Mostrando postagens com marcador sec 19. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sec 19. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de outubro de 2010

João Francisco de Almeida

João Francisco de Almeida, compositor e flautista, nasceu no Rio de Janeiro-RJ e faleceu na mesma cidade em 1900. É autor das valsas Nestor e Albertina. Esta última recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense, passando a ser conhecida como Dor constante ou Dor suprema.

A primeira gravação da valsa Albertina, ainda sem letra foi feita na Zon-O-Phone, pela Banda da Casa Edison, sem data precisa. Como choro, foi gravada, também sem data precisa pelo Grupo do Malaquias na Odeon.

Título da música: Albertina / Gênero musical: Choro / Intérprete(s): Grupo do Malaquias / Gravadora Odeon / Número do Álbum 40284 / Data de Gravação 1904-1907 / Data de Lançamento 1904-1907 / Lado único / Acervo Humberto Franceschi / Rotações: Disco 78 rpm:

Obra

Albertina (c/ Catulo da Paixão Cearense), Nestor.


Fonte: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Alexandre Levy

Alexandre Levy, compositor, pianista e regente clássico, filho de imigrantes de origem franco-suíça, nasceu em São Paulo-SP em 10 de novembro de 1864. Faleceu na mesma cidade em 17 de janeiro de 1892, com apenas 28 anos.

Desde cedo, manifestou grande interesse pela música. Aos sete anos, estudou com o pianista russo Luis Maurice; depois, com o pianista francês Gabriel Giraudon. Seu pai, o clarinetista Henrique Luiz Levy, possuía uma loja de artigos musicais, a Casa Levy onde era o ponto de encontro de músicos e artistas de São Paulo.

Nessa loja fez muitos amigos e conheceu a nascente produção nacionalista, como a primeira edição de Sertaneja, de Brasílio Itiberê, que executou em concerto aos doze anos.

Em 1880, compôs uma fantasia para dois pianos a partir de temas da ópera O Guarany, de Carlos Gomes e três anos depois iniciou estudos de harmonia e contraponto. A família Levy sempre esteve ligada ao compositor campineiro, desde os tempos em que Henrique Levy se apresentava com Carlos Gomes pelo interior paulista

Em 1887 embarcou para a Europa para aprimorar seus estudos musicais. Estudou harmonia em Paris, com Émile Durand, que também foi professor de Debussy. Nessa época se interessou pelas diversas formas orquestrais e compôs a peça Andante Romantique, que depois foi incorporada à Sinfonia em Mi menor, e Variações Sobre um Tema Brasileiro, da qual se destaca a melodia Vem Cá, Bitú.

No cenário político brasileiro predominavam discursos nacionalistas. Músicos e artistas, passaram a compor a partir de motivos folclóricos e populares. Nascia, assim, o nacionalismo musical, onde se destacaram Levy e Alberto Nepomuceno.

Compôs obras de cunho nacionalista, como Suíte Brasileira e Tango Brasileiro. Samba, a quarta parte da Suíte Brasileira, obteve grande sucesso com a redução para piano feita por seu irmão Luiz Levy.

Precursor do movimento nacionalista na música brasileira, tem sua obra marcada pelo romantismo, com temas brasileiros de saudade e fatalismo.

Obra

Para piano solo: Tango Brasileiro (1890); Variações Sinfônicas Sobre um Tema Brasileiro (Vem Cá, Bitú) (1887); Impromptu-Caprice, Opus 1 (1881-1882); Romance Sans Paroles, Opus 4, nº 1; Pensée Fugitive, Opus 4, nº 3; Trois Morceaux Opus 13; Allegro Appassionato Opus 14; Schumannianas. Para orquestra: Suíte Brasileira, com o famoso Samba; Sinfonia em Mi menor; Comala, poema sinfônico; A Cantata. Música de Câmara: Trio, para piano, violino e violoncelo; Reverie, para quarteto de cordas; Fantasia Sobre Motivos do Guarani (1880), para dois pianos.


Figura acima: a obra Samba - chamada na forma afrancesada, como hábito na época, de suite brésilienne e danse negre -, editada postumamente em redução para piano, é ilustrada por desenho que reproduz o que seria uma roda de samba no final do século XIX.


Fontes: Prelúdio - Levy; História do Samba - Editora Globo; Fundação Biblioteca Nacional - Alexandre Levy.

domingo, 1 de outubro de 2006

Hilário Jovino Ferreira

Participante ativo da comunidade baiana do Rio de Janeiro, Hilário Jovino Ferreira — na foto com seus filhos — na realidade era pernambucano, criado em Salvador. Líder nato, iria fixar-se já adulto no Rio e não demoraria a se envolver com as coisas da música, transmitindo sua experiência aos novos amigos do Morro da Conceição, onde se instalou.

Aproximou-se do Rancho Dois de Ouro mas não gostou e fundou o Rei de Ouro, um dos muitos que criaria em sua vida de “ranchista”, dentro de moldes nordestinos e fez muito sucesso desde sua estréia, no Carnaval. Figura donjuanesca, indispôs-se com Tia Ciata por ter namorado sua filha Mariquita e fugido com Tia Amélia Kitundi, bonita mulata. amiga da baiana.

Hilário Jovino Ferreira, compositor, chegou ao Rio de Janeiro em 1872, trabalhando depois no Arsenal da Marinha, tendo comprado patente de tenente na Guarda Nacional. Morador do bairro da Saúde, reduto dos baianos no Rio de Janeiro, foi vizinho de Leôncio de Barros Lins, que fundara o Dois de Ouro, embrião de rancho.

