quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Joel e Gaúcho


Joel e Gaúcho - Dupla vocal formada em 1930, no Rio de Janeiro, que teve sua fase principal até 1947, composta pelo cantor Joel de Almeida, nascido no Rio de Janeiro em 1913 e falecido em São Paulo em 1993 e o violonista e cantor Francisco de Paula Brandão Rangel, o Gaúcho nascido na cidade de Cruz Alta no Rio Grande do Sul em 1911 e falecido no Rio de Janeiro em 1971.


Em 1932 Joel trabalhava na Casa Edison, de Fred Figner, e da janela costumava ver compositores subirem a escada de um prédio próximo, a fim de que o pianista Freitinhas fizesse a escrita de suas músicas. Um dia resolveu apresentar suas composições a ele. Para sua surpresa Freitas marcou uma gravação na Odeon. Seu parceiro na ocasião foi Breno Bonifácio e nesse disco gravaram em dueto dois sambas, Eu quero é viver e Meu prazer, de autoria de ambos.

Ao chegar do Rio Grande do Sul Gaúcho conheceu Joel em 1933, nas rodas boêmias do bairro carioca da Tijuca, e logo começaram a se apresentar em festas e serenatas. No ano seguinte Renato Murce levou-os para seu programa Horas do Outro Mundo, na Rádio Phillips. Contratados pela emissora passaram a cantar no Programa Casé, com Gaúcho acompanhando ao violão e Joel batucando no chapéu de palha. Foram chamados de os irmãos Gêmeos da Voz por Alziro Zarzur, embora Cesar Ladeira tenha sido creditado com a invenção do apelido.

Em 1935 a dupla obteve seu primeiro destaque em disco com Estão batendo (Gadé e Valfrido Silva) gravado na Columbia. Em 1936, pela Victor, lançaram Pierrô apaixonado (Heitor dos Prazeres e Noel Rosa) marcha de grande sucesso no Carnaval, que marcou o início de uma série de êxitos carnavalescos. No mesmo ano a dupla participou do filme Alô, alô Carnaval passando também a se apresentar nos cassinos da Urca e Atlântico além do Copacabana Palace Hotel.

No Carnaval de 1940 a dupla obteve outro grande sucesso com “ Cai, cai (Roberto Martins) lançando no mesmo ano a marcha Maria Caxuxa (Antônio Almeida e Saint-Clair Sena) e, no carnaval de 1941, Aurora (Roberto Roberti e Mário Lago) com enorme êxito. No ano seguinte a dupla gravou o sucesso A mulher do padeiro (J. Piedade, Germano Augusto e Bruni) e em 1943 a marcha O Danúbio...azulou (Nássara e Eratóstenes Frazão).

Outro grande êxito da dupla foi o Boogie-woogie do rato (Denis Brean) lançado em 1947, ano em que também excursionou por Buenos Aires, Argentina, apresentando-se na boate Embassy e na Rádio El Mundo. Na capital argentina a dupla se desfez, tendo Joel lá permanecido como cantor e Gaúcho retornado ao Brasil.

De volta ao país em 1952, Joel tornou a formar dupla com Gaúcho, mas somente por breve período, pois no mesmo ano, após algumas apresentações, Gaúcho abandonou o rádio e foi morar em Itacuruça, Rio de Janeiro. Joel prosseguiu carreira sozinho, como cantor e compositor, principalmente carnavalesco, tendo obtido grande sucesso em 1956, com sua gravação de Quem sabe, sabe (com Carvalhinho).

Dois anos depois, outro destaque, com Madureira chorou (Carvalhinho e Júlio Monteiro) época em que também trabalhou como diretor artístico da gravadora Polydor durante um ano e meio. Nessa função resolveu lançar um cantor jovem para concorrer com João Gilberto: assim, 1959, produziu o primeiro disco de Roberto Carlos.

Em 1962 Joel e Gaúcho se encontraram novamente para gravar o LP Joel e Gaúcho, na RCA Victor, relançando antigos sucessos como Aurora, Cai, cai e Pierrô apaixonado, entre outras, com orquestração de José Meneses. Depois da morte de Gaúcho, Joel , conhecido como o Magrinho Elétrico, continuou sua carreira sozinho, como cantor compositor e radialista, apresentando programas noturnos na Rádio Tupi, de São Paulo.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Joel de Almeida

Joel de Almeida, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 05 de novembro de 1913 e faleceu em São Paulo/SP em 01 de abril de 1993. Fez com o cantor Gaúcho uma dupla de sucesso principalmente nos anos 1940.

