sábado, 18 de março de 2006

Clélia (Ao desfraldar da vela)

A valsa Clélia é um clássico do repertório seresteiro de nossa música. Considerado um dos maiores trompetistas de sua época, o autor, Luiz de Souza (RJ, 12/03/1865 / 08/12/1920), também conhecido como Souza Pistom, iniciou os estudos de trompete com José Soares Barbosa, autor da famosa polca Que é da chave?. Mais tarde chegou a contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, CE.

No Rio de Janeiro, aperfeiçoou-se na Banda do Arsenal de Guerra e fez parte, ao lado de Albertino Pimentel (Carramona), da primeira formação da Banda do Corpo de Bombeiros sob a regência de Anacleto de Medeiros. Foi integrante de orquestras de cinematógrafos, além de fazer parte do rancho Ameno Resedá. Frequentou, no início do século, a loja de música O Cavaquinho de Ouro, ponto de encontro de chorões como Quincas Laranjeiras, Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Villa-Lobos, entre outros. Gravou alguns discos com músicas de sua autoria para a Casa Edison, como líder do Grupo Luiz de Souza.

A valsa Clélia foi gravada pela Banda da Casa Edison, pela Banda da Casa Faulhaber e pelo cantor Mário Pinheiro, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e reintitulada Ao desfraldar da vela. Parte da programação da Rádio Nacional, nos anos 1940, a valsa recebeu arranjos para orquestra escritos por Radamés Gnattali e Alexandre Gnattali. De 1947 a 1952 o trecho inicial da valsa era executado semanalmente, fazendo parte do prefixo do programa O pessoal da velha guarda, produzido por Almirante na Rádio Tupi, com direção musical de Pixinguinha, com o intuito de valorizar a memória musical brasileira. As partituras desses arranjos se encontram digitalizadas e podem ser consultadas no acervo do Museu da Imagem e do Som.

Clélia (Ao desfraldar da vela) (valsa, 1907) - Catulo da Paixão Cearense e Luiz de Souza - Interpretação: Gilberto Alves -

Clélia adeus! / Adeus, minha doce Clélia adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Clélia, ó vem!
Adeus, vou me separar de ti / Vem. Ó vem meu bem!
Vem ouvir-me aqui

Vou singrar a vastidão do mar / A imensidão do mar, do mar
Vou cantar a minha dor / Sob este céu primaveril
Clélia, adeus! / Que o céu é todo puro anil, gentil
Beija a lua o verde mar / Na areia a se enrolar


Ai, que lancinante é o meu sofrer! 
Ai, pensar em nunca mais te ver!
Ó, são horas de partir meus ais! / A vela a desfraldar
Pede um sorrir, um teu olhar
Ó vem, ó minha Clélia, adeus!
Vai meu coração em chaga / De vaga em vaga
À solidão do mar clamar

Clélia adeus! / Adeus, vem dizer-me o eterno adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Vem, ó vem!
Por Deus, vem me dar um beijo aqui
Vem, ó vem, Clélia meu bem! / Vem me ouvir aqui



Fonte: MIS Blog - A valsa Clélia, escrita por Luiz de Souza

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