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domingo, 16 de outubro de 2022

Datilógrafa

Datilógrafa (samba-canção, 1953) - Jorge Faraj, Wilson Batista, Celso Cavalcanti e Flávio Cavalcanti - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título: Datilógrafa / Autoria: Faraj, Jorge (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Cavalcanti, Celso (Compositor) / Cavalcanti, Flávio (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor / Nº Álbum: 801182 / Matriz: BE3VB-0135 / Data da gravação: 25/05/1953 / Data de lançamento: Setembro/1953 / Lado A / Gênero musical: Samba.



De manhã no mesmo bonde / Você vem não sei de onde
Para o escritório cruel / Onde a máquina lhe espera
E você se desespera / Para dar vida ao papel

De manhã no mesmo bonde / Você vem não sei de onde
Para o escritório cruel / Onde a máquina lhe espera
E você se desespera / Para dar vida ao papel

Datilógrafa querida / Eu queria ser borracha
Pra seus erros apagar / Datilógrafa querida
Eu queria ser patrão / Pra você não trabalhar

Datilógrafa querida / Você tem na minha vida
Emprego de mais valor / Venha escrever eu lhe peço
Sem erro e sem retrocesso / A história do nosso amor

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

A beleza dos meus olhos

Nelson Gonçalves
A beleza dos meus olhos (samba, 1950) - Eratóstenes Frazão e Jorge Faraj - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: A beleza dos meus olhos / Autoria: Frazão, Eratostenes (Compositor) / Faraj, Jorge (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1950 / Nº Matriz: S 092692 / Nº Álbum: 800685 / Lado: B / Gênero musical: Samba


Sem conhecer o segredo
Que eu não revelo por medo
De revelar minha dor
Na minha vida as mulheres
Interrogam mal-me-queres
Desfolham rosas de amor

Sem conhecer o meu pranto
Dizem elas que há um encanto
Estranho no meu olhar
No meu olhar de apaisagem
Onde o sorriso imagem
Ò Santa do meu altar

Essa beleza esquisita
Que existe nos olhos meus
É a saudade bendita
Que ficou dos olhos teus
E vivem toda sonhando
Meus olhos a namorar
Sem saber que estão amando
Teu olhar no meu olhar

Sem conhecer o meu pranto
Dizem elas que há um encanto
Estranho no meu olhar
No meu olhar de apaisagem
Onde o sorriso imagem
Ò Santa do meu altar

A alma do tutu

Nelson Gonçalves
A alma do Tutu (samba, 1946) - Gastão Viana, Jorge Faraj e Roberto Roberti - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título: A alma do tutu / Autoria: Viana, Gastão (Compositor) / Faraj, Jorge (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Gonçalves, Nelson, 1919-1998 (Intérprete) / Imprenta[S.l.]: RCA Victor, 1946 / Nº Matriz: S-078550-1 / Nº Álbum: 800450 / Lado: B / Gênero: Samba


É isso mesmo, Iaiá
É isso mesmo
A alma do tutu é o torresmo

É isso mesmo, Iaiá
É isso mesmo
A alma do tutu é o torresmo

O tutu dos meus amores
De quem torço como que
Sem os beijos matadores
Da boquinha de você
Não há roda sem perfume
E nem há raio sem trovão
Não há amor sem ciúme
E nem há tutu sem feijão

É isso mesmo, Iaiá
É isso mesmo
A alma do tutu é o torresmo

É isso mesmo, Iaiá
É isso mesmo
A alma do tutu é o torresmo

terça-feira, 25 de março de 2008

Não troquemos de mal

Nilton Teixeira
Não troquemos de mal (fox, 1943) - Rubens Leal Brito e Jorge Faraj - Intérprete: Nilton Teixeira

Disco 78 rpm / Título: Não troquemos de mal / Jorge Faraj (Compositor) / Rubens Leal Brito (Compositor) / Nilton Teixeira (Intérprete) / Grande Conjunto de Benedito Lacerda / Gravadora: Columbia / Gravação: 20/04/1943 / Lançamento: 05/1943 / Nº do Álbum: 55433 / Nº da Matriz: 633-2-M / Gênero: Fox trot


Não devemos ocultar
Nosso grande amor chegou ao fim
Nada sou agora ao teu olhar
Nada agora és para mim.

