cabelos cor de prata, Cadeira vazia, Caminhemos, Camisola do dia, Carlos Gardel, Casa de sopapo, Casamento é loteria, Certinha, Chão de estrelas, Chore comigo, Ciclone, Ciúme, Comentário, Como sofre essa mulher, Como vai você, Com que roupa?Conselho, Covarde.

Da cor do pecado, Dama, valete e rei, Datilógrafa, Deixe que ela se vá, Depois de 2001, Depois do amor, Destino, Deusa do asfalto, Deusa do Maracanã, Diga, Direito de amar, Doidivana, Dolores Sierra, Dona Rosa, Dor da saudade, Dora, Dorme que eu velo por ti, Dos meu braços não sairás, É sempre bom, Ela disse-me assim, Ela me beijou, Ela tem que se humilhar, Enfermeira, Enigma, Errei, erramos, Escultura, Espanhola, Esse moços (Pobres moços), Esta noite me embriago, Estrelas na lama, Estudante, Eu não posso viver sem mulher, Eu quero te ver morena, Eu sei que vou te amar, Êxtase,

Fala por mim violão, Falsos poemas, Fantoche, Feitiço da Vila, Feitio de oração, Fica comigo esta noite, Ficarás, Fingiu que não me viu, Fita amarela, Foi você, Folha morta, Formosa mulher, Francisco Alves, História da Lapa, História do pierrô, História joanina, Hoje quem paga sou eu, Ingrata, Isso aqui tem dono.

Juramento falso, Ladrãozinho, Lágrima sentida, Lamento, Lembranças, Levanta-me meu amor, Madrugada, Mãe Maria, Mágoas de caboclo, Mais uma vez, Manias, Manicure, Maria Bethânia, Marilu, Marina, Mariposa, Matriz ou filial, Memórias do Café Nice, Menina dos olhos, Mensageira dileta, Meu barco é veleiro, Meu castigo, Meu desejo, Meu dilema, Meu perdão não terás, Meu perfil, Meu vício é você, Meus amores, Meu triste long-play, Minha revelação, Moça, Moço, Modinha, Mulher, Mulheres de ninguém,

Nada além, Nadir, Não aguento mais, Não fiquei louco, Não me olhe assim, Não sou feliz nos amores, Não tenho queixa, Naquela mesa, Nega manhosa, Negue, Nem às paredes confesso, Nem coberta de ouro, Ninguém vem ouvir meus ais, No céu é assim, Noite cheia de estrelas, Noite da saudade, Noite de lua, Normalista, Nossa comédia, Nosso amor, Nossos momentos, Número um, Nunca.

O amanhã do nosso amor, O diabo da mulherO homem da capa preta, O relógio da central, Odalisca, Olhos negros, Onde anda você, Os anos carregaram, Ouça, Palpite infeliz, Pela primeira vez, Pelas lágrimas, Pensando em ti, Pepita, Perdôo sim, Perfeitamente, Piedosa mentira, Podia ser pior, Põe a mão na consciência, Pra teu castigo, Primeira mulher, Princesa de Bagdá, Profeta, Protesto, Puxa os cabelos dela, Quando a saudade vier, Quando é noite de lua, Quando o samba acabou, Quando voltares..., Quatro amores, Queira Deus, Queixas, Quem fala é o coração, Quem há de dizer, Quem mente perde a razão, Quem será, Quem tem,

Renúncia, Restinho de amor, Revolta, Risque, Ronda, Rosa, Rosália, Santa, São Jorge, Sapoti, Saudade que maltrata, Saudades do Rio, Se acaso você chegasse, Se ela perguntar por mim, Se eu pudesse um dia, Se você quer deixar o meu lar, Segredo, Sempre em meu coração, Sempre juntos, Seresta modernaSerpentina, Silêncio, Silêncio da seresta, Sinto-me bem, Só eu, Só nós dois, Solidão, Somos iguais, Sorris da minha dor, Suas mãos,

Tanto bate até que fura, Tenho outra em seu lugar, Teu retrato, Timidez, Toureiro, Três apitos, Tudo é nostalgia, Tudo em vão, Última seresta, Último Desejo, Uno, Valsa do amor, Vem surgindo a Avenida, Viagem, Você é que pensa, Volta, Voltarás, Voltei à residência.

O Nelson conseguia reunir pai e o filho  (eu) em suas músicas. Meu pai adorava escutar "Deusa do asfalto" e "Escultura". Eu, ainda criança, escutava, não entendia a poesia... mas depois entendi. Acredito que eles ( meu pai Ivo e o Nelson) estão lá cantando numa seresta celestial. 

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