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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Anastácia


Anastácia (Lucinete Ferreira), cantora e compositora, nasceu no Recife, PE, em 30/5/1941. Seu interesse pela música surgiu muito cedo, aos sete anos de idade. Nessa época, acompanhava um cantador de cocos no bairro Macaxeira, onde ela vivia.


Iniciou a carreira no ano de 1954, cantando na Rádio Jornal do Comércio no Recife. Interpretava canções do sul do país, principalmente sucessos de Celly Campello. Em 1960, transferiu-se para São Paulo, onde passou a cantar gêneros nordestinos.

Fez shows pelo interior paulista, participando da "Caravana do peru que fala", com Sílvio Santos. Em seguida apresentou-se com a dupla nordestina Venâncio e Corumba. Ganhou nessa época o nome artístico de Anastácia, dado pelo produtor, cantor e compositor Palmeira, então diretor da gravadora Chantecler.

Gravou em 1960 seu primeiro disco, um compacto com as músicas Noivado longo, de Max Nunes, Chuleado, A Dica do Deca e Forró fiá, todas de Venâncio e Corumbá. Em 1961 gravou o primeiro LP pela Chantecler.

Em 1963, o cantor Noite Ilustrada gravou a primeira composição de Anastácia, Conselho de amigo, feita em parceria com Italúcia. Passou, em seguida, para a gravadora Continental onde gravou quatro LPs, que obtiveram sucesso especialmente no Nordeste.

Em meados da década de 60, conheceu o cantor Dominguinhos num programa de Luiz Gonzaga na extinta TV Continental no Rio de Janeiro, com quem se casou e fez parceria musical. Com Dominguinhos participou de uma caravana artística com o "Rei do baião".

Em 1969, participou com Dominguinhos do Festival de Música Regional Nordestina, promovido pela TV Bandeirantes, com as composições Um mundo de amor, que não foi classificada e De amor eu morrerei, que chegou em segundo lugar, as duas defendidas pela cantora nordestina Marinês. Com Dominguinhos compôs mais de 50 músicas.

Em 1969, lançou pela RCA Victor o disco Caminho da roça, com a participação de Luiz Gonzaga nas faixas Minha gente, eu vou me embora, de Antônio Barros e Feira do pobre, de Onildo Almeida.

Em 1970, lançou o LP Canto do sabiá, apenas com composições próprias. No mesmo ano, gravou duas composições, De amor eu morrerei e Um mundo de amor, no LP Festival nordestino, ambas de sua autoria e Dominguinhos. Em 1971, lançou o LP Torrão de ouro.

Em 1973, Gilberto Gil gravou sua composição Eu só quero um xodó, parceria com Dominguinhos, em gravação clássica. Essa música recebeu mais de 20 regravações. O mesmo Gilberto Gil gravou com sucesso a canção Tenho sede, regravando-a em 1994 no disco Unplugged.

Em 1974, teve duas de suas músicas gravadas por duas das maiores cantoras brasileiras, Gal Costa, que regravou De amor eu morrerei e Ângela Maria que gravou Amor que não presta não serve pra mim.

Anastácia gravou cerca de 30 discos, constituindo-se numa das maiores nomes do forró. Outros intérpretes que gravaram composições suas foram Nana Caymmi, Cláudia Barroso, Jane Duboc, Doris Monteiro, José Augusto, Ângela Maria e outros, além dos internacionais Paul Murriat, Timy Thomas e Ornela Vanoni.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Lamento sertanejo


Lamento Sertanejo (1973) - Gilberto Gil e Dominguinhos - Intérprete: Dominguinhos

LP Tudo Azul / Título da música: Lamento Sertanejo / Dominguinhos (Compositor) / Gilberto Gil (Compositor) / Dominguinhos (Intérprete) / Gravadora: Tropicana / CBS / Ano: 1973 / Nº Álbum: 01215 / Lado B / Faixa 2.


