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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Paulo Barbosa

Paulo Barbosa, compositor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 29/04/1900 e faleceu na mesma cidade em 04/12/1955.

Irmão do sambista Luís Barbosa e do comediante Barbosa Júnior compôs valsas como Cortina de veludo, com Osvaldo Santiago e Italiana com José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago.

Em 1936, Carlos Galhardo gravou na Columbia a valsa Cortina de veludo e a canção Cantiga de ninar. No ano seguinte, o mesmo Carlos Galhardo gravou a valsa Italiana, Moacir Bueno da Rocha as valsas Tapete persa e Um beijo em cada dedo, parcerias com Osvaldo Santiago e o Bando da Lua a Marchinha do grande galo, parceria com Lamartine Babo, grande sucesso carnavalesco.

Em 1938, Castro Barbosa gravou a marcha Branco não tem coração, outra parceria com Osvaldo Santiago. No ano segunte, compôs com Silvino Neto a marcha Senhorita Pimpinela, gravada pelo próprio Silvino Neto na Victor.

Em 1940 compôs o samba Samba lelê e com Silvino Neto a marcha Laranja seleta, ambas gravadas por Carlos Galhardo na Victor. Em 1944, Dircinha Batista gravou a marcha Voltemos à Viena, parceria com Osvaldo Santiago e o samba Alarga a rua, parceria com Roberto Martins e Osvaldo Santiago.

Um de seus principais intérpretes foi o cantor Carlos Galhardo que gravou entre outras, as valsa Mulher, parceria com Rosa Floresta e Torre de marfim,parceria com José Maria de Abreu e Osvaldo Santiago.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Luís Barbosa

Luís Barbosa (Luís dos Santos Barbosa), cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 07/07/1910 e faleceu, na mesma cidade,em 08/10/1938. Irmão do compositor Paulo Barbosa, do humorista e cantor Barbosa Júnior e do radialista Henrique Barbosa, começou sua carreira na Rádio Mayrink Veiga, no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu, em 1931, logo se destacando por sua personalidade na interpretação de sambas, reforçada pela novidade da utilização de “breques”.

Foi também o introdutor do chapéu de palha como acompanhamento rítmico, nos programas de rádio e em gravações. Seus primeiros sucessos foram as interpretações de Caixa Econômica (Nássara e Orestes Barbosa) e Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro).

Em 1931 gravou na Odeon seus primeiros discos: os sambas Meu santo (Pedro Brito), Silêncio (Vadico), Não gostei de seus modos (Amor) e Sou jogador (de sua autoria), e as marchas Vem, meu amor (Pedro Brito e Milton Amaral) e Pega, esta também de sua autoria.

Na Victor, em 1933, gravou o primeiro samba de Wilson Batista, Na estrada da vida, e em seguida o samba Adeus, vida de solteiro, além do samba-canção Jamais em tua vida, ambos do compositor e pianista Mano Travassos de Araújo, que o acompanhou ao piano. No mesmo ano, a convite de Jardel Jércolis, passou a se apresentar todas as noites no Teatro Carlos Gomes, cantando juntamente com Deo Maia o samba No tabuleiro da baiana (Ary Barroso), que seria gravado por ele em dupla com Carmen Miranda, na Odeon, em 1937.

Em seguida gravou, na Victor, a marcha Quem nunca comeu melado (com Jorge Murad), o samba Bebida, mulher e orgia (Luis Pimentel, Anis Murad e Manuel Rabaça), o samba Cadê o toucinho e a marcha Eu peço e você nao dá (ambos de Nássara e Antônio Almeida), e os sambas Lalá e Lelé (Jaime Brito e Manezinho Araújo), Risoleta (Raul Marques e Moacir Bernardino), Perdi a confiança (Rubens Soares e Ataulfo Alves) e Já paguei meus pecados (Leonel Azevedo e Germano Augusto).

Entre 1935 e 1937 gravou uma série de sambas de breque de Antônio Almeida e Ciro de Sousa, com acompanhamento ao piano de Mário Travassos de Araújo. No Carnaval de 1936, fez sucesso com a gravação da marchinha de Antônio Almeida e A. Godinho Ó! ó! não, que inicialmente era um anúncio da Drogaria Sul-Americana, do Rio de Janeiro.

A vida de boêmio interrompeu o sucesso de sua curta mas extraordinariamente marcante carreira, tendo morrido tuberculoso em casa de sua família, na Tijuca, em 1938.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Risoleta

Simone Moraes
Entre os improvisados instrumentos de percussão, o que mais marcou os intérpretes foi sem dúvida o chapéu de palha, que era moda entre os almofadinhas. Quem primeiro o usou como elemento de ritmo foi o cantor Luís Barbosa. Iniciou-se na vida artística tocando pandeiro de aro de aço, porém, para ele, muito magro e já minado pela tuberculose, era um tour de force, com dez minutos cansava.

A convite do compositor Nássara (Mundo de Zinco, Alá lá ô, Periquitinho verde, etc.) nasceu como cantor. Com excelente balanço, cantando num estilo coloquial muito antes da bossa nova, despertou logo atenção. Um dos seus maiores êxitos foi Risoleta de Raul Marques e Moacir Bernardino (Escrito por Renato Vivacqua).

