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domingo, 27 de janeiro de 2008

Vou te abandonar

Heitor dos Prazeres
Em março de 1930, um mês depois do sucesso de Na Pavuna, de Almirante e Homero Dornellas, Heitor dos Prazeres lança, sem grande sucesso, uma composição chamada Vou te abandonar. Ela é gravada por um conjunto nomeado “Grupo Prazeres” que apresenta flauta, violões, batucada, coro e solista e interpretado na época por Paulo da Portela.

Esta composição é um dos exemplos mais antigos de um procedimento que se tornou corrente nas gravações de samba, que é a “chamada” do coro pelo solista, no último verso da estrofe, para a retomada do refrão. Tal “chamada” se faz pela antecipação do primeiro verso do refrão. Assim, como o refrão deste samba começa com “Eu vivo...”, o solista, depois de terminar a estrofe, adiciona a frase: “Agora eu vivo...”, dando a deixa para a volta do coro.

Tal procedimento originou-se sem dúvida das necessidades práticas de disciplinar o canto em coro nas situações de ensaio ou desfiles dos blocos no carnaval. Mas ela se incorporou às normas do samba como uma espécie de pontuação musical, cantada e não apenas gritada, feita mesmo em gravações, situação que em princípio dispensa a prática de chamar a atenção do coro (fonte: Dois Sambas de 1930 e a Constituição do Gênero - Carlos Sandroni - cadernos do coloquio2001.p65).

Vou Te Abandonar (samba, 1930) - Heitor dos Prazeres - Interpretação: Paulo da Portela

Disco 78 rpm / Título da música: Vou Te Abandonar / Autoria: Prazeres, Heitor dos, 1898-1966 (Compositor) / Paulo Benjamin de Oliveira (Paulo da Portela) (Intérprete) / Grupo Prazeres (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Brunswick, Indefinida / Álbum número 10037 / Lançamento Março de 1930 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Eu vivo
Perdido
Vou contar só a verdade, mas
Odete
Eu digo
Eu é que vou te abandonar (x2)

Eu sinto na verdade
Mas sou forçado a fazer assim
Esta vida é falsidade, meu bem
Ainda zombas de mim
Agora eu digo:

Eu vivo
Perdido
Vou contar só a verdade, mas
Odete
Eu digo
Eu é que vou te abandonar (x2)

Eu vou enganado
Mas essa dor, por Deus do céu
Hoje eu vivo envergonhado assim
Pobre passado cruel
Agora eu digo:

Eu vivo
Perdido
Vou contar só a verdade, mas
Odete
Eu digo
Eu é que vou te abandonar (x2)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Alvaiade

Alvaiade (Osvaldo dos Santos), compositor e instrumentista, nasceu e faleceu no Rio de Janeiro RJ (21/11/1913—23/06/1981). Órfão de pai aos cinco anos, aos 13 sustentava a familia, como empregado numa tipografia. Interessado por música desde criança, sua primeira composição, O que vier eu traço (com Zé Maria), é de 1926.

Em 1928 deixou o pequeno bloco carnavalesco de que participava, no bairro de Osvaldo Cruz, para integrar, a convite de Paulo da Portela, a escola de samba que este dirigia. Inicialmente apresentava-se fazendo um cavaquinho de centro, acompanhando o samba, e mais tarde passou a compor para a escola. Tocava diversos instrumentos de percussão.

Além de desempenhar funções administrativas, foi também o responsável pelo lançamento de compositores como Manacéia, Walter Rosa, Candeia, Chico Santana etc. De sua obra destacam- se Marinheiro de primeira viagem (gravada por Jorge Veiga em 1961), Embrulho que eu carrego e Banco de réu, todos em parceria com Djalma Mafra, além de Vida de Fidalga (com Chico Santana), samba incluído no LP Portela passado de glória, de 1970.

Tocava cavaquinho de ouvido e apresentou-se em rodas de samba do Teatro Opinião, do Rio de Janeiro. O apelido — Alvaiade — lhe foi dado por companheiros de futebol, atividade a que esteve ligado durante muito tempo, no time da própria Portela.

Aposentado como tipógrafo e pela UBC, quando morreu seu corpo permaneceu dois dias no Instituto Médico Legal antes de ser reconhecido. Foi enterrado no dia 26 de junho de 1981, no cemitério de Irajá.

Obras

A noite que tudo esconde, samba, 1952 (c/Chico Santana); Deus me ajude (c/Estanislau Silva e Humberto de Carvalho), samba, 1943; Eu chorei (c/Alcides Loque), samba, 1940; Marinheiro de primeira viagem (c/Djalma Mafra), samba, 1961; O que vier eu traço (c/Zé Maria), choro, 1945.

CD Portela passado de glória, 1997, RGE 60942.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Paulo da Portela

Paulo da Portela (Paulo Benjamim de Oliveira), compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 18/6/1901 e faleceu em 30/1/1949. Lustrador de profissão pertenceu a ranchos carnavalescos que reuniam funcionários públicos e operários têxteis, antes de aderir ao samba, levado por Heitor dos Prazeres.

Bem falante e destacando-se sempre por sua elegância, no início da década de 1920 já freqüentava, no subúrbio de Osvaldo Cruz, a casa da baiana Ester Maria da Cruz, onde se realizavam festas de candomblé e rodas de samba.