Em 1946 fazendo dupla com Gaúcho, gravou em disco solo, os sambas Promessa (de Jaime de Carvalho) e Trabalhar, eu não (de Aníbal de Almeida). Nessa época, em excursão à Argentina, a dupla com Gaúcho se desfez e Joel permaneceu como cantor em Buenos Aires.

Em 1951 gravou de sua autoria o samba Hoje a coisa é diferente, e de sua autoria e Dom Roy o baião Ai! Que bom. Depois de um breve retorno, a dupla com Gaúcho desfez-se definitivamente e Joel prosseguiu sua carreira solo.

Em 1955 já com a dupla desfeita, gravou pout-pourri intitulado Reminiscências de Joel e Gaúcho, pela Odeon. No mesmo ano gravou outro pout-pourri Sucessos da velha-guarda, com músicas de Noel Rosa, Ismael Silva e outros compositores. Gravou ainda o fox Canção para inglês ver, de Lamartine Babo.

Em 1956 gravou a marcha Quem sabe, sabe, de sua autoria e que veio a ser uma das mais executadas em todo o Brasil naquele ano, e o fox Loura ou morena (Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós) composta em 1932.

Em 1957 gravou de sua autoria o samba Não quero mais amor, a marcha Isso não se faz. No mesmo ano regravou o grande sucesso do carnaval de 1927, o maxixe Cristo nasceu na Bahia (de Sebastião Cirino e Duque).

Em 1958 gravou a marcha Campeão do mundo e o samba Leonor. No mesmo ano gravou com a cantora Araci de Almeida as marchas Vai ver que é, de Carvalhinho, e A mulata é que é mulher. Ainda em 1958 obteve grande sucesso com o samba Madureira chorou, que homenageava a vedete do teatro de revista Zaquia Jorge, moradora de Madureira e mulher de Júlio Monteiro, o Júlio Leiloeiro.

Nesse período, começou a trabalhar como diretor artístico da gravadora Polydor, função na qual atuou por cerca de um ano e meio, tempo no qual lançou o jovem cantor Roberto Carlos, a princípio para concorrer com João Gilberto.

Em 1959 gravou a marcha Linda brincadeira (Jair Amorim e Nássara), e o samba Fita os olhos meus (de Antônio Almeida). Em 1961 gravou a marcha Pé de cana e o samba Eu gostava tanto dela. Em 1963 gravou as marchas Elza e Pau no burro. Atuou ainda como radialista, apresentando programas noturnos na Rádio Tupi de São Paulo.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

João Dias

João Dias (João Dias Rodrigues Filho), cantor, nasceu em Campinas/SP em 12/10/1927 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/11/1996. Iniciou carreira em 1948 na Rádio São Paulo, para onde foi levado por Cardoso Silva.

No ano seguinte, estava na Rádio Bandeirantes e, em 1950, foi descoberto por Francisco Alves, quando se apresentava na boate Cairo, em São Paulo SP, sendo levado para o Rio de Janeiro, onde gravou seu primeiro disco na Odeon, com Guacyra (Hekel Tavares e Joraci Camargo) e Canta, Maria (Ary Barroso).

No ano seguinte alcançou grande sucesso com a gravação de Sinos de Belém (Jingle Bells, versão de Evaldo Rui) e Fim de ano (Francisco Alves e David Nasser), que a partir desse ano são regravados pela Odeon na época do Natal.

Em 1952 gravou na Odeon seu primeiro grande sucesso carnavalesco, Grande Caruso (Denis Brean e Osvaldo Guilherme), e em novembro do mesmo ano estreou na Rádio e TV Tupi, do Rio de Janeiro, com o programa semanal Audição João Dias, que ficou no ar por um ano.

