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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Nadir

Getúlio Marinho "Amor" - 1940

Nadir (valsa, 1944) - João Bastos Filho e Getúlio Marinho - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Nadir / Getúlio Marinho "Amor" (Compositor) / João Bastos Filho (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Número do Álbum: 800198 / Data de Gravação: 1944 / Data de Lançamento: 1944 / Lado A / Gênero musical: Valsa



Nadir, ò Nadir
Boneca encantadora
Tu és sedutora
Teu sorriso é um paraíso de amor

Nadir, linda flor
Ornamento do meu jardim
Nadir, teu olhar
Tem doçura que faz suspirar

Tens na mão espelhinhos ovais
Refletindo os teus madriguais
Tens nos olhos nanquim
E nas faces carmim
És um mimo de graça, enfim

Tua voz é um poema de amor
Que inspira qualquer trovador
És a luz que irradia
Todo encanto e magia
És um pedaço de céu em esplendor

Nadir, linda flor
Ornamento do meu jardim
Nadir, teu olhar
Tem doçura que faz suspirar

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Getúlio Marinho

O Rancho fundado por Tia Ciata "Macaco é o outro"(referência e crítica ao preconceito racial ) era integrado por: Hilário Jovino Ferreira, Perciliana Maria Constança (mãe do João da Baiana), Tia Amélia do Aragão (mãe do Donga), Getúlio Marinho da Silva, Tia Bebiana, Tia Rosa, Tia Sidata.
Getúlio Marinho (Getúlio Marinho da Silva), compositor e dançarino, também conhecido pelo apelido de "Amor" nasceu em Salvador, Bahia, em 15/11/1889, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31/1/1964. Filho de Paulina Teresa de Jesus e de Antonio Marinho da Silva, conhecido por "Marinho que toca". Aos seis anos mudou com a família para o Rio de Janeiro. Com essa mesma idade passou a integrar o Rancho Dois de Ouro.

Foi criado frequentando as casas de tias baianas como Bebiana, Gracinda, Ciata e Calu Boneca. Participou dos primeiros ranchos carnavalescos cariocas criados por baianos do bairro da Saúde. Saía como porta-machado no Dois de Ouros, e desfilava ainda no Concha de Ouro.

Freqüentou as rodas de samba organizadas pelos baianos que se reuniam no Café Paraíso, situado na antiga Rua Larga de São Joaquim, atual Avenida Marechal Floriano. Com o pioneiro Hilário Jovino Ferreira aprendeu a coreografia dos mestres-sala dos ranchos, tornando-se um grande especialista nesta arte, sendo mestre-sala de vários ranchos carnavalescos. De 1940 a 1946 foi o "cidadão-samba" do carnaval carioca.

Em 1916 iniciou a carreira artística atuando como dançarino na revista Dança de velho, apresentada no Teatro São José. No ano seguinte, desfilou como mestre-sala no rancho "Flor do Abacate". Em 1919 foi o mestre-sala do rancho "Quem fala de nós tem paixão". Em 1921 passou a atuar no rancho "Reinado de Silva".

Em 1930 teve sua primeira composição gravada, o samba Não quero amor, pelo Conjunto Africano na Odeon. Frequentou terreiros de macumba e conheceu pais de santo famosos como João Alabá, Assumano e Abedé, passando a recolher pontos de macumba e os levando para o disco, com Elói Antero Dias, como Ponto de Exu, de domínio público, disco 78 rpm, gravadora Odeon, 1930; Ponto de Inhansã, de domínio público, disco 78 rpm, gravadora Odeon, 1930; e Ponto de Ogum, de domínio público, disco 78 rpm, gravadora Odeon, 1930. Outros pontos de macumba, de sua autoria foram gravados por Moreira da Silva.

Em 1931 Patrício Teixeira gravou o samba Não chores, benzinho, Francisco Alves, o samba Apanhando papel, parceria com Ubiratã Silva e Luís Barbosa o samba Fome não é pagode, todos na Odeon.

Em 1932 teve gravados os sambas Vou me regenerar, por Francisco Alves e Não gostei dos seus modos, por Luiz Barbosa e Vitório Lattari; e os pontos de macumba Ererê e Rei de Umbanda, por Moreira da Silva. No mesmo ano, seu samba Gegê, parceria com Eduardo Souto, venceu um concurso carnavalesco promovido pelo jornal Correio da Manhã, foi gravado com grande sucesso por Jaime Vogeler e serviu como mote para a criação da revista Calma Gegê, estrelado por Otília Amorim no Teatro Recreio. Feito inicialmente para focalizar o então presidente Getúlio Vargas, seus versos que diziam: "Tenha calma, Gegê /  Tenha calma Gegê / Vou ver se faço / Alguma coisa por você", tornou-se um modismo e um dito popular da época. 

Em 1933 compôs com Bide o samba Vou te dar, com Orlando Vieira, a batucada Mumba no caneco, ambas gravadas por Luiz Barbosa e com Valdemar Silva o samba Até dormindo sorriste, registrado por Jaime Vogeler. No mesmo ano, Patrício Teixeira gravou o partido alto Tentação do samba, parceria com João Bastos Filho. 

Em 1934 teve o samba Quando me vejo num samba, gravado por Patrício Teixeira. No ano seguinte, Castro Barbosa registrou a marcha De quem será?, parceria com João Bastos FIlho. No mesmo ano foi escolhido como segundo secretário, a primeira diretoria da União das Escolas de Samba.

