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sexta-feira, 2 de junho de 2006

Mulher que não dá samba


Mulher Que Não Dá Samba (samba) - Paulo Vanzolini - Intérpretes: Paulo Marques e Carmen Costa

LP A Música De Paulo Vanzolini / Título da música: Mulher Que Não Dá Samba / Paulo Vanzolini (Compositor) / Carmen Costa (Intérprete) / Paulo Marques (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9328 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


Intro:  F#m  G7  Cm  Cm/A#  F#m  G7  Cm  G#7  G7  
 
   Cm          G7            Cm 
Parece que vai tudo em santa paz 
   G7             Cm 
Na base do mais ou menos 
              C7            F#m 
Um pouco mais menos do que mais 
        G7 
Tão regular, sem reclamar 
           Cm     Cm/A# 
Porém não satisfaz 
         D7/A           G#7          G7 
Mas francamente, de que serve tanta paz 
 
 Cm            G7          Cm 
Ainda se fosse brava porém competente 
     C7                            F#m 
Se atrás da bronca viesse a roupa limpa, o café quente 
      G7                  Cm                 Cm/A#                  
Ou se fosse ignorante no claro e ardente no escuro 
           D7/A 
Eu lhe asseguro 
      G#7         G7 
Não faria falta a paz 
 
   F#m            G7           Cm         Cm/A# 
Mulher que não dá samba eu não quero mais 
   F#m            G7           Cm              
Mulher que não dá samba eu não quero mais 

Quando eu for, eu vou sem pena

Paulo Vanzolini
Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena - Paulo Vanzolini - Intérprete: Chico Buarque

CD Biscoito Fino / Título da música: Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Biscoito Fino / Ano: 2003 / Nº Álbum: BFP 004 / Faixa 8 / Gênero musical: Samba / MPB.


Bm                       Em
Quando eu for, eu vou sem pena
        F7         Bm
Pena vai ter quem ficar

              B7                       Em
Morena tão desamada e tão precisada de amar
           F7                    Bm
Açucena delicada sem a mão lhe cuidar
                 G7                   F7
Curva de rio de sereno sem proa pra navegar
                  Em           F7          Bm
E tanta beira de estrada sem um moço pra pousar

                    Em
O que eu fiz é muito pouco
     F7          Bm
Mas é meu e vai comigo
             B7
Deixo muito inimigo
                     Em
Porque sempre andei direito
                F7                   Bm
Agasalhei neste peito muita cabeça chorando
                 G7                       F7
Morena minha até quando você de mim vai lembrar

                         Em
Quando eu for, eu vou sem pena
        F7         Bm
Pena vai ter quem ficar 

Bandeira de guerra


Bandeira de Guerra - Paulo Vanzolini - Intérprete: Paulinho da Viola

CD Acerto De Contas De Paulo Vanzolini / Título da música: Bandeira de Guerra / Paulo Vanzolini (Compositor) / Paulinho da Viola (Intérprete) / Gravadora: Biscoito Fino / Ano: 2002 / Nº Álbum: BF 540 / Disco 1 / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Intro: Em   Bm  G   F#  Bm

           Bm      Em
Foi numa esquina da vida
      F#7            Bm
Uma mulher em hora perdida
  G7             F#7      C7
Um homem em ponto morto
      B7         Em           A
Nessa base do tropeço e mau começo
      A7              F#m                 Em
Foi nascer contra a vontade esse amor torto
    F#7         Bm              G
Me admira ter vingado, quem diria
            F#7                     C7 B7   Em
Que fosse loucura pra mais do que um dia
     F#7         Bm   Bm/A   G7M
Na verdade quem diria
        F#7            Bm    A
Que enxergasse a luz do dia

      A7            F#m
Mas vingou e é coisa feita
               A#°
Torto sim eu ostento
               C7 B7
E ninguém me endireita
  Em                             Bm     Bm/A
Mulher, já que Deus quer vamos em frente
                 G7
Minha bandeira de guerra

Meu pé de briga na terra
                  F#7   Bm
Meu direito de ser gente

                 Em    F#
Minha bandeira de guerra
                    Em
Meu pé de briga na terra
        F#          Bm
Meu direito de ser gente 

Capoeira do Arnaldo

Capoeira do Arnaldo - Paulo Vanzolini - Intérprete: Luiz Carlos Paraná

LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Capoeira do Arnaldo / Paulo Vanzolini (Compositor) / Luiz Carlos Paraná (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Capoeira / Samba / MPB.


Tom: D
           Bm                F#m
Quando eu vim da minha terra
   Bm
Passei na enchente nadando
                    G7
Passei frio, passei fome
           F#7      Bm
Passei dez dias chorando
                     G7
Por saber que de tua vida
             F#7     Bm
Pra sempre estava passando
                   G7
Nos passo desse calvário
         F#7         Bm
Tinha ninguém me ajudando
                  G7
Tava como um passarinho
        F#7      Bm
Perdido fora do bando
                   F#m
Vamo-nos embora, ê ê
           Bm        F#m
Vamo-nos embora, camará
              Bm      F#m
Presse mundo afora, ê ê
              Bm      Bm7/A G#m7(5b)
Presse mundo afora, cama-a-a-rá
           Bm                F#m
Quando eu vim da minha terra
(cm)
Veja o que eu deixei pra trás
                   G7
Cinco noivas sem marido
        F#7        Bm
Sete crianças sem pai
                  G7
Doze santos sem milagre
          F#7        Bm
Quinze suspiros sem ai
                 G7
Trinta marido contente
         F#7        Bm
Me perguntando  já vai?
                     G7
E o padre dizendo às beata
         F#7         Bm
 Milagre custa, mas sai
                   F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
           Bm                F#m
Quando eu vim da minha terra
       Bm
Num sabia o que é sobrosso
                 G7
Sabença de burro velho
        F#7       Bm
Coragem de tigre moço
                 G7
Oração de fechar corpo
       F#7       Bm
Pendurada no pescoço
                 G7
Rifle do papo-amarelo
            F#7      Bm
Peixeira de cabo de osso
                 G7
Medalha de Padre Ciço
    F#7         Bm
E rosário de caroço
                   G7
Pra me alisar pelo fino
        F#7      Bm
E arrepiar pelo grosso
                    G7
Que eu saí da minha terra

Sem cisma
F#7         Bm
Susto ou sobrosso
                   F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
           Bm                F#m
Quando eu vim da minha terra
                  Bm
Vim fazendo tropelia
                    G7
Nos lugar onde eu passava
          F#7     Bm
Estrada ficava vazia
                     G7
Quem vinha vindo, voltava
        F#7        Bm
Quem ia indo, não ia
                     G7
Quem tinha negócio urgente
        F#7        Bm
Deixava pro outro dia
                 G7
Padre largava da missa
        F#7      Bm
Onça largava da cria
                    G7
E os pai de moça donzela
       F#7       Bm
Mudava de freguesia
                    G7
Mas tinha que fazer força
          F#7          Bm
Porque as moça num queria
                   F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
                (Bm)  F#m
Eu sai da minha terra
                (cm)
Por ter sina viageira
                    G7
Cum dois meses de viagem
            F#7     Bm
Eu vivi uma vida inteira
                   G7
Sai bravo, cheguei manso
         F#7      Bm
Macho da mesma maneira
                G7
Estrada foi boa mestra
         F#7       Bm
Me deu lição verdadeira
                  G7
Coragem num tá no grito
        F#7           Bm
E nem riqueza na algibeira
               G7
E os pecado de domingo
            F#7      Bm
Quem paga é segunda-feira
                   F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Letra:

Quando eu vim da minha terra / Passei na enchente nadando
Passei frio, passei fome / Passei dez dias chorando
Por saber que de tua vida / Pra sempre estava passando
Nos passo desse calvário / Tinha ninguém me ajudando
Tava como um passarinho / Perdido fora do bando


Vamo-nos embora, ê ê
Vamo-nos embora, camará
Presse mundo afora, ê ê
Presse mundo afora, camará

Quando eu vim da minha terra / Veja o que eu deixei pra trás
Cinco noivas sem marido / Sete crianças sem pai
Doze santos sem milagre / Quinze suspiros sem ai
Trinta marido contente / Me perguntando "já vai?"
E o padre dizendo às beata / "Milagre custa, mas sai"

Vamo-nos embora, ê ê (...)

Quando eu vim da minha terra / Num sabia o que é sobrosso
Sabença de burro velho / Coragem de tigre moço
Oração de fechar corpo / Pendurada no pescoço
Rifle do papo-amarelo / Peixeira de cabo de osso
Medalha de Padre Ciço / E rosário de caroço
Pra me alisar pêlo fino / E arrepiar pêlo grosso
Que eu saí da minha terra / Sem cisma
Susto ou sobrosso

Vamo-nos embora, ê ê (...)

Quando eu vim da minha terra / Vim fazendo tropelia
Nos lugar onde eu passava / Estrada ficava vazia
Quem vinha vindo, voltava / Quem ia indo, não ia
Quem tinha negócio urgente / Deixava pro outro dia
Padre largava da missa / Onça largava da cria
E os pai de moça donzela / Mudava de freguesia
Mas tinha que fazer força / Porque as moça num queria

Vamo-nos embora, ê ê (...)

Eu sai da minha terra / Por ter sina viageira
Cum dois meses de viagem / Eu vivi uma vida inteira
Sai bravo, cheguei manso / Macho da mesma maneira
Estrada foi boa mestra / Me deu lição verdadeira
Coragem num tá no grito / E nem riqueza na algibeira
E os pecado de domingo / Quem paga é segunda-feira

Vamo-nos embora, ê ê (...)

Na boca da noite

Na Boca da Noite (samba, 1968) - Paulo Vanzolini e Toquinho - Intérprete: Adauto Santos

LP Nau Catarineta / Título da música: Na Boca Da Noite / Toquinho (Compositor) / Paulo Vanzolini (Compositor) / Adauto Santos (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9332 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


G                    A/G    G           Dm7
Cheguei na boca da noite, parti de madrugada
C          Em  Gm/Bb               F/A
Eu não disse que ficava nem você perguntou nada
Em              F     G4/7  G7         C
Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada,
G7           C       C7         F6
Respiração tão macia, morena nem parecia
E7             A
Que a fronha estava molhada 

         A7        D       A7                D
Vi um rosto na janela, parei na beira da estrada
G7        C/A#     F7 A#/G# Em A     D
Cheguei na boca da noite, saí de madrugada 

G                A/G         G            Dm7
Gente da nossa estampa não pede juras nem faz,
C            Em        Gm/Bb       F/A
Ama e passa, e não demonstra sua guerra, sua paz
Em        F       G4/7  G7             C
Quando o galo me chamou, eu parti sem olhar pra trás
G7               C         C7            F6
Porque, morena, eu sabia, se olhasse, não conseguia
E7              A
Sair dali nunca mais 

G                    A/G       G           Dm7 G7
O vento vai pra onde quer, a água corre pro mar
C              Em    Gm/Bb             F/A
Nuvem alta em mão de vento é o jeito da água voltar
Em                 F     G4/7    G7     C
Morena, se acaso um dia tempestade te apanhar
G7         C          C7         F6
Não foge da ventania, da chuva que rodopia,
E7          A
Sou eu mesmo a te abraçar

Samba erudito

Samba Erudito (samba) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Chico Buarque

LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Samba Erudito / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: G
(intro) Am  F#m7/5-  Em/G  Em  Am  B7  Em
        Bm7/5-  Am  F#m7/5-  Em/G  Em  C7  B7  (Em)  (B7)

               F#m7/5-   B7
Andei sobre as águas
           Em
Como São Pedro
                E7
Como Santos Dumont
        G#º      Am
Fui aos ares sem medo
                F#m7/5-
Fui ao fundo do mar
       B7        Em
Como o velho Picard
             F#7
Só pra me exibir
                  (B7)
Só pra te impressionar

           F#m7/5-   B7
Fiz uma poesia
             Em
Como Olavo Bilac
           E7
Soltei filipeta
        G#º        Am
Pra ter dar um Cadillac
               F#m7/5-
Mas você nem ligou
     B7       Em
Para tanta proeza
             F#7
Põe um preço tão alto
           (B7)
Na sua beleza

              F#m7/5-
E então, como Churchill
      B7           Em
Eu tentei outra vez
           E7
Você foi demais
        G#º        Am
Pra paciência do inglês
          F#m7/5-
Aí, me curvei
       B7         Em/G
Ante a força dos fatos
             C7
Lavei minhas mãos
     B7       Em
Como Pôncio Pilatos

Andei sobre as águas (...)

Praça Clóvis


Praça Clóvis (samba, 1964) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Chico Buarque

LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Praça Clóvis / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.


Dm                       A7           Dm
Na Praça Clóvis minha carteira foi batida
     D7                                  Gm
Tinha vinte e cinco cruzeiros e o seu retrato
       A7                           Dm
Vinte e cinco, francamente, achei barato
        E7                      A7
Pra me livrarem do meu atraso de vida
      Gm           A7          Dm
Eu já devia ter rasgado e não podia
      D7                                    Gm
Esse retrato, cujo olhar me maltratava e perseguia

                                Dm
Um dia veio o lanceiro naquele aperto da praça
   E7              A7            Dm         D7
Vinte e cinco francamente foi de graça
 Gm                            Dm
Um dia veio o lanceiro naquele aperto da praça
     E7            A7             Dm
Vinte e cinco francamente foi de graça

Amor de trapo e farrapo


Amor de Trapo e Farrapo (samba, 1962) - Paulo Vanzolini -Intérprete: Alda Perdigão

LP Sonata Do Amor Divino / Título da música: Amor de Trapo e Farrapo / Paulo Vanzolini (Compositor) / Alda Perdigão (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1963 / Nº Álbum: XRLP 5211 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.


Tom: G
(intro) Am7/9 Am7/9 Am7/9 Am7/9 E7/9-

Am7/9
Amor de trapo e farrapo
     D7/9              Am7/9
Tudo errado mas tão gostoso
   Em7/5-           A7
De dar arrepio na espinha
 Dm7
Amor de galo de rinha
 Bm7/5-          E7/9-
Amor de arrancar toco
        Am7/9               C7
Amor de louco contra louca
F#m7/4           B7/9
Ciúme e fogo nos olhos
Bm6             (E7/9)
Beijo, o fogo na boca
       (E7/9-)        Am7/9
E o coração, incêndio pleno
     D7/9
Amor sereno
     Am7/9
Amor pirraça
     D7/9
Amor veneno
     Am7/9
Amor cachaça
 Em7/5-      A7
Amor debaixo d'agua
        Dm7
Amor no meio dos infernos
 Bm7/5-       E7/9-           Am7/9
Amor de meter susto ao Padre Eterno
        C7
E já se vê
   Bm7/5-     E7/9-        Am7/9 (E7/9-)
Só pode ser o amor de eu e você
Am7/9
Amor de trapo e farrapo...

Volta por cima

Paulo Vanzolini
Não é verdade que “Volta por Cima” tenha alguma coisa a ver com a morte do filho do autor ocorrida anos depois de sua criação. A letra deste samba é isto sim, “uma questão de filosofia de vida, como eu gostaria de ser”, afirma o Dr. Paulo Vanzolini mestre em Zoologia pela Universidade de Harvard, diretor do Museu de Zoologia da USP e um dos mais festejados componentes do reduzido grupo de compositores paulistas de sucesso nacional.

Muito original e primorosamente elaborada num período de seis meses, diz a composição “Chorei / não procurei esconder / todos viram / fingiram / pena de mim não precisava / ali onde chorei qualquer um chorava / dar a volta por cima que eu dei / quero ver quem dava...”. E adiante, num arremate em alto astral: “Levanta, sacode a Poeira e dá a volta por cima.” Esses versos ajudariam a popularização da expressão “dar a volta por cima”, citada no dicionário Aurélio como o ato de superar resolver uma situação difícil, desagradável, problemática.

Oferecido a alguns cantores, “Volta por Cima” acabou gravada pelo mineiro Noite Ilustrada, numa ocasião em que Vanzolini estava em viagem na Amazônia. Noite Ilustrada atuava na boate Moleque, onde os frequentadores costumavam fazer coro sempre que ele interpretava a composição. Então, atendendo à pretensão do sambista, o produtor Alfredo Borba autorizou a gravação, que teve um arranjo bem simples do clarinetista Portinho. Quando Vanzolini retornou a São Paulo, foi surpreendido com o seu samba tocando nas rádios e disputando as primeiras colocações nas paradas, para logo se fixar como o maior sucesso de Noite Ilustrada.

A propósito, este apelido pitoresco foi dado ao cantor (que se chama Mário de Souza Marques Filho) em 1951, quando ele participava de um show comandado por Zé Trindade na cidade mineira de Além Paraíba. No momento da apresentação, o comediante esqueceu o seu nome e, vendo-lhe num bolso um exemplar da revista Noite Ilustrada, não se apertou: “E agora com vocês a grande revelação... Noite Ilustrada.” Daí em diante o apelido pegou de tal forma que até Denise, mulher do cantor, o chama de o Noite (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Volta por cima (samba, 1962) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Noite Ilustrada

Disco 78 rpm / Título da música: Volta por cima / Vanzolini, Paulo, 1924-2013 (Compositor) / Noite Ilustrada, 1928-2003 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Philips, 1962 / Nº Álbum 61143 / Gênero musical: Samba.

Am7                                     Em7
Lá, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia, 
laia, laia,
  C7                B7                    Em7     E7
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

Em7              B7/D#              
Chorei, ah eu chorei,
                  Em7
não procurei esconder 
      E7        Bm7/5- 
Todos viram, Fingiram 
        E7           Am7 
Pena de mim não precisava 
D7 
Ali onde eu chorei 
         G7+        C7+ 
Qualquer um chorava 
      F#m7/5-               B7 
Dar a volta por cima que eu dei 
               Em7 
Quero ver quem dava 
   F#m7/5-         B7          Em7 
Um homem de moral  não fica no chão 
    Bm7/5-     E7 
Nem quer que mulher 
    Am7           
Lhe venha dar a mão 

Em/D        Am7     Bbº     Em7 
Reconhece a queda e não desanima 
  C7                B7 
Levanta, sacode a poeira  
                 Em7 
E dá a volta por cima (2x)

Ronda

Se alguém realizasse um concurso para eleger a canção mais executada nos bares noturnos de São Paulo, a vencedora seria muito certamente “Ronda”, do biólogo-compositor Paulo Vanzolini, cuja obra gravada não chega a cinquenta músicas. “Ronda” traduz na letra e na melodia o que há de mais comovedor para a alma do boêmio, com a história da mulher — naturalmente, também frequentadora da noite — que, “com perfeita paciência”, segue em busca do amante, ainda que na convicção de um dia encontrá-lo “bebendo com outras mulheres, rolando um dadinho, jogando bilhar...” “E nesse dia então”, promete a personagem “vai dar na primeira edição: cena de sangue num bar da Avenida São João”.

Sem dúvida, este samba-canção é uma obra-prima condensada em poucos versos, sob a forma de uma narrativa cinematográfica. Inspirada e composta na época em que o autor, ainda jovem, servia no exército e costumava arrebanhar soldados bêbados em bares e prostíbulos, teve a sua primeira gravação em agosto de 53, no Rio, com a cantora Inezita Barroso, em disco RCA cujo lado A trazia a moda “Marvada Pinga". O problema era que não tinha sido escolhida uma música para o lado B. Então, como Paulo Vanzolini e sua mulher estavam no estúdio, acompanhando Inezita, foi sugerido que se incluísse uma composição de sua autoria, pois não havia tempo a perder.

Paulo Vanzolini
Assim, de forma improvisada, “Ronda” foi gravada com a cantora sendo apoiada por um grupo de músicos de primeira, entre os quais Garoto, Zé Menezes, Bola Sete, Chiquinho do Acordeom e Abel Ferreira, tendo este inventado uma introdução na hora. Entretanto, o disco não despertou o menor interesse e “Ronda” permaneceu desconhecida, menos pelos boêmios, companheiros de noitadas do autor.

Quatorze anos depois, ao realizar o disco-brinde Onze sambas e uma capoeira, apenas com canções de Vanzolini, o produtor Marcus Pereira escolheu “Ronda” para uma das faixas, entregando-a a Cláudia Moreno. Isso marcou o começo de sua escalada para o sucesso consagrador, atingido pela calorosa versão da cantora Márcia, e de outras também expressivas gravações como as de Carmen Costa, Ângela Maria, Nora Ney e Maria Bethânia.

Precedida pela clássica introdução que reproduz seus compassos finais, “Ronda” tem a virtude de conquistar o ouvinte logo a partir das notas iniciais, o que se deve ao charme produzido pela descida de meio em meio tom, nas notas mi, mi bemol e ré, que recaem sobre as sílabas “da”, de “ci-da-de” , no primeiro verso, “rar” e “trar” das palavras “pro-cu-rar” e “en-con-trar”, no segundo, respectivamente harmonizadas com acordes de lá menor com sétima, dó menor com lá no baixo e ré com sétima.

Em 1978, Caetano Veloso utilizou a melodia de sua frase final para arrematar a sua canção “Sampa”. Pertencente à casta dos bons compositores que não sabem tocar instrumento algum, Paulo Vanzolini não se envergonha de confessar que não consegue distinguir a diferença entre os modos maior e menor da música.

