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quinta-feira, 23 de março de 2006

Gondoleiro do amor

A paixão concreta e ardente pela atriz portuguesa Eugênia Câmara influenciou o poeta Castro Alves em sua visão poética do amor. Essa visão pode ser classificada não só como sentimental, mas também como sensual, entendida como uma poesia que apela aos sentidos (sensorial). É desse período o poema O Gondoleiro do Amor, em que a descrição da amada é carregada de uma sensualidade sem precedentes no Romantismo brasileiro.

Inspirado por Eugênia, Castro Alves escreveu seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero e saudade, como É Tarde. Pela primeira vez, a poesia é motivada pela paixão e pelo envolvimento amoroso, e a dor não se traduz em lamentos e queixas. Seu sentimentalismo amoroso é maduro, adulto e se realiza em sua plenitude carnal e emocional.

Gondoleiro do Amor (valsa-canção, 1866) - Castro Alves e Salvador Fábregas - Interpretação: Vicente Celestino

Disco 78 rpm / Título da música: O Gondoleiro do Amor / Castro Alves (Compositor) / Salvador Fábregas (Compositor) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 80-0976-a / Nº da Matriz: SB-093344 / Gravação: 2/Julho/1952 / Lançamento: Setembro/1952 / Gênero musical: Barcarola



---D------------ A7----------- D------------ --A7--------- D D7
Teus olhos são negros, negros, como as noites sem luar...
--G-------- E7----------- A7------ D--------- A7-------- D D7
São ardentes, são profundos, como o negrume do mar...
---G-------- B7--------- Em ----------A7---------- D
Sobre o barco dos amores, da vida boiando à flor,
---G---------- E7 -------A7-------- D------- A7----- D
doiram teus olhos a fronte do Gondoleiro do amor...
----A7------------- D----------- A7------------- D
Tua voz é a cavatina dos palácios do Sorrento.

-----G-------- E7 ----------A7-------- D ------A7--------- D D7
Quando a praia beija a vaga, quando a vaga beija o vento.
-----G---------- B7------- Em ---------A7 -----------D D7
E como em noites de Itália, ama um canto o pescador
-----G --------E7 -------------A7 -------D------ A7----- D A7
Bebe a harmonia em teus cantos o Gondoleiro do Amor.

-----D----------- A7-------- D------ A7---- D---- A7---- D D7
Teu amor na treva é um astro, no silêncio, uma canção
G---- E7---------- A7------- D---- A7---- D D7
É brisa nas calmarias, é abrigo no tufão
-----G ----------B7----- Em---------- A7-------------- D D7
Por isso eu te amo, querida, quer no prazer, quer na dor.
-----G ----E7 -----A7------ D----------- A7----------- D
Rosa! Canto! Sombra! Estrela! Do Gondoleiro do Amor.

domingo, 12 de março de 2006

Salvador Fábregas

Salvador Fábregas, compositor, cantor e pianista, nasceu provavelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1820. É possível que tenha falecido na mesma cidade no ano de 1880.

Participou do primeiro recital da Filarmônica Fluminense, em 23 de julho de 1841. Foi nomeado em 1848 como cantor da Capela Imperial, exercendo a função até 1853.

Lecionou canto e piano no Rio de Janeiro até, provavelmente, o ano de 1877. Morou na Rua do Lavradio, 34, centro do Rio.

Compositor de valsas, quadrilhas e modinhas. É autor da valsa "Jardim Botânico" (dedicada a Sra. Teresa dos Santos Barreto d'Albuquerque), que consta no álbum "Rio de Janeiro - Álbum Pitoresco Musical", publicado pelos Sucessores de P. Laforge.

Compôs e publicou em 1851 as seguintes quadrilhas: "Mãe-d'Água", "Paquetá", "A Penha" e "Cascata da Tijuca". Compôs a modinha "Ó Virgem".

