terça-feira, 4 de abril de 2006

Ismael Silva

Foi na praia de Jurujuba, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro que nasceu Ismael da Silva, em 14 de setembro de 1905. Seu pai, Benjamim da Silva, era cozinheiro, segundo alguns autores, operário, segundo outros.

Aos três anos, Ismael ficou órfão e na companhia da mãe Emília, que era lavadeira, transferiu-se para o Rio de Janeiro, tendo como primeiro endereço - uma espécie de premonição - o bairro do Estácio de Sá. Mudou-se algumas vezes para outros bairros, mas aos 17 anos estava definitivamente de volta ao Estácio. Trazia na bagagem seu primeiro samba, Já desisti, composto aos 15 anos.

Começa a freqüentar as rodas de malandragem, convivendo com sambistas como Mano Edgar, Brancura, Mano Rubens, Nílton Bastos e outros. Gostava de ir aos encontros de sambistas no Café Apolo, solidificando amizades que seriam de grande valia no aprendizado. A mesma coisa acontecia em suas idas habituais ao samba dos morros da Mangueira e do Salgueiro.

Em 1925, teve seu primeiro samba gravado, o Me faz carinhos, quando foi registrada apenas a melodia, por um pianista conhecido como Cebola. O prestigio de Ismael como compositor começa a ser comentado e, em 1927, quando se restabelecia de uma enfermidade no hospital da Gamboa, recebe a visita do compositor Bide.

Bide trazia uma proposta do cantor Francisco Alves, que pretendia comprar um samba de Ismael. Da transação resultou a gravação de Me faz carinhos em disco Odeon, aparecendo apenas o nome de Chico como autor. Em seguida, Francisco Alves repetiu a compra, com Amor de malandro, e o sucesso dos dois discos provocou um contrato (que incluía a parceria de Nilton Bastos), pelo qual Ismael se comprometeu a dar exclusividade de sua produção ao cantor. Esse contrato foi rompido depois, mas do acerto surgiram sambas de sucesso. Nem é bom falar e Não há podem ser apontados como exemplos, além do grande êxito Se você jurar, de 1931, cantado em dupla por Francisco Alves e Mário Reis.

Ismael já estava integrado no ambiente do samba, conhecia seus meandros e sabia como se movimentar na área. Em 1931 Nilton Bastos morreu vítima de tuberculose e Mano Edgar foi assassinado em uma roda de jogo. Procurando outros lugares para viver, Ismael se mudou para a rua Visconde do Rio Branco e iniciou parceria com Noel Rosa. O primeiro samba da dupla, Para me livrar do mal, foi gravado por Francisco Alves, em 1932, e na esteira dele Mário Reis registra Uma jura que fiz. Com Noel, Ismael Silva fez ainda Adeus, Ando cismado e A razão dá-se a quem tem.

Como intérprete, Ismael gravou em 1932 Escola de malandro, cantando com Noel Rosa, quando se afastou do meio artístico por largo período. Voltou em 1950 com o samba Antonico, e se firmou, aparecendo no show O Samba Nasce no Coração, da boate Casablanca, no Rio. Em 1960, foi eleito Cidadão Samba.

Após novo período afastado, ressurgiu no restaurante Zicartola, em 1964. Fez, em 1965, com Araci de Almeida, no Teatro Opinião, o musical O Samba Pede Passagem, gravado ao vivo. Sua última aparição no palco foi em 1973, no espetáculo Se você Jurar, estreado no Teatro Paiol de Curitiba. Faleceu em 14 de março de 1978, aos 72 anos de idade. Seu corpo foi velado no Museu da Imagem e do Som, do Rio de Janeiro, e sepultado no Cemitério do Catumbi.

Algumas músicas

A razão dá-se a quem tem
Adeus
Amor de malandro
Antonico
Boa viagem
Gosto, mas não é muito
Me faz carinhos
Não tem tradução
Não tenho queixa
Nem é bom falar
Novo amor
O que será de mim
Para me livrar do mal
Quem não quer sou eu
Se você jurar
Sofrer é da Vida
Tristezas não pagam dívidas
Uma jura que fiz

