LP A Música De Paulo Vanzolini / Título da música: Mulher Que Não Dá Samba / Paulo Vanzolini (Compositor) / Carmen Costa (Intérprete) / Paulo Marques (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9328 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.
Intro: F#m G7 Cm Cm/A# F#m G7 Cm G#7 G7
Cm G7 Cm
Parece que vai tudo em santa paz
G7 Cm
Na base do mais ou menos
C7 F#m
Um pouco mais menos do que mais
G7
Tão regular, sem reclamar
Cm Cm/A#
Porém não satisfaz
D7/A G#7 G7
Mas francamente, de que serve tanta paz
Cm G7 Cm
Ainda se fosse brava porém competente
C7 F#m
Se atrás da bronca viesse a roupa limpa, o café quente
G7 Cm Cm/A#
Ou se fosse ignorante no claro e ardente no escuro
D7/A
Eu lhe asseguro
G#7 G7
Não faria falta a paz
F#m G7 Cm Cm/A#
Mulher que não dá samba eu não quero mais
F#m G7 Cm
Mulher que não dá samba eu não quero mais
CD Biscoito Fino / Título da música: Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Biscoito Fino / Ano: 2003 / Nº Álbum: BFP 004 / Faixa 8 / Gênero musical: Samba / MPB.
Bm Em
Quando eu for, eu vou sem pena
F7 Bm
Pena vai ter quem ficar
B7 Em
Morena tão desamada e tão precisada de amar
F7 Bm
Açucena delicada sem a mão lhe cuidar
G7 F7
Curva de rio de sereno sem proa pra navegar
Em F7 Bm
E tanta beira de estrada sem um moço pra pousar
Em
O que eu fiz é muito pouco
F7 Bm
Mas é meu e vai comigo
B7
Deixo muito inimigo
Em
Porque sempre andei direito
F7 Bm
Agasalhei neste peito muita cabeça chorando
G7 F7
Morena minha até quando você de mim vai lembrar
Em
Quando eu for, eu vou sem pena
F7 Bm
Pena vai ter quem ficar
CD Acerto De Contas De Paulo Vanzolini / Título da música: Bandeira de Guerra / Paulo Vanzolini (Compositor) / Paulinho da Viola (Intérprete) / Gravadora: Biscoito Fino / Ano: 2002 / Nº Álbum: BF 540 / Disco 1 / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.
Intro: Em Bm G F# Bm
Bm Em
Foi numa esquina da vida
F#7 Bm
Uma mulher em hora perdida
G7 F#7 C7
Um homem em ponto morto
B7 Em A
Nessa base do tropeço e mau começo
A7 F#m Em
Foi nascer contra a vontade esse amor torto
F#7 Bm G
Me admira ter vingado, quem diria
F#7 C7 B7 Em
Que fosse loucura pra mais do que um dia
F#7 Bm Bm/A G7M
Na verdade quem diria
F#7 Bm A
Que enxergasse a luz do dia
A7 F#m
Mas vingou e é coisa feita
A#°
Torto sim eu ostento
C7 B7
E ninguém me endireita
Em Bm Bm/A
Mulher, já que Deus quer vamos em frente
G7
Minha bandeira de guerra
Meu pé de briga na terra
F#7 Bm
Meu direito de ser gente
Em F#
Minha bandeira de guerra
Em
Meu pé de briga na terra
F# Bm
Meu direito de ser gente
LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Capoeira do Arnaldo / Paulo Vanzolini (Compositor) / Luiz Carlos Paraná (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Capoeira / Samba / MPB.
Tom: D
Bm F#m
Quando eu vim da minha terra
Bm
Passei na enchente nadando
G7
Passei frio, passei fome
F#7 Bm
Passei dez dias chorando
G7
Por saber que de tua vida
F#7 Bm
Pra sempre estava passando
G7
Nos passo desse calvário
F#7 Bm
Tinha ninguém me ajudando
G7
Tava como um passarinho
F#7 Bm
Perdido fora do bando
F#m
Vamo-nos embora, ê ê
Bm F#m
Vamo-nos embora, camará
Bm F#m
Presse mundo afora, ê ê
Bm Bm7/A G#m7(5b)
Presse mundo afora, cama-a-a-rá
Bm F#m
Quando eu vim da minha terra
(cm)
Veja o que eu deixei pra trás
G7
Cinco noivas sem marido
F#7 Bm
Sete crianças sem pai
G7
Doze santos sem milagre
F#7 Bm
Quinze suspiros sem ai
G7
Trinta marido contente
F#7 Bm
Me perguntando já vai?
G7
E o padre dizendo às beata
F#7 Bm
Milagre custa, mas sai
F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Bm F#m
Quando eu vim da minha terra
Bm
Num sabia o que é sobrosso
G7
Sabença de burro velho
F#7 Bm
Coragem de tigre moço
G7
Oração de fechar corpo
F#7 Bm
Pendurada no pescoço
G7
Rifle do papo-amarelo
F#7 Bm
Peixeira de cabo de osso
G7
Medalha de Padre Ciço
F#7 Bm
E rosário de caroço
G7
Pra me alisar pelo fino
F#7 Bm
E arrepiar pelo grosso
G7
Que eu saí da minha terra
Sem cisma
F#7 Bm
Susto ou sobrosso
F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Bm F#m
Quando eu vim da minha terra
Bm
Vim fazendo tropelia
G7
Nos lugar onde eu passava
F#7 Bm
Estrada ficava vazia
G7
Quem vinha vindo, voltava
F#7 Bm
Quem ia indo, não ia
G7
Quem tinha negócio urgente
F#7 Bm
Deixava pro outro dia
G7
Padre largava da missa
F#7 Bm
Onça largava da cria
G7
E os pai de moça donzela
F#7 Bm
Mudava de freguesia
G7
Mas tinha que fazer força
F#7 Bm
Porque as moça num queria
F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
(Bm) F#m
Eu sai da minha terra
(cm)
Por ter sina viageira
G7
Cum dois meses de viagem
F#7 Bm
Eu vivi uma vida inteira
G7
Sai bravo, cheguei manso
F#7 Bm
Macho da mesma maneira
G7
Estrada foi boa mestra
F#7 Bm
Me deu lição verdadeira
G7
Coragem num tá no grito
F#7 Bm
E nem riqueza na algibeira
G7
E os pecado de domingo
F#7 Bm
Quem paga é segunda-feira
F#m
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Letra:
Quando eu vim da minha terra / Passei na enchente nadando Passei frio, passei fome / Passei dez dias chorando Por saber que de tua vida / Pra sempre estava passando Nos passo desse calvário / Tinha ninguém me ajudando Tava como um passarinho / Perdido fora do bando
Vamo-nos embora, ê ê Vamo-nos embora, camará Presse mundo afora, ê ê Presse mundo afora, camará
Quando eu vim da minha terra / Veja o que eu deixei pra trás Cinco noivas sem marido / Sete crianças sem pai Doze santos sem milagre / Quinze suspiros sem ai Trinta marido contente / Me perguntando "já vai?" E o padre dizendo às beata / "Milagre custa, mas sai"
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Quando eu vim da minha terra / Num sabia o que é sobrosso Sabença de burro velho / Coragem de tigre moço Oração de fechar corpo / Pendurada no pescoço Rifle do papo-amarelo / Peixeira de cabo de osso Medalha de Padre Ciço / E rosário de caroço Pra me alisar pêlo fino / E arrepiar pêlo grosso Que eu saí da minha terra / Sem cisma Susto ou sobrosso
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Quando eu vim da minha terra / Vim fazendo tropelia Nos lugar onde eu passava / Estrada ficava vazia Quem vinha vindo, voltava / Quem ia indo, não ia Quem tinha negócio urgente / Deixava pro outro dia Padre largava da missa / Onça largava da cria E os pai de moça donzela / Mudava de freguesia Mas tinha que fazer força / Porque as moça num queria
Vamo-nos embora, ê ê (...)