Em 1936 teve o samba Molha o pano, parceria com Vasconcelos gravado por Aurora Miranda e a marcha  Pula a fogueira, parceria com João Bastos Filho por Francisco Alves na Victor. No ano seguinte, o instrumentista Luís Americano gravou ao saxofone sua valsa Teu olhar, parceria com J. Bastos Filho. 

Em 1939, Orlando Silva gravou o samba Vai cumprir o teu fado, com J. Bastos Filho. Em 1944 Nelson Gonçalves gravou o samba Nadir, outra parceria com João Bastos Filho, seu principal parceiro. Era considerado grande tocador de omelê, antigo nome da cuíca. Foi um dos pioneiros das escolas de samba. 

Em 1961 teve o batuque Macumbembê, gravado por J. B. de Carvalho. Em 1963 adoeceu seriamente sendo internado no Hospital dos Servidores da então Guanabara, vindo a falecer quase esquecido no ano seguinte.

Sobre ele, assim falou Jota Efegê, no livro Figuras e coisas da Música Popular Brasileira: "...sempre impôs sua presença nos desfiles. Vestindo roupas de fidalgo, calçando sapatos de fivela e salto alto, de luvas e cabeleira empoada, sentia-se personagem vindo dos tempos de Luiz XIV, Xv ou de uma corte qualquer para ser o galã da porta-estandarte nos cortejos em que figurava. Sóbrio na sua coreografia, sem acrobacias, presepadas ou letras espetaculares, lograva os aplausos do público justamente por isso que se pode designar como finesse".

Obra


Apanhando papel (com  Ubiratã Silva), Até dormindo sorriste (com Valdemar Silva), Auê, Bumba no caneco (com Orlando Vieira), Cafioto, De quem será? (Acom João Bastos Filho), É timbetá, Ererê, Eu sou é bamba, Fome não é pagode, Gegê (com Eduardo Souto), Isquindó (com Antenor Borges), Macumbembê, Molha o pano (com Vasconcelos), Na favela, Na mata virgem, Nadir (com João Bastos Filho), Não chores, benzinho, Não gostei dos seus modos, Não quero teu amor, Óh Mariana (com João Bastos Filho), Pula a fogueira (com João Dornas filho), Quando me vejo num samba, Rei de Umbanda, Tentação do samba (com Joao Bastos Filho), Teu olhar (com J. Bastos Filho), Vai cumprir o teu fado (com J. Bastos Filho), Vou me regenerar, Vou te dar (com Alcebíades Barcelos).

Fontes: Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana - Nei Lopes - 2a. Edição - Editora Selo Negro; Segredos Guardados - J. Reginaldo Prandi - Companhia das Letras; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Gegê

Eduardo Souto
"Assim que assumiu o governo revolucionário, em 1930, Getúlio Vargas começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos. Para protelar e desacelerar a avalancha, passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos. Uma das músicas que faz a crônica do episódio é justamente esta marcha-rancho do carnaval de 1932, gravada por Jayme Vogeler na Odeon em 24 de novembro de 31 e lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 10876-A, matriz 4369.

O Gegê da música, vale ressaltar, é um nome qualquer, e não ainda o apelido com o qual Getúlio ficaria conhecido, apenas coincidência. O curioso é que "Gegê" venceu um concurso do jornal carioca "Correio da Manhã" para escolher a melhor música de carnaval de 1932, por votação dos leitores através de cupons impressos no próprio periódico (18.703 votos), deixando em segundo lugar (11.461 votos) o clássico "Teu cabelo não nega", de Lamartine Babo e dos irmãos Valença".

Gegê (marcha/carnaval, 1932) - Eduardo Souto e Amor (Getúlio Marinho)

Disco 78 rpm / Título da música: Gegê / Eduardo Souto (Compositor) / Getúlio Marinho (compositor) / Jaime Vogeler (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10876-a / Nº da Matriz: 4369 / Gravação: 24/11/1931 / Lançamento: 1932 / Gênero musical: Marcha rancho / Coleções: IMS, Nirez


Tenha calma, Gegê
Tenha calma, Gegê
Vou ver se faço
Alguma coisa por você

Não se aborreça

Nem é preciso chorar
Güenta um pouco meu amor
Que as coisas vão melhorar

O seu pedido
Já foi, meu bem, despachado
O decreto já saiu
É na enxada e não no machado



Fontes: Discografia Brasileira - Instituto Moreira Salles; Samuel Machado Filho - YouTube

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Apanhando papel

Francisco Alves
Apanhando papel (samba, 1931) - Getúlio Marinho e Ubiratan Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Apanhando papel / Getúlio Marinho "Amor" (Compositor) / Ubiratan da Silva (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Bambas do Estácio (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 10767-a / Nº da Matriz: 4124-1 / Gravação: 30/01/1931 / Lançamento: Mar/1931 / Gênero musical: Samba / Coleções: IMS, Nirez


Nem queiras saber
Como a vida do homem é cruel
Se ele é fraco de ideia

Acaba apanhando papel

Mas eu tenho fé
No meu orixá
Que não há de deixá
A esse ponto chegá

(Nem queiras saber) (x2)

Feliz de quem
Não se passa pra carinho
Não tem o dissabor
De andar pelas ruas
Falando sozinho

Meu santo é forte
É do bom e com ele é assim
Não dará ousadia
De ver ela rir
Ou zombarem de mim

(refrão)

Por isso é que fiz
A Deus uma oração
Pra não ter por mulher
Aquilo que se diz
Amor ou paixão

Desejo gostar
E quero delas todas zombar
Sem meu sacrifício
Pra meu benefício
A vida gozar

(refrão)