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sábado, 8 de setembro de 2007

Inezita Barroso


A cantora, instrumentista, arranjadora, folclorista e atriz Inezita Barroso (Inês Madalena Aranha de Lima), nasceu em São Paulo/SP em 04.03.1925. Inezita começou a cantar e estudar violão aos sete anos, e aos 11 iniciou seu aprendizado de piano. Depois de casada, voltou ao canto e ao violão, estreando, em 1950, na Rádio Bandeirantes, de São Paulo, a convite de Evaldo Rui.


Participou em seguida da transmissão inaugural da TV Tupi, canal 3, e trabalhou como cantora exclusiva da Rádio Nacional, de São Paulo, transferindo-se mais tarde para a Record. Ainda em 1950 participou do filme Ângela, dirigido por Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida e realizou recitais no Teatro Brasileiro de Comédia, no teatro de Cultura Artística e no Teatro Colombo.

Voltou a atuar em cinema em 1953, nos filmes Destino em apuros (direção de Ernesto Remani) e Mulher de verdade (direção de Alberto Cavalcanti). No ano seguinte, apareceu em É proibido beijar, de Ugo Lombardi, e O Craque, de José Carlos Burle, recebendo ainda o prêmio Roquete Pinto, como a melhor cantora de rádio da música popular brasileira, e o prêmio Guarani, como a melhor cantora do disco.

Ainda em 1953 gravou na Victor Canto do mar (Guerra Peixe), Marvada pinga (Laureano), Benedito pretinho e Dança do caboclo (ambas de Hekel Tavares), e os sambas Estatutos de gafieira (Billy Blanco) e Isso é papel, João? (Davi Raw e Cícero Galindo Machado).

A partir de 1954 passou a apresentar-se semanalmente em programas folclóricos na TV Record, de São Paulo. Em 1955 atuou no filme Carnaval em lá maior (direção de Ademar Gonzaga) e como atriz e cantora representou o Brasil no festival de Cinema de Punta del Este, Uruguai, viajando em seguida ao Paraguai. Foi novamente premiada com o Roquete Pinto e ainda com o Saci, como melhor atriz do cinema. Realizou gravações de divulgação do folclore brasileiro, ilustrando uma série de conferências de professores na universidade de São Paulo.

Seu primeiro LP, Inezita Barroso, foi lançado pela Copacabana, também em 1955, com repertório folclórico que incluía, entre outras, Banzo (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Funeral dum rei nagô (Hekel Tavares e Murilo Araújo), Viola quebrada (Mário de Andrade) e Mineiro tá me chamano (Zé do Norte).

Em seguida lançou os LPs Canta Inezita, Coisas do meu Brasil e Lá vem o Brasil. Nessa época, Jean Louis Barrault, Marian Anderson, Vittorio Gassmann e Roberto Inglez, em visita ao Brasil, levaram seus discos para a Europa, onde foram divulgados nas principais emissoras. Seus dois LPs seguintes foram Vamos falar de Brasil e Inesita apresenta, ainda pela Copacabana, reunindo neste último composições de Babi de Oliveira, Juraci Silveira, Zica Bergami, Leyde Olivé e Edvina de Andrade, do folclore baiano, mineiro e paulista.

Em 1956 publicou seu livro Roteiro de um violão. Em 1960, lançou o LP Eu me agarro na viola (Copacabana), faixa de abertura do disco, além de Leilão (Hekel Tavares e Joraci Camargo), A moda da mula preta (Raul Torres e João Pacífico), Bonde do Camarão (Cornélio Pires e Mariano Silva) e Canção da guitarra (Marcelo Tupinambá e Aplecina do Carmo).

Em 1961 lançou o Lp Inezita Barroso, com Casa de caboclo (Hekel Tavares e Luiz Peixoto), Viola quebrada, regravação do seu primeiro LP, Tambá-Tajá (Waldemar Henrique), Roda carreta (Paulo Ruschel) e Carreteiro (Barbosa Lessa).

Em 1968, lançou o LP O Melhor de Inezita, com Banzo e Funeral dum rei nagô, regravações do seu primeiro LP, O Hino dos fuzileiros navais, ou Cisne Branco (Antônio Manuel do Espírito Santo e Benedito X. de Macedo), Lampião de gás (Zica Bergami) e Moda da pinga (Laureano), os dois números mais populares.