Com a colaboração de Atanásio Calisto, Cleto Ribeiro Noela e Gracinda, fundou o Rei de Ouro, baseado na estrutura dos ranchos baianos. Foi ele quem sistematizou as figuras do mestre-sala e da porta-bandeira, adotadas depois pelas escolas de samba. Ajudou a fundar ainda o Rosa Branca e, mais tarde, o Botão de Rosa.

Freqüentador da casa de Tia Ciata, participou da formação do samba urbano, tendo entrado na famosa polêmica entre Sinhô e os baianos. Quando Sinhô escreveu Quem são eles?, respondeu com Não és tão falado assim; ao Fala meu louro, de Sinhô, retrucou com Entregue o samba a seus donos, pois considerava aquele samba ofensivo à Bahia, além de plágio.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora PubliFolha; História do Samba - Editora Globo.

terça-feira, 28 de março de 2006

Xisto Bahia

Xisto Bahia
Xisto Bahia (Xisto de Paula Bahia), compositor, cantor e ator, nasceu em Salvador (BA), em 6/8/1841, e faleceu em Caxambu (MG), em 30/10/1894. O pai, o major Francisco de Paula Bahia, casado com Teresa de Jesus Maria do Sacramento, recebeu como prêmio por sua participação nas campanhas da Cisplatina e Independência a administração da fortaleza de Santo Antônio de Além do Carmo, onde o filho nasceu e iniciou sua carreira musical, como comediante amador e seresteiro. Aos 17 anos já cantava suas primeiras modinhas.

Escreveu e representou comédias no grupo Regeneração Dramática, do qual era presidente o futuro visconde do Rio Branco, levadas à cena no teatro da Rua São José de Cima. Com a morte do pai, em 1858, tentou, sem conseguir, trabalhar no comércio, decidindo-se então pela carreira teatral.

Em 1859 apresentou-se como corista (barítono) da Companhia Lírica Clemente Mugnai, no Teatro São João, de Salvador. Transferiu-se depois para a companhia de seu cunhado, o ator Antônio Araújo, com a qual viajou pelas principais cidades da província.

Em 1861 tocava e cantava chulas e lundus de sua autoria na companhia organizada peio comendador Constantino do Amaral Tavares, na época diretor do Teatro São João. Em 1864 foi contratado pelo empresário Couto Rocha, excursionando durante dez anos pelo Norte do país.

No Ceará, em 1866, atravessou uma crise de depressão, por considerar sua carreira fracassada, o que o levava a entrar em cena sem saber seu papel nas comédias. Recuperou-se, entretanto, no Maranhão: atendendo aos conselhos do crítico Joaquim Serra, passou a estudar sob a direção de Joaquim Augusto. Os resultados não tardaram. Logo depois, voltou a se apresentar com sucesso no Ceará, retornando consagrado à Bahia em 1873. A Companhia de Mágicas de Lopes Cardoso, na qual ingressou, montou então a comédia de sua autoria Duas páginas de um livro, impressa em 1872 no Maranhão, de conteúdo abolicionista e republicano.

Em 1875 estreou no Rio de Janeiro, no Teatro Ginásio, na Companhia de Vicente Pinto de Oliveira. Essa atuação representou grande salto na sua carreira, surgindo daí o convite para atuar em outras comédias, gênero para o qual sua contribuição foi marcante. Corriam paralelamente suas carreiras de comediante, de compositor e de intérprete. Tanto a modinha como o lundu eram grandes atrações da época: o sentimentalismo da primeira como a irreverência da segunda eram admirados nos salões. No Rio de Janeiro, surgiu como concorrente de Laurindo Rabelo, que fazia grande sucesso com seus versos maliciosos e satíricos, utilizando a mesma linguagem chistosa. O publico dividiu-se entre um e outro, e essa competição veio a influenciar o teatro de costumes, que passou a adotar a gíria e a linguagem popular de sentido dúbio.

Em 1875 trabalhou na peça Uma véspera de Reis, de Artur Azevedo, que conseguira a aprovação de Rui Barbosa, então diretor do Conservatório Dramático de Salvador, para montá-la. Representou o papel do tabaréu Bermudes com tal imaginação, que o autor da peça, em artigo publicado em O País, de 7 de novembro de 1894, considerou-o como seu parceiro. Apresentada pela primeira vez no Teatro São João, essa peça de Artur Azevedo marcou o sucesso definitivo do ator.

Em 1878, no drama As duas órfãs, inaugurou o Teatro da Paz, de Belém (PA), e no ano seguinte voltou a exibir-se na Bahia, pela última vez, com Pontes de Oliveira, indo em seguida para o Rio de Janeiro. Aí passou a integrar o conjunto de Furtado Coelho, encabeçando o elenco de Jacinto Heller.

Em 1880 recebeu os aplausos de Pedro II, pelo seu desempenho na peça comemorativa da batalha do Riachuelo, Os perigos do coronel. Atuou em teatros de São Paulo e Minas Gerais, sempre com sucesso. Em 1887 passou a dirigir o Teatro Lucinda, do Rio de Janeiro, onde montou cerca de cinco revistas e mágicas.

Em 1891 afastou-se do palco, obtendo do então presidente do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portela, um lugar de amanuense na Penitenciária de Niterói, que ocupou até 1892. Voltou à cena pela última vez no Teatro Apolo (Rio de Janeiro) na Companhia Garrido, com a mágica O filho do averno, de Eduardo Garrido. Pelo sucesso alcançado com a peça, Artur Azevedo escreveu um perfil do artista, publicado no semanário Álbum.

