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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Está na hora

Caninha 1928
Está na hora (marcha/carnaval, 1925) - Caninha (José Luiz de Moraes) - Intérprete: Jazz Band Sul Americano Romeu Silva

Disco selo: Odeon R / Título da música: Está na hora / José Luiz de Moraes "Caninha" (Compositor) / Jazz Band Sul Americano Romeu Silva (Intérprete) / Nº do Álbum: 122855 / Lançamento: 1925 / Gênero musical: Samba / Coleção: IMS



Está na hora
Está na hora
Mulher danada
Bota este moço pra fora

Mulher danada
Vai procurar o que fazer
Que este moço já tem dono
Você não pode querer

Mulher danada
Tu pensas que sou arara
Quem amar sem ser amado
Não tem vergonha na cara

Mulher danada
Toma vergonha na cara
Se você não toma jeito
Dou-te uma surra de vara

Fala baixo

A rivalidade entre Sinhô e Caninha, durante as festas da Penha, ganhou popularidade em 1921, quando o dono de laboratório farmacêutico, Dr. Eduardo França, fabricante do produto "Lugolina", instituiu um concurso de músicas para carnaval de 1922.

Já essa época, tanto Caninha quanto Sinhô haviam adotado expediente de "trabalhar" suas músicas (como hoje se diz) através de grupos de músicos, que só tocavam as suas produções. Nesse ano de 1921, José Barbosa da Silva apareceu na Penha liderando um conjunto intitulado "Fala Baixo", nome da marcha em que satirizava o meio terrorismo do governo Artur Bernardes, transcorrido quase todo em regime de estado de sítio. Caninha, que só dispunha de cavaquinhos e violões para acompanhá-lo, com evidente desvantagem face ao conjunto de trombone, pistom, contrabaixo, flauta, violões cavaquinhos patrocinado por Sinhô, rasgou algumas folhas de jornais, fez um chapéu de papel para cada um de seus músicos, apresentou-se com sua marcha ragtime "Me sinto mal", que começava:

"Ai, ai
Me sinto mal
Depois do carnaval.

Quando chega o carnaval
Ninguém lembra da carestia
Vamos todos para Avenida
caímos na Folia.

"Tem gente que cai na farra
Na véspera do carnaval
Na quarta-feira de cinza
Sempre diz: me sinto mal"


O júri do concurso, movido talvez pela sugestão da letra da marcha de Caninha — posto que o patrocinador do concurso era fabricante de remédios — daria vitória a José Luiz de Moraes, para profundo despeito do outro José, o José Barbosa da Silva. Segundo o testemunho de contemporâneos, Caninha ganhou como prêmio uma taça de prata, enquanto Sinhô recebeu uma cesta de flores, a título evidente de consolação. Na hora da entrega dos prêmios Sinhô não se deu por achado, mas quando chegou à estação para tomar o trem de volta à cidade, amassou furiosamente a cesta de flores com os pés, chutando-a para longe. E o mais curioso foi que, quando chegou o carnaval de 1922 o derrotado Sinhô acabaria abafando Caninha não apenas com o sucesso da marcha "Fala Baixo", também conhecida por "Não é Assim", mas com a vitória de mais três outras músicas: "Sete Coroas", "Pé de Pilão" e a famosa marcha "Sai da Raia".

Da polêmica com Caninha, na festa da Penha de outubro de 1921, restaria para Sinhô a ameaça de represália policial pela ironia do "Fala Baixo" (o compositor teve que refugiar-se uns tempos na casa de sua mãe, no Engenho de Dentro), e o crescimento da sua popularidade desde logo expressa na quadrinha do cronista Carlos Bittencourt, o "Assombro", publicaria em 1922 no jornal O Paiz, ligando definitivamente seu nome ao de seu grande rival:

"São dois cabras perigosos,
Dois diabos internais,
José Barbosa da Silva
José Luís de Moraes


Fala baixo (marcha/carnaval, 1922) - Sinhô - Intérprete: Banda da Fábrica Popular

Disco selo: Popular R / Título da música: Fala baixo / José Barbosa da Silva "Sinhô" / Embaixada Fala Baixo (Intérprete) / Banda da Fábrica Popular (Acomp.) / Nº do Álbum: 1022 / Nº da Matriz: #1022 / Lançamento 1920 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleção: Nirez D


Quero te ouvir cantar
Vem cá, rolinha, vem cá
Vem para nos salvar
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)

Não é assim
Não é assim
Não é assim
Que se maltrata uma mulher (x2)

És a minha paixão
Vem cá, rolinha, vem cá
És o meu coração
Vem cá, rolinha, vem cá (x2)



Fonte: Compositores/cantores — Correio da Manhã, de 23/10/1966.

