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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Osvaldo Molles

Osvaldo Molles (Santos, SP, 1913 - São Paulo, SP, 14/05/1967) aos 16 anos de idade iniciou sua carreira no jornalismo, trabalhando na redação do Diário Nacional e, em seguida, no São Paulo Jornal e no Correio Paulistano.

Viajou pelo interior do Brasil escrevendo reportagens sobre os nordestinos. Fixou residência em Salvador (BA), ocasião em que se juntou ao grupo fundador de O Estado da Bahia.

De volta a São Paulo, participou do lançamento da Rádio Tupi, iniciando sua carreira de grande sucesso na radiofonia nacional, que continuou crescente nas rádios Bandeirantes e Record.

Entre suas produções, podemos citar: História das Malocas, O crime não compensa e a História da literatura brasileira, levada ao ar durante dois anos consecutivos e que contou com a colaboração de Oswald de Andrade e Sérgio Milliet, dentre outros.

Como compositor fez, em parceria com Adoniran Barbosa e João B. dos Santos, o samba Conselho de mulher (1953); Tiro ao álvaro, com Adoniran; e em 1968 torna-se sucesso o samba Mulher, patrão e cachaça, feito também com Adoniran.

Inspirado em Saudosa Maloca, samba de Adoniran lançado pelos Demônios da Garoa em maio de 1955, Molles criou, na Rádio Record, o programa História das Malocas, onde Adoniran figurava como Charutinho, um negrinho malandro e boêmio, com sotaque italianizado dos paulistanos.

Gostava dos fraseados errados do companheiro, considerando-os a expressão do autêntico modo de falar do povo. E foi com a pretensão de aprofundar esse mergulho no espírito popular que Molles produziu esse programa. Sucesso absoluto, História das Malocas ficou no ar durante dez anos, de 1955 a 1965, chegando até a ser levado para a televisão.

Acompanhava de perto e incentivava todo o processo de criação de Adoniran Barbosa. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para o amigo e parceiro interpretar diversos tipos.

A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, Adoniran fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.

Na TV Record, produziu Gente que fala sozinho e outros sucessos, tendo sido agraciado, por onze anos consecutivos, com o Prêmio Roquete Pinto, além dos Prêmios Tupiniquim (4 vezes), Paulo Machado de Carvalho (melhor programador de 1959) , tendo sido condecorado com a Medalha de Ouro do Mérito Radiofônico. Com o roteiro do filme Simão, o caolho, obteve o Prêmio Governador do Estado de São Paulo e o Prêmio Saci.

Poeta, contista e romancista, conquistou o Prêmio Castro Alves e o Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, tendo suas crônicas publicadas nos jornais paulistanos O Tempo, Folha de São Paulo e Diário da Noite e na revista Manchete. Alguns críticos diziam ser ele o sucessor, na literatura paulista, de Antônio de Alcântara Machado.


Fontes: MPB Compositores - Adoniran Barbosa - Editora Globo; Piquenique Classe C - Boa Leitura Editora – São Paulo, sem data, pág. 345; Releituras.com.

sábado, 22 de julho de 2006

Tiro ao álvaro

Tiro Ao Álvaro (samba, 1982) - Adoniran Barbosa e Osvaldo Molles - Intérpretes: Adoniran Barbosa e Elis Regina

LP Vento De Maio / Título da música: Tiro Ao Álvaro / Adoniran Barbosa (Compositor) / Osvaldo Molles (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Adoniran Barbosa (Partic.) / Gravadora: EMI-Odeon / Ano: 1982 / Nº Álbum: 064 422925 / Lado A / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.


       A        F#7
De tanto levar
      Bm7
"frechada" do teu olhar
        Bm7/5-  E7
Meu peito      até
   A7+            Em7     A7
Parece sabe o que?
   D          G7
"táubua"
                Dbm7      F#7
De tiro ao "Álvaro"
           Bm7
Não tem mais
      E7    A7+             E7
Onde furar           (não tem mais)

A7           D
      Teu olhar mata mais
        E/Ab         C#m7
Que bala de carabina
           F#7            Bm7
Que veneno estricnina
       E7              Em7     A7
Que peixeira de baiano
     D              Ebº                  Dbm7
Teu olhar mata mais que atropelamento
               F#7             Bm7
De "automóver" mata mais
        E7            A7+     E7
Que bala de "revórver".

( D  D  F#  Bm7  E7  Em7  A7 )
( D  Dbm7  F#  Bm7  E7  A7+  E7/9+ )

Mulher, patrão e cachaça

Mulher, Patrão e Cachaça (samba) - Adoniran Barbosa e Osvaldo Molles - Interpretação: Demônios da Garoa

LP Ói Nóis Aqui Tra Veis / Título da música: Mulher, Patrão e Cachaça / Adoniran Barbosa (Compositor) / Osvaldo Moles (Compositor) / Demônios da Garoa (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Ano: 1969 / Nº Álbum: CMG 2535 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.


Gm       D        Gm          F°
Num barracão da favela do Vergueiro
G7                   Cm
Onde se guarda instrumento
A7   D7             Gm     D
Ali, nóis morava em três.
Gm                D           Gm       F°
Eu, Violão da Silveira, seu criado,
G7            Cm
Ela, Cuíca de Souza,
   A7                    D7    G7
E o Cavaquinho de Oliveira Penteado

Cm                 Gm                   A7
Quando o cavaco centrava e a cuíca soluçava
                   D7
Eu entrava de baixaria
Cm              Gm                 A7
E a ximangada samba, bebia, sacolejava
   D7            Gm   D7
Dia e noite, noite e dia.

