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sábado, 1 de agosto de 2009

Lindolfo Gaya

Lindolfo Gaya (Lindolpho Gomes Gaya), arranjador, regente, instrumentista, compositor. Itararé, SP - 06/05/1921 - Curitiba, 14/09/1987. Começou a aprender piano com sete anos de idade, só se profissionalizando como músico em 1942. Estudou no Colégio Franco-Brasileiro, de São Paulo, SP.

A partir de 1942, no Rio de Janeiro, passou a atuar como pianista em programas de calouros na então Rádio Transmissora, passando para a Orquestra de Chiquinho na Rádio Clube e depois para a Rádio Tupi, onde conheceu a cantora Stelinha Egg, com quem se casou em 1945. Para a Victor e Odeon, realizou durante 15 anos arranjos e orquestrações, destacando-se na música popular brasileira.

Com os arranjos de O vento e O mar (ambos de Dorival Caymmi), interpretados por Stelinha Egg, recebeu o prêmio Melhor Disco do Ano, que possibilitou ao casal uma temporada artística pela Europa em 1955.

Em Varsóvia, Polônia, regeu a Orquestra Filarmônica, recebendo a medalha de ouro do governo polonês, e atuou como juiz em congresso folclórico apresentado na Festa da Juventude. Em Moscou, regeu a Grande Orquestra do Teatro Strada, participando do filme Folclore de Cinco Países, de Alexandrov, no qual tocou chorinhos de sua autoria. Na França, foi diretor musical do filme Bela Aventura, com Stelinha Egg, sobre temas e motivos brasileiros.

Fixando residência em Paris, onde trabalhou para a organização de gravações de Ray Ventura, fez arranjos para gravações de músicas brasileiras e sul-americanas. Orquestrou para uma gravadora francesa o elepê Chants folkloriques breseliens, sobre temas brasileiros, interpretados por Stelinha.

De volta ao Brasil, compôs músicas e fez arranjos para histórias infantis, com os seguintes elepês: João e Maria, O Gato de Botas, A Moura Torta, A Galinha dos Ovos de Ouro, Branca de Neve e O Pequeno Polegar. Ainda na RCA lançou os elepês Em Tempo de Dança (dois volumes), para órgão e pequeno conjunto.

Sua passagem para a Odeon deu-se quando a Bossa Nova começava a tomar forma: fez os arranjos para o histórico elepê Amor de Gente Moça, de
Sylvia Telles. Gravou ainda vários elepês pela Odeon, onde se destaca Dança Moderna com sua orquestra, tocando músicas tradicionais brasileiras, tais como Rosa Morena (Dorival Caymmi) e Grau dez (Lamartine Babo / Ary Barroso).

Em 1965 compôs as músicas do show Rio de Quatrocentos Janeiros, apresentado no grill-room do Copacabana Palace Hotel, do Rio de Janeiro, recebendo o prêmio Euterpe 65. A música foi registrada em elepê comemorativo do IV Centenário da cidade.

No ano seguinte, participou do júri que selecionou as 36 finalistas do I FIC, da TV Rio, do Rio de Janeiro, fazendo os arranjos e regendo boa parte delas, e criou o desenho rítmico da canção
Saveiros (Dori Caymmi / Nelson Mota), que obteve o primeiro lugar na fase nacional e o segundo na internacional. Lançou pela Philips o elepê O Grande Festival, com as músicas do certame, tendo recebido o Galo de Ouro pela sua atuação como arranjador e maestro.

Apresentou na TV Rio e depois na TV Continental, um programa popular com Stelinha Egg, entremeando canções e filmes sobre o Brasil. Dirigiu shows de Elizeth Cardoso e Amália Rodrigues, no Canecão do Rio de Janeiro.

Fonte: Páginas 297/298, volume I, "Enciclopédia da Música Brasileira", Art Editora, 1977.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Durval Ferreira

Durval Ferreira (Durval Inácio Ferreira), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 26/1/1935, e faleceu na mesma cidade em 17/6/2007. Começou a aprender violão com a mãe, que tocava bandolim, e desde então interessou-se por música, estudando sozinho.

Mais tarde se aperfeiçoaria no contato com músicos como João Donato, Luís Eça, Johnny Alf, Cannonball Adderley, Herbie Mann, Tom Jobim e outros.

Em 1958 fez sua primeira composição, Sambop (com Maurício Einhorn) gravada dois anos depois por Claudete Soares no LP Nova geração em ritmo de samba (Copacabana). Em 1959 apresentou-se pela primeira vez em público no festival de bossa nova realizado no Liceu Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, e em seguida em espetáculo da Faculdade de Arquitetura; nessa época, organizou seu primeiro conjunto e acompanhou a cantora Leny Andrade.