Em 1892 recebeu convite do empresário português Sousa Bastos para uma temporada no Teatro das Novidades, de Lisboa, Portugal, a qual não chegou a se realizar devido à revolta da Armada, ocorrida em setembro daquele ano.

Em 1893, já doente, retirou-se para Caxambu, onde morreu em 1894, deixando viúva a atriz portuguesa Maria Vitorina de Lacerda Bahia e quatro filhos, Augusto, Maria, Teresa e Manuela. Sem qualquer formação musical, notabilizou-se por seu talento espontâneo, instintivo. Sua produção, embora pequena, é de excelente qualidade, valorizando-se por seu estilo ao violão e sua bela voz de barítono.

Ficaram célebres as interpretações de algumas de suas obras, como a modinha Quis debalde varrer-te da memória, e o famoso lundu Isto é bom, com o qual a Casa Edison iniciou em 1902 suas gravações de música popular brasileira. O disco, com a marca Zon-o-phone e o n° 10.001, traz a interpretação do cantor Bahiano.

Último ato

"Está na terra, na terra que ele tanto ama, o simpático e inteligente ator Xisto Bahia. Depois de uma longa ausência, ausência que lhe deu ensejo de mostrar ao Sul um talento superior, que se criou no Norte, e que lá viu glorificar-se; depois de receber as ovações de um público ilustrado, eis que aporta às nossas plagas o verdadeiro intérprete da arte dramática, que encontra em cada paraense um amigo, em cada cidadão um apologista do talento, do merecimento real. Um aperto de mão, Xisto Bahia! Depois do abraço fraternal, cumprimos um dever apresentando o filho da arte ao público paraense".

Como mostra a nota publicada em março de 1884 no Diário de Notícias, em Belém, se elogios pudessem ser transformados automaticamente em dinheiro, os bolsos de Xisto de Paula Bahia estariam cheios de notas gordas. Aclamado pelo público e pela crítica, o problema de Xisto era justamente a falta de uma remuneração justa, pelo menos comparável à importância que já havia alcançado no teatro brasileiro.

Nos jornais e revistas, ele era aclamado como "o mais brasileiro de todos os atores", como escreveu Arthur Azevedo na publicação Álbum. Em casa, ele era o marido da atriz Maria Vitorina e o pai de cinco filhos: Augusto, Maria, Augusta, Thereza e Manuela. Como todo pai que se prezava, queria dar uma vida digna à família. Era exatamente isso que o atormentava.

"Consumido, torturado por não poder assegurar aos filhos e à esposa o conforto da vida e um futuro independente, foi salteado sempre pelas provações da pobreza", diz o sobrinho de Xisto, o jornalista Torquato Bahia, num texto publicado no Anuário de baianos ilustres, de 1910. Luiz Américo Lisboa Júnior explica que, mesmo com todo o reconhecimento, Xisto sentia-se deprimido por não conquistar independência financeira. "Não tinha outra alternativa a não ser representar e cantar suas modinhas para sobreviver. Por outro lado, decepcionava-se com o ambiente que lhe dera fama, incomodava-se com a falta de ética e o aspecto meramente mercantil nos bastidores dos teatros entre agentes e organizadores de temporadas", explica.

Américo Lisboa ressalta que, apesar do momento difícil, Xisto continua a atuar com sucesso e, em 1887, recebe o convite da empresa Dias Braga para dirigir o Teatro Lucinda, no Rio de Janeiro, na função de ator e administrador. "Sob sua direção, o Teatro Lucinda passa a ser o primeiro do Rio de Janeiro a ter iluminação elétrica, o que foi um feito notável para a época", revela o pesquisador.

Desilusão

Mas a desilusão de Xisto com a profissão parecia estar além do sucesso que alcançava com suas peças. Por isso, afasta-se do palco em 1891, quando obtém um emprego do então presidente do estado do Rio de Janeiro. Um dos maiores artistas do país abandonava o teatro para se tornar escrevente da penitenciária de Niterói. A mudança é sintomática. Com a habilidade de disfarçar a própria tristeza, como saber a realidade que o ator enfrentava no cotidiano para tomar essa decisão?

Mas, assim como passou pouco tempo atuando no comércio durante a adolescência, o próprio destino se encarregaria de afastar Xisto do novo emprego. Um ano depois, em 1892, com a deposição do presidente, ele foi demitido. Voltou à cena, e apesar do período afastado, reapareceu com o mesmo sucesso de antes no Teatro Apolo, ao lado das atrizes baianas Isabel Porto e Clélia Araújo. Em 1893, uma nova possibilidade poderia ter mudado o rumo da vida de Xisto. Ele foi convidado pelo empresário português Souza Bastos para interpretar seus personagens no Teatro das Novidades, em Lisboa. Mas a Revolução da Armada, desencadeada em 6 de setembro desse mesmo ano, frustrou a excursão.

Toda essa série de acontecimentos nos leva de volta ao ano de 1887. Com a caneta à mão e a carta por responder, Xisto não escuta mais os aplausos. Pensa nos filhos e na mulher, e volta a redigir a carta ao amigo Tomaz Antônio Espiúca. "Tu saíste quando se manifestavam os primeiros sintomas da decomposição geral que lavrava no teatro desse espantalho chamado império do Brasil. Eu, porém, fiquei e fui preso do contágio. Fiquei e hoje, para mim, o hábito constituiu-se lei, que jamais poderei derrogar, senão quiser arriscar-me a sucumbir na luta. Queres voltar? Queres comer novo pão, ainda mais amargo e duro do que o que já comeste? Ah! Não venhas, eu t´o peço. Como teu amigo velho e prático nestas coisas teatrais, faço a mais descarnada e franca oposição ao teu regresso".

