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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Natureza bela

No ano de 1936, a Unidos da Tijuca trouxe pela primeira vez carros alegóricos que ilustravam o enredo. Antes, as singelas alegorias enalteciam coisas que não tinham nada a ver com o tema apresentado pelas agremiações.

A Tijuca fez essa inovação e virou notícia nos jornais. Além disso, o título de campeã de 1936 iria para a escola que tivesse a melhor harmonia. A Unidos da Tijuca já estava com a faca e o queijo na mão.

Daí, a evolução da escola na passarela foi tão, mas tão perfeita, que a escola levantou pela única vez o caneco com o enredo "Sonhos delirantes". O samba cantado na avenida não era um legítimo samba-enredo, pois não explorava o tema em nada. Mas os pesquisadores cismam em afirmar que este foi o "primeiro samba-enredo gravado em disco", pelo cantor Gilberto Alves. E é verdade, apesar de não ser um "samba-enredo verdadeiro".

"Natureza bela", é uma obra-prima competente, que soa bem no ouvido de qualquer sambista e tem uma melodia leve como uma pluma. Existem duas versões desse samba: a de 1948 e a de 1960, ambas feitas pelo boêmio de voz grave, Gilberto Alves.

Título da música: Natureza bela!... / Gênero musical: Samba / Intérprete(s): Alves, Gilberto / Compositor(es): Martins, Felisberto - Mesquita, Henrique / Gravadora Odeon / NÚmero do Álbum: 12771 / Data de Gravação: 00/1941 / Data de lançamento: 00/1947 / Lado: lado A / Rotações: Disco 78 rpm


Natureza bela!... (samba-enredo, 1936) - Felisberto Martins e Henrique Mesquita (Enredo: Sonhos delirantes / Samba cantado: Natureza bela)

Natureza bela do meu Brasil
Queira ouvir esta canção febril
Sem você, não tenho (bis)
As noites de luar pra cantar
Uma linda canção ao nosso Brasil

É um sambista apaixonado
Quem lhe pede, natureza
As noites de luar
Que vive bem perto de você
Mas sem lhe ver
Eu vejo as águas correndo
E sinto meu coração palpitar, ô ô
E o meu pinho gemendo
Vem minha saudade matar...


Fonte: O site dos Sambas-Enredo

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Violão amigo

"Violão amigo" foi gravado por Gilberto Alves em 1942 e a abertura melódica do samba parece evocada no manifesto da bossa "Desafinado".

Violão amigo (samba, 1942) - Alcebíades Barcelos e Armando Marçal - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Violão amigo / Armando Marçal (Compositor) / Bide, 1902-1975 (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 14/07/1942 / Lançamento: 09/1942 / Nº do Álbum: 12189 / Nº da Matriz: 7016 / Gênero musical: Samba


Violão amigo ouve os meus ais
Ouve os meus segredos
Não suporto mais

Talvez tu compreendas meu sentir
Quero exprimir nesse samba
Tudo que sofri

Quem de mim sorriu
Por certo há de chorar
Quando ouvir alguém cantar

Poeta eu fui
Embora sem querer
Cantei em versos o meu sofrer

Violão amigo
Eu canto por consolação
Trago esta mágoa sentida
No meu coração, violão



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sorrir dormindo

Gilberto Alves
Sorrir dormindo (Por que sorris?) (valsa, 1911) - Juca Kalut - Versos de: Catulo da Paixão Cearense

Disco selo: Favorite Record / Título da música: Sorrir dormindo (Por quê sorris?) / Juca Kalut (Compositor) / Banda da Casa Faulhaber / Cia. (Intérprete) / Nº do Álbum: 1-452131 / Nº da Matriz: 11353-o- / Data do lançamento: 1911 / Gênero musical: Valsa / Coleção de Origem: Nirez D



Em 1962, a canção Por que sorris?, foi relançada por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de Sempre, gravadora Copacabana (CLP 11268). Ainda em 1969 outra edição agora pela gravadora Som (SOLP 40162):

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Por Que Sorris / Juca Kalut (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) /Gravadora: Copacabana / Álbum: CLP 11268 / Ano: 1962 / Gênero musical: Valsa



Mas por que sorris / De me ver assim chorando?
Sorris porque não sou feliz / E não mereço teu amor
Gostas de brincar com a dor / E gostas de zombar das dores
Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim de mim.