Intro: Dm A7/C# Dm/C

Dm/C        G/B
Por ser de lá
      Bb7+           Dm
Do sertão, lá do serrado
          Dm/F F#° Gm
Lá do interior do mato
    C7             F7+ Cm7
Da caatinga e do roçado
 F7       Bb7+
Eu quase não saio
  Am                  Dm
Eu quase não tenho amigo
 Dm/C               G/B
Eu quase que não consigo
           Bb7+        Am        Dm
Viver na cidade sem ficar contrariado
Dm A7/C# Dm/C G/B
      Por ser de lá
     Bb7+          Dm
Na certa por isso mesmo
             Dm/F F#° Gm
Não gosto de cama mole
         C7           F7+
Não sei comer sem torresmo
Cm7 F7        Bb7+
 Eu quase não falo
 Am                  Dm
Eu quase não sei de nada
 Dm/C                G/B
Sou como rês desgarrada
            Bb7+        Am        Dm
Nessa multidão boiada caminhando à esmo

Isso aqui tá bom demais


Isso aqui tá bom demais (1985) - Nando Cordel e Dominguinhos - Intérpretes: Dominguinhos e Chico Buarque

LP Isso Aqui Tá Bom Demais / Título da música: Isso Aqui Tá Bom Demais / Dominguinhos (Compositor) / Nando Cordel (Compositor) / Dominguinhos (Intérprete) / Chico Buarque (Partic.) / Gravadora: RCA Camden / Ano: 1985 / Nº Álbum: 107.0450 / Lado A / Faixa 1.


Tom: D  

Refrão:
A    E
Olha, isso aqui tá muito bom
      B7    E
Isso aqui tá bom demais
A    E
Olha, quem ta fora qué entra
  B7        E
Mas quem ta dentro não sai

Verso:
Bm      D         G7    B7/F#  E    Bm
Vou perder me afogar no teu amor
           D           G7    B7/F#  E   Bm
Vou desfrutar me lambuzar deste calor
        D            G7      B7/F#  E   Bm
Te agarrar pra descontar minha paixão
        D          G7     B7/F# E
Aproveitar o gosto dessa animação

Tantas palavras

Tantas Palavras (1983) - Chico Buarque e Dominguinhos - Intérprete: Chico Buarque

LP Chico Buarque / Título da música: Tantas Palavras / Chico Buarque (Compositor) / Dominguinhos (Compositor) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: Barclay / Ariola / Ano: 1984 / Nº Álbum: 825 161-1 / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: MPB.


Tom: G7+

G7+               F#m7/5-         B9-/7     E13/7
Tantas palavras    que eu conhecia
Bm7/5- E7  Am7    E7/5+   Am7
Só por ouvir      falar, falar
F#m7/5-   B9-/7  Em7+          Em7     A9/7/4
Tantas pala........vras      que ela gostava
A13/7  A7/9/11+ Am9/7          D7/5+   G7+
E repeti...a             só por gostar
Gm7   C9/7  Bm7  
Não tinham tradução,        
E7/5+ Am7   Am6   C#9+/7/11+
mas combinavam bem
F#7/5+    Bm7            Bm7/5-   E13/7
Toda sessão ela virava uma atriz
Bm7  E9+/7      Am7         D9-/7    G7+
"Give me a kiss,   darling", "Play it again"
D/F#  G/F    E7
Trocamos confissões,
A9/7   D9/7
Sons no cinema
B13/7   B7/5+   Bm7   E9+/7   Am7
Dublando as paixões
F#m7/5- B9-/7          Em7           E7/5+/9-
Movendo as bocas     com palavras ocas ou fora de si
Am7                     F13/7
Minha boca sem que eu compreendesse
A13/7  Eb9/7       D9/7  D9-/7  G7+
Falou c'est fini,        c'est fini
F#13/7 B9/7           E7/5+/9-  Am7
Tantas palavras    que eu conhecia
E7/5+ Am7     E7/5+   C7+
E já não falo  mais, jamais
C#m7/5-   F#7/5+ Bm7           E7/5+/9-  Am7
Quantas pala........vras      que ela adorava
E7/5+ Am7   D13/7  G7+
Saíram de cartaz
D/F#   Dm7         G7     C7+
Nós aprendemos     palavras duras
E7/5+  Am7    E7/5+  C#9+/7/11+
Como dizer perdi, perdi
F#7/5+ Bm7/5-      E7/5+   Am7
Palavras tontas,   nossas palavras
D9-/7              G7+
Quem falou    não está mais aqui

Eu só quero um xodó

Dominguinhos
Eu Só Quero Um Xodó (1973) - Anastácia e Dominguinhos - Interpretação: Gilberto Gil

Compacto simples Gilberto Gil (7', vinil) / Título da música: Só Quero Um Xodó / Anástacia (Compositora) / Dominguinhos (Compositor) / Gilberto Gil (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1973 / Nº Álbum: 6069 072 / Lado 2.


    D              Bm    F#m
Que falta eu sinto de um bem
    G            A7   D    A7
Que falta me faz um xodó
    D           Bm       F#m
Mas como eu não tenho ninguém
   G             A7      D
Eu levo a vida assim tão só

      Am7       D7
Eu só quero um amor
     Am7          E
Que acabe o meu sofrer
     Bm     Em         Bm      Em
Um xodó prá mim do meu jeito assim
     G     F#m   Em   A7  D
Que alegre o     meu    viver

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Pedras que cantam

Pedras Que Cantam - Dominguinhos e Fausto Nilo - Interpretação: Fagner

CD Pedras Que Cantam / Título da música: Pedras Que Cantam / Fausto Nilo (Compositor) / Dominguinhos (Compositor) / Fagner (Intérprete) / Gravadora: BMG-Ariola / Ano: 1991 / Nº Álbum: 150.0016 / Faixa 9.


Tom: D

Intr.: (G D) (D E)

D                     F#m
Quem é rico mora na praia
             G
Mas quem trabalha nem tem
        D
onde morar
Quem não chora dorme
     F#m
com fome
              G
Mas quem tem nome joga prata
   D
no ar
          G           D
Ô tempo duro no ambiente
          G           D
Ô tempo escuro na memória
            G            E7
O tempo é quente e o dragão
     A7
 é voraz
        G            D
Vamos embora de repente
        G            D
Vamos embora sem demora
            G          A7
Vamos pra frente que pra trás
        D
não dá mais
G         C          G
Pra ser feliz num lugar
      C         G
Pra sorrir e cantar
       C                G
Tanta coisa a gente inventa
        A7
Mas no dia que a poesia se
      D
arrebenta
G         D      A7     D       Intr.
É que as pedras vão cantar

terça-feira, 18 de julho de 2006

Quem me levará sou eu


Quem Me Levará Sou Eu (1980) - Manduka e Dominguinhos

LP Quem Me Levará Sou Eu / Título da música: Quem Me Levará Sou Eu / Manduka (Compositor) / Dominguinhos (Compositor) / Dominguinhos (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1980 / Nº Álbum: 103.0350 / Lado B / Faixa 3.


Tom: C
Intro: (F Em Dm Em C) 3 vezes

  F       Em      Am
Amigos a gente encontra
   F        G      C
O mundo não é só aqui
   F      E7      Am
Repare naquela estrada
        D            G
Que distância nos levará
     Gm                  C7
As coisas que eu tenho aqui
                    F
Na certa terei por lá
  Bm7(b5)             E7(b9)
Segredos de um  caminhão
     Am         D7    G
Fronteiras por desvendar
     Gm                C7
Não diga que eu me perdi
     F  
Não mande me procurar
   F#m7(b5)            B7
Cidades que eu nunca vi
     E         A7
São casas de braços
        Dm       G7
      a me agasalhar
    C                  Gm   C7
Passar como passam os dias
       F               G7
Se o calendário acabar
    F       G        C        Am
Eu faço contar o tempo outra vez
      Dm         G7       C
Sim, tudo outra vez a passar
     F                   Em
Não diga que eu fiquei sozinho
      Dm
Não mande alguém
                  Em
        me acompanhar
  Gm         C7       F
Repare, a multidão precisa
                G            C
De alguém mais alto a lhe guiar
                   D/C
Quem me levará sou eu
     Bm7(b5)       E7    Am
Quem regressará   sou  eu
     Gm              C7     F
Não diga que eu não levo a guia
            G7
De quem souber me
             C
          amar

terça-feira, 20 de junho de 2006

Além da última estrela

Além da Última Estrela (1993) - Dominguinhos e Fausto Nilo - Interpretação: Maria Bethânia

LP Renascer 2 - Trilha Sonora da Novela / Título da música: Além da Última Estrela / Dominguinhos (Compositor) / Fausto Nilo (Compositor) / Maria Bethânia (Intérprete) / Gravadora: Som Livre / Ano: 1993 / Nº Álbum: 407.0145 / Lado A / Faixa 1.