Quem vem atrás fecha a porta

Caninha
Quem vem atrás fecha a porta (Me leve, me leve, seu Rafael) (samba/carnaval, 1920) - Caninha - Intérpretes: Bahiano e Isaltina

Disco selo: Odeon R / Título da música: Quem Vem Atrás Fecha a Porta (Me Leva Seu Rafael) / José Luiz de Moraes "Caninha" (Compositor) / Francisco Marques (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Isaltina (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº do Álbum: 121729 / Lançamento: 1920 / Gênero musical: Samba / Coleção de fontes: IMS, Nirez



Me leve, me leve / Seu Rafael
Me leve, me leve / Lá pro Pará


Quero que Iaiá me leve / Lá na beira do caminho
Tem paciência Iaiá / Me leve devagarinho


Eu chegando na Bahia / Fiquei perdido de amor
Por ver tanta baianinha / Da terra de São Salvador

Na Bahia diz que tem / Bicho que mata rapaz
Bicho de barriga lisa / Laço de fita pra trás


Na Bahia tem mulata / De rico balangandã
A mulata da Bahia / É mesmo de bam-bam-bam

Oh! Meu Senhor do Bonfim / Nossa Senhora da Guia
Não há mulata que chegue / À mulata da Bahia

domingo, 13 de janeiro de 2008

Alfredo

Alfredo (Alfredo José de Alcântara), instrumentista e compositor. Fl. Rio de Janeiro RJ 1910-1927. Nascido no bairro de São José, em Recife PE, aprendeu a tocar pandeiro, freqüentando forrós locais. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, foi morar no bairro do Estácio, logo integrando-se nas rodas de sambistas.

Pelo fim da década de 1910, Caninha, ouvindo-o tocar, convidou-o a integrar o grupo Sou Brasileiro, que se apresentava nas festas da Penha e durante o Carnaval. Logo se destacou entre os grandes pandeiristas do Rio de Janeiro, criando maneira pessoal de tocar o instrumento, na qual, além de marcar o ritmo, realizava floreios de percussão e fazia malabarismos, equilibrando o pandeiro na ponta do indicador, atirando-o para o alto etc.

Conhecido como “pandeirista infernal”, foi solicitado por vários conjuntos, chegando a apresentar-se no elegante cabaré Assírio, do Rio de Janeiro, com Oito Batutas, grupo liderado por Pixinguinha e Donga, recém-chegado de apresentações em Paris, frança.

Em 1927 participava do bloco O Que É Nosso, chefiado pelo sambista Caninha, vencendo naquele ano um concurso carnavalesco. Ainda em 1927 integrou o grupo Cutubas de Macaé, formado pelo violonista Josué de Barros.

Célebre também no teatro, depois de participar de várias revistas da época, viajou a Buenos Aires, Argentina, onde se exibiu em teatros e casas noturnas como “el negro panderista brasileño”, acrescentando ao seu número evoluções de passista e bailarino.

Formando uma pequena companhia de variedades, excursionou pela Europa e em seguida por New York, E.U.A. Sempre alcançando êxitos, voltou à Argentina para nova temporada, antes de regressar ao Brasil.

Seu estilo teve vários seguidores, entre os quais Russo do Pandeiro, incorporando-se definitivamente à forma de execução adotada em grande parte pelos instrumentistas das escolas de samba.

Obras: Lavadeira, s.d.; Minha promessa, samba, 1928; Vem, meu bem, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, 2 de abril de 2006

Esta nega qué me dá

Canninha - 1928
A melodia é pobre, a letra apenas razoável: "Esta nega / Qué mi dá / Eu não fiz nada / Prá apanhá...". Mas o título de duplo sentido acabaria por fazer deste samba um dos sucessos do carnaval de 1921.

Seu autor, Caninha, aqui em parceria com o bailarino Lezute, foi um dos mais ativos compositores da primeira geração de sambistas, chegando a rivalizar com Sinhô no início dos anos vinte.

Seus sucessos, porém, ficaram restritos a esse período, embora ele tenha vivido até 1961. Frequentador da casa da Tia Ciata, Caninha (Oscar José Luís de Morais) ganhou o apelido quando, adolescente, vendia rolete de cana nas imediações da Central do Brasil, no Rio de Janeiro (Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

"O Canninha, sempre procurou seguir as pégadas do Sinhô, não logrando, porém, o mesmo successo. Por mais que se esforçasse, o Canninha jamais conseguio siquer aproximar-se do Rei do Samba, ou ter um logar de destaque na sua Côrte...

E' que as produções do conhecido muzicista, quasi sempre peccavam pelo imprevisto... asnatico, tão proprio do popularissimo compositor que teve o topete de dizer que o Maestro Francisco Braga, ouvindo no cinema Odeon este samba manteve com elle o seguinte dialogo :

MAESTRO F. BRAGA: – «Seu Canninha», o senhor sabe muzica ?
CANNINHA: – (risonho e amavel) Maestro eu engulo um bocadinho de cabeça de nota!...
MAESTRO F. BRAGA: – (Enthusiasmado) Pois olhe, seu Canninha, este seu samba, até parece muzica classica !
CANNINHA: - Se isto é verdade, o maestro Francisco Braga está na obrigação de uma grande penitencia perante Santa Cecilia!