Obra completa

Adeus (com Francisco Alves e Noel Rosa), samba, 1932; Afina a viola, samba, 1973; Agradeça a mim, samba, 1934; Alegria, samba, 1973; Aliás, samba, 1973; Amar (com Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Amor de malandro (com Francisco Alves), samba, 1930; Anda, vem cá (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Ando cismado (com Noel Rosa), samba, 1933; Antes não te conhecesse (c/Francisco Alves), samba, 1932; Antes só, samba, 1929; Antonico, samba, 1950; Anúncio, samba, 1950; Ao romper da aurora (c/Francisco Alves e Lamartine Rabo), samba, 1932; Arrependido (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1931; Assim é que é, samba, 1942; Assim, sim (com Francisco Alves e Noel de Rosa), marcha, 1932; Batalhão, samba, 1931; Bico da cegonha, marcha, 1951; Boa boca, marcha, 1942; Boa viagem (c/Noel Rosa), samba, 1934; Cara feia é fome, marcha, 1934; Choro, sim, samba, 1935; Com a vida que Deus me deu, 1950; Com a vida que pediste a Deus, samba, 1940; Comilão, marcha, 1951; Contrastes, samba, 1973; O destino Deus é quem dá... (c/Francisco Alves), samba, 1928; Deus sabe o que faz, samba, 1933; O dinheiro faz tudo, samba, 1929; Dona do lugar (com Francisco Alvos), samba, 1933; É bom evitar (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Entrada franca, samba, 1973; Eu bem sei (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Eu sou um, marcha, 1940; Fama sem proveito (c/Heitor Catumbi), samba, 1942; , samba, 1942; Feiticeira, samba, 1931; Feiticeiro (com Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Foi um sonho, samba, 1932; Gandaia (com Francisco Alves), samba, 1932; Gosto mas não é muito (com Francisco Alves e Noel Rosa), marcha, 1932; Ironia (c/Francisco Alves e Nilton Rastos), samba, 1931; Isso não se faz, samba, 1933; Uma jura que eu fiz (com Francisco Alves e Noel Rosa), samba, 1932; Jurema, samba, 1931; Liberdade (com Francisco Alves), samba, 1932; Macaco me lamba, marcha, 1951; Maestro, toque aquela (c/José de Almeida), samba, 1943; Me diga teu nome, samba, 1932; Me faz carinhos (c/Francisco Alvos), samba, 1928; Meu batalhão (c/Francisco Alves e Nilton Rastos), samba, 1931; Meu único desejo, samba, 1950; Minha vida, samba, 1931; Não apoiado, marcha, 1936; Não deixarei de beber (c/Sebastião Gomes e J. Gonçalves), samba, 1953; Não digas, samba, 1933, Não e isso que eu procuro (c/Francisco Alves), samba, 1928; Não é tanto assim, samba, 1934; Não faltará ocasião, marcha, 1934; Não faz eu falar, samba, 1939; Não há (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1931; Não posso me queixar, samba, 1935; Não te dou perdão, samba, 1930; Não tenho nota, samba, 1934; Não tenho queixa (c/Davi Raw), samba, 1943; Não vá atrás de ninguém, samba, 1942; Não vejo jeito, marcha 1939; Nem é bom falar (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1931; Ninguém faz fé (c/Paulo Medeiros), marcha, 1953; Novo amor, samba, 1929; Nunca dei a perceber, samba, 1933: O que será de mim (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1931; Olê-leô (c/Francisco e Nilton Bastos), samba, 1931; Para me livrar do mal (c/Noel Rosa), samba, 1932; Peçam bis, samba; Por causa de alguém, samba, 1942; Primeiro amor, samba, 1934: Quando souberes amar, samba, 1933; Quem não quer sou eu (c/Noel Rosa), samba, 1933; Quero sossego (c/Nilton Bastos), samba-choro 1931; A razão dá-se a quem tem (c/Francisco Alves e Noel Rosa). 1933: Realidade, samba, 1953; Receio, samba, 1973; Reminiscências da Lapa (c/ J. C. Silva e E. Guedes), samba 1953; Rir, s.d; Rir para não chorar (c/Francisco Alves) samba, 1928; Se eu tiver que escolher(c/Arlindo Marques Júnior e Roberto Roberti). samba, 1946; Se você jurar (com Francisco Alves e Nilton Bastos), samba 1931; Seja o que Deus quiser, samba, 1933; Sofrer é da vida (c/Francisco Alves), samba, 1932; Sonhei (c/Francisco Alves e Nilton Bastos), samba, 1932; Tradição, samba-canção, 1954; Tristezas nao pagam dívidas, samba. 1933; Você gosta de mim? (c/Francisco Alves), marcha, 1932; Você merece muito mais, samba, 1936; Você prometeu (c/Dan Mallio), samba, 1935.

Fontes: História do Samba - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ed. e Publifolha.

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