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sábado, 30 de outubro de 2010

Germano Lopes da Silva

Germano Lopes da Silva, compositor e letrista, nasceu possivelmente em 1885 no Rio de Janeiro, RJ, e faleceu em 02/05/1933, na cidade de Niterói, RJ.

Também conhecido como Mestre Germano, conviveu nas décadas de 1910 e 1920 com importantes sambistas cariocas que frequentavam as casas das tias baianas nas imediações da Praça Onze, como a da  Tia Ciata.

Foi integrante do rancho "Macaco é Outro", e participou das famosas rodas de samba que ocorriam em casas de tias baianas na Praça. Numa dessas rodas, teria sido um dos compositores do samba Pelo telefone, sucesso do carnaval de 1917, e registrado em nome de Donga e Mauro de Almeida.

Quando soube do ocorrido, o Grêmio Fala Gente mandou publicar nota pelo Jornal do Brasil na qual afirmava: 

"Será cantada domingo, na Avenida Rio Branco, o verdadeiro tango "Pelo telefone", dos inspirados carnavalescos, o imortal João da Mata, o mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata e o inesquecível bom Hilário; arranjo exclusivamente pelo bom e querido pianista J. Silva, dedicado ao bom e lembrado amigo Mauro, repórter da "Rua", em 6 de agosto, dando a ele o nome de "Roceiro". 

Em seguida, era transcrita uma letra, ao que parece, de sua autoria que terminava criticando Donga com os seguintes dizeres: 

"Tomara que tu apanhes/ Para não tornar a fazer isto/ Escrever o que é dos outros/ Sem olhar o compromisso".

Fontes: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira / VASCONCELOS, Ary. A nova música da República Velha. Edição do autor, Rio de Janeiro, 1985.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Almir Guineto


Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946), mais conhecido como Almir Guineto, sambista e compositor. Foi o fundador do Fundo de Quintal, sendo um dos maiores representantes do samba de raiz.

Nascido e criado no Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro, teve contato direto com o samba desde a infância, já que havia vários músicos em sua família.

Seu pai Iraci de Souza Serra era violonista e integrava o grupo Fina Flor do Samba; sua mãe Nair de Souza (mais conhecida como "Dona Fia") era costureira e uma das principais figuras da Acadêmicos do Salgueiro; seu irmão Francisco de Souza Serra (mais conhecido como Chiquinho) foi um dos fundadores dos Os Originais do Samba.

Na década de 1970, Almir já era mestre de bateria e um dos diretores da Salgueiro e fazia parte do grupo de compositores que freqüentavam o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Nessa época, inovou o samba ao introduzir o banjo adaptado com um braço de cavaquinho. O instrumento híbrido foi adotado por vários grupos de samba.

Em 1979, mudou-se para São Paulo para se tornar o cavaquinista dos Originais do Samba. Lá fez Bebedeira do Zé, sua primeira composição gravada pelo grupo, onde a voz do sambista aparece puxa o verso "Mas dá um tempo na cachaça, Zé/ Para prolongar o seu viver" e a sambista Beth Carvalho gravou algumas composições de Guineto, como Coisinha do pai, Pedi ao céu e Tem Nada Não.

No início dos anos oitenta, ele ajudou a fundar o grupo Fundo de Quintal junto com os sambistas Bira, Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubirany. Mas ele deixou o grupo logo após a gravação de Samba é no Fundo de Quintal - primeiro LP do conjunto - e seguiu para carreira solo. Almir conquistou fama com a premiação no Festival MPB-Shell, da Rede Globo, em 1981, em que interpretou o samba-partido Mordomia (de Ari do Cavaco e Gracinha).

Sua notoriedade como compositor e intérprete aumentaria ao longo daquela década. Beth Carvalho gravou É, pois, é (parceria com Luverci Ernesto e Luís Carlos) em 1981, À luta, vai-vai! (com Luverci Ernesto) e Não quero saber mais dela (com Sombrinha) em 1984, Da melhor qualidade (com Arlindo Cruz), Pedi ao céu (com Luverci Ernesto) e Corda no pescoço (com Adalto Magalha) em 1987. Alcione gravou Ave coração (parceria com Luverci Ernesto) em 1981 e Almas & corações (com Luverci Ernesto) em 1983. Jovelina Pérola Negra gravou Trama (parceria com Adalto Magalha) em 1987.

Em 1986, a gravadora RGE lançou o LP Almir Guineto, que teve grande sucesso comercial. Nesse disco, Almir Guineto gravou algumas de suas parcerias com Adalto Magalha, Beto Sem Braço, Guará da Empresa, Luverci Ernesto e Zeca Pagodinho. Entre os grandes destaques, estão Caxambu, Mel na boca, Lama nas ruas e Conselho.

