quinta-feira, 6 de abril de 2006

Jorge Faraj

Jorge Vidal Faraj, compositor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 9/7/1901 e faleceu em 14/6/1963. Filho de imigrantes libaneses, donos de um armarinho no bairro de Botafogo, começou a trabalhar aos 14 anos de idade. Foi aprendiz de torneiro mecânico no Arsenal da Marinha e depois numa fábrica de tecidos, de onde saiu para trabalhar como mecânico de automóveis.

Gostava muito de literatura e aos 18 anos escreveu seus primeiros versos, o soneto Brinde. Um ano depois deixou a profissão de mecânico e fundou, com amigos do bairro, um jornal semanário, O Botafogo, onde era responsável pela seção de poesia.

Em 1922 foi servir no Exército, sendo logo depois, como sargento, transferido para Mato Grosso. Em Campo Grande MT, um coronel convidou-o, em 1928, para dirigir o Diário do Estado, função que exerceu por dois anos, ao mesmo tempo em que publicava seu próprio semanário, O Chicote. Retornou ao Rio de Janeiro em 1930 e três anos depois viveu sua única experiência teatral, escrevendo e atuando na peça carnavalesca Bom-bocado, que estreou no Cassino Beira-Mar, em janeiro de 1934.

No mesmo ano foi repórter e redator no jornal popular O Avante e conheceu num café o compositor e flautista Benedito Lacerda. Ali o músico mostrou-lhe uma valsa, e ele fez a letra de Lela, gravada depois por Jaime Vogeler, na Odeon, e que iniciou uma parceria de muitos sucessos. Um ano depois, já como secretário de O Avante, compôs, com Benedito Lacerda, O telefone do amor, que Sílvio Caldas gravou na Odeon.

Em 1936 Francisco Alves, co-autor da música, gravou Tu deves ser das tais, na Victor. No mesmo ano, Carlos Galhardo gravou a valsa Apenas tu (com Roberto Martins) na Odeon. Depois desses sucessos, no ano seguinte fez a letra para o samba-canção de Roberto Martins Menos eu, gravado por Sílvio Caldas na Odeon, e, com Benedito Lacerda, a valsa É quase felicidade e o samba E a saudade ficou, gravados por Carlos Galhardo na Odeon. Também com Benedito Lacerda fez naquele ano Amor por correspondência, que Nuno Roland gravou na Odeon.

Ainda em 1937 lançou outro sucesso, com música de Ataulfo Alves, Rainha da beleza, gravado por Orlando Silva na Victor. A este seguiram-se novos destaques, em 1938, como as valsas feitas em parceria com Benedito Lacerda, Rosário de lágrimas, gravada por Nuno Roland na Odeon, e Meu coração a teus pés, que Orlando Silva gravou na Victor. Ainda em 1938, Carlos Galhardo gravou, também na Victor, a batucada Mania de quem ama (com Augusto Garcez).

No ano seguinte Sílvio Caldas gravou, com grande sucesso, Deusa da minha rua (com Newton Teixeira), cuja letra pode ser citada como exemplo de sua melhor poesia. Em 1940 seu samba (com música de Custódio Mesquita) Preto velho foi gravado com grande sucesso por Sílvio Caldas. No ano seguinte o samba Eu trabalhei (com Roberto Roberti) fez sucesso no Carnaval.

Sempre dividiu suas atividades de letrista com a de jornalista, tendo trabalhado em A Gazeta de Notícias, A Nota, O Mundo e Mundo Ilustrado, entre outros periódicos. Foi sócio fundador da UBC e em 1944 participou da criação da SBACEM. A partir de 1958 foi inspetor da SBACEM, SADEMBRA e SBAT no Norte e Nordeste do país, e, de 1960 a 1962, conselheiro da SBACEM. Morreu no Hospital da Curicica, Rio de Janeiro.

