quinta-feira, 6 de abril de 2006

Carlos Galhardo


Carlos Galhardo (Catello Carlos Guagliardi), cantor, nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 25/4/1913 e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 26/7/1985. Seus pais, italianos, moravam no Rio de Janeiro quando Dona Savéria Novelli engravidou. Nessa mesma época foram tentar a sorte em Buenos Aires, mas, dois meses depois de seu nascimento, mudaram-se para São Paulo SP. Outros dois meses depois estavam de novo no Rio de Janeiro. Aos oito anos, com a morte da mãe, foi viver com um parente, no bairro do Estácio, para aprender o ofício de alfaiate.

Apesar de não gostar do ramo, aos 15 anos já era oficial, abandonando os estudos (só completou o primário) para se dedicar à profissão. Passou por várias alfaiatarias do Rio e, numa delas, trabalhou com Salvador Grimaldi, alfaiate e barítono, com quem costumava ensaiar duetos de ópera.

Em casa, gostava de cantar sozinho canções italianas e árias de óperas, mas o início de sua carreira só se deu em 1932, ano em que, numa reunião na casa de um irmão, onde estavam presentes Mário Reis, Lamartine Babo, Jonjoca e Francisco Alves, cantou Deusa (Freire Júnior). Gostando de sua voz, Francisco Alves aconselhou-o a tentar o rádio. Nessa época, trabalhava numa barbearia e, graças à manicura e cantora portuguesa Maria Fernanda, conseguiu entrar em contato com pessoas influentes da Rádio Educadora (hoje Tamoio), onde se apresentou cantando Destino (Nonô e Luís Iglésias).

No dia seguinte foi procurado por um representante da Victor que o convidou para fazer um teste na gravadora. Cantando o samba Até amanhã (Noel Rosa), foi aprovado, passando a fazer parte do coro que acompanhava as gravações, até lançar no início de 1933 seu primeiro disco, com os frevos Você não gosta de mim (Irmãos Valença) e Que é que há? (Nelson Ferreira), de muito sucesso em Recife. Logo a seguir lançou em seu segundo disco dois sambas de Assis Valente, de quem se tornou amigo: Para onde irá o Brasil e É duro de se crer.

Gravou, ainda em 1933, Samba nupcial (José Luís e Jaime Silva), Elogio da raça, em dupla com Carmen Miranda, P'ra quem sabe dar valor e Boas Festas (todas as três de Assis Valente) e Pão de Açúcar (Assis Valente e Artur Costa). Boas festas foi seu primeiro grande sucesso e inaugurou no Brasil o gênero natalino.

Trabalhou por cachê em várias emissoras do Rio de Janeiro, entre elas a Mayrink Veiga, a Rádio Clube, a Philips e a Rádio Sociedade, e, no Carnaval de 1934, destacou-se com a marcha Carolina (Bonfiglio de Oliveira e Hervé Cordovil), gravada na Victor. Nesse ano, contratado pela Columbia, lançou em disco Olha lá o balão (Roberto Martins e Carlos Maurício); e, em 1935, gravou Lá no céu (Silvino Neto e Pedro Romano), Boneca de pano (Assis Valente) e Mariana (Bonfiglio de Oliveira e Lamartine Babo), estreando como cantor romântico com a valsa-canção Cortina de veludo (Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago), grande sucesso.

Foi então contratado pela Rádio Cruzeiro do Sul e, em 1936, gravou seu último disco pela Columbia. Voltando para a Victor gravou, nesse mesmo ano, a marcha Madalena (Bonfiglio de Oliveira) e o samba Você não sabe, amor (Ataulfo Alves e Bide), mas seu grande destaque foi a gravação em disco Victor da valsa Italiana (Paulo Barbosa, José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago).

Tornou-se um dos intérpretes mais requisitados no cenário musical carioca, sendo convidado, para trabalhar na Rádio Cajuti e na Rádio Tupi, e assinando contrato com a gravadora Odeon, onde lançou, ainda em 1936, o samba Dou-te um adeus (Bide e Armando Marçal) e a valsa Apenas tu (Roberto Martins e Jorge Faraj), entre outras músicas.

No ano seguinte, foram gravadas a valsa A você (Ataulfo Alves e Aldo Cabral), as valsas Assim acaba um grande amor, E o destino desfolhou (ambas de Gastão Lamounier e Mário Rossi ) e É quase felicidade (Benedito Lacerda e Jorge Faraj), e o samba E a saudade ficou (Benedito Lacerda e Jorge Faraj). Foi para a Rádio Mayrink Veiga, onde permaneceu durante 11 anos.

