terça-feira, 5 de setembro de 2006

Carmélia Alves


Carmélia Alves, cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 14/2/1925. Filha de cearenses, nascida e criada no subúrbio carioca de Bangu, desde cedo entrou em contato com a música do Norte e Nordeste, nas reuniões de repentistas que seus pais promoviam em casa.

Em 1940 participou do programa de calouros de Paulo Gracindo, na Rádio Tupi, e depois cantou no Programa do Tiro, da Rádio Nacional, apresentado por Barbosa Júnior, que a levou para cantar, com contrato, em seu outro programa, O Picolino. Nesse começo de carreira, em que interpretava sambas tentando imitar Carmen Miranda, foi contratada pela Rádio Mayrink Veiga por três anos.

Em 1943 passou a atuar tambêm como crooner na boate do Copacabana Palace Hotel; nesse ano gravou seu primeiro disco, na Victor, com o samba Deixei de sofrer (Dino e Popeye do Pandeiro) e a batucada Quem dorme no ponto é chofer (Assis Valente), lançado no Carnaval de 1944. Em 1944, também, excursionou por todo o país. Com a proibição do jogo em 1946, fixou-se em São Paulo SP, atuando em casas noturnas.

Voltou ao Rio de Janeiro em 1948, sendo novamente contratada pela Mayrink Veiga e pela boate do Copa- cabana Palace Hotel. Foi através do programa Ritmos da Panair, de Murilo Neri, transmitido pela Radio Nacional diariamente da boate, que começou a ser conhecida.

Em 1949 gravou, em dupla com Ivon Curi, pela Continental, o baião Me leva (Hervé Cordovil e Rochinha), o primeiro de uma série que a consagraria como a Rainha do Baião durante a década de 1950. Obteve grande sucesso com as gravações de Trepa no coqueiro (1950), de Ari Kerner, Sabiá lá na gaiola (1950) de Hervé Cordovil e Mário Vieira, o samba Coração magoado (1950), de Roberto Martins, e Cabeça inchada (1951), de Hervé Cordovil. Interpretando o baião com sotaque sulista, foi uma das maiores dïvulgadoras do gênero no Sul do país.

Em 1954, com seu marido, o cantor Jimmy Lester, realizou vitoriosa temporada em Buenos Aires, Argentina, cantando na boate Gong e na Rádio Belgrano, e, em 1956, já consagrada no Brasil, excursionou, durante cinco anos, pela Europa, África, Asia e E.U.A., divulgando a música brasileira e fazendo gravações.

Participou ainda de diversos filmes musicais: Tudo azul (1952), de Moacir Fenelon; Está com tudo (1952), de Luis de Barros; Agulha no palheiro (1953), de Alex Viany; Carnaval em Caxias (1954), de Paulo Wanderley; Trabalhou bem, Genival (1955), de Luis de Barros; Carnaval em lá maior (1955), de Ademar Gonzaga; e Pensão de Dona Estela (1956), de Alfredo Palácios e Ferenc Fekete.

No início da decada de 1970 apresentou-se freqüentemente no exterior e, em 1974, gravou o LP Ritmos do Brasil com Carmélia Alves, pela RGE, com Eu vou girar (B. Lobo e Agnaldo Alencar) e Peguei um ita no norte (Dorival Caymmi), entre outras. Em 1977, participou do show comemorativo dos 30 anos de baião, realizado no Teatro Municipal, de Sao Paulo, com Luis Gonzaga, Hervé Cordovil e Humberto Teixeira. Na década de 1990, da época áurea do rádio brasileiro.
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