Mas não pode o nosso amor

Terminar de um modo tão banal
Terminemos, sim, mas por favor
Não troquemos de mal.

Não sei bem se voltarás
Se voltarei não sei também
Nosso amor é bem capaz
De nos fazer trocar de bem



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Eu trabalhei

Orlando Silva
Eu trabalhei (samba/carnaval, 1941) - Roberto Roberti e Jorge Faraj - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Eu trabalhei / Jorge Faraj (Compositor) / Roberto Roberti (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 26/12/1940 / Lançamento: 02/1941 / Nº do Álbum: 34712 / Nº da Matriz: 52096 / Gênero musical: Samba


Eu hoje tenho
Tudo, tudo que um homem quer
Tenho dinheiro, automóvel e uma mulher
Mas pra chegar
Até o ponto em que cheguei
Eu trabalhei, trabalhei, trabalhei


Eu hoje sou feliz
E posso aconselhar
Quem faz o que eu já fiz
Só pode melhorar
E quem diz que o trabalho
Não dá camisa a ninguém
Não tem razão
Não tem, não tem
(*)

(*) Nota do blogueiro: Sambinha de carnaval encomendado pelo governo Vargas para "matar" a malandragem dos sambas de Sinhô e Noel Rosa ... imagine só!


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 16 de março de 2008

Professora

Sílvio Caldas
Professora (samba, 1938) - Benedito Lacerda e Jorge Faraj - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Professora / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Compositor) / Jorge Faraj (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 08/06/1937 / Lançamento: 06/1938 / Nº do Álbum: 11608 / Nº da Matriz: 5595 / Gênero: Samba / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eu a vejo todo o dia
Quando o sol mal principia
A cidade iluminar
Eu venho da boemia
E ela vai, quanta ironia
Pra escola trabalhar.


Cego de amor no seu rastro
Vagalume atrás do astro
Atrás dela eu tomo o trem
E no trem das professoras
Dentre outras, tão sedutoras
Eu não vejo mais ninguém.

Essa operária divina
Que lá no subúrbio ensina
As criancinhas a ler
Naturalmente condena
Na sua vida serena
O meu modo de viver.

Condena porque não sabe
Que toda a culpa lhe cabe
De eu viver ao deus-dará.

Menino querendo ser
Pra com ela aprender
Novamente a bê-a-bá.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Judia rara

Moreira da Silva - 1938
De origem humilde, as polacas trabalhavam quase sempre no baixo meretrício - locais de prostituição frequentados por quem tinha poucos recursos. Nos cabarés e bordéis de luxo, a soberania era das francesas, que exerciam na época grande fascínio no imaginário masculino. Atentas a esse fato, algumas judias aprendiam palavras em francês para tentar melhorar de vida.

Motorista de lotação e sambista, o cantor Moreira da Silva namorou por 18 anos uma polaca: a russa Estera Gladkowicer, que chegou ao Brasil com 20 anos em 1927, foi dona de bordel no Mangue e se matou em 68, ingerindo barbitúricos.

Para ela, Moreira compôs Judia Rara: "A rosa não se compara / A essa judia rara / Criada no meu país / Rosa de amor sem espinhos / Diz que são meus seus carinhos / E eu sou um homem feliz" (Fonte: Homenagens em músicas e poemas - Aventuras na História ).

Judia Rara (samba, 1964) - Jorge Faraj e Moreira da Silva - Intérprete: Moreira da Silva

LP Moreira da Silva - Morengueira 64 / Título da música: Judia rara / Jorge Faraj (Compositor) / Moreira da Silva (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1964 / Nº Álbum: MOFB 3385 / Lado B / Faixa 9 / Gênero musical: Samba.


