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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Mambo da Cantareira

Mambo da cantareira (mambo, 1960) - Barbosa da Silva e Eloíde Warthon - Intérprete:Gordurinha

Disco 78 rpm / Título da música: Mambo da cantareira / Silva, Barbosa da (Compositor) / Warthon, Eloíde (Compositor) / Gordurinha (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, Indefinida / Nº Álbum 17784 / Gênero musical: Mambo.



Só vendo como é que dói só
Vendo mesmo como é que dói
Trabalhar em Madureira, viajar na cantareira
E morar em Niterói

Ê, cantareira, ê, cantareira,
Ê, cantareira vou aprender a nadar
Ê, cantareira, ê, cantareira

É cantareira, eu não quero me afogar

De tanto viajar já tô ficando bambo
Já tô com o corpo mole de canseira
Por isso agora resolvi cantar o mambo
Vamos cantar o mambo cantareira

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Baiano burro nasce morto

Baiano burro nasce morto (baião, 1959) - Gordurinha - Intérprete: Gordurinha (LP "Gordurinha tá na praça" - 1960 – Continental)



O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto

Sou da Bahia comigo não tem horário
Não sou otário e você pode zombar
Sou cabra macho, sou baiano toda hora

Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

O pau que nasce torto
Não tem jeito morre torto
Baiano burro garanto que nasce morto

Salve a Bahia, ioio
Salve a Bahia, iaia
Sou cabra macho, sou baiano toda hora
Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há
Cabeça grande é sinal de inteligência
Eu agradeço a providência ter nascido lá

O Castro Alves poeta colosso
Sujeito moço, mas soube o que fez
A Marta Rocha violão baiano
Foi mostrar pro americano que a Bahia

Vendedor de caranguejo

Vendedor de caranguejo (coco, 1958) - Gordurinha


Caranguejo uçá
Olha o gordo guaiamum
Quem quiser comprar a mim
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Eu dou mais um
Eu dou mais um
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá (2x)

Eu perdi a mocidade
Com os pé sujo de lama
Eu fiquei anarfabeto
Mas meus fio criô fama

Pelo gosto dos menino
Pelo gosto da mulé
Eu já ia descansá
Não sujava mais os pé

Os bichinho tão criado
Sastisfiz o meu desejo
Eu podia descansá
Mas continuo vendendo caranguejo

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

Tem caranguejo
Tem gordo guaiamum
Cada corda de dez
Eu dou mais um

Caranguejo uçá
Caranguejo uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Orora analfabeta

Gordurinha
Orora Analfabeta (samba, 1959) - Gordurinha e Nascimento Gomes - Intérprete: Jorge Veiga

Disco 78 rpm / Título da música: Orora Analfabeta / Nascimento Gomes (Compositor) / Gordurinha (Compositor) / Jorge Veiga (Intérprete) / Gravadora: Copacabana, 1959 / Nº Álbum: 6.016-a / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: C

       Dm             G7                C
Eu  arranjei uma dona boa lá em Cascadura
A7          Dm           G7       C
Grande criatura mas não sabe  ler
                         A7
E nem  tão  pouco  escrever
           Dm                   G7
Ela é bonitona, bem  feita de corpo
               C
É cheia da nota
       A7                 Dm
Mas escreve gato com   "j"
        G7              C
E escreve saudade com "c"

C7               F                  Fm
 Ela disse outro dia que estava doente
                    C
Sofrendo do "estrombo"
A7        Dm    G7                      C
Levei um tombo  Cai durinho  pra trás
                    C7
Isso assim já e demais
              F          Fm               C
Ela fala "aribu", "arioprano" e "motocicreta"
            Dm                  G7
Diz que adora feijoada "compreta"
                  C
Ela é errada demais!

C7             F                 Fm
Viu uma letra "O"  bordada na blusa
                C
Eu disse é agora
           A7                    Dm
Perguntei seu nome ela disse Orora
         G7           C
E sou filha do Arineu
                    A7
Mas o azar  é todo meu

Baiano não é palhaço


Baiano Não é Palhaço (1962) - Gordurinha - Intérprete: Gordurinha

LP A Bossa Do Gordurinha / Título da música: Baiano Não É Palhaço / Gordurinha (Compositor) / Gordurinha (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1962 / Nº Álbum: BBL 1186 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Baião.