Em 1962 integrou o conjunto de Ed Lincoln e, como guitarrista, tocou no Sexteto Bossa Rio, de Sérgio Mendes, durante o Festival de Bossa Nova, do Carnegie Hall, de Nova Iorque, EUA. Três anos depois foi violonista do conjunto Tamba Trio em gravações, participando ainda do conjunto Os Gatos, com o qual gravou o LP Aquele som dos Gatos (Philips), e, em 1966, Os Gatos (Philips),incluindo sua composição E nada mais (com Lula Freire).

Compôs a trilha sonora de Estranho triângulo, direção de Pedro Camargo, e participou, em 1968, do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, com a música Rua d'Aurora (com Fátima Gaspar e Tibério Gaspar).

Tem inúmeras composições gravadas por artistas brasileiros e norte-americanos, destacando-se Batida diferente (com Maurício Einhorn), gravada por Roberto Menescal e seu Conjunto, na Elenco, pelo Tamba Trio, na Philips, e com várias outras gravações no Brasil e exterior; Tristeza de nós dois (com Maurício Einhorn e Bebeto), gravada em 1962 pelo conjunto de Sérgio Mendes e também com inúmeras gravações: Estamos aí (com Maurício Einhorn e Regina Werneck), 1963, gravada por Leny Andrade, na Odeon; Nuvem, com o mesmo parceiro, gravada pelo conjunto Os Gatos, de Eumir Deodato, na Philips.

Sua composição com Maurício Einhorn e Hélio Mateus, Avião, foi uma das últimas gravações do cantor Agostinho dos Santos, antes de sua morte em acidente aéreo.

Participou, como jurado, do III e IV FIC, produziu as vinhetas da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, sozinho (FM) e em parceria com Orlandivo (AM). Foi diretor artístico da CID.

Fontes: CliqueMusic; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Astor Silva

Astor Silva, instrumentista, arranjador, regente e compositor, nasceu em 10/5/1922 no bairro do Rio Comprido, Rio de Janeiro, RJ, e faleceu na mesma cidade em 12/2/1968. Fez seus estudos na Escola João Alfredo, situada em Vila Isabel. Por essa época já estudava música e formou um grupo com colegas do colégio que se apresentava em bailes e festas familiares.

Iniciou sua atividade artística como trombonista de dancings. Por volta de 1940, passou a atuar no Cassino da Urca, e em outros, como os situados em Copacabana e Icaraí. Em 1946, com o fechamento dos Cassinos, passou a integrar a Orquestra Tabajara, dirigida por Severino Araújo, que realizou excursões pelo Brasil, Argentina, Uruguai, França, etc.

Ainda como integrante da Orquestra Tabajara, apresentou-se na Rádio Tupi. Posteriormente, transferiu-se para a orquestra do maestro Carioca que atuava na mesma emissora. Exibiu-se ainda na boate carioca Night and Day e na TV Rio. Foi diretor musical de diversas gravadoras. Na CBS desempenhou também a função de arranjador-chefe.

No início dos anos 1950, formou seu próprio conjunto com o qual atuou na Todamérica fazendo acompanhamentos para Flora Matos, Garotos da Lua, Virgínia Lane, Zilá Fonseca, Ademilde Fonseca e Raul Moreno.

Em 1952, seu Chorinho da Nice foi gravado na Continental por Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara. Em 1953, gravou com seu conjunto na Todamérica o choro Pisando macio, de sua autoria, e o Baião diferente, de Marcos Valentim.

No ano seguinte, gravou também com seu conjunto o choro No melhor da festa, e o Baião lusitano, ambos de sua autoria. Por essa época, passou a dirigir sua própria orquestra e gravou o mambo Mambomengo, e o samba Sete estrelas, de sua autoria. Ainda em 1954, seu choro Alta noite, parceria com Del Loro, foi gravado na Sinter pelo cantor Jamelão. Atuou com sua orquestra na Todamérica e acompanhou, entre outras, a cantora Dóris Monteiro na gravação da Marcha do apartamento, e do samba Sacrifício não se pede.

Em 1955, gravou com seu conjunto os choros Chorinho de boite, e Sombra e água fresca, de sua autoria. Por essa época, atuou com seu conjunto e com sua orquestra na gravadora Continental acompanhando gravações de Moreira da Silva, Nora Ney, Bill Farr e Emilinha Borba.

Entre 1960 e 1963, atuou com seu conjunto e sua orquestra na Columbia. Em 1960, foi um dos responsáveis pelo sucesso do samba Beija-me, de Roberto Martins e Mário Rossi, gravado por Elza Soares com arranjos seus.

Em 1961, acompanhou com seu conjunto um das primeiras gravações do então iniciante cantor Roberto Carlos num 78 rpm com as músicas Louco por você e Não é por mim. Acompanhou também gravações de Risadinha, Wanderléia, também em começo de carreira, Ciro Monteiro, Rossini Pinto e Elis Regina, em uma de suas primeiras gravações, com as músicas A virgem de Macareña e 1, 2, 3, balançou.

Ainda em 1961, gravou com sua orquestra os frevos Jairo na folia, de Francisquinho, Ao som dos guisos, de Edgar Morais, A pisada é essa, de João Santiago, e Vai na marra, de David Vasconcelos.