Tom: C

Introd.: Dm   Am   E7   A7   Dm   Am   F7   E7   Am   

Bm7/5b    E7       Am   
A rosa não se compara   
A7         Dm   
A essa judia rara   
E7             Am     A7   
Criada no meu país   (virada)   
Dm                  C   
Rosa de amor sem espinhos   
C7                      Dm7   
Diz que são meus seus carinhos   
Bm7/5b       E7     Am   
E eu sou um homem feliz   
G7               C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                   Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7             C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                   Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Ebm torno dela a bailar.   
G7                C   
Nos olhos dessa judia,   
F7                Am   
Cheios de amor e poesia,   
Dm7                  Am   
Dorme o mistério da noite,   
E7                  Am   
Brilha o milagre do dia.   
G7            C   
A sua boca vermelha   
G7     F7      Am   
É uma flor singular.   
Dm7                  Am   
E o meu desejo, uma abelha   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar   
Bm7/5b   E7       Am   
Em torno dela a bailar. 

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Preto velho

Custódio Mesquita
Preto Velho (samba-canção, 1940) - Jorge Faraj e Custódio Mesquita - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Preto velho / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Faraj, Jorge (Compositor) / Caldas, Sílvio (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1940 / Nº Álbum 34610 / Lado B / Gênero musical: Samba canção.



Preto velho,
Quando a sua sombra passa
Todo mundo faz chalaça,
Dá vaia, debocha e ri
Sem saber que você ( quanta saudade ! )
Estragou a mocidade
Combatendo em Tuiutí...

Ninguém sabe
Que você perdeu um braço
E arranjou este cansaço,
Brigando em Humaitá...

Quem me dera
Preto-Velho que eu pudesse
Dar-lhe o que você merece
E que a vida não quis dar...

Preto-Velho,
Que brigou no Paraguay
E agora, rolando vai,
Pela vida, ao Deus dará...

Preto-Velho
Quem me dera, Preto-Velho, que eu pudesse
Dar-lhe o que você merece,
E que a vida, não lhe quis dar!

Meu coração a teus pés

Orlando Silva
Meu coração a teus pés (valsa, 1938) - Benedito Lacerda e Jorge Faraj - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Meu coração a teus pés / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Compositor) / Jorge Faraj (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 26/08/1938 / Lançamento: 10/1938 / Nº do Álbum: 34366 / Nº da Matriz: 80881-2 / Gênero musical: Valsa


Ouvi dizer que perdida
Nos pantanais desta vida
Dás a todos o seu amor
Vi um sorriso de malícia
De quem me deu a notícia
Multiplicou minha dor
Mentira, gritou no peito
Meu coração contrafeito
Mentira não pode ser
E eu andei por toda a parte
Dentro da noite a buscar-te
Querendo ver para crer.


No cabaré que fulgia
Teu corpo se oferecia
Aos olhos da multidão
Soluçando com revolta
Por desejar tua volta
Entrei, também no leilão
Desceste muito, entretanto
Por teu amor desci tanto
E sabendo quem tu és
A minh'alma te deseja
E o meu coração rasteja
Louco de amor, a teus pés!...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Rainha da beleza

Ataulfo Alves
Rainha da Beleza (samba,1937) - Ataulfo Alves e Jorge Faraj - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Rainha da Beleza / Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Faraj, Jorge (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 / Nº Álbum 34189 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Essa tua formosura
Ó vaidosa criatura
Algum dia vai findar
( vai findar )
E acabada, envelhecida,
No crepúsculo da vida
Sem conforto, vais chorar,
( vais chorar )

Com as tuas mãos mimosas
Hoje vais colhendo rosas
A gargalhar...
Sem saber que os espinhos
Florescem pelos caminhos
Por onde hás de voltar...

Quando tua realeza
Ó rainha da beleza,
Chegar ao fim
Hás de lembrar, com saudade,
A nossa felicidade,
E então pensarás em mim...

Amor por correspondência

Nuno Roland
Amor Por Correspondência (samba, 1937) - Jorge Faraj e Benedito Lacerda - Intérprete: Nuno Roland

Disco 78 rpm / Título: Amor Por Correspondência / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Compositor) / Faraj, Jorge (Compositor) / Roland, Nuno, 1913-1975 (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acompanhante) / Bountman, S (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 30/07/1937 / Nº Álbum 11514 / Lado A / Lançamento: Outubro/1937 / Gênero: Samba.