Esta carta é um dos poucos momentos em que Xisto despe-se de todos os seus papéis, tira o riso da face, mostra a dor e a desilusão que guardava dentro de si. É esse Xisto que parte com a família, em 1894, para a cidade mineira de Caxambu, em busca de tratamento para uma doença até hoje não explicada. Segundo Torquato Bahia, o mal teria sido conseqüência de "padecimentos antigos". Caxambu, que fica no sul do estado e tem clima de montanha, é considerado o maior complexo hidromineral do mundo. A água de suas 12 fontes é considerada miraculosa e possui propriedades que teriam poderes curativos sobre problemas digestivos, hepáticos, de formação dos ossos e de pele, além da anemia.

Em 1868, foi lá que a princesa Isabel se curou de uma suposta infertilidade. Mas nem as águas de Caxambu, nem os saberes do médico baiano Paulo Fonseca, que teria cuidado de Xisto sem cobrar nada, apenas pela amizade, foram suficientes para fazê-lo sobreviver. No dia 30 de outubro de 1894, aos 53 anos, um dos maiores artistas brasileiros do século XIX se despedia da vida. Arthur Azevedo, o dramaturgo e amigo que, assim como Xisto, lutara pela abolição da escravatura e pela República, escreveu uma carta em sua homenagem. Anos depois, o sobrinho de Xisto afirmaria: "Entre o seu berço, que é a pobreza cheia de esperanças, e o seu túmulo, que é a pobreza cheia de lúgubres tristezas, está a sua existência inteira, que é a pobreza crucificada pela dor e mascarada por um riso eterno".

Difícil mesmo é saber onde está o túmulo ao qual Torquato Bahia se refere. Os livros que falam, em algumas poucas linhas ou páginas, sobre a vida de Xisto, não fazem qualquer referência sobre onde estão os restos mortais do artista baiano. Na verdade, muito pouco tem se falado sobre Xisto e, com a falta de referências a ele, se perde uma parte importante da história da música e do teatro baiano e brasileiro. "Xisto, até hoje, ainda não recebeu um estudo suficientemente profundo para avaliá-lo e explicá-lo", opina o professor de etnomusicologia da Ufba, Manuel Veiga.

A Fundação Cultural do Estado publicou, em 2003, na Revista da Bahia, um artigo especial em homenagem a Xisto Bahia. "O que Chiquinha Gonzaga fez com a música de carnaval, levando-a para os salões da corte, ele faz na Bahia e em Belém", compara o co-editor da publicação e produtor cultural Sérgio Sobreira.

Referências esparsas

O artigo - assinado por Armindo Bião, Cristiane Ferreira, Ednei Alessandro e Carlos Ribas - reúne indicações de fontes e referências relacionadas ao artista baiano. Entre elas, uma rua que leva o nome do artista, no bairro do Engenho Velho da Federação. "Os monumentos que traduzem uma determinada ideologia estão em pontos privilegiados. Temos uma prática, aqui em Salvador, de considerarmos herói só aquele que parte em batalha. Não temos aqui um teatro municipal com o nome de Xisto Bahia", diz Jaime Sodré.

O cineasta e professor de história Joel de Almeida pensa em fazer um filme sobre a vida de Xisto há cerca de 15 anos. A idéia inicial era produzir um documentário, mas devido à escassez de informação audiovisual sobre o artista, ele fez, há quatro anos, o projeto de um curta-metragem de ficção, aliando a ele fatos verídicos da vida do ator. "Xisto era um artista que reunia todos os elementos da cultura brasileira. Ele antecipou, de certo modo, a Semana de Arte Moderna. Se ela veio despertar a sociedade brasileira, ele foi isso no século XIX, um pioneiro. Ele tinha uma comunicação visceral com o povo", analisa. O projeto do filme está concorrendo a um edital do governo. Já o livro de Luiz Américo Lisboa Junior, Compositores e intérpretes baianos - de Xisto Bahia a Dorival Caymmi, está pronto, à espera de edição.

O professor da Escola de Teatro e diretor da Funceb, Armindo Bião, já coordenou um grupo de pesquisas na Ufba que estudava, entre outras questões, a obra de Xisto Bahia. Os alunos produziram, em 2001, o espetáculo Isto é bom, em homenagem ao artista. Parte das composições de Xisto pode ser encontrada no site do Instituto Moreira Sales, como informam o professor Manuel Veiga e o pesquisador Luciano Carôso.

Em meio a essas iniciativas, ao empenho de profissionais da música, do teatro, da história e do cinema, fica ainda a impressão de que muito falta a ser dito sobre Xisto Bahia. O reconhecimento à sua obra e trajetória pode trazer informações valiosas que ajudem a entender melhor o panorama da música popular e do teatro brasileiros hoje. Na opinião de Jaime Sodré, parte desse esquecimento tem raízes num dos problemas contra os quais o próprio Xisto Bahia lutava: a discriminação. "Esse esquecimento é doloroso. É importante saber o fim dessas personalidades, quem são seus descendentes. O que faltou para Xisto entrar na história da música brasileira? Aí tem o fator racial. Existe uma historiografia nacional que produz essas personalidades que, às vezes, não têm a cara do Brasil mestiço".