Tom: G

C              Bm7 E7 Am7
Além da última estrela
D7       G7+
Além da insensatez total
C7+                   Bm7
Vão as palavras mais belas
Am7              Bm7      Em7
Além do fim do jardim do caos
F#m5-/7 B7            Em7
É uma verdade que eu vivi
Am7       B7          Em7
Quando tentei te acompanhar
C#m7    F#7           Bm7 E7
Segui a cor do teu sorriso
Am7     D7        G7+
E me enlouqueci sem tempo nem lugar
C7+                Bm7 E7
O véu da brisa passará
Am7 D7    Dm7 G7
De manhã sobre nós
C7+     C#m5-/7 F#7 Bm7  E7
Vendo a cidade    pela janela
Am7         D7    G7+
Sei que não somos sós
C7+                Bm7       E7
Mais uma vez só bastava pedir
Am7       D7     Em7
Um tudo de mim por nada de mais
F#m5-/7       B7     Em7
Deixar meus lábios felizes assim
A7              D7  E7
Falando essas loucuras
C7+                 Bm7         E7
Minhas palavras têm pouco a dizer
Am7             D7    Em7
Porque teu silêncio é mais
Am7        D7      Bm7 E7
Quem dera ter o prazer
Am7  D7     G7+
De ser um verso em tua voz
C                 Bm7       E7
Mais uma vez só bastava pedir
Am7      D7      Em7
Um tudo de mim, por nada demais
F#m5-/7      B7      Em7
Deixar meus lábios felizes assim
A7                Cm6 D7 G7
Falando essas loucuras
C                    Bm7      E7
Minhas palavras têm pouco a dizer
Am7            D7      Em7
Porque teu silêncio é mais
Am7       D7       Bm7 E7
Quem dera ter o prazer
Am7  D7     G7+
De ser um verso em tua voz

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Gostoso demais

Gostoso Demais - Dominguinhos e Nando Cordel - Interpretação: Maria Bethânia

LP Dezembros / Título da música: Gostoso Demais / Dominguinhos (Compositor) / Nando Cordel (Compositor) / Maria Bethânia (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1986 / Nº Álbum: 110.0026 / Lado B / Faixa 1.


Intro
_
4/4 :    F7/Eb : Dm Bb : Em/G A7 :
Dm : Dm Dm/C : G/B G :G : C :

F                    C/E      C     Dm
To com saudade de tu meu desejo
A7             Bb
To com saudade do beijo e do mel
F   
Do teu olhar carinhoso,
Dm       G/B        G            C
teu abraço gostoso de passear no teu céu
F                  C/E       C   Dm
É tão dificil ficar sem você
A7           Bb
O seu amor é gostoso demais
F
Seu beijo me dá prazer
Dm        G  
Eu quando estou com você,
C                  F   F7/Eb
estou nos braços da paz
Dm   Bb    F
Pensamento viaje vai buscar
F7/Eb    Dm        Bb     Em/G
Meu bem querer não dá pra ser
A7    Dm        Dm/C  G/B              G      C
Feliz assim tem dó de mim o que que eu posso fazer

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Só quero um xodó

Gilberto Gil - 1973
Na retomada da carreira, após o exílio londrino, Gilberto Gil incluiria em seu repertório algumas músicas de autores nordestinos cultuados pelo gosto popular. Gravaria assim o excelente “Só Quero um Xodó”, de Dominguinhos e Anastácia, xote que o traria de volta aos primeiros postos das paradas de sucesso, depois de quatro anos.

Esta composição nasceu em plena Rua Amaral Gurgel em São Paulo, quando, caminhando com a sua então mulher Anastácia Dominguinhos começou a assoviar uma melodia que lhe veio à cabeça. Ao chegarem em casa, só estava faltando a letra que Anastácia escreveu em poucos minutos: “Que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só...”

Então, “Só Quero um Xodó” foi gravado pela cantora nordestina Marinês, com a introdução definitiva, composta no estúdio, mas com o andamento apressado de um arrasta-pé. Descoberto por Gil nos ensaios para o show do Midem, em Cannes, em que cantou com Gal e Dominguinhos, “Só Quero um Xodó” seria por ele relançado num ritmo de xote, mais lento, com sua voz cantando na introdução, junto à sanfona, sílabas semelhantes a sons de idiomas africanos (asá-cá-rá-iê...). As repetições dessa introdução como um interlúdio, após cada volta, produziram um efeito original e atraente, valorizado pelas melodiosas intervenções da sanfona de Dominguinhos.

