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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Jair do Cavaquinho

Jair do Cavaquinho (Jair de Araújo Costa), instrumentista e compositor - Rio de Janeiro RJ, 26/4/1922. Nascido em Madureira, desde os oito anos de idade já participava dos ensaios da Portela, levado pela mãe.

Em 1960 participou dos LPs A voz do morro, volumes I e II, da Musidisc. Durante 15 anos foi conhecido como Jair do Tamborim, tocando na bateria da escola, mas começou a compor com o cavaquinho. Sua primeira composição foi o samba Meu barracão de zinco, gravado por Jamelão, também seu parceiro, em 1962.

Outro de seus parceiros, vizinho na Parada de Lucas, na Vila Esperança, foi Nelson Cavaquinho, com quem fez Vou partir (1965), Eu e as flores (1969) e Enquanto a cidade dorme (1975).

Em 1965, participou, com Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento e Nescarzinho do Salgueiro, do musical Rosa de ouro, organizado por Hermínio Bello de Carvalho, no Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, que relançou Araci Cortes e apresentou Clementina de Jesus.

Em seguida foi convidado a participar do conjunto Voz do Morro, com Zé Keti e os elementos do Rosa de Ouro, acrescido de Oscar Bigode e José Cruz. Com essa formação, gravou pela Musidisc o LP Roda de samba, volume I, com Pecadora (com Joãozinho) e Meu viver (com Elton Medeiros e Kléber Santos), e volume II, do qual também participou Nelson Sargento.

No mesmo ano, a Odeon lançou o LP Rosa de ouro, volume I. Em 1967 sua composição E a rosa voltou foi gravada pelo grupo no volume II do LP Rosa de ouro. Ainda em 1967 integrou o Conjunto Cinco Crioulos, com Elton Medeiros, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro — do Rosa de Ouro — e Mauro Duarte, gravando pela Odeon, de 1967 a 1969, três LPs, sendo um deles Cinco crioulos (1968).

Em 1969, seu samba-enredo Treze naus ganhou o concurso na Portela. Na década de 1970 participou, ao lado de compositores de diversas escolas, do conjunto Cinco Só. Entre suas composições mais conhecidas estão, além de Vou partir, gravada por Elizeth Cardoso em 1965, Pecadora e Tudo em vão, gravadas por Nara Leão em 1976 e Fim do nosso amor, gravada por Norimar em 1993.

CD

Rosa de Ouro vol. 1 e 2, 1993, EMI 827301-2 (Série dois em um).

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Alvaiade

Alvaiade (Osvaldo dos Santos), compositor e instrumentista, nasceu e faleceu no Rio de Janeiro RJ (21/11/1913—23/06/1981). Órfão de pai aos cinco anos, aos 13 sustentava a familia, como empregado numa tipografia. Interessado por música desde criança, sua primeira composição, O que vier eu traço (com Zé Maria), é de 1926.

Em 1928 deixou o pequeno bloco carnavalesco de que participava, no bairro de Osvaldo Cruz, para integrar, a convite de Paulo da Portela, a escola de samba que este dirigia. Inicialmente apresentava-se fazendo um cavaquinho de centro, acompanhando o samba, e mais tarde passou a compor para a escola. Tocava diversos instrumentos de percussão.

Além de desempenhar funções administrativas, foi também o responsável pelo lançamento de compositores como Manacéia, Walter Rosa, Candeia, Chico Santana etc. De sua obra destacam- se Marinheiro de primeira viagem (gravada por Jorge Veiga em 1961), Embrulho que eu carrego e Banco de réu, todos em parceria com Djalma Mafra, além de Vida de Fidalga (com Chico Santana), samba incluído no LP Portela passado de glória, de 1970.

Tocava cavaquinho de ouvido e apresentou-se em rodas de samba do Teatro Opinião, do Rio de Janeiro. O apelido — Alvaiade — lhe foi dado por companheiros de futebol, atividade a que esteve ligado durante muito tempo, no time da própria Portela.

Aposentado como tipógrafo e pela UBC, quando morreu seu corpo permaneceu dois dias no Instituto Médico Legal antes de ser reconhecido. Foi enterrado no dia 26 de junho de 1981, no cemitério de Irajá.