Uma das mais profundas descrições sobre a personalidade difícil de ser decifrada de Xisto Bahia foi feita pelo sobrinho dele, Torquato, filho de seu cunhado, o ator Antônio da Silva Araújo. "Os que o encontraram em vida viram nele um espírito jovial e alegre; uma alma cheia de abnegação e amor; um boêmio e um filantropo, capaz de passar a noite cantando ao luar, e de vender o relógio para matar a fome à primeira boca necessitada que lhe pedisse pão. Mas, tendo sempre o cuidado de não deixar seu rosto, em que acusava uma expressão de bem-estar, trair-lhe as dores íntimas, denunciar os temores de sua alma".

Adriana Jacob (Correio da Bahia) - 25 de julho de 2005

quinta-feira, 16 de março de 2006

Pedro de Alcântara

José Pedro de Alcântara, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ (21/8/1866) e faleceu em Sete Lagoas MG (29/8/1929). Tocou em público pela primeira vez numa missa na igreja do Outeiro da Glória, a 15 de agosto de 1881, quando executou um solo de flauta, muito apreciado por Pedro II, presente na ocasião.

Funcionário dos Correios e Telégrafos, deixou o emprego para dedicar-se somente à música. Apresentou-se em cinemas e integrou a Orquestra Sinfônica de Francisco Braga, além de haver dirigido orquestras populares.

Apesar de ter escrito cerca de 30 composições, somente a polca Dores do coração, editada em 1907 com o nome de Choro e poesia, se tornou conhecida. Essa música recebeu depois letra de Catulo da Paixão Cearense, passando a chamar-se Ontem ao luar, título com o qual se celebrizou, tendo sido gravada por Vicente Celestino em 1918, na Odeon.

Em solo de flautim, acompanhado ao piano por Ernesto Nazareth, gravou para a Odeon, em 1912, o tango Favorito (Ernesto Nazareth) e a polca Linguagem do coração (Calado).


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha e A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

terça-feira, 14 de março de 2006

Roberto Xavier de Castro

Roberto Xavier de Castro (Fetinga), violinista e compositor nasceu em 16/5/1890 na cidade de São Francisco da Uruburetama (atual Itapajé) e faleceu em 30/10/1952 na mesma cidade.


Ficou bastante conhecido no Ceará a partir das modinhas Julieta e Maria, compostas em parceria com o poeta Amadeu Xavier de Castro.

Em 1926 obteve vitória judicial contra o cantor e compositor paulista Paraguassu pelo plágio de sua valsa A pequenina cruz do teu rosário, composta inicialmente em versos de Fernando Weyne com o título de Loucuras (1897) .

Obras

A pequenina cruz do teu Rosário (c/ versos de Fernando Weyne), Adélis, Edméia, Julieta (c/ versos de Amadeu Xavier de Castro), Maria (c/ versos de Amadeu Xavier de Castro) e Palmeira.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora, São Paulo, 1998.

Fernando Weyne

Fernando Weyne, poeta, modinheiro e comediógrafo, nasceu em São Fernando, Paraguai, em 3/9/1868, e faleceu em Fortaleza CE, em 17/4/1906.


Em 1897, escreveu o poema Loucuras, publicado em 1906 pelo Almanaque do Ceará. Musicado posteriormente por Roberto Xavier de Castro, tornou-se uma famosa modinha sob o nome de A pequenina cruz do teu rosário.

Foi gravada sucessivamente por Paraguassu, Carlos Gardel, entre outros cantores.

Outros versos de Weyne foram musicados. Entre eles, Sinhá com melodia também de Roberto de Castro.


Fonte: Dicionário da MPB.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Viriato Figueira da Silva


Viriato Figueira da Silva, compositor e instrumentista nasceu em Macaé (RJ) em 1851 e faleceu em 24/04/1883. Estudou no Conservatório de Música, do Rio de Janeiro, com Joaquim A. da Silva Callado, de quem se tornou grande amigo. Como flautista excursionou pelo Norte do país, com muito sucesso.


Em 1866 foi para São Paulo (SP), como integrante da orquestra do Teatro Fênix Dramática, do Rio de Janeiro, dirigida pelo maestro Henrique Alves de Mesquita, apresentando-se no Teatro São José. Foi um dos primeiros a sobressair no Brasil como solista de saxofone.

Em março de 1877, sua polca Só para moer foi editada por José Maria Alves da Rocha e, mais tarde, por Artur Napoleão e Cia., sendo muito bem recebida. A polca de sua autoria “Carnaval do Brasil” foi executada pela primeira vez a 15 de julho de 1878, no Clube Mozart, do Rio de Janeiro.

Disco 78 rpm - Título da música: Só para moer - Autoria Silva, Viriato Figueira da (Compositor) - Silva, Patápio (Intérprete) - Imprenta [S.l.]: Odeon, 1904-1907 - Nº Álbum 40047 - Gênero musical Choro:



Depois de sua morte, seus amigos realizaram, a 17 de dezembro de 1883, um concerto, para a compra de uma sepultura no cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, Rio de Janeiro. Ao seu lado foram depositados os restos mortais de Callado, transladados do Cemitério São João Batista, cumprindo o desejo manifestado pelos dois amigos que queriam ser enterrados juntos. Mais tarde a composição “Só para moer” recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense, sob o título “Não vê-la mais”.

Obras

Aliança, xótis, s.d.; Amoroso, tango, s.d.; Caiu! Não Disse!, polca, s.d.; Capricho de moça, polca, s.d.; Carnaval do Brasil, polca, s.d.; Comme il faut, xótis, s.d.; Como é doce, polca, s.d.; Uma dor, polca, s.d.; É segredo, polca, s.d.; Eufrásia, polca, s.d.; Flor da noite, quadrilha, s.d.; Gratidão, quadrilha, s.d.; Lalá, polca, s.d.; Macia, polca, s.d.; Só para moer (ou Não vê-la mais com versos de Catulo da Paixão Cearense), polca, s.d.; Tutu, polca, s.d.