Eu sai da minha terra / Por ter sina viageira Cum dois meses de viagem / Eu vivi uma vida inteira Sai bravo, cheguei manso / Macho da mesma maneira Estrada foi boa mestra / Me deu lição verdadeira Coragem num tá no grito / E nem riqueza na algibeira E os pecado de domingo / Quem paga é segunda-feira
LP Nau Catarineta / Título da música: Na Boca Da Noite / Toquinho (Compositor) / Paulo Vanzolini (Compositor) / Adauto Santos (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9332 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.
G A/G G Dm7
Cheguei na boca da noite, parti de madrugada
C Em Gm/Bb F/A
Eu não disse que ficava nem você perguntou nada
Em F G4/7 G7 C
Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada,
G7 C C7 F6
Respiração tão macia, morena nem parecia
E7 A
Que a fronha estava molhada
A7 D A7 D
Vi um rosto na janela, parei na beira da estrada
G7 C/A# F7 A#/G# Em A D
Cheguei na boca da noite, saí de madrugada
G A/G G Dm7
Gente da nossa estampa não pede juras nem faz,
C Em Gm/Bb F/A
Ama e passa, e não demonstra sua guerra, sua paz
Em F G4/7 G7 C
Quando o galo me chamou, eu parti sem olhar pra trás
G7 C C7 F6
Porque, morena, eu sabia, se olhasse, não conseguia
E7 A
Sair dali nunca mais
G A/G G Dm7 G7
O vento vai pra onde quer, a água corre pro mar
C Em Gm/Bb F/A
Nuvem alta em mão de vento é o jeito da água voltar
Em F G4/7 G7 C
Morena, se acaso um dia tempestade te apanhar
G7 C C7 F6
Não foge da ventania, da chuva que rodopia,
E7 A
Sou eu mesmo a te abraçar
LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Samba Erudito / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.
Tom: G
(intro) Am F#m7/5- Em/G Em Am B7 Em
Bm7/5- Am F#m7/5- Em/G Em C7 B7 (Em) (B7)
F#m7/5- B7
Andei sobre as águas
Em
Como São Pedro
E7
Como Santos Dumont
G#º Am
Fui aos ares sem medo
F#m7/5-
Fui ao fundo do mar
B7 Em
Como o velho Picard
F#7
Só pra me exibir
(B7)
Só pra te impressionar
F#m7/5- B7
Fiz uma poesia
Em
Como Olavo Bilac
E7
Soltei filipeta
G#º Am
Pra ter dar um Cadillac
F#m7/5-
Mas você nem ligou
B7 Em
Para tanta proeza
F#7
Põe um preço tão alto
(B7)
Na sua beleza
F#m7/5-
E então, como Churchill
B7 Em
Eu tentei outra vez
E7
Você foi demais
G#º Am
Pra paciência do inglês
F#m7/5-
Aí, me curvei
B7 Em/G
Ante a força dos fatos
C7
Lavei minhas mãos
B7 Em
Como Pôncio Pilatos
Andei sobre as águas (...)
LP Onze Sambas E Uma Capoeira / Título da música: Praça Clóvis / Paulo Vanzolini (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1967 / Nº Álbum: MPL 1020 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.
Dm A7 Dm
Na Praça Clóvis minha carteira foi batida
D7 Gm
Tinha vinte e cinco cruzeiros e o seu retrato
A7 Dm
Vinte e cinco, francamente, achei barato
E7 A7
Pra me livrarem do meu atraso de vida
Gm A7 Dm
Eu já devia ter rasgado e não podia
D7 Gm
Esse retrato, cujo olhar me maltratava e perseguia
Dm
Um dia veio o lanceiro naquele aperto da praça
E7 A7 Dm D7
Vinte e cinco francamente foi de graça
Gm Dm
Um dia veio o lanceiro naquele aperto da praça
E7 A7 Dm
Vinte e cinco francamente foi de graça
LP Sonata Do Amor Divino / Título da música: Amor de Trapo e Farrapo / Paulo Vanzolini (Compositor) / Alda Perdigão (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1963 / Nº Álbum: XRLP 5211 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.
