quinta-feira, 30 de março de 2006

Canhoto

Américo Jacomino, o Canhoto, conhecido também como Canhoto do Violão, compositor e instrumentista, nasceu na rua do Carmo, em São Paulo, em fevereiro de 1889 e faleceu no dia 7 de setembro de 1928. Filho de imigrantes napolitanos, nunca freqüentou escola, tendo aprendido a ler e a escrever em casa, com o pai e o irmão mais velho, Ernesto, que tocava violão e bandolim.

Desde garoto interessou-se por violão, que ele tocava, mesmo sem inverter as cordas, na posição de canhoto, o que deu origem a seu nome artístico. Aos 16 anos começou sozinho a aprender cavaquinho, época em que já tocava em serenatas. Ao mesmo tempo arranjou emprego de pintor de painéis, chegando a fazer pinturas murais em casas elegantes de São Paulo.

Em 1907, durante uma serenata no bairro da Mooca, conheceu o cantor Paraguassu, com quem começou a apresentar-se em cinemas, ganhando 5 mil-réis por noite. Assim, tocou no Cinema Bresser, da Rua Bresser (Brás), no Cine Brás Bijou, da Avenida Rangel Pestana, e no Éden-Teatro, da Rua Mauá, apresentando-se também em circos e restaurantes. Em 1913, já conhecido na capital paulista como bom violonista, gravou pela primeira vez, na Odeon, na série 120.000, a valsa Belo Horizonte, a polca Pisando na mala, o dobrado Campos Sales e a mazurca Devaneio.

Em 1916 gravou suas valsas Beijos e lágrimas e Acordes do violão, primeiro título de Abismo de rosas, peça clássica do violão brasileiro. Em 1918 gravou os tangos Madrugando e Recordações de Cotinha. Na época da Primeira Guerra Mundial, compôs a Marcha triunfal brasileira e, em 1919, foi convidado, com uma garota de dez anos, Abigail Gonçalves (mais tarde a cantora lírica Abigail Alessio), a formar um trio com Viterbo Azevedo, para apresentações teatrais, em que Viterbo encarnaria o Jeca Tatu, famoso personagem de Monteiro Lobato. No mesmo ano o Trio Viterbo-Abigail-Canhoto estreou em São Paulo e em seguida excursionou por cidades do interior mas teve sua carreira interrompida em Poços de Caldas MG, onde Viterbo foi assassinado. Em dezembro foi para o Rio de Janeiro, dando um recital de violão no Teatro Lírico.

De volta a São Paulo em 1920, iniciou a produção de músicas carnavalescas, embora continuasse a compor outros gêneros. Lançou, para o Carnaval daquele ano, Ai, Balbina e no ano seguinte Já se acabô (ambas com Arlindo Leal). Ainda em 1922 deu um recital no Cinema São José, em Itapetininga SP Na ocasião, conheceu Maria Vieira de Morais, filha de um político local, e casou com ela no dia 22 de setembro do mesmo ano, tendo no cartório se declarado italiano. Instalou-se em São Paulo, onde abriu loja de instrumentos musicais.

Em 1923, ao lado de Paraguassu, foi um dos pioneiros da Rádio Educadora Paulista, primeira emissora do Estado. Em 1925 gravou a Marcha triunfal brasileira e regravou Abismo de rosas. Ainda em 1925, em Avaré SP, onde dera um recital, conheceu Joubert de Carvalho, que na época estudava medicina no Rio de Janeiro, tornando-se seu amigo. Pouco depois, Joubert dedicou-lhe uma canção, Os teus olhos. Um ano depois gravou como cantor a Marcha dos marinheiros e no ano seguinte o samba Só na Bahia é que tem (ambos de sua autoria), pela Odeon, o segundo regravado em seguida por Francisco Alves.

Em fevereiro de 1927, no Rio de Janeiro, participou do concurso O que é Nosso, patrocinado pelo jornal Correio da Manhã e realizado no Teatro Lírico, quando executou três músicas de sua autoria, a Marcha triunfal brasileira, Viola, minha viola e Abismo de rosas, vencendo o concurso e recebendo o título de Rei do Violão Brasileiro. De volta a São Paulo, organizou o grupo Turunas Paulistas, com quatro violões, dois cavaquinhos, flauta, saxofone, reco-reco, maracaxá e pandeiro.

Em março de 1928 retornou ao Rio de Janeiro, gravando algumas de suas composições em solos de violão e de cavaquinho. Durante uma dessas gravações começou a sentir-se mal, sendo atendido por seu amigo, já médico, Joubert de Carvalho. Em seu último disco, gravou a valsa Mexicana e o cateretê Uma noite na roça (com João do Sul).

Voltou a São Paulo, onde, por influência do sogro, foi nomeado lançador da prefeitura. Contudo, voltou a sentir-se mal do coração, e os médicos aconselharam-no a tratar-se com o cardiologista Miguel Couto no Rio de Janeiro, onde tencionava fazer novas gravações. Pouco depois seu estado de saúde se agravou, sendo então trazido para São Paulo, onde morreu.

Algumas músicas


01 - Campos Sales (dobrado) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 120597 / Gravação 1912-1915 / Lançamento 1912-1915 / Lado indefinido / Disco 76 rpm; 02 - Pisando na mala (polca) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 120596 / Gravação 1912-1915 / Lançamento 1912-1915 / Lado indefinido / Disco 76 rpm; 03 - Belo Horizonte (valsa) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 120595 / Gravação 1912-1915 / Lançamento 1912-1915 / Lado indefinido / Disco 76 rpm; 04 - Devaneio (mazurca) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 120598 / Gravação 1912-1915 / Lançamento 1912-1915 / Lado indefinido / Disco 76 rpm; 05 - Beijo e lágrimas (valsa) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Album 121248 / Gravação 1915-1921 / Lançamento 1915-1921 / Lado indefinido / Disco 76 rpm; 06 - Marcha triunfal brasileira (marcha) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 122932 / Gravação 1921-1926 / Lançamento 1921-1926 / Lado A / Disco 78 rpm; 07 - Abismo de rosas (valsa) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 122933 / Gravação 1921-1926 / Lançamento 1921-1926 / Lado A / Disco 78 rpm; 08 - Marcha dos marinheiros (marcha) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 10021 / Gravação 00/1927 / Lançamento 00/1927 / Lado B / Disco 78 rpm; 09 - Só na Bahia é que tem (samba) - Canhoto / Intérprete: Canhoto / Gravadora Odeon / Álbum 123226 / Gravação 1925-1927 / Lançamento 1925-1927 / Lado único / Disco 78 rpm.




Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.
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