Fonte: Enciclopédia da música brasileira - Editora Art - PubliFolha - São Paulo, 1998.

domingo, 12 de março de 2006

Edmundo Otávio Ferreira

Edmundo Otávio Ferreira, instrumentista e tocador de requinta, nasceu em 1870 no Rio de Janeiro e faleceu em 1920, na mesma cidade. Foi aluno do Arsenal de Guerra. Serviu no Corpo de Bombeiros.


Em 1896, com a fundação da Banda do Corpo de Bombeiros, passou a fazer parte da mesma. Compôs chótis e mazurcas. Uma de suas composições conhecidas é a mazurca Esmeraldina.

Sua obra mais famosa, foi o chótis Talento e formosura, que recebeu versos de Catulo da Paixão Cearense, sendo gravado, entre outros, pela Banda da Casa Edson e pela Banda do Corpo de Bombeiros, na Odeon; pelos cantores João Barros e Mário Pinheiro, já com versos de Catulo, na Victor Record e pelo Grupo Lulu o Cavaquinho, na Columbia, todas no início do século XX.

Em 1977, Talento e formosura foi regravada por Paulo Tapajós na série "Cantares brasileiro - vol. 1 - a modinha", distribuído pela Companhia Internacional de Seguros como brinde de Natal.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. 1998, SP

Salvador Fábregas

Salvador Fábregas, compositor, cantor e pianista, nasceu provavelmente no Rio de Janeiro, por volta de 1820. É possível que tenha falecido na mesma cidade no ano de 1880.

Participou do primeiro recital da Filarmônica Fluminense, em 23 de julho de 1841. Foi nomeado em 1848 como cantor da Capela Imperial, exercendo a função até 1853.

Lecionou canto e piano no Rio de Janeiro até, provavelmente, o ano de 1877. Morou na Rua do Lavradio, 34, centro do Rio.

Compositor de valsas, quadrilhas e modinhas. É autor da valsa "Jardim Botânico" (dedicada a Sra. Teresa dos Santos Barreto d'Albuquerque), que consta no álbum "Rio de Janeiro - Álbum Pitoresco Musical", publicado pelos Sucessores de P. Laforge.

Compôs e publicou em 1851 as seguintes quadrilhas: "Mãe-d'Água", "Paquetá", "A Penha" e "Cascata da Tijuca". Compôs a modinha "Ó Virgem".

É quase certo - e assim consta na maioria das partituras da edição musical - que seja o autor da música sobre os versos de Castro Alves, O gondoleiro do amor. Em 1960, essa música foi gravada pela cantora Stellinha Egg, constando no selo como autor da letra o nome de Sábregas, possivelmente um erro de revisão tipográfica.

Dados adicionais

Segundo consulta em alguns jornais e revistas da época, pertencentes ao acervo digital da Biblioteca Nacional (Hemeroteca Digital Brasileira), constata-se que o cantor, pianista e professor (mestre) de música Salvador Fábregas era de origem espanhola, casado, tendo residido em diversos endereços na cidade do Rio de Janeiro como, inicialmente, Rua do Lavradio, 34, depois Rua do Núncio, 7, Rua do Regente, 55, Rua do Engenho-Velho, 99, e por fim, Rua do Mattoso, 47, seu último endereço terreno.

Faleceu vitimado por embolia cerebral, sendo sepultado em 17/09/1877.


Fontes: Dicionário da MPB; O Globo, de 21/09/1877; O Cruzeiro, de 25/11/1878; Boletim do Expediente do Governo, de fevereiro/1862; Gazeta de Notícias - Obituário, de 19/07/1877; Almanak Adm. Mercantil e Indl. do Rio de Janeiro 1852-1877.

Casimiro da Rocha

Casimiro da Rocha, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1880 e faleceu em 27/2/1912. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na época de Anacleto de Medeiros.

Inspirado no pregão dos compradores de ratos durante a campanha de combate à peste bubônica, promovida por Oswaldo Cruz (1872-1917), compôs a polca Rato, rato, que se tornou célebre ao ser gravada em 1905 pela Casa Edison, com o seu autor ao trompete, Tute ao violão e Chico da Banana ao cavaquinho.

Para combater a peste bubônica que se alastrava pelo Rio de Janeiro em 1903, o diretor da Saúde Pública, Osvaldo Cruz, determinou uma desratização da cidade. Dentro dos limitados recursos que dispunha, organizou uma brigada de exterminadores, dando a cada um de seus integrantes a tarefa de apresentar o mínimo de cinco ratos mortos por dia. O que excedia a esse número era gratificado à razão de 300 réis por cabeça...

