quarta-feira, 12 de abril de 2006

Elis Regina


Elis Regina Carvalho da Costa, cantora, nasceu em Porto Alegre-RS em 17/03/1945 e faleceu em São Paulo-SP no dia 19/01/1982. Fez o primário no grupo escolar Gonçalves Dias e o ginásio no Instituto de Educação General Flores da Cunha, da cidade natal. Aos 11 anos, apresentou-se na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, cantando no programa Clube do Guri.

Em 1959 foi contratada como cantora pela Rádio Gaúcha. No ano seguinte, viajou para o Rio de Janeiro RJ, e, após algumas apresentações na televisão, em 1961 gravou Viva a brotolândia, LP da Continental, em que interpreta calypsos e rocks, regressando depois a Porto Alegre.

Em 1962 esteve duas vezes no Rio de Janeiro, para gravar dois discos de boleros na CBS, e, em abril de 1964, transferiu-se definitivamente para a capital carioca, onde assinou contrato de seis meses com a TV-Rio. Convidada pelo baterista Dom Um, começou a se apresentar na boate Bottle's, no Beco das Garrafas, em Copacabana, onde foi ouvida pelo produtor Armando Pittigliani, da Philips, que em outubro a contratou.

No final de 1964, esteve em São Paulo, participando de vários shows de bossa nova, no Teatro Paramount. Em fevereiro de 1965, lançou um compacto pela Philips que incluía Menino das laranjas (Teo de Barros) e Sou sem paz (Adilson Godói). Em seguida, também na Philips, gravou o LP Samba eu canto assim.

Projetou-se nacionalmente como cantora em abril de 1965, quando venceu o I FMPB, da TV Excelsior, de São Paulo, interpretando Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes). Logo depois, gravou ao vivo com Jair Rodrigues (em show produzido por Walter Silva no Teatro Paramount, de São Paulo) o LP Dois na bossa, lançado pela Philips. Transformou-se em recordista nacional de vendas.

Nos anos de 1966 e 1967 seriam gravados também ao vivo outros dois volumes, e neles havia sempre um pot-pourri de sambas, ponto forte de suas apresentações com Jair.

Em maio de 1965, ao lado de Jair Rodrigues, iniciou na TV Record, de São Paulo, a apresentação do programa O Fino da Bossa, lançando muitos sucessos, entre os quais Canto de Ossanha (Vinícius de Morais e Baden Powell), Louvação (Gilberto Gil e Torquato Neto) e Lunik 9 (Gilberto Gil).

Em outubro de 1966, interpretou Ensaio geral (Gilberto Gil), no II FMPB, da TV Record, obtendo o quinto lugar. O programa O Fino da Bossa saiu do ar em fins de 1967, e, em janeiro do ano seguinte, apresentou-se no MIDEM, em Cannes, França, cantando Upa, neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri), um de seus maiores êxitos. Após exibição no Olympia, de Paris, França, retornou ao Brasil, passando a fazer na televisão o programa Elis Studio. Em junho, obteve o primeiro lugar na I Bienal do Samba, interpretando Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Ainda em 1967, casou-se com Ronaldo Boscoli, com quem teve um filho, João Marcelo.

No final de 1968, fez uma temporada em Buenos Aires, Argentina, e, no início do ano seguinte, viajou para a Europa, apresentando-se na França, Holanda, Suíça, Bélgica e Suécia, onde gravou um LP com o gaitista e guitarrista belga Toots Thielemans, Elis & Toots Made in Sweden (Philips). Nessa época, fez shows ainda em Londres, Inglaterra, onde gravou, na Philips, o LP Elis in London. De volta ao Brasil, estreou no show Elis, Miele e... Boscoli, no Rio de Janeiro.

Em maio de 1970, iniciou temporada na cervejaria Canecão, no Rio de Janeiro. Em seguida, fez grande sucesso com o lançamento de Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Sousa), e, em novembro, a TV Globo estreou o programa Som Livre Exportação, comandado por ela e Ivan Lins e que ficou no ar até o início de 1971, sendo substituído pelo programa mensal Elis Especial. Em março desse ano, fez nova viagem à Europa, apresentando-se na Itália, e, de volta ao Brasil, chegou mais uma vez às paradas de sucesso com Casa no campo (Tavito e Zé Rodrix).