Gm       D           Gm        F°
No barracão quando a gente batucava
G7           Cm
Essa Cuíca marvada
A7  D7       Gm     D7
Chorava como ela só
Gm                  D           Gm     F°
Pois ela gostava demais do meu hit
G7               Cm
E bem baixinho gemia
A7                         D7     G7
Gemia assim, como quem tem algum dodói

Cm                  Gm                       A7
Tudo aquilo era pra mim, gemia e me olhava assim
                     D7
Como quem diz: Alô, my boy
Cm            Gm                   A7
E eu como bom Violão carregava no bordão
D7           Gm    E7   A7   D
Caprichava o sol maior

G
Mas um dia, patrão, que horror
                                         D
Foi o rádio que anunciou com o fundo musical

Dona Cuíca de Souza
                                      G
Com Cavaco de Oliveira Penteado se casou

Me deu uma coisa na claquete
                               G7        C
Eu ia pegá o Cavaco e o Pandeiro me falou:

G
Não seja bobo não se escracha
                      D7
Mulher, patrão e cachaça
                       G   G7
Em qualquer canto se acha.
  C                         G
Não seja bobo não se escracha
                       D7
Mulher, patrão e cachaça
                          G
Em qualquer esquina se acha

Conselho de mulher


Progréssio (Conselho de Mulher) (1957) - Adoniran Barbosa, Osvaldo Molles e J. Belarmino dos Santos - Interpretações: Adoniran Barbosa - Demônios da Garoa

LP 10' Saudosa Maloca Com Os Demônios Da Garoa Nos Sambas De Adoniran Barbosa / Título da música: Progréssio (Conselho de Mulher) / Adoniran Barbosa (Compositor) / Osvaldo Molles (Compositor) / J. Belarmino dos Santos (Compositor) / Demônios da Garoa (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1957 / Nº Álbum: MODB 3065 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Samba.


Falado:

(C G7 F Dm F G C)
"Quando deus fez o homem,
Quis fazer um vagulino
que nunca tinha fome
E que tinha no destino,
Nunca pegar no batente
e viver forgadamente.
O homem era feliz
enquanto Deus assim quis.
Mas depois pegou Adão,
tirou uma costela e fez a mulher.
Deis di intão, o homem trabalha prela.
Mai daí, o homem reza todo dia uma oração.
Se quiser tirar de mim arguma coisa de bão,
Que me tire o trabaio. A muié não!".

C
Pogressio, pogressio.
G7              F                 Dm
Eu sempre iscuitei falar, que o pogressio vem do trabaio.
F          G                   C
Então amanhã cedo, nóis vai trabalhar. (2X)

Dm           G7          C
Quanto tempo nóis perdeu na boemia.
Am            Dm               G7          C
Sambando noite e dia, cortando uma rama sem parar.
F                                   Dm
Agora iscuitando o conselho das mulheres.
G7                C
Amanhã vou trabalhar, se deus quiser, mas deus não quer!

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Pafunça


Pafunça (1958) - Adoniran Barbosa e Oswaldo Moles - Intérprete: Demônios da Garoa

LP Pafunça / Título da música: Pafunça / Adoniram Barbosa (Compositor) / Oswaldo Moles (Compositor) / (Intérprete) / Gravadora: / Ano: 1959 / Nº Álbum: MOCB 3036 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: D  

Intro: Bm   Bm   Em   Em   Bm   F#7   Bm   G7   
      F#7   Bm   Bm   Em   Em   Bm   F#7   Bm

Bm         Em
Pafunça, Pafunça!
Em                  Bm
Pafunça, que pena, Pafunça,
            F#7            Bm        G7    F#7
Que nossa amizade virou bagunça.     (virada)
Bm         Em
Pafunça, Pafunça!
Em                        Bm
Pafunça, que pena, Pafunça,
            F#7            Bm
Que nossa amizade virou bagunça.
Bm                                            F#7
Pafunça acabou-se a sopa que tu dava pra eu morfar
F#7                                            Bm
Pafunça acabou-se as roupa que eu te dava pra lavar
                    B7                      Em
Hoje eu vivo no abandono, um vira-lata sem dono.
                    Bm            F#7        Bm        G7   F#7
E pra me judiar, Pafunça, nem meu nome tu pronunça     (virada)

Bm         Em
Pafunça, Pafunça!
Em                  Bm
Pafunça, que pena, Pafunça,
            F#7            Bm        G7    F#7
Que nossa amizade virou bagunça.     (virada)
Bm         Em
Pafunça, Pafunça!
Em                        Bm
Pafunça, que pena, Pafunça,
            F#7            Bm
Que nossa amizade virou bagunça.
Bm                                         F#7
O teu coração sem amor se esfriou, se desligou.
F#7                                Bm
Inté parece, Pafunça, aqueles alevador,
                         B7                     Em
Que está escrito  não fonunça  e a gente sobe a pé!
                    Bm    
E pra me judiar, Pafunça, 
        F#7        Bm        G7   F#7
 nem meu nome tú pronunça.    (virada)

( Bm   Bm   Em   Em   Bm   F#7   Bm   G7   
  F#7   Bm   Bm   Em   Em   Bm   F#7   Bm )
 
Ah! Que pena, Pafunça.