O título da música tornou uma jovem de nome Risoleta admiradora incondicional do cantor, pelo fato de a música levar seu nome. Risoleta passou a telefonar para Luiz Barbosa que, quando a conheceu, percebendo a sua juventude em flor, fez com entre os dois ocorresse apenas uma boa amizade.

Mais tarde, Risoleta foi para o rádio e adotou o pseudônimo de Simone Moraes. Tornou-se amiga da mãe do cantor, que chamava-se Bela, mãe de Barbosa Junior e Paulo Barbosa, radio-ator e compositor respectivamente.

A versão da canção Fascinação, escrita por Armando Louzada, diretor da Rádio Mayrink Veiga e mais tarde da Rádio Nacional, foi feita para ela, Simone Moraes, que com ele iria se casar. Fascinação teve um imenso sucesso na voz de Carlos Galhardo, e servia de fundo musical para o programa “Crônica da Cidade” (Histórias do Frazão).

Risoleta (samba, 1937) - Raul Marques e Moacir Bernardino - Intérprete: Luiz Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Risoleta / Moacir Bernardino (Compositor) / Raul Marques (Compositor) / Luiz Barbosa, 1910-1938 (Intérprete) / Conjunto Boêmios da Cidade (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 20/04/1937 / Lançamento: 06/1937 / Nº do Álbum: 34177 / Nº da Matriz: 80379-1 / Gênero musical: Samba

Intro:  Eb7M    Fm  Bb7  Eb7M  Bb7
 
            Eb7M  
Vou mandar prender, 
    Bb        Eb7M  
Esta nega Risoleta,
         Bb                    Eb7M
Que me fez uma falseta e me desacatou, 
                      Bb  
Porque não lhe dei o meu amor.
                 G                     G7  
Isto é conversa prá doutor. E ela foi criada, 
            Cm7  
Na roda da malandragem,
                                     F7  
Hoje vive com visagem. Sei que com esta nega, 
    Bb7  
Não vou levar a mínima vantagem.
 
   Fm     Bb7
E ela quebrou, 
                  Eb7M  
O meu chapéu de palhinha,
  G       G7
De abinha bem curtinha. E também rasgou, 
                      Cm7  
O terno melhor que eu tinha
         Fm7  
Bis       - Quem me deu foi a Rosinha. E a camisa de seda, 
                 Gb°                   Eb7M
Que eu comprei à prestação da mão do Salomão
        C#7   C7  
 (Por preço de ocasião)
Fm  
E ainda não paguei, 
   Bb7         Eb7M     Bb7
A primeira prestação.
            
Eb7M    Fm  Bb7  Eb7M  
(meu Deus do céu, que confusão!)…


Fontes: Renato Vivacqua; Histórias do Frazão; Instituto Moreira Salles - Acervo musical.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Minha Palhoça

Sílvio Caldas
Todas as delícias da vida campestre - o pomar, o riachão, a passarada, a fonte ao pé do monte - são aqui oferecidas à mulher amada, para ela trocar a cidade pelo sertão. Mas, por via das dúvidas, o convite é reforçado com a promessa de alguns bens da civilização - um rádio, uma Kodak... - pois, afinal, conforto nunca faz mal a ninguém.

Seguindo a linha "rancho-fundo", tão em moda na época, "Minha Palhoça" consagrou-se como um dos melhores sambas do gênero, enriquecendo simultaneamente o repertório de dois cantores: Luís Barbosa, que o popularizou no rádio, e Sílvio Caldas, que a gravou. Curiosa a história de Luís Barbosa. Considerado por muitos o grande sambista de sua geração, teve a carreira quase restrita ao rádio, gravando somente 21 discos.

Minha Palhoça (samba, 1935) - J. Cascata - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Minha palhoça / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Choro Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 09/08/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11271 / Nº da Matriz: 5117 / Gênero musical: Samba Coleções: IMS, Nirez

D7M           A7             D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça
                       A7
 – Lá tem troça e se faz bossa –
  D7M     Eb°                  Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                              Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e
    B7               E7          Db7
Ao romper da madrugada, vem a passarada, 
         A7
  abençoar nossa união.
  Em                               A7                           
Tem um cavalo, que eu comprei à prestação 
                         D
  e que não estranha a pista 
Tem jornal; lá tem revista.
  D7                            G
Uma Kodak para tirar nossas fotografias 
– Vai ter retrato todo dia –
 Gm                                 D7M
Um papagaio, que eu mandei vir do Pará.
Bm             Em7              A7               D7M
Um aparelho de rádio batata,  e um violão que desacata.
                           E7
Meu Deus do céu que bom seria…
 D7M      A7              D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça – 
                       A7
 Lá tem troça e se faz bossa –
    D7M      Eb°               Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                            Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e 
   B7                   E7
Ao romper da madrugada, vem a passarada
   Db7             A7
   abençoar nossa união.
      Em                           A7
Tem um pomar, que é pequenino, é uma beleza 
                   D
   - É mesmo uma gracinha – Criação, lá tem galinha – 
   D7                                     G
Um rouxinol, que nos acorda ao amanhecer – 
Isso é verdade, podes crer – 
   Gm                       D7M
A patativa quando canta faz chorar,
Bm              Em7            A7             D7M
Há uma fonte na encosta do monte, a cantar – chuá… chuá…


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.