Em 1938 participou do filme musical Banana da terra, dirigido por J. Rui. Novamente na Victor, gravou, em 1939, a marcha Sem banana (João de Barro e Alberto Ribeiro), o samba Sei que é covardia, mas... (Ataulfo Alves e Claudionor Cruz), o fox-canção Linda Butterfly, a valsa Perfume de mulher bonita e o fox Dia há de chegar (as três de Georges Moran e Osvaldo Santiago).

Trabalhou, em 1940, no filme Vamos cantar, de Leo Martin e, no ano seguinte, em Entra na farra, de Luís de Barros. Para o Carnaval de 1941, gravou dois sucessos: a marcha Allah-la-ô (Haroldo Lobo e Nássara) e a valsa Nós queremos uma valsa (Nássara e Eratóstenes Frazão).

Em 1945 lançou, pela Continental, com Dalva de Oliveira e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história infantil Branca de Neve e os sete anões, com músicas de Radamés Gnattali. Em 1948, deixou a Rádio Mayrink Veiga para trabalhar na Rádio Nacional, onde ficou por quatro anos; gravou pela Victor o samba Vinte e Três de Abril (Roberto Martins e Ari Monteiro) e a valsa Saudade do Maranhão (Roberto Martins e Dilu Melo), lançando para o Carnaval a marchinha Cadê Zazá? (Roberto Martins e Ari Monteiro).

Passou a trabalhar na Rádio Mayrink Veiga e na Rádio Mundial, em 1952, ano em que foi a Portugal, realizando apresentações durante um ano por todo o país. Em 1953 foi eleito Rei do Disco pela Revista do Disco. Em 1955 participou do filme Carnaval em Lá maior, de Ademar Gonzaga. Atuou, em 1957, no filme Metido a bacana, de J. B. Tanko.

Como um dos cantores que mais venderam disco no Brasil, lançou os seguintes LPs pela Victor hoje RCA: na década de 1950, Evocação, incluindo Guacyra (Hekel Tavares e Joraci Camargo) e a Valsa dos namorados (Silvino Neto); Carrossel de melodias, com Fascinação (versão de Armando Louzada para a valsa de Marchetti) e Saudades de Matão (Francana) (Antenógenes Silva, Jorge Galati e Raul Torres); em 1961, Jóias musicais de Joubert de Carvalho, com Maringá e Dor de recordar, esta em parceria com Olegário Mariano; em 1962, Um sorriso... uma frase... uma flor, com músicas já anteriormente gravadas em 78 rpm; em 1965, Canções de toda gente, com a faixa-título de Paulo Barbosa e Osvaldo Santiago; em 1966, O mundo das velhas canções, com A dama de vermelho (Alcir Pires Vermelho e Pedro Caetano) e Chão de estrelas (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa); em 1968, Se ela sente saudade, com Gosto que me enrosco (Sinhô) e Viola enluarada (Marcos Vale e Paulo Sérgio Vale); em 1969, Italiana e outros sucessos de Carlos Galhardo, com Último beijo (Jorge Faraj e Roberto Martins); em 1970, Uma voz e um violão, com Nancy (Areli e Luís Lacerda) e Malandrinha (Freire Júnior); em 1971, Se esta rua fosse minha, tom a faixa-título e Casinha pequenina (ambas de domínio público).

Depois de Francisco Alves, foi o cantor que mais gravou em 78 rpm, cerca de 570 músicas, sendo conhecido como O rei da valsa e O cantor que dispensa adjetivos.

Algumas cifras e letras:





A devota e o pecador
A pequenina cruz do teu rosário
A você
Adeus amor (Tristesse)
Allah-la-ô
Amanhã ou depois
Apenas tu
Boas Festas
Bodas de Prata
Cadê Zazá
Canta vagabundo
Carolina
Castigo de Deus
Catarina
Cortina de veludo
Disse-me-disse
E o destino desfolhou
Fascinação
Favela
Fim de estrada
Gira, gira, gira
Italiana
Linda borboleta
Luar carioca
Mais uma valsa, mais uma saudade
Não diga minha a residência
Nós queremos uma valsa
Novamente abril
Nunca me verás
Outras mulheres
Pecado original
Perfume de mulher bonita
Quando eu era pequenino
Roleta da vida
Salão Grenat
Saudades de Matão (Francana)
Sonhos azuis
Também tenho coração
Tu és mamãe eu sou papai
Uma cruz na estrada
Valsa de formatura
Valsa dos namorados

Nenhum comentário: