Paulo Soledade (Paulo Gurgel Valente do Amaral) nasceu em 1919 Paranaguá, PR, e morreu em 1999 no Rio de Janeiro, RJ. Compositor, produtor de shows, empresário. Interessou-se por música desde a infância, mas sua primeira atividade artística foi como ator.
Em fins da década de 1930, trabalhou em um pequeno grupo onde atuavam Gustavo Dória, Luísa Barreto Leite, Ziembinski, entre outros. Na década de 1940, viajou para os Estados Unidos para realizar curso de piloto de caça.
Regressou como tenente da Força Aérea Norte-Americana, ingressando posteriormente em uma companhia aérea comercial como comandante. Manteve-se nessa função por um período de sete anos, abandonando-a por problemas de saúde.
Fundou no Rio de Janeiro o "Clube dos Cafajestes", grupo de boêmios que ficou famoso com o "Hino dos cafajestes" que ele compôs para grupo. Nessa época atuou também como produtor de shows.
Em 1961, abriu a Boate "Zum-Zum", onde apresentava produções de Aloysio de Oliveira, quase sempre ligadas ao novo movimento musical carioca – a Bossa Nova –, do qual participavam artistas como Sylvia Telles, Lenie Dale e Vinícius de Moraes. Data dessa época a marcha-rancho Estão voltando as flores, que logo se tornaria um hino nas noites cariocas.
Em 1980, teve as músicas O pato e O relógio, parcerias com Vinícius de Moraes, lançadas no LP "A Arca de Noé". No ano seguinte, as músicas O peru, O pinguim e A formiga, em parceria com Vinícius de Moraes, foram gravadas no disco "A arca de Noé volume 2".
Em 1990, no projeto "O Som do Meio-Dia" foi apresentado espetáculo em sua homenagem, no qual suas obras foram executadas. Em 1996, Miltinho regravou Estão voltando as flores e Emílio Santiago fez o mesmo no ano seguinte.
Em julho de 2001, o crítico R. C. Albin homenageou-o no espetáculo "Estão voltando as flores", com as Cantoras do Rádio. O show virou disco de igual título, lançado em 2002 pela Som Livre. Dentre seus sucessos, destacam-se ainda Estrela do mar, com Marino Pinto, Insensato coração, com Antônio Maria, Já é noite, com Fernando Lobo e Sonho desfeito, com Tom Jobim, e as músicas infantis como O pato.
LP A Arca De Noé / Título da música: O Pato / Vinícius de Moraes (Compositor) / Toquinho (Compositor) / Paulo Soledade (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Ariola / Ano: 1980 / Nº Álbum: 201.612 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Marcha / Infantil.
C G7 C G7
Lá vem o pato / Pato aqui pato acolá
C G7 C
Lá vem o pato para ver o que é que há
G7 C G7
O pato pateta pintou o caneco / Surrou a galinha
Gm C7 F
Bateu no marreco / Pulou do puleiro
Gbo C/G A7 D7 Dm
No pé do cavalo / Levou um coice criou um galo
G7 C G7
Comeu um pedaço de genipapo / Ficou engasgado
Gm C7 F Gbo C/G
Com dor no papo / Caiu no poço / Quebrou a tijela
A7 D7 G7 C
Tantas fez o moço que foi pra panela
Apesar de ser uma marcha-rancho, “Estão Voltando as Flores” não foi feita para carnaval. Surgiu num momento de euforia de Paulo Soledade em dezembro de 1960, quando, após ter estado convalescente de uma cirurgia de alto risco, sentiu-se completamente recuperado.
Vinte e dois anos depois, em depoimento concedido ao Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, Paulo afirmou: “Foi uma composição que fiz em quinze minutos, sem violão, sem nada, e que representa para todos que a ouvem um hino de recuperação.” Daí os versos e a melodia vibrantes, otimistas que na realidade eram dirigidos à sua mulher: “vê, estão voltando as flores / vê, nessa manhã tão linda / vê, como é bonita a vida / vê, há esperança ainda.”
Mas, como já acontecera a outras canções de sucesso, foi difícil encontrar quem quisesse gravá-la, “Não é comercial”, disseram diretores de gravadoras e cantores a quem a música foi mostrada. O curioso é que todos eram amigos do compositor. Por fim, já desanimado e disposto a bancar o disco, Paulo procurou mais um amigo, o Valtinho da Tonelux, na época dirigindo a gravadora Mocambo, que aceitou o projeto, desde que o autor providenciasse uma cantora sem contrato com outra empresa.
Então, indicada por Marino Pinto, Helena de Lima teve a primazia de lançar “Estão Voltando as Flores”, a melhor canção de Paulo Soledade, segundo ele mesmo (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
Estão voltando as flores (marcha-rancho, 1962) - Paulo Soledade - Intérprete: Helena de Lima
Disco 78 rpm / Título da música: Estão voltando as flores / Paulo Soledade (Compositor) / Helena de Lima (Intérprete) / Gravadora: Mocambo / Ano: 1961 / Álbum: 15.339 / Lado A / Gênero musical: Marcha-rancho.
C Bb7 A7
Vê, estão voltando as flo....res
Dm Ab7 G7
Vê, nessa manhã tão lin....da
C7 F7M
Vê, como é bonita a vi.....da
D7 G7
Vê, há esperança ain......da
C Bb7 A7
Vê, as nuvens vão passan......do
Dm Ab7 G7
Vê, um novo céu se abrin......do
C7 F7M
Vê, o sol iluminan.....do
Dm G7 C
Por onde nós vamos indo
Ab C7M
Por onde nós vamos indo.
Uma fábula de origem popular que explica o surgimento das estrelas-do-mar: um grãozinho de areia da praia se apaixona por uma estrela e nasce, mais tarde, a estrela-do-mar. A famosa lenda virou sucesso na voz de Dalva de Oliveira em 1951, quando gravou a marcha-rancho Estrela do Mar de Paulo Soledade e Marino Pinto: "Um pequenino grão de areia / Que era um pobre sonhador / Olhando o céu viu uma estrela / Imaginou coisas de amor... "
Estrela do mar (marcha-rancho, 1952) - Marino Pinto e Paulo Soledade - Intérprete: Dalva de Oliveira
AmDm7E7AmA7
Um pequenino grão de areia / Que era um pobre sonhador
Dm7G7CE7
Olhando o céu viu uma estrela / Imaginou coisas de amor
AmDm7E7AmA7
Passaram anos muitos anos / Ela no céu ele no mar
Dm7A7Dm7E7Am
Dizem que nunca o pobrezinho / Pôde com ela se encontrar
Dm7G7C7MAm
Se houve ou se não houve / Alguma coisa entre eles dois
Dm7G7C7M
Ninguém soube até hoje explicar
Bm7/5-E7Am
O que há de verdade é que depois
F7Dm7E7Am
Muito depois / Apareceu a estrela do mar
Disco 78 rpm / Título da música: Calúnia / Marino Pinto (Compositor) / Paulo Soledade (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Osvaldo Borba e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 07/03/1951 / Lançamento: 04/1951 / Nº do álbum: 13111 / Nº da matriz: 8904 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lama
Só porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixa a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Deixa a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Tu me ofendes, tu serás o ofendido
Pois quem com o ferro fere
Com ferro será ferido
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.