Ó mulher que eu não conheço
Porque pões meu endereço
Nas tuas cartas de amor
Se não és a criatura
Que eu adoro, com loucura
Deixa-me em paz, por favor

E se quem sabe tu fores
A deusa dos meus amores
A mulher do meu querer
Dispensa o carteiro amável
E vem, ó anjo adorável
Na minha porta bater

Suspende a correspondência
E vem na minha residência
Ocupar o teu lugar
Em vez de cartas, carinho
E flores, em vez de espinho
Eu tenho para te dar.

Menos eu

Sílvio Caldas
Menos eu (samba-canção, 1936) - Jorge Faraj e Roberto Martins - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Menos eu / Jorge Faraj (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 08/10/1936 / Lançamento: 11/1936 / Nº do Álbum: 11409 / Nº da Matriz: 5409 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: IMS, Nirez


Eras no morro a mais formosa flor
Todo mundo cantava, em teu louvor

Todo mundo, menos eu

Todo mundo colheu, a tremer de desejo
Entre a flor dos teus lábios, a flor do teu beijo
Todo mundo, menos eu

Tu fugiste depois pra cidade
A alegria do morro morreu
Todo mundo chorou de saudade
Todo mundo, menos eu

Entre as luzes fatais da cidade
A orgia cruel te envolveu
Todo mundo chorou de piedade
Todo mundo, menos eu

Mas um dia, na mesma paisagem
Outra flor a sorrir, floresceu
Todo mundo rendeu-lhe, homenagem
Todo mundo, menos eu

Teu olhar, tua voz envolvente
Teus cabelos e tudo que é teu
Todo mundo, esqueceu finalmente

Todo mundo, menos eu.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Apenas tu

Carlos Galhardo
Apenas Tu (valsa, 1936) - Jorge Faraj e Roberto Martins - Intérprete: Carlos Galhardo

Disco 78 rpm / Título da música: Apenas Tu / Faraj, Jorge (Compositor) / Martins, Roberto (Compositor) / Galhardo, Carlos, 1913-1985 (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1936 / Nº Álbum 11389 / Lado B / Gênero musical: Valsa.



Pelos jardins fatais do amor
Em ânsias loucas
Desabrocham para mim
Formosas bocas
Bocas divinas eu beijei
Mas as mulheres que eu amei
Para a grandeza dos meus sonhos
Foram poucas...

No meu viver não foram mais
Do que o presente
Apenas tu, ficaste indefinidamente
Raio de sol a iluminar
Numa saudade singular
As minhas tristes noites de luar
Quando a luz dos teus olhos azuis
Inundou os meus olhos de luz

A aridez do meu triste caminho
Abriu-se em rosais sem espinho
O teu nome é uma terna canção
Que eu vivo a rezar bem baixinho
Oh, dona do meu coração !

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Deusa da minha rua

Jorge Faraj fez a letra
Na segunda metade dos anos trinta, o sucesso dos cantores românticos Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo - os chamados quatro grandes - estimulou o surgimento da maior safra de canções de amor de nossa música popular.

Composta a maioria na forma ternária, essas canções são a versão moderna da modinha tradicional. Um dos melhores frutos dessa safra é a valsa "Deusa da Minha Rua". Além de uma bela melodia de Newton Teixeira, a composição tem letra excepcional de Jorge Faraj.

Newton Teixeira
Poeta dos amores impossíveis, em que a mulher é sempre adorada à distância, ignorando ser objeto de uma paixão, Faraj realiza sua melhor letra nesta valsa. Depois de descrever o contraste entre a beleza da musa e a pobreza da rua, ele estabelece um poético jogo de imagens, comparando a poça d'água, que "transporta o céu para o chão", a seus próprios olhos, "espelhos de sua mágoa", que sonham com o olhar da mulher inatingível.

Mas essa obra-prima do romantismo que imperava na música da época deu trabalho para chegar ao disco, permanecendo inédita por três anos. Primeiro Faraj não aprovou a melodia, obrigando Newton Teixeira a refazê-la.

Depois foi Sílvio Caldas que, escolhido para interpretá-la, mostrou-se desinteressado, achando sempre uma desculpa para adiar a gravação. "Até que um dia - contou Newton ao pesquisador Lauro Gomes de Araújo - perdendo a paciência, tive que tirar o Sílvio de uma roda no Nice e praticamente arrastá-lo ao estúdio". Mas o importante é que o disco foi um sucesso, com ótima interpretação do cantor.