Na verdade, Gil fez render ao máximo a simplicidade rústica da composição, com sua habitual competência para entender e enriquecer músicas alheias (do que também é exemplo “Não Chore Mais {No Woman, No Cry}”, em 1979).

Editado num compacto (Philips, álbum 6069072), juntamente com o samba “Meio-de-Campo”, dedicado ao jogador Afonsinho, “Só Quero um Xodó” alcançaria o sucesso três meses depois, quando passou a ser a “música de trabalho” nas emissoras de rádio. No mesmo clima, Gilberto Gil gravaria “Tenho Sede” (Dominguinhos e Anastácia) e “Lamento Sertanejo” (letra sua sobre melodia de Dominguinhos feita em 1967), faixas do álbum Refazenda, em 1975 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jaime Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Só quero um xodó (1973) - Dominguinhos e Anastácia - Intérprete: Gilberto Gil


D              Bm    F#m
Que falta eu sinto de um bem
    G            A7   D    A7
Que falta me faz um xodó
    D           Bm       F#m
Mas como eu não tenho ninguém
   G             A7      D
Eu levo a vida assim tão só

      Am7       D7
Eu só quero um amor
     Am7          E
Que acabe o meu sofrer
     Bm     Em         Bm      Em
Um xodó prá mim do meu jeito assim
     G     F#m   Em   A7  D
Que alegre o     meu    viver

quarta-feira, 19 de abril de 2006

De Volta pro Aconchego

Avesso a viagens de avião, Dominguinhos é um dos artistas que mais tempo passa nas estradas, a fim de cumprir sua alentada agenda de shows de norte a sul no país. Tão prolongadas ausências o levariam a compor uma música inspirada no prazer do retorno ao lar, dos reencontros com a mulher e a filha.

Assim, orientou o parceiro Nando Cordel a fazer uma letra nesse sentido, enviando em seguida a composição, um baião, numa fita para Elba Ramalho, que escolhia repertório para o seu próximo disco. No entanto, a cantora reprovou a composição, por ter andamento rápido, ao mesmo tempo em que convidava Dominguinhos a participar do disco.

Já no estúdio, ele retornou ao assunto, mostrando-lhe “De Volta pro Aconchego”, desta vez transformada numa canção lenta. “É desse jeito que eu queria”, entusiasmou-se Elba, ao que o compositor retrucou: “mas esta é a música da fita...” Imediatamente, Dori Caymmi fez o arranjo de base, a sessão rítmica que é registrada em primeiro lugar, e “De Volta pro Aconchego” foi gravada no elepê Fogo na mistura.

Nesta gravação, Elba canta emocionada, acompanhada pelo violão de Dori e a sanfona de Dominguinhos: “Estou de volta pro meu aconchego / trazendo na mala bastante saudade / querendo um sorriso sincero, um abraço / para aliviar meu cansaço / e toda essa minha vontade...”

Com o sucesso da novela “Roque Santeiro”, o maior do ano em matéria de televisão, a canção, incluída em sua trilha sonora, invadiu as paradas radiofônicas, permanecendo nas primeiras colocações por todo o tempo em que telenovela foi exibida. Detalhe: como a melodia não resolve na tônica, enseja uma coda instrumental que acabou por servir de fundo musical aos aplausos do público, sempre que a música é cantada nos shows de Elba (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

De volta pro aconchego (1985) - Dominguinhos e Nando Cordel


  G6               Am7     Bm7     C/D
Estou de volta pro meu aconchego
   G6               D/E   E7/9  Am7/9  E7/9-
Trazendo na mala bastan...te saudade
   Am7/9               E7/9-
Querendo um sorriso sincero,
    Am7/9           E7/9-     C/D
Um abraço para aliviar meu cansaço
            D/C      Bm7   Em7  C/D  D7/9-
E toda essa minha vontade

    G6/9               Am7     Bm7   C/D
Que bom poder estar contigo de novo
  G6/9                 F/G   G7/9   C6/9   E7/9-
Roçando teu corpo e beijan...do   você
    Am7/9         D/C        Bm7/5-
Pra mim tu és a estrela mais linda
              Em7/9        Am7/9
Teus olhos me prendem e fascinam
             C/D      Em7   E7/9-
A paz que eu gosto de ter