Ainda naquela década, a RGE lançou os LPs Perfume de Champanhe (1987) - que teve repercussão com Batendo na palma da mão (parceria com Guará da Empresa) - e Jeito de amar (1989). Em 1991, a gravadora lançou o disco De Bem Com a Vida.

Em 1997, Coisinha do pai foi programada pela engenheira brasileira da Nasa Jacqueline Lyra para acionar um robô norte-americano da missão Mars Pathfinder, em Marte. No ano seguinte, compôs com Arlindo Cruz, Sombrinha e Xerife Samba de Marte - que relata a história da chegada de Coisinha do pai em solo marciano.

Em 2002, a gravadora Paradoxx lançou o CD Todos os Pagodes. Naquele mesmo ano, Almir Guineto participou de "Bum-bum-baticum-Beto" e "Tributo a Beto Sem Braço", dois shows em homenagem a este sambista carioca, que ocorreram respectivamente no Bar Supimpa e Teatro João Caetano, ambos na cidade do Rio de Janeiro.

Em julho de 2007, Almir Guineto comemorou seu aniversário em um show, com diversos convidados, no Espaço Santa Clara, na cidade de São Paulo. Atualmente, o sambista vive em um sítio em Tupã (no interior do Estado de São Paulo).

Fonte: Wikipédia.

Baiaco

Baiaco (Osvaldo Caetano Vasques) nasceu em 1913 e faleceu em 1935 na cidade do Rio de Janeiro/RJ. Compositor e instrumentista, era freqüentador das reuniões de sambistas do Bar do Apolo, no subúrbio do Estácio, ao lado de Bide, Ismael Silva, Mano Edgar, Mano Rubem, Nílton Bastos e outros, com eles fundou a primeira escola de samba do Brasil, Deixa Falar, em 1928.

Três anos depois, com o desaparecimento da escola, alguns de seus membros juntaram-se à União das Cores, para fundar a escola de samba União do Estácio. Sua música mais famosa, Arrasta a sandália (com Aurélio Gomes), foi gravada em 78 rpm para o Carnaval de 1933 por Moreira da Silva, na antiga Columbia, trazendo, na outra face, Vejo lágrimas (com Ventura). Para o mesmo Carnaval, Patrício Teixeira gravou, na Victor, seu samba Tenho uma nega (com Benedito Lacerda).

Em julho do ano seguinte, Almirante lançou, também pela Victor, sua música Conversa puxa conversa. Moacir Fenelon contratou-o como ritmista (tocava omelê), para a Columbia, onde mais tarde a ele se juntaram Buci Moreira e Cartola.

Obras

Arrasta a sandália (c/ Aurélio Gomes), 1933; Conversa puxa conversa, 1934; Tenho uma nega (c/ Benedito Lacerda), samba, 1933; Vejo lágrimas (c/ Ventura), 1933.

Fonte: Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo, Art Editora, 1977.

domingo, 1 de outubro de 2006

A Favela e a revolta de Canudos

Fotos: Cortiços foram demolidos, empurrando seus moradores para os morros da Zona Norte. A vida humilde era a marca dos migrantes que, chegados ao Rio, procuravam as favelas para morar.

Todos sabem do que se trata quando a palavra favela é mencionada, poucos, porém, são os que conhecem a origem do termo. E como foi escolhido para designar lugares onde a população de baixa renda se aglomera, morando sem pagar.

Arbusto típico do sertão nordestino, o faveleiro, mais popularmente favela, identificava também a elevação onde os seguidores de Antônio Conselheiro construíram suas casas. Era o Morro da Favela, no Arraial de Canudos, no sertão da Bahia, destruído pelo exército brasileiro, como descreveu Euclides da Cunha em Os sertões.

O cerco ao Morro da Favela, a resistência dos seguidores de Conselheiro aos soldados, transformaram em dura e longa campanha aquilo que se pensava ser fácil resolver com uns quantos tiros.

O que não se imaginaria é que a revolta de Canudos, um movimento de cunho basicamente religioso no Nordeste, viesse influenciar social e musicalmente o Rio de Janeiro, então capital da República, que se preparava para passar por grande reforma urbanística.

O engenheiro Pereira Passos, que ocuparia a Prefeitura carioca ao nascer do século XX, rasgando avenidas, demolindo habitações coletivas, transformando o núcleo central da cidade em pólo comercial e empurrando os menos favorecidos para a Zona Norte, foi, em última análise, com todo o seu modernismo, o pai das favelas cariocas.

Aquela região era habitada principalmente pela colônia baiana que vivia no Rio. As “tias” festeiras em seus casarões, reunindo os patrícios nas festas de santo ou profanas, geralmente obreiros humildes mas cheios de musicalidade, dominavam o centro da cidade, até as reformas exigirem suas saídas.