Deusa da minha rua (valsa, 1939) - Jorge Faraj e Newton Teixeira - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Deusa da minha rua / Jorge Faraj (Compositor) / Newton Teixeira (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 10/07/1939 / Lançamento: 09/1939 / Nº do Álbum: 34485 / Nº da Matriz: 33118-1 / Gênero musical: Valsa

G7+              Bm7     Am7               D7
A deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua
Am7      D7      G7+   D7       G7+        Em7
Costuma se embriagar / Nos seus olhos eu suponho
       D7               D/F#     Em7      A7     D7
Que o sol, num dourado sonho / Vai claridade buscar

G7+           Em7          Am7            Am7/G
Minha rua é sem graça / Mas quando por ela passa
Am7   D7          Do E7  Am7             Cm7
Seu vulto que me seduz  /  A ruazinha modesta
Bm7                E7     Am7       D7      G7+   B7
É uma paisagem de festa / É uma cascata de luz

Em         Em/D            Gb7           Am7
Na rua uma poça d’água / Espelho da minha mágoa
B7                                 Em    B7
Transporta o céu     /    Para o chão
            Em           Em/D
Tal qual o chão de minha vida
      B7+      Abm7           Dbm     Gb7       B7
Minh’alma comovida  /  O meu pobre coração

Em                Em/D          Gb7
Infeliz da minha mágoa /   Meus olhos
            Am7           B7          Do  E7
São poças d’água /  Sonhando com seu olhar
Am7      B7            Em              Em/D
Ela é tão rica e eu tão pobre/ Eu sou plebeu
           Gb7         C7      B7       Em
E ela é nobre  /  Não vale a pena  sonhar . . . 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Jorge Faraj

Jorge Vidal Faraj, compositor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 9/7/1901 e faleceu em 14/6/1963. Filho de imigrantes libaneses, donos de um armarinho no bairro de Botafogo, começou a trabalhar aos 14 anos de idade. Foi aprendiz de torneiro mecânico no Arsenal da Marinha e depois numa fábrica de tecidos, de onde saiu para trabalhar como mecânico de automóveis.


Gostava muito de literatura e aos 18 anos escreveu seus primeiros versos, o soneto Brinde. Um ano depois deixou a profissão de mecânico e fundou, com amigos do bairro, um jornal semanário, O Botafogo, onde era responsável pela seção de poesia.

Em 1922 foi servir no Exército, sendo logo depois, como sargento, transferido para Mato Grosso. Em Campo Grande MT, um coronel convidou-o, em 1928, para dirigir o Diário do Estado, função que exerceu por dois anos, ao mesmo tempo em que publicava seu próprio semanário, O Chicote. Retornou ao Rio de Janeiro em 1930 e três anos depois viveu sua única experiência teatral, escrevendo e atuando na peça carnavalesca Bom-bocado, que estreou no Cassino Beira-Mar, em janeiro de 1934.

No mesmo ano foi repórter e redator no jornal popular O Avante e conheceu num café o compositor e flautista Benedito Lacerda. Ali o músico mostrou-lhe uma valsa, e ele fez a letra de Lela, gravada depois por Jaime Vogeler, na Odeon, e que iniciou uma parceria de muitos sucessos. Um ano depois, já como secretário de O Avante, compôs, com Benedito Lacerda, O telefone do amor, que Sílvio Caldas gravou na Odeon.

Em 1936 Francisco Alves, co-autor da música, gravou Tu deves ser das tais, na Victor. No mesmo ano, Carlos Galhardo gravou a valsa Apenas tu (com Roberto Martins) na Odeon. Depois desses sucessos, no ano seguinte fez a letra para o samba-canção de Roberto Martins Menos eu, gravado por Sílvio Caldas na Odeon, e, com Benedito Lacerda, a valsa É quase felicidade e o samba E a saudade ficou, gravados por Carlos Galhardo na Odeon. Também com Benedito Lacerda fez naquele ano Amor por correspondência, que Nuno Roland gravou na Odeon.