E lá saíam eles pelas ruas, carregando grandes latas e apregoando a compra de ratos: "rato! rato!". Tal pregão motivou Casimiro da Rocha, pistonista da Banda do Corpo de Bombeiros, a compor a polca "Rato Rato", sucesso que depois ganhou letra de Claudino Costa "Rato, rato, rato / Por que motivo tu roeste meu baú?" Em tempo: a guerra aos ratos deu certo. Em 4 de abril de 1904, foi anunciado oficialmente o fim da peste. A seguir algumas versões da música:

Rato rato (polca, 1905) - Casimiro da Rocha - Intérprete: Casimiro da Rocha:

Disco Odeon R / Título da música: Rato rato / Casimiro da Rocha (Compositor) / Casimiro da Rocha [Trompete] / Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Gravadora: Odeon R / Gravação: 1907 / Lançamento: 1908 / Nº do Álbum: 108069 - 108081 / Nº da Matriz: xR602 / Gênero musical: Polca / Coleções de origem: IMS, Nirez



Rato rato (cançoneta, 1904) - Sem autor - Intérprete: Alfredo Silva

Disco Odeon R / Título da música: Rato rato / Sem autor / Alfredo Silva (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Gravadora: Odeon R / Gravação: 1904 / Lançamento: 1904 / Nº do Álbum: 100060 / Nº da Matriz: Sem registro / Gênero musical: Cançoneta / Coleções de origem: Humberto Franceschi



Rato rato (choro) - Casimiro (ou Casemiro) da Rocha e Claudino Costa - Intérprete: Claudino Costa

Disco Odeon R / Título da música: Rato rato / Casimiro da Rocha (Compositor) / Claudino Costa (Compositor) / Claudino Costa (Intérprete / Gravadora: Odeon R / Gravação: 1912-15 / Lançamento: 1912-15 / Nº do Álbum: 120062 / Nº da Matriz: Sem registro / Gênero musical: Choro




Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello; Editora 34 e Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Bittencourt Sampaio

Bittencourt Sampaio (Francisco Leite de Bittencourt Sampaio), poeta, violonista e cantor, nasceu em Laranjeiras, província de Sergipe. Estudou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo.

Sabe-se que gostava de fazer experiências de magia branca nas "repúblicas" ou casas de família, distraindo a todos com sua alegria e bom-humor. Promovia saraus literários e musicais e gostava de acompanhar-se ao violão.

Fez carreira política, chegando a administrar a província do Espírito Santo. Foi também diretor da Biblioteca Nacional. Escreveu em diversos periódicos da época, entre eles, a "República". Faleceu, no Rio de Janeiro, a 10 de outubro de 1895.

Autor da letra do famoso "Hino Acadêmico" da Faculdade de Direito. É dele também a letra de uma das modinhas mais conhecidas do Brasil: Quem sabe? (Tão longe de mim distante). Ambas em parceria com o maestro Carlos Gomes. Representante do romantismo literário no Brasil. O "Hino acadêmico" foi gravado em 1974, em versão instrumental, Editora Três - Companhia Brasileira de Discos Phonogram (Detsche Grammophon 2.530.506-B, 3).

Hino Acadêmico - Carlos Gomes e letra de Bittencourt Sampaio- Interpretação: Coral da Faculdade de Direito da USP


"Sois da Pátria a esperança fagueira, / Branca nuvem de um róseo porvir;
Do futuro levais a bandeira, / Hasteada na frente a sorrir.
Mocidade, eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé;
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

0 Brasil quer a luz da verdade, / E uma c'roa de louros também,
Só as leis que nos dêem liberdade, / Ao gigante das selvas convém!
Vossa estrela reluz radiante, / Oh! erguei-a vós todos, com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

É nas letras que a Pátria querida / Há de um dia, fulgente, se erguer,
Velha Europa, curvada e abatida, / Lá de longe que inveja há de ter!
Nós iremos marchando adiante, /Acenando o futuro com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Orgulhoso o bretão lá dos mares / Respeitar-nos então há de vir,
São direitos sagrados os lares, / Nunca mais ousarão nos ferir.
Auriverde pendão fulgurante / Hasteai-o, mancebos, com fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

São imensos os rios que temos, / Nossos campos quão vastos que são!
As montanhas tão altas, que vemos, / De um futuro bem alto serão.
0 futuro não vai mui distante, / Já podeis acená-lo com fé,
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Nossos pais nos legaram guerreiros, / Honra a glória, virtude e saber;
Nós os filhos de pais brasileiros, / Pela Pátria devemos morrer!
Mocidade eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!"



Fonte: Dicionário Cravo Albin.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Juca Kalut

Juca Kalut (José Lourenço Vianna), também conhecido como José Kallut, compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 05/11/1857 e faleceu em 22/10/1922. Carteiro frequentava o grupo Cavaquinho de Ouro, na Rua da Carioca, 40, onde se reuniam os chorões das duas primeiras décadas do século XX, entre os quais Villa-Lobos, Quincas Laranjeiras, Mário Cavaquinho, Anacleto de Medeiros e Luís de Souza.

Catulo da Paixão Cearense fez vários versos para algumas de suas composições. Em 1912, sua valsa "Sorrir dormindo", foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. No mesmo ano, foi registrada, também na Odeon, por Artur Camilo ao piano e G. de Almeida na flauta. Suas canções "Por que sorris?" e "Por que fui poeta?", com versos de Catulo da Paixão Cearense, foram gravadas por Vicente Celestino na Odeon.

Em 1962, a canção Sorrir dormindo (Por que sorris?), com Catulo da Paixão Cearense foi relançada por Gilberto Alves no LP "Gilberto Alves de sempre" lançado pela gravadora Copacabana. Professor de música, faleceu no subúrbio carioca de Cascadura.

Obras

Campestre (ou O meu mistério, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), xótis, s.d.; Camponesa, valsa, s.d.; Ceci (ou Só no Céu, c/versos de Catulo da Piaxão Cearense), valsa, s.d.; Extremosa, polca, s.d.; Por que sorris, valsa, s.d.; Luísa (ou Por que eu fui poeta, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), mazurca, s.d.; A rola (ou O meu mistério, c/versos de Catulo da Paixão Cearense), xótis. s.d.; Sorrir dormindo, valsa, s.d.; Ziquinha, polca, s.d.