Sou filho da Bahia com muita alegria
Não interessa se o relógio já deu meio dia
Não falo fino nem ando me rebolando
Mas tem gente falando que eu não sou legal
Não faço ponto lá na Praça Tiradentes
Mesmo assim tem muita gente que ainda fala mal
Não pinto as unhas, nem falo com vedete
Mas estão pintando o sete, isto é uma verdade.
Quando o relógio está marcando meio dia
Quem é filho da Bahia tem que ouvir piada

Ai, ai, ai, ô, ô
Vou repetir que o Brasil
Foi descoberto na Bahia
E o resto é interior

Quando ligo a televisão
Têm sempre um palhaço pra meter o aço
Armando a lona, fabricando um picadeiro
E o baiano o dia inteiro bancando o palhaço
Até parece que estou n'outro país
Vê que piada infeliz inventaram agora:
"Ajude a manter a casa limpa
Matando um baiano por hora"

Chiclete com banana

Radicado no Rio desde 1952, o cantor e compositor baiano Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo) teve sua primeira oportunidade artística ao gravar em dupla com Léo Vilar duas músicas para o carnaval de 56. O sucesso, porém, só aconteceria um pouco adiante com “Vendedor de Caranguejo” (1958), “Súplica Cearense” (1960) e principalmente com a gravação de “Chiclete com Banana” por Jackson do Pandeiro em 1959.

Um sacudido sambabop (embora na letra declare-se “samba-rock”), a composição propõe uma divertida troca de influências entre as músicas brasileira e americana: “Eu só boto be-bop no meu samba / quando o Tio Sam tocar um tamborim / quando ele pegar num pandeiro e num zabumba / quando ele aprender que o samba não é rumba / aí eu vou misturar Miami com Copacabana / chiclete eu misturo com banana / e o meu samba vai ficar assim...”.

Além de inspirar um espetáculo de Augusto Boal, “Chiclete com Banana” deu nome a uma bem-sucedida banda baiana e às tiras de quadrinhos do cartunista Angeli. Em 1972, voltou a fazer sucesso ao ser incluída por Gilberto Gil no disco que marcou o seu retorno do exílio londrino. Assinada a princípio somente por Gordurinha, é em algumas gravações apresentada com o nome de José Gomes como co-autor e em outras com o de Almira Castilho.

Chiclete com banana (samba, 1959) - Gordurinha e Almira Castilho - Intérprete: Jackson do Pandeiro


Intro:34 35/25/28/17/15/10 
      Bm7 E7/9- / A7/13 A7/5+ / G7/13 G7/5+ 
      34 35/25/28/17/15/10 
      Bm7 E7/9- / Am7 / A7/13 / G / Eb7/9+ D7/9+ 

        G      E7/9-      A7/13 
Eu só ponho bib-bop no meu samba 
A7/5+        Am7      D7/9     G 
Quando o Tio Sam tocar o tamborim             
            E7/9-                   A7/13 
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba                 
                D7/9             G7 G7  F#7 F7 E7 
Quando ele aprender que o samba não é   rum-ba-a                
                A7    D7/9           G 
Aí eu vou misturar, Miami com Copacabana    
   E7/9-                  A7/13 
Chicletes eu misturo com banana          
         D7/9               G                    
Eu o meu samba vai ficar assim  

Gb G // C7/9 // Bm7 / E7/9  

   Am7         D7/9         G          
Eu quero ver a grande confusão 

Gb G // C7/9 // Bm7 / E7/9          

   Am7         D7/9         G      
Olha aí o samba-rock meu irmão 
G G#º            Am7 A#º   
  É, mas em compensação          
         E7/9-         A7 
Eu quero ver o Boogie-woogie       
      D7/9       Dm7/9  G7/13 
De pandeiro e violão  

C7+         C#º G6          E7/9- 
Quero ver o Tio Sam de frigideira,  
 A7     D7/9 Dm7/9 G7/13 
numa batucada brasileira 
C7+         C#º G6          E7/9- 
Quero ver o Tio Sam de frigideira,  
 A7     D7/9 Dm7/9 G7/13 
numa batucada brasileira 


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Gordurinha


Fossem os curiosos tentar adivinhar-lhe o físico pelo apelido e Gordurinha seria até hoje mais um enigma na história da música popular brasileira. Magro na juventude, Waldeck Artur de Macedo, nascido no bairro da Saúde, em Salvador, no dia 10 de agosto de 1922, ganhou seu apelido em 1938, quando já trabalhava na Rádio Sociedade da Bahia.


Do seu repúdio à colonização americana, epitomizada pela goma sde mascar nasceu o bebop-samba, Chiclete com banana , em parceria com Almira Castilho, que acabou por pronunciar o tropicalismo ao sugerir antropofagicamente na letra: 'só boto bebop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim, quando ele entender que o samba não é rumba'.

Ele mesmo chegou a gravar, como que a tirar um sarro um rock entitulado Tô doido para ficar maluco.

Mas não foi só de glória e reconhecimento tardio a vida deste que, ao lado do Trio Nordestino, iria se transformar no baluarte do forró na Bahia. Sua estréia no mundo da música se deu em 1938, quando fez parte do conjunto vocal "Caídos do céu" que se apresentava na Rádio Sociedade da Bahia, fazendo logo depois par cômico com o compositor Dulphe Cruz. Logo se destacou pelo seu dom de humorista e pelo sarcasmo que iria ser disseminado em suas letras anos mais tarde.

Em 1942, cansado de tentar conciliar estudo e sessões de rádio, tomou a decisão se debateu com um dilema conhecido de muitos: medicina ou carreira artística? Como seus discípulos Zé Ramalho e Fred Dantas, Gordurinha caiu fora desse estória de clinicar. Largou a Faculdade de Medicina e seguiu sua sina de cigarra.