Em 1969, lançou o LP Clássicos da música caipira, volume 1, cujas composições de destaque são: Chico Mineiro (Francisco Ribeiro e Tonico), Do lado que o vento vai (Raul Torres), Baldrana macia (Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto), Sertão do Laranjinha (adaptação de Tonico e Tinoco e Capitão Furtado) e Pingo d'água (Raul Torres e João Pacífico). Nesse mesmo ano ganhou troféu do I Festival de Folclore Sul-Americano, em Salinas, Uruguai.

Em 1970 lançou o LP Modinhas, onde se destacam as composições Canção da felicidade (Barroso Neto e Nosor Sanches) e Conselhos (Carlos Gomes). Ainda neste ano produziu um documentário que representou o Brasil na Expo-70, no Japão. Em 1972 lançou o volume dois dos Clássicos da música caipira, com Rio de lágrimas (Piraci, Lourival dos Santos e Tião Carreiro), Divino Espírito Santo (Canhotinho e Torrinha), Destinos iguais (Capitão Furtado e Laureano) e Rei do Café (Carreirinho e Teddy Vieira).

Em 1975, lançou o LP Inezita em todos os cantos, com Negrinho do pastoreio (Barbosa Lessa), Asa branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e números folclóricos recolhidos na Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Fez programas especiais para o Uruguai, Paraguai, EUA, Israel, antiga U.R.S.S., França e Itália.

Tem mais de 70 discos gravados, entre 78 rpm, LPs e CDs; recentemente gravou CDs com o violeiro Roberto Côrrea e a Orquestra de Violas de São José dos Campos. Desde os anos 70 comanda o programa `Viola, Minha Viola", exibido até hoje pela TV Cultura.


Fonte: Inezita Barroso - Raizes Sertanejas -vol. 2 - Revivendo Musicas - Biografias.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Tamba-Tajá

Segundo um mito amazônico, na tribo dos macuxis havia um índio que, por muito amar sua esposa, levava-a sempre consigo para todo lugar, fosse para caçar, pescar ou lutar. Certa vez, o índio teve que ir para a guerra, mas a esposa ficou doente, sem poder andar. Não querendo separar-se de sua amada, ele fez um saco com folhas de bananeira, para poder carregá-la nas costas. Durante o combate, sua amada foi ferida e morreu. O índio, desesperado de amor, enterrou-se junto com ela. No lugar onde jaziam seus corpos, nasceu um tajá diferente, pois atrás de cada grande folha verde da planta nascia grudada uma pequena folha de forma vaginal. Renasciam assim os amantes, unidos novamente para sempre.

As plantas têm na Amazônia poderes curativos e mágicos, conhecidos pelos pajés e feiticeiros. O Tamba-tajá tem a propriedade especial de proteger os amantes. É por isso que a pessoa que canta se dirige a ele fazendo um pedido, uma espécie de prece pagã, que não é menos desprovida de fé que uma prece religiosa, pois os caboclos acreditam piamente no poder das plantas. Desse modo, devemos revestir de uma certa religiosidade sua execução (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Tamba-tajá (canção, 1934) - Waldemar Henrique - Intérprete: Inezita Barroso

LP Inezita Barroso Com Arranjos e Orquestra de Hervé Cordovil / Título da música: Tamba-Tajá / Waldemar Henrique (Compositor) / Inezita Barroso (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: sem data / Nº Álbum: CLP 11231 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Canção / Folclore.



E7+    Fº   F#m4/7   F7/5-
Tamba-Tajá, me faz feliz
E7+      Fº            F#m  B7
Que meu amor me queira bem
G#m      Gm6/5+     F#m4/7           F7/5-
Que meu amor seja só meu, de mais ninguém
        G#m7          Gm6/4+           F#m4/7  F7/5-
Que seja meu, todinho meu, de mais ninguém

 E     C#7/9-  F#m  B7
Tamba-Tajá me faz feliz
G#m7   Gm6/5+     F#m
Assim o índio carregou
       B7
Sua macuxy
G#m7     Gm6/5+         F#m            B7  G#m
Para o  roçado, para a guerra, para a morte
        Gm6/5+         F#m         B4/7
Assim carregue o nosso amor à boa sorte

G#m     Gm6/5+ F#m4/7 F7/5-
Tamba-Tajá...
G#m7             Gm6/5+  F#m          B7
Que ninguém mais possa beijar o que beijei
G#m7         Gm6/5+      F#m           B7  G#m
Que ninguém mais escute aquilo que escutei
           Gm6/5+           F#m         B7/9-
Nem possa olhar dentro dos olhos que olhei
G#m     Gm6/5+ F#m4/7 F7/5-
Tamba-Tajá...

