quinta-feira, 27 de abril de 2006

Deusa da minha rua

Jorge Faraj fez a letra
Na segunda metade dos anos trinta, o sucesso dos cantores românticos Orlando Silva, Francisco Alves, Sílvio Caldas e Carlos Galhardo - os chamados quatro grandes - estimulou o surgimento da maior safra de canções de amor de nossa música popular.

Composta a maioria na forma ternária, essas canções são a versão moderna da modinha tradicional. Um dos melhores frutos dessa safra é a valsa "Deusa da Minha Rua". Além de uma bela melodia de Newton Teixeira, a composição tem letra excepcional de Jorge Faraj.

Newton Teixeira
Poeta dos amores impossíveis, em que a mulher é sempre adorada à distância, ignorando ser objeto de uma paixão, Faraj realiza sua melhor letra nesta valsa. Depois de descrever o contraste entre a beleza da musa e a pobreza da rua, ele estabelece um poético jogo de imagens, comparando a poça d'água, que "transporta o céu para o chão", a seus próprios olhos, "espelhos de sua mágoa", que sonham com o olhar da mulher inatingível.

Mas essa obra-prima do romantismo que imperava na música da época deu trabalho para chegar ao disco, permanecendo inédita por três anos. Primeiro Faraj não aprovou a melodia, obrigando Newton Teixeira a refazê-la.

Depois foi Sílvio Caldas que, escolhido para interpretá-la, mostrou-se desinteressado, achando sempre uma desculpa para adiar a gravação. "Até que um dia - contou Newton ao pesquisador Lauro Gomes de Araújo - perdendo a paciência, tive que tirar o Sílvio de uma roda no Nice e praticamente arrastá-lo ao estúdio". Mas o importante é que o disco foi um sucesso, com ótima interpretação do cantor.

Deusa da minha rua (valsa, 1939) - Jorge Faraj e Newton Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Deusa da minha rua / Autoria: Faraj, Jorge (Compositor) / Teixeira, Newton (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 10/07/1939 / Nº Álbum 34485 / Lado A / Gênero musical: Valsa /
G7+              Bm7     Am7               D7
A deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua
Am7      D7      G7+   D7       G7+        Em7
Costuma se embriagar / Nos seus olhos eu suponho
       D7               D/F#     Em7      A7     D7
Que o sol, num dourado sonho / Vai claridade buscar

G7+           Em7          Am7            Am7/G
Minha rua é sem graça / Mas quando por ela passa
Am7   D7          Do E7  Am7             Cm7
Seu vulto que me seduz  /  A ruazinha modesta
Bm7                E7     Am7       D7      G7+   B7
É uma paisagem de festa / É uma cascata de luz

Em         Em/D            Gb7           Am7
Na rua uma poça d’água / Espelho da minha mágoa
B7                                 Em    B7
Transporta o céu     /    Para o chão
            Em           Em/D
Tal qual o chão de minha vida
      B7+      Abm7           Dbm     Gb7       B7
Minh’alma comovida  /  O meu pobre coração

Em                Em/D          Gb7
Infeliz da minha mágoa /   Meus olhos
            Am7           B7          Do  E7
São poças d’água /  Sonhando com seu olhar
Am7      B7            Em              Em/D
Ela é tão rica e eu tão pobre/ Eu sou plebeu
           Gb7         C7      B7       Em
E ela é nobre  /  Não vale a pena  sonhar . . . 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

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