Gravou ainda, pelo pequeno selo Ritmos, com seu conjunto, os sambas Vamos fazer um samba, de sua parceria com Nelson trigueiro, e Agora é cinza, de Bide e Marçal.

Foi um dos principais arranjadores da segunda metade dos anos 1950. Em 1974, seu Chorinho de gafieira foi regravado por Raul de Barros no LP Brasil, trombone, lançado pelo selo Marcus Pereira.

Obras

Alta noite (c/ Del Loro); Baião lusitano; Chorinho de boite; Mambomengo; No melhor da festa; Pisando macio; Sete estrelas; Sombra e água fresca; Vamos fazer um samba (c/ Nelson Trigueiro).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Egberto Gismonti


Egberto Gismonti (Egberto Amin Gismonti), compositor, instrumentista e arranjador nasceu em uma família de músicos em Carmo, pequena cidade do interior do estado do Rio (5/12/1944), filho de pai libanês e mãe italiana. É considerado um dos maiores compositores brasileiros de música instrumental. Começou a estudar piano aos cinco anos.


Ainda na infância e adolescência, seus estudos no Conservatório já incluíram flauta, clarinete, violão e piano. Interessou-se pela pesquisa da música popular e folclórica brasileira, chegando a passar uma temporada vivendo com os índios no Xingu.

Em 1968, participou de um festival da TV Globo com a canção O sonho, defendida pelos Três Morais, que atraiu a atenção do público e elogios da crítica. Partiu nesse mesmo ano para a França, onde estudou música dodecafônica com Jean Barraqué e análise músical com Nadia Boulanger.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, Egberto Gismonti, com forte influência da bossa nova. O álbum, hoje cult, acabaria sendo uma de suas obras mais acessíveis, dado que, nos anos 1970, Gismonti se dedicaria a pesquisas musicais e experimentações com estruturas complexas e instrumentos inusitados, voltando-se quase exclusivamente para a música instrumental.

No V Festival Internacional da Canção, em 1970, concorreu com Mercador de serpentes.

A hesitação das gravadoras brasileiras com o seu estilo o levou a procurar refúgio em selos europeus, pelos quais lançou vários álbuns pelas décadas seguintes. Gismonti explorou diversas avenidas da música, sempre imprimindo o seu interesse pessoal: o choro o levou a estudar o violão de oito cordas e a flauta, a curiosidade com a tecnologia e a influência da Europa o levaram aos sintetizadores, a curiosidade com o folclore e as raízes do Brasil o levaram a estudar a música indígena do Brasil, tendo mesmo morado por um breve período com índios yawaiapiti, do Alto Xingu.

A carreira de Gismonti prosseguiu sólida - se não comercialmente explosiva - e o artista continuou gravando seus álbuns e participando de discos alheios, além de fazer turnês de sucesso, especialmente na Europa. Entre os músicos com os quais colaborou ou colaboraram com ele, destacam-se Naná Vasconcelos (Dança das cabeças, de 1976), Marlui Miranda, Charlie Haden, Jan Garbarek, André Geraissati, Jaques Morelenbaum, Hermeto Paschoal, Airto Moreira e Flora Purim.

Gravou quinze discos entre 1977 e 1993 para o selo norueguês ECM, dez dos quais lançados no Brasil pela BMG em 1995. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, e é um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.

Recentemente sua obra passou a ser gravada maciçamente por outros instrumentistas. Algumas peças do disco Alma, de 1987, tornaram-se hits, como Palhaço e Loro.


Fontes: Wikipédia; Clique Music.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eumir Deodato


Eumir Deodato (Eumir Deodato de Almeida), instrumentista, compositor, arranjador e regente, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 22/6/1943. Já tocava acordeom, quando, aos 14 anos, entrou para a Academia de Mário Mascarenhas, onde estudou música com Hilda Comeira. Dedicando-se também ao piano, começou a participar de concertos e a tocar em bailes, festas de formatura, clubes e boates.

Em 1959 trocou o acordeom pelo piano e passou a fazer parte do conjunto de Roberto Menescal, atuando em shows de bossa-nova, ao mesmo tempo que começou a compor. Durante algum tempo tocou com o guitarrista Durval Ferreira e, em 1962, formou seu próprio conjunto, ao qual Roberto Menescal se integrou.

Tendo deixado o grupo, voltou a fazer arranjos, trabalhando nos primeiros discos de Marcos Valle e no Lobo bobo, primeiro sucesso de Wilson Simonal, tendo sido também arranjador free-lancer e organista exclusivo da Odeon.

Em 1964 fez os arranjos e regencia do LP Inútil paisagem, da etiqueta Forma, apresentando músicas de Tom Jobim, e também gravou o LP Os gatos, lançado pela Philips. Dois anos depois, gravou o LP Os catedráticos/ataque, pela Equipe, com Ataque (de sua autoria) e Razão de viver (com Paulo Sérgio Valle).

Em 1967 foi para New York, EUA, a convite de Luiz Bonfá, para fazer arranjos de um disco seu com Maria Helena Toledo. A seguir, fez os arranjos para o disco Beach samba de Astrud Gilberto, ocasião em que conheceu Creed Taylor, que lhe confiou seus outros contratados: Tom Jobim, Walter Wanderley, Paul Desmond, Aretha Franklin, Frank Sinatra, Tony Benett, Roberta Flack. Nessa época voltou-se para os estilos fusion e R&B (Rhytlim and Blues). No mesmo período, passou a criar jingles de grande sucesso.

Em 1972 gravou com João Donato o LP Donato/Deodato, considerado um clássico da fusão bossa-nova/latin jazz. Com a etiqueta Equipe lançou, em 1973, os LPs Prelude, no qual fez grande sucesso seu arranjo para Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss (1864—1949), vendendo mais de 5 milhões de cópias; e Os catedráticos/73.

De 1979 a 1983 trabalhou com sucesso com o grupo KooI and The Gang. Em sua carreira artística, já acumulou mais de 15 discos de platina.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Aires

Aires (Doraci Aires de Arruda), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em São Paulo SP em 13/9/1932. Tocando violão, viola, guitarra ou cavaquinho, a partir de 1952 participou de vários conjuntos e orquestras, entre eles Clóvis e Eli (até 1954), Marinho e sua Orquestra (1955), Calisto e Conjunto.

Fazendo acompanhamento, gravou seu primeiro disco em 1961, época em que também começou a se apresentar em programas de rádio e televisão e ingressou na Grande Orquestra Tupi, de São Paulo.

Em 1962 passou a acompanhar Agostinho dos Santos em shows e gravações. No ano seguinte apresentou-se na Argentina e Uruguai com Robledo e seu Conjunto, atuando em 1964 na orquestra de Carlos Piper.

Entre 1964 e 1967 acompanhou o humorista Chico Anísio e o cantor Geraldo Vandré, tendo também participado (tocando viola) do Trio Novo, que acompanhou Jair Rodrigues na música Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros), vencedora do II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1966, e do Quarteto Novo.

Em 1972 deixou de atuar na orquestra da Tupi e em 1974 fez acompanhamento nos LPs da Marcus Pereira, Música popular do Centro-Oeste/Sudeste.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ed Lincoln

Ed Lincoln (Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia), instrumentista, compositor e arranjador, nasceu em Fortaleza (CE), em 31/5/1932. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, iniciando a carreira artística como contrabaixista e depois passando para o piano e o orgão elétrico. Atuou na boate Plaza tocando baixo e piano ao lado de Luiz Eça e Johnny Alf, fazendo parte também do conjunto de Dick Farney.

Em 1955 formou seu próprio conjunto. No mesmo ano, gravou seu primeiro disco interpretando Amanhã eu vou, de Nilo Sérgio e Nunca mais, de sua autoria e Sílvio César. Entre 1955 e 1958, atuou na boate Drink, no Rio de Janeiro no conjunto de danças dirigido por Djalma Ferreira. Ainda no final dos anos 1950, acompanhou gravações do iniciantes Claudete Soares e Baden Powell.

Em 1961 gravou os LPs Ao teu ouvido e Ed Lincoln boate, que incluiu Saudade fez um samba, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Nessa época, exerceu a função de diretor musical da gravadora Musidisc. Durante os anos 1960 foi um dos mais requisitados animadores de bailes. Ficaram famosas as apresentações da Domingueira dançante no Clube Monte Líbano.

Em 1963, lançou o LP Ed Lincoln - Seu piano e seu órgão espetacular, que tinha como destaques as músicas Só danço samba, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Influência do jazz, de Carlos Lyra; Vamos balançar, de Carlos Imperial, Balansamba, de Luiz Bandeira; Um samba gostoso, de sua autoria; Pra que?, de Silvio César; Tristeza, de sua autoria e Luiz Bandeira e Olhou pra mim, de sua parceria com Silvio César. No mesmo ano, sefreu um grave acidente de carro que o manteve afastado das atividades artísticas por sete meses, período no qual foi substituído nos bailes por Eumir deodato. No ano seguinte, lançou o LP A volta.

Em suas orquestras atuaram como crooners os cantores Orlandivo, Toni Tornado, Silvio César, Emílio Santiago, Humberto Garin e Pedrinho Rodrigues. Também atuaram em seus conjuntos diversos músicos consagrados, entre os quais Durval Ferreira, Marcio Montarroyos, Luis Alves, Wilson das Neves, Paulinho Trompete e Celinho.

Em 1965, gravou o LP Órgão espetacular, com destasque para Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, Locomotion, de Joe Coco; Mulher de 30, de Luís Antônio; Teléco-teco nº 2, de Oldemar Magalhães e Nelsinho; O amor e a rosa, de Pernambuco e Antônio Maria e Vivendo e aprendendo, de sua autoria e Silvio César.