Tom: G
(intro) Am7/9 Am7/9 Am7/9 Am7/9 E7/9-
Am7/9
Amor de trapo e farrapo
D7/9 Am7/9
Tudo errado mas tão gostoso
Em7/5- A7
De dar arrepio na espinha
Dm7
Amor de galo de rinha
Bm7/5- E7/9-
Amor de arrancar toco
Am7/9 C7
Amor de louco contra louca
F#m7/4 B7/9
Ciúme e fogo nos olhos
Bm6 (E7/9)
Beijo, o fogo na boca
(E7/9-) Am7/9
E o coração, incêndio pleno
D7/9
Amor sereno
Am7/9
Amor pirraça
D7/9
Amor veneno
Am7/9
Amor cachaça
Em7/5- A7
Amor debaixo d'agua
Dm7
Amor no meio dos infernos
Bm7/5- E7/9- Am7/9
Amor de meter susto ao Padre Eterno
C7
E já se vê
Bm7/5- E7/9- Am7/9 (E7/9-)
Só pode ser o amor de eu e você
Am7/9
Amor de trapo e farrapo...
Não é verdade que “Volta por Cima” tenha alguma coisa a ver com a morte do filho do autor ocorrida anos depois de sua criação. A letra deste samba é isto sim, “uma questão de filosofia de vida, como eu gostaria de ser”, afirma o Dr. Paulo Vanzolini mestre em Zoologia pela Universidade de Harvard, diretor do Museu de Zoologia da USP e um dos mais festejados componentes do reduzido grupo de compositores paulistas de sucesso nacional.
Muito original e primorosamente elaborada num período de seis meses, diz a composição “Chorei / não procurei esconder / todos viram / fingiram / pena de mim não precisava / ali onde chorei qualquer um chorava / dar a volta por cima que eu dei / quero ver quem dava...”. E adiante, num arremate em alto astral: “Levanta, sacode a Poeira e dá a volta por cima.” Esses versos ajudariam a popularização da expressão “dar a volta por cima”, citada no dicionário Aurélio como o ato de superar resolver uma situação difícil, desagradável, problemática.
Oferecido a alguns cantores, “Volta por Cima” acabou gravada pelo mineiro Noite Ilustrada, numa ocasião em que Vanzolini estava em viagem na Amazônia. Noite Ilustrada atuava na boate Moleque, onde os frequentadores costumavam fazer coro sempre que ele interpretava a composição. Então, atendendo à pretensão do sambista, o produtor Alfredo Borba autorizou a gravação, que teve um arranjo bem simples do clarinetista Portinho. Quando Vanzolini retornou a São Paulo, foi surpreendido com o seu samba tocando nas rádios e disputando as primeiras colocações nas paradas, para logo se fixar como o maior sucesso de Noite Ilustrada.
A propósito, este apelido pitoresco foi dado ao cantor (que se chama Mário de Souza Marques Filho) em 1951, quando ele participava de um show comandado por Zé Trindade na cidade mineira de Além Paraíba. No momento da apresentação, o comediante esqueceu o seu nome e, vendo-lhe num bolso um exemplar da revista Noite Ilustrada, não se apertou: “E agora com vocês a grande revelação... Noite Ilustrada.” Daí em diante o apelido pegou de tal forma que até Denise, mulher do cantor, o chama de o Noite (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).
Volta por cima (samba, 1962) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Noite Ilustrada
Disco 78 rpm / Título da música: Volta por cima / Vanzolini, Paulo, 1924-2013 (Compositor) / Noite Ilustrada, 1928-2003 (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Philips, 1962 / Nº Álbum 61143 / Gênero musical: Samba.