Ainda em 1937 lançou outro sucesso, com música de Ataulfo Alves, Rainha da beleza, gravado por Orlando Silva na Victor. A este seguiram-se novos destaques, em 1938, como as valsas feitas em parceria com Benedito Lacerda, Rosário de lágrimas, gravada por Nuno Roland na Odeon, e Meu coração a teus pés, que Orlando Silva gravou na Victor. Ainda em 1938, Carlos Galhardo gravou, também na Victor, a batucada Mania de quem ama (com Augusto Garcez).

No ano seguinte Sílvio Caldas gravou, com grande sucesso, Deusa da minha rua (com Newton Teixeira), cuja letra pode ser citada como exemplo de sua melhor poesia. Em 1940 seu samba (com música de Custódio Mesquita) Preto velho foi gravado com grande sucesso por Sílvio Caldas. No ano seguinte o samba Eu trabalhei (com Roberto Roberti) fez sucesso no Carnaval.

Sempre dividiu suas atividades de letrista com a de jornalista, tendo trabalhado em A Gazeta de Notícias, A Nota, O Mundo e Mundo Ilustrado, entre outros periódicos. Foi sócio fundador da UBC e em 1944 participou da criação da SBACEM. A partir de 1958 foi inspetor da SBACEM, SADEMBRA e SBAT no Norte e Nordeste do país, e, de 1960 a 1962, conselheiro da SBACEM. Morreu no Hospital da Curicica, Rio de Janeiro.

Algumas músicas


Obra completa

Abana baiana (c/Roberto Roberti e César Brasil), samba, 1941; Abre alas (c/J. Piedade), marcha, 1940; A alma do tatu (c/Gastão Viana e Roberto Roberti), samba, 1946; Amor por correspondência (c/Benedito Lacerda), samba, 1937; Andorinha do amor (c/J. Batista), marcha, 1952; Apenas tu (c/Roberto Martins), valsa, 1936; Aquela casa discreta (c/Newton Teixeira), valsa, 1942; Arlequim (c/Rubens Soares e Nelson Gonçalves), marcha-rancho, 1958; Bela como as flores (c/Cesar Brasil), samba-canção, s.d.; A beleza dos teus olhos (c/Frazão), samba, 1950; Bem boa (c/Roberto Martins), samba, 1939; Cadê arlequim (c/Roberto Martins), marcha, s.d.; Café da amargura (c/Erasmo Silva), samba-canção, 1953; Cara bem boa (c/Benedito Lacerda), marcha, 1936; Casa, casa, viúvinha (c/Humberto Porto), marcha, 1941; Coitadinho de mim (c/J. Batista), samba, 1942; Dança, mas nao encosta (c/Roberto Roberti), samba, 1941; Datilógrafa (c/ Nelson Batista), samba-canção, 1953; De qualquer cor (c/E. Santo), samba, 1957; Deusa da minha rua (c/Newton Teixeira), valsa, 1939; Doce mentira (c/Aristeu Queirós e José Batista), bolero, 1952; Duas janelas (c/Nilson Batista), samba, 1942; Duas sombras (c/Roberto Martins), valsa, 1939; E a saudade ficou (c/Benedito Lacerda), samba, 1937; É quase felicidade (c/Benedito Lacerda), valsa, 1937; Eu trabalhei (c/Roberto Roberti), samba, 1941; Formosa mulher (c/Kid Pepe), samba, 1937; Garota do dancing (c/Alberto Ribeiro), samba-canção, 1939; Ísis (c/Benedito Lacerda), valsa, 1935; Judia rara (c/Roberto Martins), samba, s.d.; Lela (c/Benedito Lacerda), valsa, 1937; Língua comprida (c/lsaias Ferreira e Alberto Jesus), marcha, s.d.; Mania de quem ama (c/Augusto Garcez), batucada, 1938; Menos eu (c/Roberto Martins), samba-canção, 1937; Mentira carioca (c/César Brasil), marcha, 1939; Meu coração a teus pés (c/Benedito Lacerda), valsa, 1938; Meu segredo (Roberto Martins), samba, s.d.; Mil corações (c/Ataulfo Alves), valsa, 1938; Moleque teimoso (c/Roberto Martins), chorinho, 1939; Não devemos fingir (c/José Batista), samba, 1953; Não troquemos de mal (c/R. Brito), fox trot, 1943; Nunca mais (c/Roberto Martins), samba, 1937; Onde está meu pensamento (c/Antônio Almeida), samba, 1943; Onde estás, primavera? (c/Newton Teixeira), valsa, 1941; Palhaço tem a sua vez (c/Benedito Lacerda), marcha, 1937; Pobreza não é defeito (c/Antônio Almeida), batucada, 1942; Preto velho (c/Custódio Mesquita), samba, 1940; Primavera, primavera (c/Ronaldo Lupo), samba, s.d.; Professora (c/Benedito Lacerda), samba, 1938; Professora suburbana (c/Roberto Martins), samba, 1956; Quantos louros (c/Roberto Roberti e César Brasil), marcha, s.d.; Quantos somos (c/Arlindo Marques Júnior), marcha, 1941; Quem mandou, coração (c/Roberto Martins), samba, 1938; Rainha da beleza (c/Ataulfo Alves), samba, 1937; Rainha sem trono (c/Benedito Lacerda), samba, 1935; Rosário de lágrimas (c/Benedito Lacerda), valsa, 1938; O samba do assobio (c/Vicente Paiva e Roberto Roberti), s.d.; Sem saber onde estás (c/Ronaldo Lupo), samba-canção, s.d.; Sol e chuva (c/Roberto Martins), valsa, 1942; Stella (c/Roberto Martins), samba, 1951; O telefone do amor (c/Benedito Lacerda), samba, 1935; Terceira valsa de amor (c/Roberto Martins), 1938; Tico-tico de campina (c/Roberto Martins), samba, s.d.; Trabalhei (c/Roberto Martins), marcha, s.d.; Tu deves ser das tais (c/Frandisco Alves), valsa, 1936; Último beijo (c/Roberto Martins), valsa, 1939; Vai cair (c/Benedito Lacerda), samba, s.d.; Vivo bem na minha terra (c/Gastão Viana), samba, 1941; A vontade do freguês (c/Malfitano), marcha, 1942.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