Mas do som, mas sabor / Tem sempre o amor
Demais amargor / Oooooh.... ri... ri de mim!
É uma glória viver / A rir desta dor
Que também, sorri / Que se sente prazer de feliz
Que vê, / Ri que tu és a pureza
É o anjo / A beleza / Não sabe gemer

Feliz quando / O trovador na lira chorando 
Tem o coração / Nos grilhões das prisões 
Do amor são as dores / a extrema 
A inspiração dos cantores / Desejo assim findar 
Cantando os meus amargores / com os teus primores rimar...

Ri de mim, assim / Com teus gestos sedutores
Podes rir assim... / De mim...


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Cosme e Damião

Cosme e Damião (valsa, 1951) - Roberto Martins e Ari Monteiro - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Cosme e Damião / Ari Monteiro (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 18/05/1951 / Lançamento: 08/1951 / Nº do álbum: 80-0797 / Nº da matriz: 092957 / Gênero musical: Valsa


Eu era criança
E tinha esperança
De ser um dia feliz
Fiz uma promessa
Dei doce à bessa
Para os santinhos guris

Mamãe me fazia
Os doces pedia
Que eu lhe fizesse um favor
Pedisse aos santinhos
Que o meu papaizinho
Desse a ela o seu grande amor

Cosme e Damião, ooó
Crispim, Crispiniano
Caboclinho da mata
Doces pra vocês eu dei
E a promessa que fiz já paguei
Festas e mais festas eu fiz
Desta data feliz eu me lembro
Cosme e Damião, doum, doum
Vinte e sete de setembro!


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Prece à lua

Gilberto Alves
Prece à lua (valsa, 1945) - Alcebíades Barcelos e Armando Marçal - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Prece à lua / Armando Marçal (Compositor) / Bide, 1902-1975 (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Abel e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 17/01/1945 / Lançamento: 03/1945 / Nº do Álbum: 12561 / Nº da Matriz: 7755 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Lua, deusa da natura
Ouve a minha prece
Protetora dos amantes
Porque me esqueces

Fixo a imensidão
E a tua luz comparo à ela
Vejo o brilho das estrelas
Lembro os olhos dela


Eu quis tornar realidade
Os sonhos e quimera
Transformar o inverno infindo
Em linda primavera

A flor da minha ilusão
Murchou após o florescer
Deixando somente amargor
Em volta em meu viver



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Cecília

Gilberto Alves
Cecília (marcha/carnaval, 1944) - Roberto Martins e Mário Rossi - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Cecília / Mário Rossi, 1911-1981 (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Conjunto Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 14/07/1943 / Lançamento: 09/1943 / Nº do Álbum: 12347 / Nº da Matriz: 7342 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: IMS, Nirez


Pra mostrar que braço é braço
Eu conquistei Cecília
Enfrentei balas de aço
Mas conquistei Cecília

(bis)

Ai, ai, Cecília
Ai, ai, Cecília
Eu não sei amar a mais ninguém
E tu sabes que eu te quero meu bem
Ai, ai, Cecília
Ai, ai, Cecília
Vem comigo e tu serás feliz
Ai, ai, Cecília.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 23 de março de 2008

Pombo correio

Gilberto Alves
Pombo correio (samba, 1942) - Benedito Lacerda e Darci de Oliveira - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Pombo correio / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Compositor) / Darci de Oliveira (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Benedito Lacerda e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 09/09/1942 / Lançamento: 10/1942 / Nº do Álbum: 12214 / Nº da Matriz: 7057 / Gênero musical: Samba


Soltei meu primeiro pombo correio
Com uma carta pra aquela mulher
Que me abandonou
Soltei o segundo e o terceiro
O meu pombal terminou
Ela não veio e nem o pombo voltou...