Am7Em7
Lá, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia, laia,
laia, laia,
C7B7Em7E7
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima
Em7B7/D#
Chorei, ah eu chorei,
Em7
não procurei esconder
E7Bm7/5-
Todos viram, Fingiram
E7Am7
Pena de mim não precisava
D7
Ali onde eu chorei
G7+C7+
Qualquer um chorava
F#m7/5-B7
Dar a volta por cima que eu dei
Em7
Quero ver quem dava
F#m7/5-B7Em7
Um homem de moral não fica no chão
Bm7/5-E7
Nem quer que mulher
Am7
Lhe venha dar a mão
Em/DAm7BbºEm7
Reconhece a queda e não desanima
C7B7
Levanta, sacode a poeira
Em7
E dá a volta por cima (2x)
Se alguém realizasse um concurso para eleger a canção mais executada nos bares noturnos de São Paulo, a vencedora seria muito certamente “Ronda”, do biólogo-compositor Paulo Vanzolini, cuja obra gravada não chega a cinquenta músicas. “Ronda” traduz na letra e na melodia o que há de mais comovedor para a alma do boêmio, com a história da mulher — naturalmente, também frequentadora da noite — que, “com perfeita paciência”, segue em busca do amante, ainda que na convicção de um dia encontrá-lo “bebendo com outras mulheres, rolando um dadinho, jogando bilhar...” “E nesse dia então”, promete a personagem “vai dar na primeira edição: cena de sangue num bar da Avenida São João”.
Sem dúvida, este samba-canção é uma obra-prima condensada em poucos versos, sob a forma de uma narrativa cinematográfica. Inspirada e composta na época em que o autor, ainda jovem, servia no exército e costumava arrebanhar soldados bêbados em bares e prostíbulos, teve a sua primeira gravação em agosto de 53, no Rio, com a cantora Inezita Barroso, em disco RCA cujo lado A trazia a moda “Marvada Pinga". O problema era que não tinha sido escolhida uma música para o lado B. Então, como Paulo Vanzolini e sua mulher estavam no estúdio, acompanhando Inezita, foi sugerido que se incluísse uma composição de sua autoria, pois não havia tempo a perder.
Paulo Vanzolini
Assim, de forma improvisada, “Ronda” foi gravada com a cantora sendo apoiada por um grupo de músicos de primeira, entre os quais Garoto, Zé Menezes, Bola Sete, Chiquinho do Acordeom e Abel Ferreira, tendo este inventado uma introdução na hora. Entretanto, o disco não despertou o menor interesse e “Ronda” permaneceu desconhecida, menos pelos boêmios, companheiros de noitadas do autor.
Quatorze anos depois, ao realizar o disco-brinde Onze sambas e uma capoeira, apenas com canções de Vanzolini, o produtor Marcus Pereira escolheu “Ronda” para uma das faixas, entregando-a a Cláudia Moreno. Isso marcou o começo de sua escalada para o sucesso consagrador, atingido pela calorosa versão da cantora Márcia, e de outras também expressivas gravações como as de Carmen Costa, Ângela Maria, Nora Ney e Maria Bethânia.
Precedida pela clássica introdução que reproduz seus compassos finais, “Ronda” tem a virtude de conquistar o ouvinte logo a partir das notas iniciais, o que se deve ao charme produzido pela descida de meio em meio tom, nas notas mi, mi bemol e ré, que recaem sobre as sílabas “da”, de “ci-da-de” , no primeiro verso, “rar” e “trar” das palavras “pro-cu-rar” e “en-con-trar”, no segundo, respectivamente harmonizadas com acordes de lá menor com sétima, dó menor com lá no baixo e ré com sétima.
Em 1978, Caetano Veloso utilizou a melodia de sua frase final para arrematar a sua canção “Sampa”. Pertencente à casta dos bons compositores que não sabem tocar instrumento algum, Paulo Vanzolini não se envergonha de confessar que não consegue distinguir a diferença entre os modos maior e menor da música.
LP Ronda / Título da música: Ronda / Paulo Vanzolini (Compositor) / Márcia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1977 / Nº Álbum: SMOFB 3929 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção / MPB.