Já vae longo este capitulo e o assumpto dá margem a outros. Prometto continuar, porque «piano, piano...»" - Na Roda do Samba - Francisco Guimarães (Vagalume) - Rio de Janeiro, 1933.

Esta nega qué me dá (samba-maxixe, 1921) - Caninha e Lezute

Interpretação do cantor Bahiano em disco Odeon lançado em 1922:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Esta nêga qué me dá / José Luis de Moraes "Caninha" / Bahiano (Intérprete) / Nº do Álbum: 121968 / Data de Lançamento: 1922 / Gênero musical: Samba / Coleção de fontes: Nirez



Interpretação de Almirante com A Velha Guarda em 1955:

LP 10' A Velha Guarda / Título da música: Esta Nega Qué Me Dá / "Caninha" (Compositor) / A Velha Guarda (Donga, João da Bahiana e Pixinguinha) (Intérprete) / Almirante (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Nº do Álbum: SLP 1038 / Ano: 1955 / Faixa: B1 / Gênero musical: Samba



Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá

Nega, tu não faz feitiço / Que eu tenho o corpo fechado
Tapa de amor não dói / Por isso apanhou casado

Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá

Eu tenho os osso quebrado / Quebrado só de apanhá
Oh Nega, toma cuidado! / Que eu também vô te ripá!

Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá
Esta nega qué mi dá / Eu não fiz nada prá apanhá


Fontes: Na Roda do Samba - Francisco Guimarães (Vagalume) - Rio de Janeiro, 1933; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Caninha

O compositor José Luís de Morais, apelidado de "Caninha", nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 06 de julho de 1883, e faleceu na mesma cidade, em 16 de junho de 1961. O apelido lhe foi dado em criança, quando vendia roletes de cana na estação da Estrada de Ferro Central do Brasil. Nessa época aprendia cavaquinho com Adolfo Freire.

Por 1900, começou a frequentar as reuniões de sambistas nas casas da Tia Dadá e da Tia Ciata, baianas da Cidade Nova. Um dos fundadores do Dois de Ouro, rancho pioneiro no Rio de Janeiro, participou ainda do Balão de Rosa, do Rosa Branca, do Recanto das Fadas, do União dos Amores, chegando a ser diretor de canto do Recreio das Flores.

Já havia feito várias músicas, mas o seu primeiro sucesso foi o maxixe Gripe espanhola, lançado na festa da Penha em 1918. Depois, tornou-se freqüentador constante da festa e passou a integrar vários grupos carnavalescos, como o Grupo de Caxangá, do qual participava com o nome de Mané do Riachão, o Grupo Cidade Nova, integrado também por Pixinguinha, e o Grupo Sou Brasileiro.

Em 1919 compôs o tango O kaiser em fuga e o samba Até parece coisa feita, e, em 1920, fez os sambas Quem vem atrás fecha a porta, outro sucesso, e Ninguém escapa ao feitiço. No ano seguinte obteve êxito com sua primeira composição gravada, Esta nega qué mi dá (com Lezute). Ainda em 1921, compôs um samba e um tango, ambos com o mesmo título, Que vizinha danada.

Em 1922, com a marcha-rag-time Me sinto mal, derrotou Sinhô no concurso da festa da Penha. Para o Carnaval de 1923, compôs o maxixe Não é conversa, a marcha Meu amor qué me batê e o samba Não se ganha pra comer.

Em 1927 obteve o primeiro prêmio no concurso do jornal Correio da Manhã, com Rosinha.

Em 1933 venceu concurso oficial de músicas carnavalescas, com É batucada, feita em parceria com o jornalista Horácio Dantas (que usava o pseudônimo de Visconde de Bicoíba), que lhe valeu um Diploma de Sambista, dado pelo prefeito da cidade. Essa música foi gravada por Moreira da Silva, na Columbia, com acompanhamento do grupo instrumental Gente do Morro, de Benedito Lacerda.

Em 1954 foi um dos participantes do Festival da Velha Guarda, organizado por Almirante. Morreu em 1961, embora em 1950 a prefeitura do Rio de Janeiro já o tivesse incluído numa homenagem prestada a sambistas famosos falecidos, ao lado de Noel Rosa, Sinhô e outros.

Obra

Deixa ela, samba, 1927; É batucada (com Visconde de Bicoíba), samba, 1933; Essa nega qué me dá (com Lezute), samba, 1921; Está na hora, marcha-carnaval, 1925; O kaiser em fuga, tango, 1919; Me sinto mal, marcha-rag-time, 1922; Quem vem atrás fecha a porta, samba, 1920.

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Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.