Depois que aquela mulher

Me abandonou
Não sei porque
Minha vida desandou
O canário morreu
A roseira murchou
O papagaio emudeceu
E o cano d'agua furou
Até o sol por pirraça
Invadiu a vidraça
E o retrato dela desbotou...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Algum dia te direi

Gilberto Alves
Algum dia eu te direi (valsa, 1942) - Cristóvão de Alencar e Felisberto Martins - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Algum dia eu te direi / Cristovão de Alencar, 1910-1983 (Compositor) / Felisberto Martins (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 [Direção] (Acomp.) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 08/05/1942 / Lançamento: 08/1942 / Nº do Álbum: 12771 / Nº da Matriz: 6960 / Gênero: Valsa / Coleção de origem: Nirez


Eu tenho um segredo p'ra te revelar
Desde a primeira vez em que te vi
Mas eu não sei confessar
Tudo o que sinto por ti

Algum dia eu direi
Que te amo com fervor
E que não sei viver sem teu amor
Algum dia eu direi
Ao beijar os lábios teus
Nunca mais tu fugirás
Dos meus braços meu amor
Nesse dia me dirás
Apertando minha mão
É teu, amor, só teu, meu coração.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Tra-lá-lá

Gilberto Alves
Trá-lá-lá (valsa-canção, 1940) - Roberto Martins - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Tra la la / Roberto Martins (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Simon Bountman [Direção] (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 27/03/1940 / Lançamento: 05/1940 / Nº do Álbum: 11845 / Nº da Matriz: 6319 / Gênero musical: Valsa / Coleções de origem: IMS, Nirez


Quando alguém me diz
Me diz que foi feliz
Tra-la-la-la-lá
Tra-la-la-la-lá
A saudade vem
Vem me lembrar também
Um passado feliz e risonho
Um amor que foi todo o meu sonho


A ciranda da vida me leva
Pra lá, pra, cá, pra lá, pra cá
Minha vida é um brinquedo que roda
Nas voltas que dá, que dá
Vou rodando feliz, vou cantando
Sem saber se há alguém me escutando
Algum dia também a lembrar
Repetirá:
Tra-la-la-la-lá !



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Linda flor que morreu

Capitão Furtado
Linda Flor Que Morreu (samba, 1940) - Capitão Furtado (Ariovaldo Pires) e Jota Soares - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Linda Flor Que Morreu / Jota Soares (Compositor) / Capitão Furtado (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1940 / Nº Álbum: 11845 / Lado A / Gênero musical: Samba.



Tu que és o meu bem querer
A alegria do meu viver,
Porque estranha razão
Tens tal prazer em me ver penar
E viver sempre a mendigar
Teu cruel coração,
Sim, é loucura, eu bem sei !
Eu te amar tanto, tanto assim,
Se não gostas de mim,
Mas te dei minha vida e é bem,
Pouco o que eu te dei,
Pois embora só me causes dor,
É só teu o meu amor.

Óh, eu quisera viver feliz,
Só viver da saudade,
Sim, da sublime ilusão,
Que é igual,
A uma flor que nasceu,
Porém logo após feneceu,
Tal qual minha felicidade,
Tu és o sonho fugaz que passou,
Linda flor que morreu
E o vento levou.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Tu passaste por este jardim


Alfredo Dutra (circa 1860 - 1920 Rio de Janeiro, RJ) é o autor da canção Tu passaste por esse jardim (composta como polca), que Catulo da Paixão Cearense pôs letra. Sabe-se que a canção foi apresentada pela primeira vez pelo próprio Catulo, em festa de casamento do sobrinho do compositor, de nome Oscar de Meneses Pamplona, realizada em 28 de setembro de 1905.

Em 1962, a canção "Tu passaste por este jardim", foi relançada em ritmo de maxixe, por Gilberto Alves no LP Gilberto Alves de sempre lançado pela gravadora Copacabana.

Tu Passaste Por Este Jardim (polca / maxixe, 1905) - Catulo da Paixão Cearense e Alfredo Dutra - Interpretação: Gilberto Alves

LP Gilberto Alves De Sempre / Título da música: Tu Passaste Por Este Jardim / Alfredo Dutra (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1962 / Nº Álbum: CLP 11268 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Maxixe.



