quarta-feira, 26 de abril de 2006

Serra da Boa Esperança

Lamartine Babo
No início dos anos trinta, Lamartine Babo correspondeu-se com Nair, uma mineira de Dores de Boa Esperança, a quem dedicou esta canção. Tempos depois, visitando a cidade, ele descobriria que Nair era uma menina, sobrinha de um admirador seu, o dentista Carlos Alves Neto, verdadeiro autor das cartas.

Um inspirado samba-canção, "Serra da Boa Esperança" mostrou-se propício a interpretações renovadoras, especialmente com criativas mudanças harmônicas, como a versão instrumental que lhe deram César Camargo Mariano e Wagner Tiso, em 1983, e a vocal de Eduardo Dusek, em 1984, num reverente resgate.

A composição com 32 compassos (A-B) é desenvolvida sobre um motivo principal, de três notas e suas variações, usado quatro vezes a cada quatro compassos, e que é alterado de modo notável em duas ocasiões: na preparação para o final da primeira parte ("Meu-úl-ti-mo-bem") e no compasso 26 ("Ho-ra-do-adeus-vou-me"), quando em vez de ser repetido, prossegue o movimento descendente direto, um procedimento que volta a ser usado nas oito notas que precedem o arremate.

Com letra e música de Lamartine, "Serra da Boa Esperança" é um exemplo bem expressivo de sua arte, em que o poeta e o compositor se igualam em competência e bom gosto.

Serra da Boa Esperança (samba-canção, 1937) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Serra da boa esperança / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 17/03/1937 / Nº Álbum 800274 / Gênero musical: Samba canção /
Intro: Dm A7

Dm                                      A7
Serra da Boa Esperança esperança que encerra
  Dm                                 A7
No coração do Brasil um punhado de terra
   A#              C7   F         C/E      D7
No coração de quem vai, no coração de quem vem
Gm7              C7                F A7
Serra da Boa Esperança meu último bem
Dm                                  A7
Parto levando saudades, saudades deixando
 A#                                  A7  A# A7
Murchas caídas na serra lá perto de Deus
Gm7                           A7            Dm   D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7                         Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus
Dm                                 A7
Levo na minha cantiga a imagem da serra
Dm                                    A7
Sei que Jesus não castiga o poeta que erra
A#               C7       F     C/E     D7
Nós os poetas erramos, porque rimamos também
Gm7                  C7                      F   A7
Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem
Dm                                 A7
Serra da Boa Esperança não tenhas receio
A#                                   A7  A#  A7
Hei de guardar tua imagem com a graça de Deus
Gm7                            A7           Dm    D7
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Gm7                          Em5-/7
Deixo a luz do olhar no teu luar
A7 Dm
Adeus


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

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