quinta-feira, 23 de março de 2006

Ò abre alas

Continuava em moda no primeiro ano do século um repertório herdado de décadas anteriores, não se destacando uma só canção datada de 1901. São composições como As laranjas da Sabina, O gondoleiro do amor, Perdão Emília e uma marcha-rancho intitulada Ò abre alas, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899.

Esta despretensiosa marcha dedicada ao cordão Rosa de Ouro, tem todavia importância especial na obra de Chiquinha, pois lhe dá o pioneirismo da produção carnavalesca, antecipando-se em vinte anos à fixação do gênero. De acordo com Almirante, "Ò abre alas" foi a composição preferida dos foliões de 1901 e dos anos seguintes, até 1910 pelo menos.

Ò Abre Alas (marcha-rancho, 1901) - Chiquinha Gonzaga

Uma das primeiras gravações em 1911 pela Banda da Casa Edison:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Abre Alas / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Santos Bocot (Arranjo / Regência) / Banda da Casa Edison (Intérprete) / Nº do Álbum: 120174 / Nº da Matriz: Rx-1723 / Gravação: 19/Setembro/1911 / Lançamento: Fevereiro/1913 / Gênero musical: Dobrado / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Versão da marcha de J. Piedade e Jorge Faraj, na interpretação de Jaime Brito, lançada em dezembro de 1939 para o Carnaval de 1940:

Disco 78 rpm / Título da música: Abre Alas / J. Piedade (Compositor) / Jorge Faraj (Compositor) / Jaime Brito (Intérprete) / Orquestra Odeon, Simon Bountman (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum:11794-a / Nº da Matriz: 6204 / Gravação: 25/Setembro/1939 / Lançamento: Dezembro/1939 / Gênero musical: Marcha / Coleção de Origem: IMS, Nirez


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Ó Abre-Alas / Que eu quero passar / Ó Abre-Alas/ Que eu quero passar
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Eu sou da Lira não posso negar / Eu sou da Lira não posso negar
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Ò Abre-Alas que eu quero passar / Ó Abre-Alas que eu quero passar
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Rosa de Ouro é quem vai ganhar / Rosa de Ouro é quem vai ganhar



Fonte: Livro A Canção no Tempo - 85 anos de Música Brasileira Vol. 1: 1901-1957, 1a edição, 1997, editora 34