Ronda (samba-canção, 1951 - sucesso em 1967) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Márcia

LP Ronda / Título da música: Ronda / Paulo Vanzolini (Compositor) / Márcia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1977 / Nº Álbum: SMOFB 3929 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção / MPB.

Tom: G
G                      Bm
De noite, eu rondo a cidade,
         F               E
a te procurar, sem encontrar.
  Am                  Am7+
No meio de olhares, espio
              Am7             D7
em todos os bares, você não está.
G                  Bm  E
Volto prá casa abatida,
Am              Cm
desencantada da vida,
G       E          Eb7
o sonho alegria me dá,
       D7    G Bm Bbº
nele você está.
Am
Ah, se eu tivesse
D7
quem bem me quisesse,
 G
esse alguém me diria:
  F#m                   B7
Desiste, esta busca é inútil,
            Em Am D7
eu não desistia.
  G                      Bm
Porém, com perfeita paciência,
       F                        E
sigo a te buscar, hei de encontrar,
   Am                  Am7+
bebendo com outras mulheres,
               Am7             D7
rolando um dadinho, jogando bilhar.
 G             Bm
E nesse dia, então,
E    Am               Cm   F
vai dar na primeira edição:
G           E       Eb7
Cena de sangue num bar
       D7/5+    G7+
da Avenida São João.


Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Cuitelinho


Cuitelinho (toada, 1974) - Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó - Intérprete: Nara Leão

LP Anuário Marcus Pereira / Título da música: Cuitelinho / Tradicional / Paulo Vanzolini (Pesquisador) / Antônio Xandó (Pesquisador) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Álbum: 403.5026 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo.


A
Cheguei na beira do porto
                    E
Onde as ondas se espáia
    A
As garça dá meia volta
                     E
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
                     A               A E D E A
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
             A
Aí quando eu vim de minha terra
                 E
Despedi da parentaia
      A
Eu entrei no Mato Grosso
                    E
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
                   A              A E D E A
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
     A
(*)A tua saudade corta
              E
Como aço de navaia
      A
O coração fica aflito
                   E
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
                       A                A E D E A (bis) (*)
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Paulo Vanzolini

Nascido em São Paulo, aos quatro anos mudou-se para o Rio. Aos 18 anos, entrou para a faculdade de medicina, ao mesmo tempo em que passava a frequentar as rodas de samba na noite carioca. Foi quando começou a compor seus primeiros sambas.


Dois anos depois, foi trabalhar com um primo na Rádio América, no programa Consultório Sentimental, da atriz Cacilda Becker.

Em 1946, começou a dar aulas no Colégio Bandeirantes e foi trabalhar no Museu de Zoologia da USP. Formou-se um ano depois, casou-se e foi para os EUA, onde graduou-se doutor em zoologia, na Universidade de Harvard.

De volta a São Paulo, foi em 1951 que compôs seu maior clássico, o samba-canção Ronda, que se tornaria uma peça obrigatória nos pianos-bar de todo o país a partir de então. Inicialmente, porém, a canção não obteve maior repercussão, lançada por Inezita Barroso. Só faria sucesso real nos anos 60, graças à gravação da cantora Márcia. Depois, voltaria às paradas na voz de Maria Bethânia, que a regravou em 1978.

Ainda em 51, Vanzolini lançou um livro de poemas, "Lira". A seguir, foi convidado a atuar na TV Record (SP).

Em 1963, teve seu samba Volta por cima lançado pelo sambista paulista Noite Ilustrada, com grande sucesso, em seu LP de estreia. Era o segundo clássico do compositor, depois regravado à exaustão. Nesse ano, Vanzolini tornou-se diretor do Museu de Zoologia e continuou compondo músicas, muitas delas conhecidas apenas pelos frequentadores da boate Jogral, onde vez por outra dava canjas.

Em 67, dois de seus amigos, Luís Carlos Paraná e Marcus Pereira decidiram produzir um LP com suas canções, "11 Sambas e uma Capoeira", interpretada por diversos cantores, tais como Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito). Em seguida, inaugurou uma parceria com Toquinho, compondo "Na Boca da Noite" (que venceu a etapa paulista do II FIC, da TV Globo), "Boba" e "Noite Longa".

Em 1974, o mesmo Marcus Pereira em seu selo editou mais um LP do compositor, "A música de Paulo Vanzolini", com canções suas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques, como Falta de Mim e Mulher que não dá samba. Destaca-se ainda em sua obra o samba Amor de trapo e farrapo, composto em 67.

Algumas músicas



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.