domingo, 4 de junho de 2006

Argumento

Argumento (choro canção, 1959) - Adelino Moreira - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Argumento / Adelino Moreira (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Conjunto (Acompanhamento) / Gravadora: RCA Victor / Número do Álbum: 802123 / Data de Gravação: 18/08/1959 / Data de Lançamento: 11/1959 / Lado B / Gênero musical: Choro canção.


Tom: Am
Am               E7            Am
Sei que este argumento é muito pobre
E7                Am
Mas sabendo o quanto és nobre
E7
Sei que podes perdoar

Sei que este farrapo de desculpa
Não redime a minha culpa
Am   E7
Mas enfim, eu vou tentar
Am            E7          Am
Sei que fui ousado no meu gesto
E7             A7
Não ouvindo o teu protesto
Dm
Para ouvir meu coração
Am
Sei que uma desculpa não redime
F
Meu pecado quase crime
E7              A   E7
De um beijo sem permissão
A                         E7
Mas se fui pecador, condeno a lua
D
Que abandonou a rua
A
E fugiu com o luar
E7                      A
Pois ela adivinhando o meu desejo
Ab7
Provocou aquele beijo
C#m   E7
E assim me fez pecar
A                     E7
Se impetuoso fui tem compaixão
D                     A   A7
E em nome do amor, suplico o teu perdão
D                   A
Perdoa meu amor este pecado
F#7    Bm            E7     A
Sublime impulso te de haver beijado 

Apelo

Elizeth Cardoso
Pertencendo, como foi dito, à linha chopiniana adotada por Tom Jobim em “Insensatez” e “Retrato em Branco e Preto”, “Apelo” é um dos maiores sucessos da dupla Baden Powell-Vinícius de Moraes. Sucesso que, pode-se afirmar, se deve em boa parte à bela melodia de Baden, superior à letra de Vinícius (“Ah! Meu amor não vás embora / vê a vida como chora / vê que triste esta canção...”), romântica, bem construída, mas sem o brilho de tantas outras desse período de produção intensa, em que ele abasteceu repertórios de vários parceiros.

Lançado por Sílvio Aleixo no início de 66, “Apelo” ganhou nesse ano gravações memoráveis como a de Elizeth Cardoso, dramática, densa, emocionada, a de Dóris Monteiro, tranqüila, intimista, ou a do próprio Baden, um primor de sensibilidade e técnica violonística (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Apelo (samba, 1966) - Baden Powell e Vinícius de Moraes - Interpretação: Elizeth Cardoso

LP Muito Elizeth / Título da música: Apelo / Baden Powell (Compositor) / Vinicius de Moraes (Compositor) / Elizeth Cardoso (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1966 / Álbum: CLP 11483 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.

Em7                   D#m5+/6
Ah, meu amor não vá embora
                 Dm6                       Am7  E5+/7
Vê a vida como chora, vê que triste esta canção
Am7         B7/9-          Em7
Não, eu te peço não te ausentes
       Dm6            C7+            F7+        B4/7 B7
Pois a dor que agora sentes só se esquece no perdão
Em7                   D#m5+/6
Ah, minha amada me perdoa
                     Dm6      E7          Am7 E5+/7
Pois embora ainda te doa a tristeza que causei
Am7      A#°         Em7            C7+           F#m5-/7
Eu te suplico não destruas tantas coisas que são tuas
      B7               Em7  B7
Por um mal que eu já paguei
Em7                    D#m5+/6
Ah, minha amada se soubesses
                        Dm6
Da tristeza que há nas preces
                     Am7 E5+/7
Que a chorar te faço eu
Am7      B7/9-        Em7    Dm6        C7+
Se tu soubesses num momento todo arrependimento
     F7+         B4/7 B7
Como tudo entristeceu
 Em7                     D#m5+/6
Se tu soubesses como é triste
                  Dm6
Em saber que tu partiste
                   Am7 E5+/7
Sem sequer dizer adeus
Am7   A#°           Em7
Ah, meu amor tu voltarias
     C7+      F#m5-/7
E de novo cairias
    B7               Em7
A chorar nos braços meus

As rosas não falam


A história de “As Rosas Não Falam” começou numa tarde de 1975 em que o compositor Nuno Veloso apanhou Cartola e sua mulher Zica para um passeio na Barra da Tijuca, onde pretendia visitar Baden Powell. Não tendo encontrado a casa do violonista, Nuno resolveu aproveitar a viagem para passar numa floricultura e comprar para Zica umas mudas de roseira que lhe havia prometido.