Tom: G
GBm
De noite, eu rondo a cidade,
FE
a te procurar, sem encontrar.
AmAm7+
No meio de olhares, espio
Am7D7
em todos os bares, você não está.
GBmE
Volto prá casa abatida,
AmCm
desencantada da vida,
GEEb7
o sonho alegria me dá,
D7GBmBbº
nele você está.
Am
Ah, se eu tivesse
D7
quem bem me quisesse,
G
esse alguém me diria:
F#mB7
Desiste, esta busca é inútil,
EmAmD7
eu não desistia.
GBm
Porém, com perfeita paciência,
FE
sigo a te buscar, hei de encontrar,
AmAm7+
bebendo com outras mulheres,
Am7D7
rolando um dadinho, jogando bilhar.
GBm
E nesse dia, então,
EAmCmF
vai dar na primeira edição:
GEEb7
Cena de sangue num bar
D7/5+G7+
da Avenida São João.
Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.
Cuitelinho (toada, 1974) - Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó - Intérprete: Nara Leão
LP Anuário Marcus Pereira / Título da música: Cuitelinho / Tradicional / Paulo Vanzolini (Pesquisador) / Antônio Xandó (Pesquisador) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Álbum: 403.5026 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo.
A
Cheguei na beira do porto
E
Onde as ondas se espáia
A
As garça dá meia volta
E
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
AAEDEA
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
A
Aí quando eu vim de minha terra
E
Despedi da parentaia
A
Eu entrei no Mato Grosso
E
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
AAEDEA
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
A
(*)A tua saudade corta
E
Como aço de navaia
A
O coração fica aflito
E
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
AAEDEA (bis) (*)
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai
Nascido em São Paulo, aos quatro anos mudou-se para o Rio. Aos 18 anos, entrou para a faculdade de medicina, ao mesmo tempo em que passava a frequentar as rodas de samba na noite carioca. Foi quando começou a compor seus primeiros sambas.
Dois anos depois, foi trabalhar com um primo na Rádio América, no programa Consultório Sentimental, da atriz Cacilda Becker.
Em 1946, começou a dar aulas no Colégio Bandeirantes e foi trabalhar no Museu de Zoologia da USP. Formou-se um ano depois, casou-se e foi para os EUA, onde graduou-se doutor em zoologia, na Universidade de Harvard.
De volta a São Paulo, foi em 1951 que compôs seu maior clássico, o samba-canção Ronda, que se tornaria uma peça obrigatória nos pianos-bar de todo o país a partir de então. Inicialmente, porém, a canção não obteve maior repercussão, lançada por Inezita Barroso. Só faria sucesso real nos anos 60, graças à gravação da cantora Márcia. Depois, voltaria às paradas na voz de Maria Bethânia, que a regravou em 1978.
Ainda em 51, Vanzolini lançou um livro de poemas, "Lira". A seguir, foi convidado a atuar na TV Record (SP).
Em 1963, teve seu samba Volta por cima lançado pelo sambista paulista Noite Ilustrada, com grande sucesso, em seu LP de estreia. Era o segundo clássico do compositor, depois regravado à exaustão. Nesse ano, Vanzolini tornou-se diretor do Museu de Zoologia e continuou compondo músicas, muitas delas conhecidas apenas pelos frequentadores da boate Jogral, onde vez por outra dava canjas.
Em 67, dois de seus amigos, Luís Carlos Paraná e Marcus Pereira decidiram produzir um LP com suas canções, "11 Sambas e uma Capoeira", interpretada por diversos cantores, tais como Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito). Em seguida, inaugurou uma parceria com Toquinho, compondo "Na Boca da Noite" (que venceu a etapa paulista do II FIC, da TV Globo), "Boba" e "Noite Longa".
Em 1974, o mesmo Marcus Pereira em seu selo editou mais um LP do compositor, "A música de Paulo Vanzolini", com canções suas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques, como Falta de Mim e Mulher que não dá samba. Destaca-se ainda em sua obra o samba Amor de trapo e farrapo, composto em 67.