Curupira

O Curupira é um ser de forma humana, pequeno, esverdeado, com os cabelos cor de laranja, que tem os pés virados para trás e vaga pela mata zelando pelas árvores e animais. Volta-se contra qualquer um que queira caçar apenas por prazer, ou desmatar a floresta sem propósito. Por outro lado, é amigo dos que vivem na mata sem agredi-la, caçando apenas para alimentar-se e respeitando a flora. Para atrapalhar os que não agem com boas intenções, o curupira tem muitas artimanhas. Pode assombrá-los com seus gritos agudos, açoitá-los, tornar-se invisível e aparecer em vários lugares, até fazer com que aqueles que tentam contra a vida na floresta percam o rumo.

A letra, também de Waldemar Henrique, narra as dificuldades de um caçador que teve a má sorte de encontrar o curupira no seu caminho. Este ser mitológico não pode ser atingido por armas, nem pela prece mais poderosa do cabôco, o Padre-Nosso. Sendo assim, só restou ao caçador o pedido do verso 18 – "Deixa o cabôclo passar". O uso dos versos junto à melodia é totalmente silábico e o texto possui uma mudança de foco narrativo no verso 13. Aqui, o narrador deixa de falar das suas dificuldades para si mesmo, como num desabafo, e passa a dirigir-se diretamente à entidade mágica que o persegue. Não temos palavras de uso regional (Fonte: Uma visão sobre a interpretação das canções amazônicas de Waldemar Henrique - Márcia Jorge Aliverti).

Curupira (canção, 1936) - Waldemar Henrique - Intérprete: Inezita Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Curupira / Waldemar Henrique (Compositor) / Inezita Barroso (Intérprete) / Gravadora: Sinter / Ano: 1951 / Nº Álbum: 00-00.091-a / Lado B / Gênero musical: Canção / Folclore.



Já andei três dias e três noites pelo mato
Sem parar
E no meu caminho não encontrei nenhuma
Caça pra matar
Só escuto pela frente pelo lado o Curupira
Me chamar
Ora aqui, ora ali, se escondendo sem
Parar num só lugar
Por esse danado muitas vezes me perdi
Na caminhada
E nem padre nosso me livrou desse
Danado da estrada
Curupira feiticeiro
Sai de trás do castanheiro
Pula pra frente
Defronta com a gente
Negrinho covarde matreiro
Deixa o caboclo passar

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Moda da pinga


Moda da Pinga (Marvada Pinga) (1940) - Ochelsis Laureano - Interpretação: Inezita Barroso

LP Inezita Barroso - Vamos Falar De Brasil / Título da música: Moda da Pinga (Marvada Pinga) / Laureano (Compositor) / Inezita Barroso (Intérprete) / Orquestra e Coro da Rádio Record (Acomp.) / Hervé Cordovil (Acomp.) / Regional do Miranda (Acomp.) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1958 / Álbum: CLP 11016 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Moda / Regional / Sertanejo.


G
Com a marvada pinga
                D7
É que eu me atrapaio
                              G
Eu pego no copo e já dou meu taio
                              C
Eu chego na venda e dali não saio
Ali memo eu bebo
            D7
Ali memo eu caio
                             G
Só pra carregar nunca dei trabaio
Oi lá
G
Sempre bebo a pinga
              D7
Porque gosto dela
Bebo da branquinha,
           G
Bebo da amarela
                           C            
Eu bebo no copo, bebo na tigela
                             D7
Bebo temperada com cravo e canela
Seja em qualquer tempo vai
          G
Pinga na goela
Oi lá
           G
Venho da cidade
           D7
Já venho cantando
Trago um garrafão
             G
Que venho chupando
Venho pro caminho,
            C
Venho trupicando
Chutando o barranco
             D7
Venho cambetiando
No lugar que eu caio
           G
Já fico roncando
Oi lá
              G  
Não largo da pinga
                 D7
Nem que eu pito
                              G            
Que é de inclinação eu acho bonito
                              C               
O cheiro da pinga fico meio afrito
                               D7
Bebo uma garrafa e já quero um litro
                            G
Já fico babando crio dois espírito
Oi lá
G                           D7 
Pinga temperada eu não modifico
Quem manda no bule
             G 
Eu chupo no bico
               