  Am7/9            C/D  D/C    Bm7     E7/9-
É duro ficar sem você   vez em quando
  Am7/9               F#m7 B7/9- Em7/9   E7/9-
Parece que falta um peda...ço de mim
    Am7/9         C/D      G6/9
Me alegro na hora de regressar
           F/G G7/9 C6/9          E7/9-    A7/13   
Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim
A7/5+   C/D   D7/9-  G6/9

terça-feira, 11 de abril de 2006

Dominguinhos


Dominguinhos (José Domingos de Morais), instrumentista e compositor, nasceu em Garanhuns PE, em 12/2/1941, e faleceu em São Paulo SP, em 23/7/2013. Aos seis anos, com seus irmãos Morais (pianista) e Valdo (acordeonista), já tocava sanfona de oito baixos nas portas dos hotéis e nas feiras de Garanhuns, Caruaru PE e municípios vizinhos.


Aos sete anos, foi ouvido por Luiz Gonzaga, que lhe deu seu endereço no Rio de Janeiro RJ. Seis anos depois, indo morar com o pai e o irmão mais velho no subúrbio carioca de Nilópolis (onde aos sábados participava de forrós), resolveu procurar Luís Gonzaga e ganhou dele uma sanfona.

Formou, em 1957, um trio, com Borborema e Miudinho, e pouco depois precisou aprender os ritmos da moda, como boleros e sambas-canções (pois só sabia baião), para se apresentar com o irmão Morais num cassino em Vitória ES. De volta ao Rio de Janeiro, tocou na gafieira Cedo Feita, na Churrascaria Gaúcha, na boate Balalaica e no Dancing Brasil, onde formou o grupo Nenê e seu Conjunto (Nenê foi seu primeiro apelido).

Em 1967, apresentava-se na Rádio Nacional, sendo convidado por Pedro Sertanejo para gravar pela etiqueta Cantagalo seu primeiro LP (gravaria a seguir mais sete LPs de forró nessa etiqueta).

Formou, em 1968, uma dupla com a compositora e cantora Anastácia e, em 1972, tocou pela primeira vez em teatro, no show de Luís Gonzaga Luís Gonzaga volta pra curtir, apresentado no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro, no qual se destacou.

No ano seguinte fez parte do grupo que se apresentou com Gal Costa no MIDEM, em Cannes, França, acompanhando, na volta, a cantora no seu show Índia.

Um de seus maiores sucessos como compositor foi Eu só quero um xodó (com Anastácia), gravado por Gilberto Gil, em 1974, ano em que participou do show A feira, com o Quinteto Violado. Tomou parte ainda em vários espetáculos de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

Em 1980 apresentou-se no II Festival Internacional de Jazz, em São Paulo SP e, no ano seguinte, teve presença destacada no programa Som Brasil, da TV Globo.

Em 1984 sua música Tantas palavras, parceria com Chico Buarque, foi gravada por Chico no álbum Chico Buarque, com sucesso. As vendas de seus discos cresceram, em meados da década de 1980, puxadas por dois sucessos, ambos com Nando Cordel: a romântica De volta pro aconchego, gravada por Elba Ramalho, e o forró Isso aqui tá bom demais, que ele gravou com Chico Buarque. As duas versões foram incluídas na trilha sonora da novela Roque Santeiro, da TV Globo. Nesse ano, acompanhou Toquinho no show Canta Brasil, no Teatro Sistina, de Roma, Itália.

Em 1993 criou o projeto Asa Branca, patrocinado pela Caixa Econômica Federal, levando shows gratuitos às praças públicas, nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins etc. Lançou em 1997 o CD Dominguinhos e convidados cantam Luís Gonzaga (2 CDs, Velas) e participou da trilha sonora do filme O cangaceiro, de Aníbal Massaine Filho, lançada em CD pela RCA/BMG. Nesse ano a Editora Globo lançou Dominguinhos (CD e fascículo), no 34 da coleção MPB Compositores.

Entre outros intérpretes de suas músicas, destacam-se Maria Betânia, com Lamento sertanejo (com Gilberto Gil); Fagner, com Quem me levará sou eu (com Manduka); e sua parceira e esposa Guadalupe (Maria de Guadalupe Vieira Mendonça), com Esse mato, essa terra, incluída na trilha sonora do filme Aventuras de um paraíba, de Marco Altberg (1985). Em 1997 compôs a trilha de O cangaceiro, filme de Aníbal Massaini Neto.

Músicas cifradas de Dominguinhos


Veja também



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.