No ano seguinte lançou novo LP, que trazia entre outras É o Cid e Se eu tiver, de sua parceria com Silvio César, O ganso e O amor que eu guardei, de sua parceria com Orlandivo e Querida e Eu não vou mais, de Orlandivo e Durval Ferreira.

Em 1967, gravou O bêbado, Eu quero ir e Eu vou embora, de Orlandivo e Durval Ferreira; As gaivotas, de sua autoria e Se você quiser, de Orlandivo; Em 1968, fez os arranjos para o sucesso Anjo azul, gravado pela cantora Adriana. No mesmo ano, lançou um de seus LPs de maior prestígio e que trazia entre outros sucesso Zum, zum, zum, de Silva e Adamastot, Waldemar, de Orlandivo e Deval e Choro do bebê, de De Savoya, sendo considerado por muitos historiadores o primeiro LP independente brasileiro.

Em 1971, teve um de seus LPs, que trazia entre outras O bêbado, de Orlandivo e Durval Ferreira, Saci Pererê, de Mendes e Terra" e As gaivotas, de sua autoria, relançado pela gravadora CID. Por essa época, começou a se afastar os bailes e passou a atuar como músico de estúdio gravando gingles e trilhas sonoras além de lançar discos com coletâneas dançantes de sucessos nacionais e internacionais assinados com os mais diferentes pseudônimos, como: Glória Benson, Orquestra Los Angeles e Orquestra Romance Tropical. Foi um dos primeiros músicos brasileiros a se dedicar à música eletrônica e a fazer experiências com música através de computador.

Em 1988, gravou em um microcomputador Commodore 64 o LP Toque novo, lançado no ano seguinte. Em 1989, lançou pelo selo Elenco/PolyGram o LP Novo toque, com a regravação de antigos sucessos entre os quais Ai, que saudade dessa nega, de sua autoria.

Em 2000, fez participação especial na faixa Conversa mole, no CD do cantor Ed Mota. Por essa época, muitas de suas músicas, como Cochise e Se você quiser, passaram a ser presença frequente nas pistas de dança da Inglaterra, dando ensejo a uma onda de pirataria de seus discos fora de catálogo. Nessa mesma época teve a música É o Cid, parceria com Silvio César, regravada pela equipe de bailes Furacão 2000, considerada como o novo "Rei dos bailes" dos subúrbios do Rio de Janeiro.

Em 2001, teve a música Jogaram o caxangá relançada na coletânea Samba soul 70 - Rare groove party, do selo belga Ziriguiboom. Em 2002, o selo inglês Whatmusic.com relançou em Cd o LP que trazia entre outras Zum zum zum, Waldemar e O choro do bebê. Em 2003, apresentou-se com seu conjunto no projeto Sambalanço - A bossa que correu o mundo concebido pelo músico Henrique Cazes e apresentado no Centro Cultural Primeiro de Março. No mesmo ano, apresentou no Centro Cultural Banco do Brasil o show Saudade fez um samba, depois de 30 anos longe dos palcos.

Cerca de dois anos depois, teve problemas de saúde e teve que se afastar da carreira artística morando na cidade de Petrópolis. Em 2007, retomou as atividades gravando em órgão Hammond o samba "Sem compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro para ser incluído no novo CD de Marcelinho da Lua.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Geraldo Vespar


Geraldo Vespar (Manuel Geraldo Vespar), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em Quixadá CE em 9/11/1937. Estudou teoria e solfejo com Geraldo Amaral (em Goiás), composição e orquestração com Paulo Silva, harmonia e contraponto com Moacir Santos, composição e regência na E.M.U.F.R.J. e fez o curso de harmonia e instrumentação da Berklee School of Music, de Boston, E.U.A.

Começou a carreira em 1952, acompanhando calouros da Rádio Anhangüera, de Goiânia GO, e em 1958 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando, de 1959 a 1963, como guitarrista em boate; e em 1963 e 1964, com Astor e sua orquestra e com Moacir Silva e seu conjunto.

Realizou sua primeira gravação com Radamés Gnattali, num disco de historietas infantis da Continental; com o pseudônimo de Delano, participou de um disco de guitarra e orquestra (Copacabana) e, com Gerald, da gravação do LP I Love Paris (Continental).

Em 1964, já com o nome de Geraldo Vespar, gravou Take Five, e, em 1965, com a gravação de Samba nova geração, recebeu o prêmio-revelação O Guarani. Em 1966, além de gravar Só vou nas quentes, atuou no conjunto de Peter Thomas e, em 1967, com Chiquinho do Acordeom. Neste ano, fez com Sílvio César a trilha sonora do filme Mineirinho vivo ou morto, dirigido por Aurélio Teixeira.