Vou rolar na pueira
               C
Que nem tico-tico
                                D7
Vou de quatro pé destripando o bico
Junta a mosquiteira
              G
Mas eu não imprico
Oi lá
           G
A muié me disse
        D7
Ela me falou
Largue dessa pinga
          G
Peço por favor
Prosa de muié
             C
Nunca dei valor
Bebo no sol quente
                D7
Pra esfriar o calor
                           G
E bebo de noite pra fazer suador
Oi lá
           G
A muié me disse
          D7
Largue de beber
Pois eu com essa pinga
             G
Hei de combatê
Você fique quieto largue
      C
De tremer
Depois que se embriaga
             D7
Não levanto ocê
Vô deixá da pinga
                 G
Só quando eu morre

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Meu limão, meu limoeiro

Jorge Fernandes
Não se sabe com segurança a origem deste tema folclórico, que o pernambucano José Carlos Burle aproveitou. O fato, porém, é que ele seria gravado várias vezes com sucesso, destacando-se as interpretações de Jorge Fernandes e da dupla Sílvio Caldas-Gidinho (em 1937) e, vinte anos depois, a de Inezita Barroso.

Apesar de existir no selo do disco de Fernandes (Columbia n° 8335) a indicação "folclore recolhido na Bahia por O. Cardoso de Menezes e Francisco Pereira", há indícios de que sua origem seja européia, sendo o tema conhecido na Alemanha e na Holanda (teria sido trazido para o Nordeste pelos holandeses?).

Com o título de "Lemon Tree" e acentuações rítmicas adequadas ao gênero country, foi ainda gravado nos Estados Unidos. Existem duas letras para a segunda parte de "Meu Limão, Meu Limoeiro", a primeira provavelmente de Burle e a segunda, de acordo com Inezita Barroso, retirada de quadrinhas populares nordestinas.

Mas a trajetória da composição não pára por aí, prosseguindo vitoriosamente em 1966, quando Wilson Simonal, instigado pelo jornalista Sérgio Porto, regravou-a numa versão adaptada ao estilo "pilantragem", que o consagrara. Essa versão, em síntese, juntava uma roupagem dançante criada pelo cantor Chris Montez para os clássicos americanos, muito em voga na ocasião, a alterações melódicas que incluíam especialmente blue notes. Tal versão conquistou o público jovem, que sequer conhecia a melodia e a divisão originais.

Meu limão, meu limoeiro (samba-sertanejo, 1937) - Tema popular

Disco 78 rpm / Título da música: Meu limão meu limoeiro / Tema popular / Jorge Fernandes (Intérprete) / Gaó e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1937 / Lançamento: 12/1937 / Nº do Álbum: 8335-B / Nº da Matriz: 3605-1 / Gênero musical: Toada / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi



Disco 78 rpm / Título: Meu limão, meu limoeiro / Tema popular / José Carlos Burle (Arranjo) / Gidinho (Intérprete) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra Copacabana sob Direção de Simon Bountman, ca1900-1977 (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 01/06/1937 / Lançamento: 07/1937 / Nº do Álbum: 11487 / Nº da Matriz: 5587 / Gênero musical: Samba sertanejo / Coleções de origem: IMS, Nirez


---------D7+-----A7----D7+--A7---D7+ ---D#º--Em7/9
Meu limão meu limoeiro, / Meu pé de jacarandá,

A7/13--- Em7/9 --A7/13-- Em7/9 ---A7/13 --Em7/9 --A7/13-- D7+ A7
Uma-- vez,--- tindo--- lelê, /--- --- Outra--- vez,--- tindo------ lalá.

Morena, minha morena / Corpo de linha torcida
Queira Deus você não seja / A perdição da minha vida.

Quem tem amores não dorme / Nem de noite nem de dia,
Dá tantas voltas na cama, / Como peixe n'agua fria.

A folhinha do Alecrim, / Cheira mais quando pisada,
Há muita gente que é assim, / Quer mais bem, se desprezada
.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.