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Praça Onze


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Delimitada pelas ruas de Santana (a leste), Marquês de Pombal (a oeste), Senador Euzébio (ao norte) e Visconde de Itaúna (ao sul), a Praça Onze existiu por mais de 150 anos. A princípio denominada Rocio Pequeno, depois Praça Onze de Junho (data da Batalha de Riachuelo), tornou-se, nas primeiras décadas do século XX, o local mais cosmopolita do Rio de Janeiro.
Em suas redondezas misturaram-se imigrantes espanhóis, italianos e judeus de várias procedências com milhares de negros, na maioria oriundos da Bahia. E foram os negros que transformaram a Praça Onze em reduto de sambistas, ao usarem o seu espaço para os desfiles das primeiras escolas de samba.
Em 1941, quando a prefeitura começou as demolições para a abertura da Avenida Presidente Vargas, que extinguiria a praça, Grande Otelo teve a idéia de protestar em ritmo de samba. Ótimo ator, mas letrista medíocre, ele escreveria uma versalhada sobre o assunto, que mostrou aos compositores Max Bulhões, Wilson Batista e Herivelto Martins, sem lhes despertar o menor interesse.
Mas Otelo era teimoso e Herivelto, para se livrar dele, compôs o samba em que aproveitou a idéia, desprezando os versos. Diga-se de passagem, que na época os dois trabalhavam nos cassinos da Urca e de Icaraí, atravessando todas as noites a Baía de Guanabara, numa lancha que fazia a ligação entre as duas casas.
Foi numa dessas travessias que Herivelto começou a escrever "Praça Onze". Acontece que a composição – anunciando o fim da praça e dos desfiles e, de uma maneira comovente, exortando os sambistas a guardarem os seus pandeiros - superou as expectativas do autor, sugerindo-lhe uma gravação diferente, em que se reproduzisse o clima de uma escola de samba. E assim ele fez, tendo a novidade se tornado padrão para a execução de sambas do gênero.
Além do canto, no estilo "empolgação", a cargo do Trio de Ouro reforçado por Castro Barbosa, foi primordial para que se estabelecesse tal clima o uso destacado de três elementos rítmicos - o tamborim, o apito e o surdo. Até então, o apito era usado nas escolas de samba somente como elemento sinalizador, para comandar o desfile. Sua função rítmica, sibilando em tempo de samba, foi uma invenção de Herivelto, lançada nesta gravação.
Castro Barbosa
e Trio de Ouro
Por tudo isso, "Praça Onze" alcançou extraordinário sucesso, ganhando, ao lado de "Ai, que saudades de Amélia", o concurso de sambas promovido pelo Fluminense. E naquele carnaval, onde se cantou "Praça Onze" tinha sempre alguém soprando um apito, o que acabou causando a Herivelto uma despesa inesperada: caridosamente, ele assumiu metade do prejuízo sofrido por Murilo Caldas, autor da marcha "Passarinho Piu Piu", que distribuíra mil apitos entre os foliões, indiferentes à sua música.
Praça Onze (samba/carnaval, 1942) - Herivelto Martins e Grande Otelo
 D        A7              D
Vão acabar com a Praça Onze
G
Não vai haver mais Escola de Samba, não vai
Gm D Gm D
Chora o tamborim chora o morro inteiro
Gm D Gm D
Favela, Salgueiro Mangueira, Estação Primeira
D Gm
Guardai os vossos pandeiros, guardai
Gm Bb7 A7
Porque a Escola de Samba não sai
   A7                        D
Adeus, minha Praça Onze, adeus
D7 G
Já sabemos que vais desaparecer
A7 D
Leva contigo a nossa recordação
E7 A7
Mas ficarás eternamente em nosso coração
G Gm D
E algum dia nova praça nós teremos
E7 A7 D
E o teu passado cantaremos

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