Em 1972 separou-se de Ronaldo Boscoli. No mesmo ano, gravou Águas de março (Tom Jobim) e, em 1973, fez novo LP, no qual lançou Folhas secas (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), O caçador de esmeraldas (João Bosco e Aldir Blanc) e Ladeira da preguiça (Gilberto Gil).

No início de 1974, lançou, com Tom Jobim, o LP Elis e Tom, gravado em Los Angeles, E.U.A., e, no fim do ano, gravou o LP Elis, com arranjos de César Camargo Mariano, seu segundo marido. O disco incluiu, entre outras, O mestre-sala dos mares e Dois pra lá, dois pra cá (ambas de João Bosco e Aldir Blanc), e Conversando no bar e Ponta de areia (ambas de Milton Nascimento e Fernando Brant).

Em 1975 apresentou-se no show Falso brilhante, obtendo enorme sucesso de público e crítica e lançando mais um compositor desconhecido: Belchior, de quem também gravou Como nossos pais. No ano seguinte, lançou o LP Falso brilhante (Polygram), cuja música-tema alcançou grande êxito, assim como Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins).

Em 1977 lançou o disco Elis (Polygram), com o sucesso Romaria, de Renato Teixeira. Apresentou-se em 1978 no show Transversal do tempo, sob direção de Maurício Tapajós, o que lhe rendeu o LP Transversal do tempo (Polygram), com o sucesso de Morro Velho (Milton Nascimento e Fernando Brant). Lançou dois discos em 1979: Elis especial (Polygram) e Elis, essa mulher (WEA). Lançou com estrondoso sucesso a música O bêbado e o equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. Ainda nesse ano, apresentou-se no Festival de Jazz de Montreux, Suíça, ao lado de Hermeto Pascoal, num espetáculo que daria origem a um LP lançado em 1982.

Em 1980 foram lançados os LPs Saudade do Brasil (álbum duplo gravado ao vivo, WEA) e Elis (Odeon). No ano seguinte, obteve enorme êxito com o show Trem azul, que daria origem a um disco homônimo lançado pela Som Livre após sua morte.

Em dezembro de 1981, decidiu se casar com seu advogado Samuel MacDowell. Pouco mais de um mês depois, em janeiro de 1982, morreu em São Paulo, em conseqüência de uma mistura de drogas. Nesse ano foram lançados dois LPs que haviam sido gravados em 1979: Elis Regina - Montreux Jazz Festival (Elektra) e Luz das estrelas (Som Livre).

Em 1985, a jornalista Regina Echeverria publicou o livro Furacão Elis (Círculo do Livro). Em 1994 foi lançado o CD triplo Elis Regina no fino da bossa. Foi realizado em 1995 o show Tributo a Elis, Teatro Tuca, São Paulo, de Pedro Camargo Mariano. No mesmo ano, foi a homenageada no VIII Prêmio Sharp de Música, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, com a apresentação de seus filhos Pedro Camargo Mariano e João Marcelo Boscoli. Em 1997 foi lançado o CD Elis Regina (arranjos de César Camargo Mariano), Coleção MPB no JT, n° 13, do Jornal da Tarde.

Algumas músicas

Agnus Sei - Águas de março - Altos e baixos - Amor até o fim - Aos nossos filhos - Arrastão - As aparências enganam - Bodas de Prata - Cabaré - Cadeira vazia - Cais - Canto de Ossanha - Cão sem dono - Cartomante - Casa no campo - Caxangá - Colagem - Como nossos pais - Comunicação - Conversando no bar - Dois pra lá, dois pra cá - Exaltação a Tiradentes - Folhas secas - Jardins de Infância - Lapinha - Madalena - Marambaia - Maria Rosa - Me Deixas Louca (Me Vuelves Loco) - Moda de sangue - Morro Velho - O bêbado e o equilibrista - O cantador - O mestre-sala dos mares - O mundo melhor de Pixinguinha - O primeiro jornal - Pois é - Ponta de areia - Querelas do Brasil - Romaria - Se eu quiser falar com Deus - Tiro ao álvaro - Transversal do tempo - Upa, neguinho - Velha roupa colorida - Vento de maio

Veja também



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.
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