Obras

A noite que tudo esconde, samba, 1952 (c/Chico Santana); Deus me ajude (c/Estanislau Silva e Humberto de Carvalho), samba, 1943; Eu chorei (c/Alcides Loque), samba, 1940; Marinheiro de primeira viagem (c/Djalma Mafra), samba, 1961; O que vier eu traço (c/Zé Maria), choro, 1945.

CD Portela passado de glória, 1997, RGE 60942.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

domingo, 14 de outubro de 2007

Alcides Dias Lopes

Alcides Dias Lopes, também chamado de ‘Malandro Histórico da Portela’, foi um dos mais lendários nomes da Portela, responsável pela resposta de improviso na segunda parte das composições (mestre de canto) durante os desfiles e as rodas de samba.

Excelente partideiro, fez fama sua prodigiosa memória, capaz de impressionar até mesmo os mais experientes versadores. Foi ainda o grande responsável pelo registro oral das obras de Paulo da Portela e de seus companheiros mais antigos, fundadores da Escola. Era capaz de contar com detalhes toda a história da Portela.

Nasceu (17-12-1909) e morreu (09-11-1987) no Rio de Janeiro, cidade que amava. Na juventude, levou vida de malandro, vagando sem destino e sem ocupação fixa pelas ruas do Rio. Seu primeiro emprego só veio depois do casamento com Guiomar, com quem teve quatro filhos.

Foi manobrista e sinalizador de trens da Rede Ferroviária Federal, trabalhando perto do subúrbio de Benfica. Tornou-se então um ‘chefe de família’, aposentando-se em 1947. Porém, mesmo trabalhando, Alcides nunca faltava aos ensaios da Escola. Estava sempre presente, com sua fisionomia fechada, seu tronco avantajado e seu modo simples de se vestir.

Em 1947, compôs seu samba mais conhecido, a autobiográfica ‘Vivo Isolado do Mundo’ (‘Eu vivia/ isolado do mundo/ quando eu era vagabundo/ sem ter um amor/ hoje em dia/ eu me regenerei/ sou um chefe de família/ da mulher que amei’).

A primeira gravação desta música foi feita por Candeia e Manacéia, que incorporaram alguns versos, cantados até hoje nas rodas de samba. Monarco parece ter feito a gravação definitiva e Zeca Pagodinho regravou o samba, dando-lhe nova roupagem. Seu primeiro samba gravado foi ‘Olinda’ – também chamado de ‘Vem, Ó Linda’ –, parceria com Jair do Cavaquinho. A gravação se deu em 1965, com o próprio Jair e o conjunto ‘A Voz do Morro’.

Participou do primeiro disco da Velha Guarda da Portela, em 1970, com o belíssimo samba ‘Ando Penando’. Um de seus parceiros mais constantes foi Monarco. Da dupla se destacam: ‘Amor de Malandro’, ‘Enganadora’ (gravadas por João Nogueira), ‘Você pensa que eu me Apaixonei’ (gravada por Beth Carvalho), ‘Se eu soubesse vem Depois’ (gravada por Roberto Ribeiro), ‘Abra as Vistas, Rapaz’ (gravada por Zeca Pagodinho) e ‘Deixa meu nome em Paz’ (gravada por Monarco e Velha Guarda da Portela).

Outro parceiro importante foi Chico Santana, com quem compôs ‘Eu vou Embora’, ‘Minha Orelha’ e ‘Quanto mais eu Rezo’ (todas gravadas por Jorge Aragão). Um dos maiores divulgadores póstumos da obra de Alcides foi Zeca Pagodinho, que gravou ‘Dona do meu Coração’ (com participação de Argemiro), ‘Já sei de tudo, Mulher’, ‘Meu Tamborim’ e ‘Vivo Muito Bem’, entre outros.

Alcides compôs ainda com sambistas como Nelson Cavaquinho – parceria que permanece inédita até hoje. Apesar de ter sido excelente intérprete e compositor, Alcides Lopes jamais gravou um disco individual. Os únicos registros disponíveis são duas participações ao lado de Dona Ivone Lara nas músicas ‘Quando a Maré’ (de Antônio Caetano) e ‘Já Chegou quem Faltava’ (de Nilson Gonçalves), presentes no disco ‘Samba – Minha Verdade, Minha Raiz’ (Odeon, 1978). Como reconhecimento por sua contribuição à Portela, seu retrato foi incluído na galeria do Pavilhão de canto do Portelão.