É quase certo - e assim consta na maioria das partituras da edição musical - que seja o autor da música sobre os versos de Castro Alves, O gondoleiro do amor. Em 1960, essa música foi gravada pela cantora Stellinha Egg, constando no selo como autor da letra o nome de Sábregas, possivelmente um erro de revisão tipográfica.

Dados adicionais

Segundo consulta em alguns jornais e revistas da época, pertencentes ao acervo digital da Biblioteca Nacional (Hemeroteca Digital Brasileira), constata-se que o cantor, pianista e professor (mestre) de música Salvador Fábregas era de origem espanhola, casado, tendo residido em diversos endereços na cidade do Rio de Janeiro como, inicialmente, Rua do Lavradio, 34, depois Rua do Núncio, 7, Rua do Regente, 55, Rua do Engenho-Velho, 99, e por fim, Rua do Mattoso, 47, seu último endereço terreno.

Faleceu vitimado por embolia cerebral, sendo sepultado em 17/09/1877.


Fontes: Dicionário da MPB; O Globo, de 21/09/1877; O Cruzeiro, de 25/11/1878; Boletim do Expediente do Governo, de fevereiro/1862; Gazeta de Notícias - Obituário, de 19/07/1877; Almanak Adm. Mercantil e Indl. do Rio de Janeiro 1852-1877.

Castro Alves e o gondoleiro do amor

Castro Alves (Antônio de Castro Alves), poeta, nasceu em Muritiba (BA) em 14/03/1847 e faleceu em Salvador (BA), em 06/07/1871. Nasceu na fazenda de Cabeceiras da então freguesia de Muritiba. Poeta romântico, teve alguns de seus poemas musicados, como O adeus a Teresa, Boa-noite, A volta da primavera, O coração e Adormecida, por compositores desconhecidos, que os transformaram em modinhas.

O poema As duas flores foi musicado por Xisto Bahia, Gondoleiro do amor, por Salvador Fábregas. Seu poema Canção da boêmia teve duas músicas diferentes, uma feita na Paraíba e outra no Ceará, ambas no séc. XIX, com o título de Vamos, Eugênia, fugindo. A versão cearense foi gravada por Luís Heitor para o acervo da E.N.M.U.B., do Rio de Janeiro RJ, em 1943, com canto e acompanhamento de duas violas.

A paixão concreta e ardente pela atriz portuguesa Eugênia Câmara influenciou o poeta em sua visão poética do amor. Essa visão pode ser classificada não só como sentimental, mas também como sensual, entendida como uma poesia que apela aos sentidos (sensorial). É desse período o poema O Gondoleiro do Amor, em que a descrição da amada é carregada de uma sensualidade sem precedentes no Romantismo brasileiro.

Inspirado por Eugênia, Castro Alves escreveu seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero e saudade, como É Tarde. Pela primeira vez, a poesia é motivada pela paixão e pelo envolvimento amoroso, e a dor não se traduz em lamentos e queixas. Seu sentimentalismo amoroso é maduro, adulto e se realiza em sua plenitude carnal e emocional.

Gondoleiro do Amor - Castro Alves e Salvador Fábregas - Interpretação: Vicente Celestino



Teus olhos são negros, negros, como as noites sem luar ... / São ardentes, são profundos, como o negrume do mar... / Sobre o barco dos amores, da vida boiando à flor, / doiram teus olhos a fronte do Gondoleiro do amor...

Tua voz é a cavatina dos palácios do Sorrento. / Quando a praia beija a vaga, / quando a vaga beija o vento. / E como em noites de Itália, ama um canto o pescador / Bebe a harmonia em teus cantos o Gondoleiro do Amor.

Teu amor na treva é um astro, no silêncio, uma canção / É brisa nas calmarias, é abrigo no tufão / Por isso eu te amo, querida, quer no prazer, quer na dor. / Rosa! Canto! Sombra! Estrela! do Gondoleiro do Amor.