Transferiu-se em 1953 para a Rádio Nacional, com um programa aos domingos, passando em seguida a apresentar-se em várias emissoras de televisão por todo o país. Conquistando grande popularidade, em 1955 seu programa da Rádio Nacional passou a ser apresentado no horário antes ocupado pelo de Francisco Alves, que ficara no ar por vários anos.

Mudou para a gravadora Copacabana, gravando em 1956, com Ângela Maria, o sucesso Mamãe (Herivelto Martins e Davi Nasser). Três anos depois estava na CBS, lançando Milagre da volta (Fernando César e Diva Correia), com muito êxito.

Em 1961 voltou para a Odeon, onde gravou um LP de tangos, de grande sucesso e vendagem, tendo ainda lançado em disco versões de músicas já consagradas. Viajou com Dalva de Oliveira por todo o país, depois de regravar o sucesso Brasil (Benedito Lacerda e Aldo Cabral).

Foi o idealizador e responsável pela Lei de Direito Conexo, que, tendo sido aprovada e regulamentada em 1968, garante ao intérprete receber direitos pela execução posterior de suas gravações, o que anteriormente era restrito aos autores.

Em 1975, lançou pela Odeon o LP comemorativo de seus 25 anos de carreira, com músicas de compositores atuais. Ao todo, lançou pela Odeon seis LPs e um pela Copacabana, além de lançar em média dois a três discos por ano. Considerado o “herdeiro de Francisco Alves”, de quem foi grande amigo, ficou conhecido também com o slogan de Príncipe da Voz.

Entre seus maiores sucessos, destacam-se, além dos já citados, a marcha do Carnaval de 1966 É o pau, e o pau (Jujuba e Rodrigues Pinto), Quando eu era pequenino (Davi Nasser, Francisco Alves e Felisberto Martins), Canção dos velhinhos (René Bittencourt) e Silêncio do cantor (Joubert de Carvalho e David Nasser).

Em 1975 lançou um LP comemorativo de seus 25 anos de carreira. No ano em que faleceu 1996, dirigia a Socimpro, Sociedade Brasileira de Intérpretes e Produtores Fonográficos. Com 45 anos de carreira, gravou cerca de 320 músicas em 78 rpm, LPs e CDs.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - Publifolha

Jesy Barbosa

Jesy Barbosa (Jesy de Oliveira Barbosa), cantora, violonista, jornalista e poetisa, nasceu em Campos/RJ em 15/11/1902, e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 30/12/1987. Filha de um jornalista e mãe musicista, tocava violão e teve aulas de canto.

Iniciou carreira profissional em 1928, na Rádio Sociedade, no Rio de Janeiro a convite de Roquete Pinto. Pioneira da gravadora Victor, em 1928 lançou seu primeiro disco, com as canções Olhos pálidos, de Josué de Barros, e Medroso de amor, de Zizinha Bessa, nas quais colocou os versos.

De 1929 a 1933 lançou 26 discos, quase todos na Victor, interpretando composições de Marcelo Tupinambá, Joubert de Carvalho, Cândido das Neves, Gastão Lamounier, Henrique Vogeler, entre outros.

Seus maiores sucessos foram as canções Minha viola e Sabiá cantador (ambas de Randoval Montenegro), a canção-toada Volta (1930, de M. Lopes de Castro), o tango Queixas (1932, de Zelita Vilar e Rhea Cibele), e o fox-canção Saudades do arranha-céu (1933, de J. Tomás e Orestes Barbosa), pela Columbia.

Foi eleita Rainha da Canção Brasileira em 1930, em concurso promovido pelo Diário Carioca. No ano seguinte, foi elogiada pelo príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VIII da Inglaterra, que visitava o Rio de Janeiro; em sua homenagem, gravou o tango Príncipe de Gales (Gastão Lamounier e M. Lopes de Castro).

Além da carreira de cantora, desenvolveu intensa e variada atividade intelectual: foi contista, teatróloga, conferencista e poetisa, tendo publicado Cantigas de quem perdoa, Livraria Freitas Bastos, São Paulo, 1963.

Trabalhou em várias revistas e jornais, e na Rádio Globo foi redatora durante nove anos, além de radioatriz, novelista e apresentadora. Segundo Orestes Barbosa no livro "Samba", de 1933, sua especialidade eram "as canções de emoção e pensamento".


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.