De 1964 a 1967 integrou também a orquestra da TV Excelsior, regida pelo maestro Zacarias; em 1968 foi para a TV Tupi, como solista e arranjador da orquestra do maestro Cipó, onde ficou até 1973 e com o qual trabalhou ainda como solista num sexteto dejazz. Durante o período em que participou da orquestra de Paul Mauriat (1973 a 1975) como solista e arranjador, gravou o LP Brasil romântico (1974), lançado inicialmente no Japão.

Excursionou com Elza Soares pelo México e E.U.A., e com a Grand Orchestre, de Paul Mauriat, pela França, Países Baixos, Coréia, Grã-Bretanha e Japão. Na década de 1980 continuou tocando com a orquestra de Paul Mauriat.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

César Camargo Mariano

César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador / instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.

Em 1961 tocou no conjunto Três Américas. Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.

Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro RJ, em 1963.

Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elisete Cardoso e do LP de seu octeto. Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato.

A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.

Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal. Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.

Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elisete Cardoso e Cristina.

Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano. Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.

Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984). Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador. No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Moacir Santos


Moacir Santos (Moacir José dos Santos), regente, arranjador, instrumentista, professor e compositor, nasceu em Vila Bela, Pernambuco, em 8/4/1924, e faleceu em Los Angeles, Califórnia, EUA. Criado em Flores do Pajeú (PE), recebeu as primeiras noções de teoria musical do Mestre Paixão, iniciando carreira como instrumentista da banda local.


Em 1940 deixou a cidade e passou a acompanhar um circo pela região. Em seguida, passou pelas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE) e João Pessoa (PB), onde ingressou na Força Pública da Paraíba. Pouco depois, abandonou a carreira militar e passou a trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco.

Em 1948 foi para o Rio de Janeiro, onde começou a tocar no clube Brasil Danças. Logo entrou para a orquestra da Rádio Nacional, na qual permaneceu por 18 anos, primeiro como saxofonista e depois como maestro e arranjador. Nesse período, estudou teoria musical com o maestro Guerra-Peixe e com o professor Hans Joachim Koellreutter de quem se tornou assistente.

Na década de 1950, firmou-se como um dos principais arranjadores do Brasil. Foi professor de Paulo Moura, Baden Powell, Nara Leão, Eumir Deodato, Dom Um, Airto Moreira, entre outros.

Em 1963 realizou os arranjos do disco Vinícius de Moraes e Odete Lara. Em 1965 lançou seu primeiro disco no Brasil: Coisas.

No final dos anos de 1960, pela trilha do filme Amor no Pacífico, recebeu do Itamaraty uma passagem para os EUA Fixou residência em Pasadena, onde deu aulas e tocou até ser descoberto pelo pianista Horace Silver, quando então passou a gravar para o mercado norte-americano: The Maestro (1971), Saudade (1973) e Carnaval dos espíritos (1975), todos pela etiqueta Blue Note, além de Opus 12 nr.1, pela Discovery.

Em 1985 esteve no Brasil e, com Radamés Gnattali, foi homenageado no Free Jazz Festival. Em 1992 esteve novamente no Brasil, participando do projeto Memória Brasileira, Série Arranjadores, lançado em CD.

Entre suas principais composições destacam-se Nanã (com Mário Teles), Coisas (nr.1 a 12), e, em parceria com Vinícius de Moraes, Menino travesso, Triste de quem, Lembre-se e Se você disser que sim.

Em 2001, foi lançado o CD duplo "Ouro Negro", que resgatou obras contidas em seus discos "Coisas", "Maestro", "Saudade" e "Carnival of Spirits", apresentadas com seus arranjos originais, transcritos por Mario Adnet e Zé Nogueira.

Em 2005, foi lançado o CD "Choros & Alegria", registrando suas composições Agora eu sei, Outra coisa, Paraíso", Saudade de Jaques, Vaidoso, De Bahia ao Ceará, Excerto No. 1, Flores, Cleonix, Ricaom, Lemurianos (Pâtâla), Rota Infinito, Carrosel, Samba di Amante e Felipe, todas escritas muitos anos antes de sua fase modernista emblematizada no LP "Coisas". O disco, produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira, contou com a participação do trompetista Wynton Marsalis. Nesse mesmo ano, foram lançados os songbooks "Cancioneiros Moacir Santos".

Em 2006, o CD "Choros e alegria" foi contemplado com o Prêmio Tim, na categoria Melhor Disco/Projeto Especial. Em julho desse ano, foi escolhido como vencedor do 26º Prêmio Shell de Música, pelo conjunto da obra, vindo a falecer no dia 6 de agosto. No dia 8 de novembro desse mesmo ano, sua viúva Cleonice Santos, e seu filho, Moacir Santos Jr., receberam das mãos do presidente Lula e do ministro Gilberto Gil a medalha da Ordem do Mérito Cultural conferida ao músico.

