domingo, 26 de março de 2006

Fala meu Louro

Uma sátira à derrota de Rui Barbosa na eleição presidencial de 1919 em que obteve menos da metade dos votos do vencedor, Epitácio Pessoa -, "Fala Meu Louro" é o melhor samba da fase inicial de Sinhô. Mas a letra referindo-se à terra de Rui ( "A Bahia não dá mais coco / pra botar na tapioca..." e ao súbito mutismo do conselheiro, sempre tão falante ( "Papagaio louro / do bico dourado / tu falavas tanto / qual a razão que vives calado..."), acabou por irritar os baianos ligados ao samba, que se julgaram atingidos.

Assim, o revide foi imediato através de "Entregue o Samba aos Seus Donos", composição de Hilário Jovino Ferreira, que já havia alfinetado Sinhô no ano anterior com "Não És Tão Falado Assim". Só que agora Mestre Hilário partia para o ataque direto, acusando-o de plagiário. Naturalmente nada impede, e é até provável, que ao fazer "Fala Meu Louro"', Sinhô tenha pretendido provocar ao mesmo tempo Rui e os baianos liderados por Jovino, um pernambucano criado em Salvador.

Fala meu Louro (samba, 1919) - Sinhô - Intérprete: Mário Reis - Disco 78 rpm - Orquestra (Acompanhante) - Gnattali, Radamés (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Continental, 1951 - Álbum 16455 -

A Bahia não dá mais coco
para botar na tapioca
Pra fazer o bom mingau
para embrulhar o carioca

Papagaio louro do bico dourado
Tu falavas tanto
qual a razão que vives calado

Não tenhas medo
coco de respeito
Quem quer se fazer não pode
Quem é bom já nasce feito



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

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