A solução foi procurar abrigo na Zona Norte e nos morros da região, onde os primeiros barracões começaram a aparecer. A campanha de Canudos teve conseqüências. Não se fez apenas a guerra, mas também o amor. Soldados acabaram por se unir a caboclas e voltar com elas para o Rio de Janeiro.

Sobreviventes resolveram recomeçar a vida na capital, e lá, a primeira orientação foi a dos patrícios que já moravam na cidade, a maioria nos morros. Os novos vizinhos lembravam sempre suas origens e volta e meia estavam falando no seu Morro da Favela e assim, sem se aperceberem, criaram a denominação que se tornou genérica. Favela passou então a ser o nome de todos os locais onde aquele tipo de habitação foi — por força das circunstâncias — adotado.

Fonte: História do Samba - Editora Globo

Cidade Nova, o berço do samba

Foto: O alargamento da rua da Carioca testemunhado pela fotografia de Augusto Malta, em 1906, mostra o verdadeiro canteiro de obras em que foi transformado o centro urbano do Rio de Janeiro no início do século XX. Os velhos sobradões, a maioria usada como cortiços que abrigavam dezenas de famílias, ou antigos armazéns, foram demolidos para dar lugar a largas ruas e avenidas que tornaram a região um polo comercial, banindo os antigos moradores.

Na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro de hoje, entre a estação da Estrada de Ferro Central do Brasil e o Trevo dos Pracinhas, existiu a Cidade Nova. Constituiu-se ali importante grupamento social, na forma definitiva que a cidade começou a assumir nos últimos anos do século passado e nos primeiros deste.

Ganhou importância na primeira metade do século XIX com o aterro das vizinhanças do Canal do Mangue e com as facilidades fiscais para as residências assobradadas nas ruas abertas pela Prefeitura. Que foi forçada a agir assim pela chegada da Corte portuguesa ao Rio, que abarrotou a cidade obrigando-a a se espraiar rumo aos subúrbios.

Mansões e bem-cuidadas chácaras testemunhavam a qualidade de vida dos moradores, que, porém, nos meados do século, se transferiram para a Zona Sul. Com isso, muitas das construções se tornaram moradias coletivas, abrigando a população de baixa renda, constituindo com o centro da cidade grande concentração habitacional operária.

Em 1872, o recenseamento apontava 26.592 moradores, muitos dos quais negros, alguns ainda escravos e seguramente africanos. É chegada no início do século XX a Reforma Pereira Passos que desmonta o sistema habitacional do centro da cidade. O abrigo mais próximo é a Cidade Nova, cuja densidade populacional cresce assustadoramente com a presença dos migrantes provindos da Bahia, que para lá se transferem.

Na união dos africanos com os recém-chegados baianos surgiria música naturalmente. Lima Barreto em seu livro Feiras e mafuás acrescenta ainda a presença de imigrantes italianos, que ele situa em patamar sócio-econômico mais baixo ainda, mas que devem com certeza — raça musical que é — ter contribuído com sua parcela nas festas e cantorias que a gente humilde armava para esquecer a tristeza.

“No começo do século” — dizia Lima Barreto — “era comum vê-la (a Cidade Nova) representada nas revistas teatrais do Rocio como sendo habitada sobretudo por pobre gente de cor na maioria dada a malandragem. Mas era um exagero (...).

Nos pontos de bonde da Senador Eusébio ou da Visconde de Itaúna já se viam, napolitanas robustas às dezenas, de grossos anciões de ouro nas orelhas, levando fardos de costura à cabeça, e pequenos empregados públicos, e tipógrafos, e caixeiros do atacado e do varejo.

Ao cair da tarde vinham as moças para a janela, e então as festinhas caseiras, típicas da época, não tardavam a começar, animadas pelos pianistas amadores, que sabiam de cor o ‘shotish’, a valsa e a polca da moda e aos domingos brilhavam nos salões do Clube dos Aristocratas da Cidade Nova”.

Este era o ambiente onde o samba carioca começava a nascer, processo que teria prosseguimento com os habitantes das favelas e posteriormente com os compositores chamados urbanos, que dele tomariam conhecimento atraídos por eventos como o Carnaval que se festejava na praça Onze (de Junho), domínio da Cidade Nova.

Projetada por Grandjean de Montigny, arquiteto que veio ao Brasil com a famosa Missão Francesa, a partir da ocupação da Cidade Nova pela gente humilde, a praça se tornaria um ponto de convergência desses novos moradores, local de encontro de capoeiras, malandros, operários e músicos de ranchos e blocos carnavalescos. Com a abertura da avenida Presidente Vargas rumo à Zona Norte do Rio de Janeiro, a Cidade Nova desapareceu.

Fonte: História do Samba - Editora Globo