Tempos depois, flores desabrochadas dessas roseiras provocariam a indagação entusiástica de Zica (“Como é possível, Cartola, tantas rosas assim?...”) e a resposta desinteressada de Cartola (“Não sei. As rosas não falam...”), que ele acabaria aproveitando como mote para a canção: “Queixo-me às rosas / mas que bobagem, as rosas não falam / simplesmente as rosas exalam / o perfume que roubam de ti...”

Composta quando o autor completava 67 anos, “As Rosas Não Falam” foi lançada em 1976, num elepê notável, produzido por Juarez Barroso, o segundo de Cartola na gravadora Marcus Pereira. Neste álbum ele apresentava outras inéditas como a também obra-prima “O Mundo É um Moinho”.

Além da delicadeza e do requinte, o que espanta nessas duas músicas é o fato de terem sido criadas pelo compositor numa idade em que a maioria das pessoas já se encontra aposentada, sem muita coisa a oferecer. Cartola é um caso especial em nossa música popular. Homem de origem e vida modestíssimas era, ao mesmo tempo, o poeta/compositor sofisticado. Pena que somente nos últimos anos de vida tenha conseguido gravar a maior parte de sua obra (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

As Rosas Não Falam (1976) - Cartola - Intérprete: Cartola

LP Cartola II / Título da música: As Rosas Não Falam / Cartola (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1976 / Nº Álbum: MPL 9325 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom:Em
Introd.: Em Am Bbº B7 Em Am B7 Em F#7 Am B7 Em 
         E7 Am Bº Em F#7 Am B7 Em Am Bbº B7 Em   
Em
Bate outra vez
                F#7
Com esperanças o meu coração
                   Am        B7
Pois já vai terminando o verão
   Em    Am     B7
Emfim

Em
Volto ao jardim
                     F#7
Com a certeza de que devo chorar
                       Am
Pois bem sei que não queres voltar
B7      Em      E7
  Para mim

   Am                        B7
Queixo-me as rosas mas que bobagem
    Em
As rosas não falam
                Bbº
Simplesmente as rosas exalam
               Am           B7
O perfume que roubam de ti

      Em    
Devias   vir
                 Am
Para ver os meus olhos tristonhos
              Bbº
E quem sabe sonhavas meus sonhos
B7  Em
Por fim

A noite do meu bem

Dolores Duran
Uma obra-prima do repertório romântico, “A Noite do Meu Bem” é o maior sucesso de Dolores Duran. Num ensaio para a série “História da Música Popular Brasileira”, a ensaísta Marilena Chauí comenta: “Dolores convoca na canção o universo para a sua noite como se a ela própria tudo faltasse para enfeitar a chegada desse bem tão demorado.”

É um primor de poema, cheio de feminilidade. Poucas vezes em nossas canções encontram-se imagens da beleza e originalidade de “paz de criança dormindo”, “abandono de flores se abrindo”, “alegria de um barco voltando”. “A Noite do Meu Bem” foi lançada em setembro de 1959 por Dolores, que não teve a oportunidade e conhecer-lhe o sucesso, pois morreu no mês seguinte. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

A noite do meu bem (samba-canção, 1959) - Dolores Duran


Am                A7                  Dm
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
        E7               Am           Dm
E a primeira estrela que vier para enfeitar
               E7
a noite do meu bem


Am             A7                Dm
Hoje eu quero paz de criança dormindo
         E7                 Am
E o abandono de flores se abrindo
          Dm                 E7      A7
Para enfeitar a noite do meu bem


Dm          G7                 C
Quero a alegria de um barco voltando
          A7                     Dm
Quero ternura de mãos se encontrando
          G7                  C      E7
Para enfeitar a noite do meu bem


Am               A7                  Dm
Ah, eu quero o amor, o amor mais profundo
          E7             Am            Dm  
Eu quero toda beleza do mundo para enfeitar
               E7       A7
a noite do meu bem


Dm          G7                 C
Quero a alegria de um barco voltando
          A7                     Dm
Quero ternura de mãos se encontrando
          G7                  C      E7
Para enfeitar a noite do meu bem


Am             A7             Dm
Ah, como esse bem demorou a chegar
           E7              Am
Eu já nem sei se terei no olhar
        Dm       E7       F    Am
Toda pureza que quero lhe dar