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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Luís de Souza

Luís de Sousa (Joaquim Luís de Sousa - 1865 / 1920 - Rio de Janeiro, RJ), compositor, instrumentista e pistonista, começou a estudar trompete no Ceará, com o mestre de banda Soares Barbosa, e chegou a ser contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores de Fortaleza (CE).

Por volta de 1904, frequentava a casa Cavaquinho de Ouro, na Rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro onde era acompanheiro de importantes chorões da época como Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Juca Kalut, e outros. Foi integrante do famoso Rancho Ameno Resedá. Foi diretor do Grupo Luís de Sousa, conjunto instrumental que gravou vários discos pela Odeon no começo do século passado.

Por volta de 1905, sua valsa Clélia, ainda sem a letra de Catulo da Paixão Cearense com a qual ficou conhecida, foi gravada na Odeon pela Banda da Casa Edson. Por volta de 1910, a mesma valsa foi gravada pela Banda da Casa Faulhaber & Cia. Recebeu ainda uma gravação da Banda da Força Policial em disco Columbia.

Por volta de 1907, a canção Missa de amor, com letra de Catulo da Paixão Cearense, foi gravada na Odeon pelo cantor Mário Pinheiro. Por essa época, fez várias gravações na Odeon com seu grupo incluindo o xote Nair, de Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira, além de choros e valsas como A mulata e Iluminada, provavelmente de sua autoria já que não havia qualquer indicação de autores nos selos dos discos. Por essa época, sua valsa Clélia com letra de Catulo da Paixão Cearense, tornou-se a modinha Ao desfraldar da vela sendo gravada na Odeon por Mário Pinheiro.

Em 1913, voltou a gravar com seu grupo registrando os xotes Mercedes, de Luiz Faria, e Meu ideal, de Irineu de Almeida. Dirigiu também o Quarteto Luis de Souza que ainda em 1913, gravou a valsa Guiomar e as polcas Angelina e Enedina, de Artur Ayrão. Gravou também com seu grupo pela Columbia registrando a polca Isto não é vida, de Felisberto Marques, a valsa O regato, de Catulo da Paixão Cearense, as polcas Amenade e Jurandi, de Albertino Pimentel, e a valsa Em ti pensando, de J. Belizário.

Sobre ele, assim escreveu Alexandre Gonçalves Pinto:

"Pistom dos mais chorões que até hoje ainda ocupa o primeiro lugar entre todos os chorões. O seu pistom tinha a magia das grandes melodias, tocava com sentimento e perfeição de um sopro e mecanismo que só ele possuía, por isso era muito distinguido".

Já Catulo da Paixão Cearense assim o descreveu:

"Foi o mais gigantesco e mimoso pistonista que tive a glória de ouvir até o momento em que escrevo estas linhas. Anacleto de Medeiros no saxofone, Irineu de Almeida, oficlide, Lica, no bombardino, Pedro Augusto, no clarinete; e Luís de Sousa, no pistom, em uma serenata plenilunar, era a maior homenagem que a noite poderia receber de corações humanos."

Obras

Ao desfraldar da vela (c/ Catulo da Paixão Cearense); Carroca; Clélia (c/ Catulo da Paixão Cearense); Georgina; Mimo; Missa de amor (c/ Catulo da Paixão Cearense).

Fontes: Enciclopédia Crevo Albin da MPB; O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto).

sábado, 18 de março de 2006

Clélia (Ao desfraldar da vela)

A valsa Clélia é um clássico do repertório seresteiro de nossa música. Considerado um dos maiores trompetistas de sua época, o autor, Luiz de Souza (RJ, 12/03/1865 / 08/12/1920), também conhecido como Souza Pistom, iniciou os estudos de trompete com José Soares Barbosa, autor da famosa polca Que é da chave?. Mais tarde chegou a contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, CE.

No Rio de Janeiro, aperfeiçoou-se na Banda do Arsenal de Guerra e fez parte, ao lado de Albertino Pimentel (Carramona), da primeira formação da Banda do Corpo de Bombeiros sob a regência de Anacleto de Medeiros. Foi integrante de orquestras de cinematógrafos, além de fazer parte do rancho Ameno Resedá. Frequentou, no início do século, a loja de música O Cavaquinho de Ouro, ponto de encontro de chorões como Quincas Laranjeiras, Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Villa-Lobos, entre outros. Gravou alguns discos com músicas de sua autoria para a Casa Edison, como líder do Grupo Luiz de Souza.

A valsa Clélia foi gravada pela Banda da Casa Edison, pela Banda da Casa Faulhaber e pelo cantor Mário Pinheiro, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e reintitulada Ao desfraldar da vela. Parte da programação da Rádio Nacional, nos anos 1940, a valsa recebeu arranjos para orquestra escritos por Radamés Gnattali e Alexandre Gnattali. De 1947 a 1952 o trecho inicial da valsa era executado semanalmente, fazendo parte do prefixo do programa O pessoal da velha guarda, produzido por Almirante na Rádio Tupi, com direção musical de Pixinguinha, com o intuito de valorizar a memória musical brasileira. As partituras desses arranjos se encontram digitalizadas e podem ser consultadas no acervo do Museu da Imagem e do Som.

Clélia (Ao desfraldar da vela) (valsa, 1907) - Catulo da Paixão Cearense e Luiz de Souza - Interpretação: Gilberto Alves

LP Os Ídolos Do Rádio Vol. IX - Gilberto Alves / Título da música: Clélia (Ao Desfraldar da Vela) / Luís de Souza (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Collector's / Álbum: S/nº / Ano: 1989 / Tracklist: A4 / Gênero musical: Valsa / Obs.: Gravações recuperadas de acetato radiofônico, realizadas ao vivo na Rádio Tupi - Rio de Janeiro, entre 1947 e 1952, e inéditas em disco.



Clélia adeus! / Adeus, minha doce Clélia adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Clélia, ó vem!
Adeus, vou me separar de ti / Vem. Ó vem meu bem!
Vem ouvir-me aqui

Vou singrar a vastidão do mar / A imensidão do mar, do mar
Vou cantar a minha dor / Sob este céu primaveril
Clélia, adeus! / Que o céu é todo puro anil, gentil
Beija a lua o verde mar / Na areia a se enrolar


Ai, que lancinante é o meu sofrer! 
Ai, pensar em nunca mais te ver!
Ó, são horas de partir meus ais! / A vela a desfraldar
Pede um sorrir, um teu olhar
Ó vem, ó minha Clélia, adeus!
Vai meu coração em chaga / De vaga em vaga
À solidão do mar clamar

Clélia adeus! / Adeus, vem dizer-me o eterno adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Vem, ó vem!
Por Deus, vem me dar um beijo aqui
Vem, ó vem, Clélia meu bem! / Vem me ouvir aqui



Fonte: MIS Blog - A valsa Clélia, escrita por Luiz de Souza