Juca Kalut

"Juca Kalut, imensurável artista, que a minha pena treme ao trazer aqui o nome deste afamado professor. É impossível descrever aqui, o apogeu deste grande mestre, pois a beleza e os sentimentos dos choros que ele escreveu, com arte e bom gosto que tinha pela música, muito o elevaram no conceito de outros grandes músicos e professores. Era respeitado. Kalut morava em Jacarepaguá, onde foi sempre sua moradia, deixou uma grande bagagem musical; composições sublimes, cada qual era um mundo de inspirações. Catullo Cearense, Hermes Fontes, e outros poetas de valor aproveitaram suas composições em que escreveram belíssimos poemas. São de sua lavra as valsas: "Camponesas”, “Sorrir Dormindo”, “Irene" e muitas outras belíssimas composições. Kallut era exemplar chefe de família e amigo dedicado, foi ótimo funcionário e aposentou-se no cargo de carteiro de 1ª classe.

Adorava seus filhos a quem tratava com o maior desvelo educando-os com o maior carinho, apesar de sua dificuldade monetária, não olhando sacrifícios. Morreu há poucos anos. Com a morte de uma sua filha, muito se apaixonou, pois tinha dado uma educação aprimorada, não só nas letras como na música, pois já era uma maestrina. Morreu, como também seu pai. Ainda hoje o nome de Kalut, é lembrado como lídimo expoente da música, e também pelo seu fino trato, pelo bom gosto de suas composições, e assim deixou um claro bem custoso de preencher, deixando imorredouras saudades que somente a própria morte apagará" (O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto).


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. e PubliFolha; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - RJ, 1936; Correio da Noite, de 05/11/1913.

Sátiro Bilhar


Sátiro Lopes de Alcântara Bilhar, instrumentista e compositor (Ceará 1869 - Rio de Janeiro RJ 1927). Foi telegrafista-chefe na Estrada de Ferro Central do Brasil. Era muito considerado entre os chorões antigos, como Catulo da Paixão Cearense, cujo grupo boêmio frequentou, Villa-lobos e Donga, por sua capacidade de improvisar em sucessão de acordes, enquanto afinava o violão.


No dia 7 de setembro de 1903 participou da serenata organizada por Eduardo das Neves em homenagem a Santos Dumont.

Tio da compositora Branca Bilhar, sua ação e importância como músico se desenvolve na área dos músicos de choro das gerações anteriores à profissionalização dos instrumentistas de música popular, primeiro no disco, depois no rádio.

De sua obra conhecem-se, entre outras, as composições: Gosto de ti, porque gosto... (com Catulo da Paixão Cearense), canção; Tira poeira, polca; Estudos de harpa, para violão; O que vejo em teus olhos, modinha; As ondas são anjos que dormem no mar (com Catulo da Paixão Cearense), modinha; Tu és uma estrela, modinha.

O velho Bilhar

"O inesquecível Satyro Bilhar foi um astro que só aparece de século a século, que neste planeta foi o farol, que iluminou a boêmia entre os grandes boêmios onde ele se destacava como um sol que brilha e rebrilha suplantando as tristezas, revivendo as alegrias. O seu desaparecimento deixou um grande vácuo, entre os chorões da velha guarda difícil de ser preenchido tal era a sua verve; a sua intelectualidade, e a sua palavra fácil de trocadilhos repentinos e inspirados pela bondade do seu grande coração.

Quem não conheceu o Velho Bilhar, amigo inseparável de Paula Ney? Chefe telegrafista da E. F. C. B. aposentando-se com quarenta anos de serviços sem ter nunca perdido um dia o Bilhar, além de ser um pouco gago sabia dizer com graça, era míope de verdade, o Bilhar, era um chorão que tinha primazia entre outros chorões nos acordes, nas harmonias, no mecanismo da dedilhação com que manejava agradavelmente o seu violão. Quando um flauta tocava um choro ele dizia: "Virgem Maria isso pra mim é água com açúcar". O Bilhar também conhecia as músicas clássicas, e tinha produções suas, como os “Arpejos d'arpa” e “Melodias”, as posições com que o Bilhar tirava os seus acordes eram tão difíceis que só ele sabia fazer, razão porque apesar de sua grande boêmia, Bilhar, era um chorão conquistado pelos seus amigos e por suas famílias.

Parece-me estar ouvindo ainda ele dizer: "Tu és uma estrela de primeira grandeza"! (tá doido Ave Maria) o que palpita lá palpita cá; minha família é minha vida inteira! E viva São João pro ano, ta errado com o velho Bilhar, gosto de ti porque gosto porque meu gosto é gostar, no rio o caudal da vida que tem por margem a descrença, as ondas são anjos que dormem no mar, porque vejo em teus olhos um luzeiro que me guia, eram estes os ditados e as modinhas do repertório de 40 anos do velho Bilhar, com o seu tradicional pince-nez, pois os grandes chorões ainda não conseguiram imitá-lo e reconhecem que Bilhar, foi o rei dos acordes.

Quando ele acompanhava um choro, e que tinha uma passagem que lhe agradava ele pedia ao cantante: repete por favor, era um encanto vê-lo solar a sua tradicional polca "Tira Poeira", no piano também era um chorão, afinal, o velho Bilhar, era uma casa cheia, onde ele estava, as moças o rodeavam, presas pelo seu fino espírito de graças atrativas imperadas pelo respeito e delicado trato de que era possuidor. Bilhar foi um chorão que deixou saudades ao pessoal da velha guarda e aos chorões modernos" (O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto).


Fontes: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 2000; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - 1936 - Alexandre Gonçalves Pinto.