terça-feira, 4 de abril de 2006

Marçal (Armando Vieira Marçal)

Armando Vieira Marçal nasceu no Rio de Janeiro, filho de Vicente Marçal e Carolina Marçal, no dia 14 de outubro de 1903. Sua família era humilde e teve infância difícil, mal podendo cursar o primário. Iniciou-se cedo na profissão de lustrador de móveis na Casa Pratt e, mesmo tendo sucesso como compositor e ritmista, não a deixou. Ao morrer, em 20 de junho de 1947, era o lustrador dos móveis do Hotel Vera Cruz, à rua D. Pedro I, sempre no Rio de Janeiro. Casado com D. Ângela Delfina Marçal, foi pai de três filhos, inaugurando verdadeira dinastia de sambistas.

O terceiro filho, Nilton (os outros dois, Valdir e Iara, morreram cedo), viria a se tornar o conhecido Mestre Marçal, um dos maiores ritmistas da música popular brasileira, mestre de bateria da Escola de Samba da Portela, e o neto, Marçalzinho, continuaria a tradição como ritmista, fazendo carreira nos Estados Unidos.

Armando Marçal participou da primeira gravação com instrumentos de ritmo feita no Brasil, a de Na Pavuna, de autoria de Almirante e Homero Dornellas, que se assinava Candoca da Anunciação. Marçal, Bide, João da Baiana, Bucy Moreira, Raul Marques e outros que se tornaram os pioneiros. Marçal trabalhava como ritmista em emissoras de rádio, desde 1934, e gostava de promover rodas de samba em sua casa, freqüentadas por amigos compositores e por astros consagrados como Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, entre outros.

O maior sucesso da dupla Bide/Marçal foi o samba Agora é cinza, que tem uma história curiosa. Oferecido no Café Nice ao cantor Mário Reis, junto com o samba Vivo sonhando, foi em princípio recusado, tendo Mário aconselhado que as músicas fossem apresentadas primeiro a Francisco Alves. Isso porque eles estavam meio brigados desde que resolveram não gravar mais em dupla e Mário queria fazer uma gentileza ao colega. Francisco Alves escolheu Vivo sonhando e Mário Reis gravou a que sobrou, Agora é cinza, a que se tornou um clássico, um dos cinco maiores sambas de todos os tempos, segundo pesquisa junto a especialistas.

Além dos grandes sambas que compunham juntos, Bide e Marçal - como quase todos os compositores de sua geração - eram excelentes seresteiros e gostavam das valsas brasileiras em moda. São deles, como exemplos, as valsas Silêncio, composta em 1941, e Prece a Lua, feita em 1945.

Dois anos depois, em 1947, bastante jovem, com apenas 44 anos de idade, um ataque cardíaco surpreendeu Armando Marçal, quando visitava as dependências da gravadora RCA Victor, no Rio de Janeiro. A morte dele desfazia a famosa dupla, mas seus sambas continuam a ser gravados com sucesso até hoje.

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