Os passos iniciais seriam dados numa Companhia Teatral. Caiu na estrada, mambembeando e povoando de música e pantomimas outras plagas.

Seu próximo passo seria um contrato na Rádio Jornal de Comércio, em Recife, em 1951. Depois, o jovem compositor, humorista e intérprete Gordurinha passaria pela rádio Tamandaré onde conheceu o poeta Ascenso Ferreira, figura folclórica do Recife, Jackson do Pandeiro e Genival Lacerda. Estes dois últimos gravariam em primeira mão várias das suas composições.

Em 1952 partiu para o Rio de Janeiro onde penou sofrendo gozações preconceituosas. Sublimando estes pormenores, conseguiu trabalhar nos programas Varandão da Casa Grande, na Rádio Nacional, e Café sem Concerto as Radios Tupi e Nacional, duas das maiores do país, sempre fazendo tipos humorísticos. Ficou neste circuito até que almejou um sonho que já alimentava desde os magros dias do Recife: um contrato na mais importante mídia do Brasil na época que era a Rádio Nacional.

Meu enxoval, um samba-coco em parceria com Jackson do Pandeiro seria um dos carros chefes do dis-co ‘forró do Jackson’, de 61. Outro que se daria bem com uma composição do baiano seria o forrozeiro paraense Ary Lobo (mais um dos artistas que o Brasil insiste em esquecer) que prenunciou o Mangue beat ao cantar:

‘Caranguejo-uçá, caranguejo-uçá/ A apanho ele na lama/ E boto no meu caçuá/ Caranguejo bem gordo é gaiamum/ Cada corda de 10 eu dou mais um. Vendedor de caranguejo seria gravado por Clara Nunes, em 74, e por Gilberto Gil no seu ‘Quanta’, de 1997. Outros sucessos foram Baiano não é palhaço que fala do seu orgulho de ser baiano, Súplica cearense e Baiano burro nasce morto.

Gordurinha faleceu em Nova Iguaçú/RJ em 16/1/1969 e seria homenageado na década de 70 com Gilberto Gil, que regravou Chiclete com Banana e Vendedor de Caranguejo no Quanta. O cantor carioca Jards Macalé, também o homenageria com a regravação de Orora analfabeta, no seu 2º LP, ‘Aprendendo a nadar’, de 1974. Elba Ramalho, que em entrevista à revista Showbizz , elogiou sua divisão de versos, se rendeu ao talento do mestre ao dar sua versão de Pau-de-arara é a vovozinha, no seu CD Flor da Paraíba, de 1998.

A última homenagem recebida foi o lançamento do CD A Confraria do Gordurinha, em rememoração aos 30 anos sem o artista. Contando com participação de Gilberto Gil, Confraria da Basófia, Marta Millani e texto do pesquisador Roberto Torres, o CD têm 14 faixas e foi lançado em 1999.

Algumas músicas








segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Súplica cearense

Gordurinha
Súplica cearense (baião-toada, 1960) - Gordurinha e Nelinho - Interpretação de Gordurinha

Disco 78 rpm / Título da música: Súplica cearense / Nelinho (Compositor) / Gordurinha (Compositor) / Gordurinha (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1960 / Nº Álbum 17.778 / Gênero musical: Baião-toada.


Tom: Cm
Introd.: Fm7 Bb7 Fm7 Gm7 Ab7 G7 Cm Ab7 G7
    Cm                         Ab7
Oh! Deus, perdôe esse pobre coitado
G7               Ab7
Que de joelhos rezou um bocado
Fm6/C  G7      Cm  Dm5- G7
Pedindo pra chuva cair sem parar
     Cm                            Fm
Oh! Deus, será que o senhor se zangou
G7               Ab7
E só por isso o sol "arretirou"
Fm6/G        G7       Cm  Fm7 Cm7
Fazendo cair toda a chuva que há
    Gm5-                C7
Senhor, eu pedí para o sol
Gm5-
Se esconder um tiquinho,
C7                    Gm5-
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
C7                Fm
Pra ver se nascia uma planta no chão
      Ab/Bb                  Bb7
Meu Deus, se eu não rezei direito
Fm7
O Senhor me perdoe
Bb7             Fm
Eu acho que a culpa foi
G7            Cm7 Dm4
Deste pobre que nem sabe fazer oração
G7     Gm7              C7
Meu Deus, perdoe eu encher
Gm5-
Os meus olhos de água
C7   C9         Gm5-
E ter lhe pedido cheinho de mágoa,
C7       C9     Fm  Db7 C7
Pro sol inclemente de arretirar
    Fm          Fm7       G7            
Desculpe, eu pedi a toda hora
Cm
Pra chegar o inverno
Ab7         Ab7+        Db
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Dm7   G7     Cm Ab7 G7 G7
Que sempre queimou o meu Ceará.