terça-feira, 5 de setembro de 2006

Cândido Botelho

Cândido Botelho (Cândido de Arruda Botelho), tenor, nasceu em São Paulo/SP em 24/2/1907 e falceu em 20/4/1955. Cursando o terceiro ano de direito, começou a estudar canto com Carlos Alves de Carvalho, no Rio de Janeiro.

Gravou em 1929 seu primeiro disco na Colúmbia com as modinhas Canção da felicidade (Barroso Neto) e Canção do violeiro (Lorenzo Fernandez). Com bolsa de estudos do governo do Estado de São Paulo, foi aluno de Vera Janacopulos em Paris, França, e de Morini, em Roma, Itália.

Intérprete preferido de Villa-Lobos em Paris, apresentou-se, em novembro de 1929, na sala Gaveau, ao lado de Monteiro da Silva e Leônidas Autuori, por ocasião da Semana Brasileira. De volta ao Brasil, exibiu-se ao lado da esposa, a pianista Maria do Carmo Monteiro de Arruda Botelho. Contratado pela Rádio Tupi no início da década de 1930, tornou-se conhecido como “A Voz Apaixonada do Brasil”. Como homenagem ao centenário de Carlos Gomes, gravou Mamma dice e Mon bonheur, desse compositor.

Em 1937, no Rio de Janeiro, atuou na Rádio Nacional e Rádio Jornal do Brasil, apresentando-se diariamente no programa A Hora do Brasil; em novembro de 1938, estreou no Teatro República e, no mês seguinte, na Rádio Mayrink Veiga. De 1931 a 1938, continuou a gravar canções populares na Columbia, como a embolada Passarinho verde (motivo popular), as modinhas Viola quebrada (Mário de Andrade), Quem sabe? (Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio) e Conselhos (Carlos Gomes), além de algumas versões.

A partir de 1939 passou a gravar na Odeon, gravadora pela qual lançou em 1940 as marchas Fla-Flu (Haroldo Lobo e David Nasser) e Maria Antonieta (Haroldo Lobo e J. Cascata). Em setembro de 1939, na peça Joujoux et balangandans, de Henrique Pongetti, interpretou, entre outras canções, Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, passando a dedicar-se ao samba, sem abandonar o canto lírico.

A 16 de fevereiro de 1940 estreou no Cassino da Urca, ao lado de Aurora Miranda, Grande Otelo, Mesquitinha, Manuel Pera e Anjos do Inferno, em O circo, quadros de motivos nacionais. Em junho desse ano foi para os E.U.A., como representante da música brasileira na Feira Mundial de New York. Consagrado como A Voz do Brasil, foi contratado por dois meses pela National Broadcasting Company.

Em fevereiro de 1941 retornou ao Brasil e logo seguiu para Buenos Aires, Argentina, como contratado do programa Hora do Brasil, da Rádio Municipal, atuando, nessa ocasião, com a orquestra de Radames Gnatalli. Regressou ao Brasil em 1941, voltando a se apresentar na Rádio Tupi, de São Paulo, e em inúmeras cidades do Brasil e do exterior. Em julho de 1941 participou da segunda versão de Joujoux et balangandans, no Teatro Municipal, do Rio de janeiro, e gravou a valsa Canta, Maria, seu maior sucesso, e os sambas Cena da senzala e Brasil moreno, todas de Ary Barroso. Gravou, entre outras, Berceuse da onda, de Lorenzo Fernandez, e Canção brasileira, de Francisco Mignone.

Atuou nos filmes Maridinho de luxo (1938), de Luis de Barros, e Joujoux et balangandans (1939), de Amadeo Castellaneto, filmagem da primeira versão da peça, na qual interpretou seis quadros Abandonou a carreira artística em 1942 para só retomá-la no curto período de 1951 a 1952, quando gravou seis músicas pela Continental.
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