Em 2007, a cantora Muiza Adnet lançou o CD “As canções de Moacir Santos”, gravado no ano anterior. O compositor realizou uma participação especial no disco, que se tornaria seu último registro fonográfico.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Dicionário Cravo Albin da MPB.

sábado, 3 de março de 2007

Oscar Castro-Neves


Oscar Castro-Neves, arranjador, instrumentista e compositor, nasceu em 15/5/1940 no Rio de Janeiro RJ. Com seis anos de idade já tocava violão e cavaquinho. Em 1954 formou um conjunto com os irmãos Mano (piano) Leo (bateria) e Ico (contrabaixo), apresentando se na Rádio Difusora de Petrópolis RJ.


No Rio de Janeiro continuou os estudos e integrou se ao movimento musical que então surgia, a bossa nova. Em setembro de 1959 apresentou-se no Festival do Samba Moderno, na Faculdade de Arquitetura, e no ano seguinte Carlos Lyra gravou sua composição Chora tua tristeza (com Luverci Fiorini), em seu primeiro LP gravado para a Philips.

Com novo grupo, do qual participavam seus irmãos Ico e Leo, apresentou-se no Festival Nacional da Bossa Nova, no Teatro Record, em São Paulo SP, e no show Noite do sambalanço, na PUC, de São Paulo.

Em 1960, o conjunto acompanhou diversos cantores no disco Bossa nova mesmo, lançado pela Philips, que incluía duas músicas suas, Menina feia, cantada por Lúcio Alves, e Chora tua tristeza, tocada pelo conjunto.

Em 1962, formando um quarteto com Ico, Henry Percy Wilcox (guitarra) e Roberto Ponte (bateria), em que tocava piano e violão, seguiu para New York, EUA, e se apresentou no Festival da Bossa Nova, no Carnegie HalI, gravando depois com Milton Banana o LP O ritmo e o som da bossa nova, pela Audio Fidelity, com Bossa-nova blues e Não faz assim (de sua autoria).

Em 1964 participou, com Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi e o Quarteto em Cy, do show da boate Zum Zum, Rio de Janeiro, produzido por Aluisio de Oliveira e lançado em disco pela Elenco. No mesmo ano, Alaíde Costa apresentou no show O fino da bossa, no Teatro Paramount, de São Paulo, a composição Onde está você?, que foi o grande êxito do compositor.

No ano seguinte, o conjunto apareceu em algumas faixas de LPs gravados ao vivo, como A bossa nova no Paramount e O fino da bossa, lançados pela RGE, e ainda Bossa nova no CarnegieHall, lançado pela Audio Fidelity.

Fez os arranjos e a direção musical da trilha sonora da peça Liberdade, liberdade, de Millor Fernandes e Flavio Rangel, e compôs a musica do filme Toda donzela tem um pai que é uma fera, dirigido por Roberto Farias.

Em 1966 participou da gravação do LP Tom Jobim apresenta, com a composição Morrer de amor (com Luverci Fiorini). Nesse mesmo ano seguiu para os EUA, onde trabalhou para Sérgio Mendes ate 1981, participando demais de quinze. Também fez arranjos para discos de Quincy Jones, Laurindo de Almeida, Flora Purim e outros.

Em 1973 gravou para a Odeon o LP Alaíde Costa & Oscar Castro-Neves, incluindo Companheira da manhã (com Werneck) e Retrato em branco e preto (Chico Buarque e Tom Jobim).

Em 1975 colaborou na trilha sonora da novela Gabriela, da TV Globo, fazendo também, em 1982, os arranjos e a direção musical do filme Gabriela, cravo e canela, de Bruno Barreto.

Vive em Los Angeles, EUA, compõe músicas para as emissoras de TV NBC e KVEA, participa, como orquestrador, de filmes de Hollywood e promove, desde 1992, noites de música brasileira no Hollywood Bowl. Produz também discos de jazz e já lançou cinco álbuns solo. É proprietário da produtora Kennis Enterprises.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Lírio Panicali

Lírio Panicali, regente, arranjador compositor e instrumentista, nasceu em Queluz/SP em 26/6/1906 e faleceu em Niterói/RJ em 29/11/1984. Filho de imigrantes italianos, aos 12 anos transferiu-se para São Paulo SP, ingressando no Liceu Coração de Jesus e depois no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

Em 1922, já no Rio de Janeiro/RJ, estudou no I.N.M. e foi maestro e pianista da Companhia Negra de Revista. Nessa cidade, conheceu Lamartine Babo, com quem escreveu o fox Saias curtas. Por razões familiares, precisou voltar à cidade natal, lá tendo desenvolvido intensa atividade musical, organizando bandas e coros.

De volta a São Paulo, começou a trabalhar na Rádio São Paulo, passando, em 1938, para a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde participou do programa Canção Antiga, de Almirante. Nesse ano organizou a Orquestra Melódica Lírio Panicali e, desde então, começou a escrever temas para novelas da Rádio Nacional, destacando-se nesse gênero suas valsas Encantamento, Magia (com Raimundo Lopes) e Ternura (com Amaral Gurgel).