Algumas músicas

A alma do tutu
A beleza dos meus olhos
Abre alas
Amor por correspondência
Apenas tu
Datilógrafa
Deusa da minha rua
Eu trabalhei
Judia rara
Menos eu
Meu coração a teus pés
Não troquemos de mal
Preto velho
Professora
Rainha da beleza

Obra completa

Abana baiana (c/Roberto Roberti e César Brasil), samba, 1941; Abre alas (c/J. Piedade), marcha, 1940; A alma do tatu (c/Gastão Viana e Roberto Roberti), samba, 1946; Amor por correspondência (c/Benedito Lacerda), samba, 1937; Andorinha do amor (c/J. Batista), marcha, 1952; Apenas tu (c/Roberto Martins), valsa, 1936; Aquela casa discreta (c/Newton Teixeira), valsa, 1942; Arlequim (c/Rubens Soares e Nelson Gonçalves), marcha-rancho, 1958; Bela como as flores (c/Cesar Brasil), samba-canção, s.d.; A beleza dos teus olhos (c/Frazão), samba, 1950; Bem boa (c/Roberto Martins), samba, 1939; Cadê arlequim (c/Roberto Martins), marcha, s.d.; Café da amargura (c/Erasmo Silva), samba-canção, 1953; Cara bem boa (c/Benedito Lacerda), marcha, 1936; Casa, casa, viúvinha (c/Humberto Porto), marcha, 1941; Coitadinho de mim (c/J. Batista), samba, 1942; Dança, mas nao encosta (c/Roberto Roberti), samba, 1941; Datilógrafa (c/ Nelson Batista), samba-canção, 1953; De qualquer cor (c/E. Santo), samba, 1957; Deusa da minha rua (c/Newton Teixeira), valsa, 1939; Doce mentira (c/Aristeu Queirós e José Batista), bolero, 1952; Duas janelas (c/Nilson Batista), samba, 1942; Duas sombras (c/Roberto Martins), valsa, 1939; E a saudade ficou (c/Benedito Lacerda), samba, 1937; É quase felicidade (c/Benedito Lacerda), valsa, 1937; Eu trabalhei (c/Roberto Roberti), samba, 1941; Formosa mulher (c/Kid Pepe), samba, 1937; Garota do dancing (c/Alberto Ribeiro), samba-canção, 1939; Ísis (c/Benedito Lacerda), valsa, 1935; Judia rara (c/Roberto Martins), samba, s.d.; Lela (c/Benedito Lacerda), valsa, 1937; Língua comprida (c/lsaias Ferreira e Alberto Jesus), marcha, s.d.; Mania de quem ama (c/Augusto Garcez), batucada, 1938; Menos eu (c/Roberto Martins), samba-canção, 1937; Mentira carioca (c/César Brasil), marcha, 1939; Meu coração a teus pés (c/Benedito Lacerda), valsa, 1938; Meu segredo (Roberto Martins), samba, s.d.; Mil corações (c/Ataulfo Alves), valsa, 1938; Moleque teimoso (c/Roberto Martins), chorinho, 1939; Não devemos fingir (c/José Batista), samba, 1953; Não troquemos de mal (c/R. Brito), fox trot, 1943; Nunca mais (c/Roberto Martins), samba, 1937; Onde está meu pensamento (c/Antônio Almeida), samba, 1943; Onde estás, primavera? (c/Newton Teixeira), valsa, 1941; Palhaço tem a sua vez (c/Benedito Lacerda), marcha, 1937; Pobreza não é defeito (c/Antônio Almeida), batucada, 1942; Preto velho (c/Custódio Mesquita), samba, 1940; Primavera, primavera (c/Ronaldo Lupo), samba, s.d.; Professora (c/Benedito Lacerda), samba, 1938; Professora suburbana (c/Roberto Martins), samba, 1956; Quantos louros (c/Roberto Roberti e César Brasil), marcha, s.d.; Quantos somos (c/Arlindo Marques Júnior), marcha, 1941; Quem mandou, coração (c/Roberto Martins), samba, 1938; Rainha da beleza (c/Ataulfo Alves), samba, 1937; Rainha sem trono (c/Benedito Lacerda), samba, 1935; Rosário de lágrimas (c/Benedito Lacerda), valsa, 1938; O samba do assobio (c/Vicente Paiva e Roberto Roberti), s.d.; Sem saber onde estás (c/Ronaldo Lupo), samba-canção, s.d.; Sol e chuva (c/Roberto Martins), valsa, 1942; Stella (c/Roberto Martins), samba, 1951; O telefone do amor (c/Benedito Lacerda), samba, 1935; Terceira valsa de amor (c/Roberto Martins), 1938; Tico-tico de campina (c/Roberto Martins), samba, s.d.; Trabalhei (c/Roberto Martins), marcha, s.d.; Tu deves ser das tais (c/Frandisco Alves), valsa, 1936; Último beijo (c/Roberto Martins), valsa, 1939; Vai cair (c/Benedito Lacerda), samba, s.d.; Vivo bem na minha terra (c/Gastão Viana), samba, 1941; A vontade do freguês (c/Malfitano), marcha, 1942.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

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