Nos Carnavais dessa época, desfilava na Praça Onze, durante o dia no bloco Quem Fala de Nós Come Mosca, organizado por dona Ester, e, de noite no Baianinhas de Osvaldo Cruz, do qual era líder. Em 1923, da fusão desses dois blocos, surgiu o Vai Como Pode, cujo ponto de reunião era uma jaqueira que havia na Estrada da Portela.

Seu samba Quem espera sempre alcança foi lançado em disco Odeon, em 1932, por Mário Reis. Em 1934, já com muitos sambas divulgados na escola, participou como primeiro tesoureiro da União Geral das Escolas de Samba, a primeira associação criada para defender os interesses das escolas.

No ano seguinte, introduziu alegorias em sua escola, que tirou o primeiro lugar no desfile na Praça Onze, cantando o seu samba Guanabara, que, com o título modificado para Cidade-mulher, foi gravado 40 anos depois por Alcides Lopes, no LP Portela, da serie Histórias das escolas de samba, da gravadora Marcus Pereira.

A partir de 1935, a Vai Como Pode passou a ser chamada G.R.E.S. da Portela, nome mais “respeitável”, sugerido por um delegado de polícia. No ano seguinte, foi eleito Cidadão Momo. Em 1937, teve seu samba Cantar para não chorar (com Heitor dos Prazeres), gravado por Carlos Galhardo, em disco Víctor.

Recebeu, ainda em 1937, o título de Cidadão Samba, dado pela União Geral das Escolas de Samba. Dois anos depois, a Portela venceu novamente o desfile das escolas com seu enredo Teste de samba. Juntamente com Cartola, trabalhou, em 1941, na Rádio Cruzeiro do Sul, fazendo o programa A Voz do Morro, no qual os dois compositores apresentavam sambas inéditos para os quais os ouvintes deveriam sugerir títulos.

Ainda em 1941, a Portela foi a vencedora do desfile de escolas de samba, com o seu samba Dez anos de glória (com Antônio Caetano), iniciando assim o período de ouro da escola, que seria campeã durante os sete anos seguintes. Ironicamente, esse foi o último ano em que desfilou pela Portela: desentendendo-se com a diretoria, transferiu-se para a escola de samba Lira do Amor, do subúrbio de Bento Ribeiro, onde passou a atuar como mestre de canto.

Em 1942, formou, com Cartola e Heitor dos Prazeres, o Grupo Carioca, trio que realizou apresentações em São Paulo SP, num programa da Rádio Cosmos. Nessa temporada na capital paulista, os três sambistas exibiram-se também individualmente, cantando em lugares públicos de diferentes bairros da cidade.

Depois de sua morte, os sambistas que conviveram com ele se encarregaram de transmitir seus sambas para as novas gerações e, assim, em 1965, o seu Pam-pam-pam-pam foi incluído no show Rosa de ouro, levado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, gravado no LP Rosa de ouro, da Odeon; seu partido-alto Cocoró foi interpretado pela Velha Guarda da Portela no LP Portela, passado de glória, lançado pela RGE em 1970; seu samba até então inédito, Quitandeiro, foi lançado em 1974 por Alvaiade, no LP Portela, da Marcus Pereira.

Além dessas gravações, foi também homenageado por outros compositores, em sambas como De Paulo da Portela a Paulinho da Viola (Francisco Santana e Monarco) e Passado de glória (de Monarco).

Obras

Cantar para não chorar (c/Heitor dos Prazeres), samba, 1937; Dez anos de glória (c/Antônio Caetano), samba, 1941; Guanabara (Cidade-mulher), samba, 1974; Quem espera sempre alcança, samba, 1932; Quitandeiro, samba, 1934.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

domingo, 30 de julho de 2006

O quitandeiro

O Quitandeiro (samba, 1976) - Paulo da Portela e Monarco - Interpretação: Beth Carvalho - Participação: Velha Guarda da Portela

CD Pagode De Mesa Ao Vivo / Título da música: O Quitandeiro / Monarco (Compositor) / Paulo da Portela (Compositor) / Beth Carvalho (Intérprete) / Velha Guarda da Portela (Partic.) / Gravadora: Universal Music / Ano: 1999 / Nº Álbum: 73145466812 / Faixa 17 / Gênero musical: Samba.


Intro: C C5+ 

C          A7                Dm 
Quitandeiro, leva cheiro e tomate 
                 G7                          C     G7 
Na casa do Chocolate , que hoje vai ter macarrão 
C            A7        Dm                    G7 
Prepara a barriga macacada, que a bóia tá enfezada  
                 C ^^    A7   ^^   Dm   ^^   G7 
E o pagode fica bom, fica bom, fica bom, fica bom ... 
C       A7             Dm               G7    
Chega só 30 litros de Uca, para fechar a buduca  
              C7 
Desses nego beberrão, 
  F        Fm            Em          A7         Dm 
Chocolate tu avise a crioula, que carregue na cebola  
     G7           C       
E no queijo parmesão 
C               A7                  Dm               
É mas não esqueça de avisar a nega Estela 
                   G7                  C7 
Que o pessoal da Portela, vai cantar partido alto 
F           Fm      Em          A7 
Vai ter pagode até o dia amanhecer  
 Dm                     G7                    C 
Os versos de improviso serão de homenagem à você