Em 1939 estreou no cinema, compondo para o filme Aves sem ninhos, dirigido por Raul Roulien seguindo-se as trilhas sonoras para os filmes: em 1943, Moleque Tião, de José Carlos Burle; em 1947, Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo; em 1953, Dupla do baralho, e em 1954 Nem Sansão nem Dalila, ambos de Carlos Manga.

Foi um dos fundadores da gravadora Sinter (1950), onde permaneceu como diretor do setor artístico e gravou, em 1950, seu primeiro LP, Orquestra melódica de Lírio Panicali. Nessa fábrica, gravou inúmeros sucessos carnavalescos. Idealizou com Paulo Roberto o famoso programa Lira de Xopotó, na Rádio Nacional, sobre bandas do interior, de que resultou o LP do mesmo nome com músicas regionais.

Foi maestro contratado da Rádio M.E.C. e fez arranjos para quase todas as gravadoras do país, tendo-se destacado na Columbia, orquestrando discos de artistas como Cauby Peixoto, Tito Madi e Sérgio Murilo. Fez também arranjos para diversas orquestras, entre as quais a de Zacarias. Com o aparecimento das telenovelas, na década de 1960, foi convidado a escrever algumas trilhas sonoras e, mais tarde, em 1972, resumiu esse seu trabalho no LP Odeon Panicali e as novelas.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

Leo Peracchi

Leo Peracchi nasceu em 30/9/1911 na cidade de São Paulo-SP e faleceu em 16/1/1993 no Rio de Janeiro-RJ. Foi regente, arranjador, pianista, professor, compositor, mestre da instrumentação moderna brasileira e destacado orquestrador da Música Popular Brasileira. Durante sua vida profissional teve enorme importância também como formador de músicos e incentivador de jovens artistas como Toquinho, Tom Jobim e do pianista Arthur Moreira Lima.

Primeiro filho de Memore e Ada Peracchi, seu pai foi professor de música e diretor do Conservatório Benedetto Marcello, depois Conservatório Carlos Gomes. Teve quatro irmãos, três dos quais também musicistas: Henriqueta Elda, pianista, Eldo, violoncelista e Gemma Rina, pianista e professora do conservatório Carlos Gomes, e Tina, secretária e estenógrafa.

Formou-se em piano e composição no conservatório do pai, onde, ainda de calças curtas, passou a dar aula de teoria e solfejo (1927). Começou sua carreira dirigindo pequenas orquestras (1928), acompanhando filmes nos cinemas da cidade, e tornou-se concertista clássico de piano.

Casou-se (1932) com sua primeira mulher, Sofia Giordani, com quem viveu durante 18 anos e teve dois filhos, Márcia e Adriano Lúcio, e passou a trabalhar como pianista e maestro da Rádio Kosmos, de São Paulo (1936). Passado pela Rádio Bandeirantes e pela Rádio Educadora Paulista, seguiu para o Rio de Janeiro (1941), a convite da Rádio Nacional, à época a maior emissora do país, onde participou de vários programas como orquestrador, regente e compositor.

Foi o criador, juntamente com Haroldo Barbosa e José Mauro, do programa Dona Música, que apresentava músicas de todas as partes do mundo. Entre muitas outras atividades, dirigiu a orquestra da Rádio Nacional no programa A história das orquestras do Brasil (1944), também lançado por Almirante.

Passou a viver (1950) com sua segunda mulher, a cantora lírica Lenita Bruno (1929-1987), com quem teve uma filha, a cantora Míriam. Escreveu partituras musicais para diversos filmes da Atlântida e Flama, como a chanchada Tu és Meu (1952), de José Carlos Burle e incontáveis arranjos para discos e regeu várias orquestras.

Foi nomeado (1965) diretor musical da Orquestra Sinfônica de Altoona, na Pensilvânia, cargo no qual permaneceu por dois anos. Lá também dirigiu conjuntos corais e lecionou nas escolas Nossa Senhora de Lourdes e Montessori, além da Universidade da Pensilvânia.

Com a terceira mulher, Nina Campos, mudou-se para Belgrado, antiga Iugoslávia (1968), onde trabalhou com a Orquestra Filarmônica da cidade e escreveu o ballet Stâmena. Voltou para o Brasil (1970), estabelecendo-se em São Paulo, trabalhando nas gravadoras Copacabana e Arlequim, da qual foi diretor musical, e na Editora Vitale e dava aulas particulares de música para jovens interessados, além de aulas de Composição e Conjunto de Câmara no Conservatório Carlos Gomes.

Nessa mesma época, faz trabalhos de regência para o Estúdio Gazeta e para a Orquestra da Rede Globo e adaptou arranjos para teatros e orquestras. Vítima de um princípio de derrame que o impediu de continuar escrevendo partituras, foi morar no Rio de Janeiro (1989) viver sob os cuidados dos filhos, onde faleceu três anos depois, a 16 de janeiro.


Fonte: www.dec.ufcg.edu.br/biografias/LeoPechi.html.