Tu passaste por este jardim!
Sinto aqui certo odor merencório
Desse branco e donoso jasmim
Num dilúvio de aromas pendeu
Os arcanjos choraram por mim
Sobre as folhas pendidas do galho
Que a luz de seus olhos brilhantes verteu

Tu passaste, que de quando em quando
Vejo as rosas no hastil lacrimado
Das corolas de todas as flores
As minhas angústias, abertas em flores
Neste ramo que ainda se agita
Uma roxa saudade palpita
E esse cravo, no ardor dos ciúmes
Derrama os perfumes num poema de amor

De um suspiro deixaste o calor
Neste cálix de neve, estrelado
Neste branco e gentil monsenhor
Vê-se o íris de um beijo esmaltado
Tu deixaste num halo de dor
Nas violetas magoadas, sombrias
A tristeza das ave-marias
Que rezam teus lábios à luz do Senhor

Vejo a imagem da minha ilusão
Nessa rosa prostrada no chão
Meus afetos descansam nos leitos
Destes lindos amores-perfeitos
Como chora o vernal jasmineiro
Que me lembra o candor de teu cheiro!
Este cravo sangüíneo é uma chaga
Que se alaga no rubor da cor

As gentis magnólias em vão
Muito invejam teu rosto odoroso
Rosto que tem a conformação
De um suspiro adejando saudoso
E esses lírios têm a presunção
De imitar em seus níveos brancores
Esses dois ramalhetes de amores
Andores de flores num seio em botão

domingo, 23 de julho de 2006

Capital do samba

Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres, Gilberto Alves, Bide e Marçal - 1941

Capital do Samba (samba, 1942) - José Ramos - Interpretação de Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Capital do Samba / Ramos, José (Compositor) / Alves, Gilberto (Intérprete) / Lacerda, Benedito, 1903-1958 (Acomp.) / Conjunto (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Odeon / Nº Álbum: 12214-A / Nº Matriz: 7053 / Gravação: 09/09/1942 / Lançamento: Outubro/1942 / Gênero musical: Samba.


A             E7     A
 Chegou a capital do samba
A/C#      A#°          Bm
Dando boa noite com alegria
                  Bm(7M)               Bm7       E7
Viemos lhe apresen______tar o que a Mangueira tem
    E/D           A/C#    E7
Mocidade, samba e harmonia
          A               B7/D#  E/D        A
Nossas baianas com seus cola_____res e guias
 A/C#                B7/D#     E7  E/D
Até  parece que eu estou  na Bahia
 A/C#                E7       A       E7
Até  parece que eu estou na Bahia (chegou!)
A             E7     A
 Chegou a capital do samba
A/C#      A#°          Bm
Dando boa noite com alegria
                  Bm(7M)               Bm7       E7
Viemos lhe apresen______tar o que a Mangueira tem
    E/D           A/C#    E7
Mocidade, samba e harmonia
          A               B7/D#  E/D        A
Nossas baianas com seus cola_____res e guias
 A/C#                B7/D#     E7  E/D
Até  parece que eu estou  na Bahia
 A/C#                E7       A7/4  A7
Até  parece que eu estou na Bahia
           D7M  F#7/C#               Bm(7M) Gm6
Me sinto pisando      um chão de esmeraldas...

sábado, 20 de maio de 2006

Luar de Vila Sônia

Odete Amaral
Luar de Vila Sônia (valsa, 1962) - Paulo Miranda - Interpretação de Odete Amaral

LP Do Outro Lado Da Vida / Título da música: Luar de Vila Sônia / Paulo Miranda (Compositor) / Odete Amaral (Intérprete) / Gravadora: Som/Copacabana / Ano: 1962 / Álbum: SOLP 40028 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Valsa.

O LP foi feito com composições de presidiários da Guanabara (Rio de Janeiro) e de São Paulo nas vozes de Odete Amaral e Ciro Monteiro Jr. Idealização do radialista Afonso Soares, que apresentava o programa ''Do Outro Lado da Vida'', com entrevistas a presidiários.



A -------------------------A7+ ---Bm7 ----E7------ A
O luar mais nada me seduz / Senão chorar pensando em ti
---Db7 --------------------Gbm ---B7 -----------------Bm------ E7
Luar sonho banhado em luz / Agora eu sei o que perdi
A ----------------------A7+---- Bm7 ---E7---- A----- Gb7
É noite e tudo se desfaz / Na fria solidão da lei
---------------Bm--- E7 ------A --Gbm---------------- B7
Noite sem Deus noite sem paz /------- E tudo foi humano
E7--- A------------ B7----------------- E
Errei /-------- Mas inda tenho coração
------Ab7----------- Dbm------- Gbm-- Am------ E
E tudo pode acontecer / O despertar da redenção
-----------------Gb7 ----------B7---- E----- Dbm -------Gbm -----B7
De um terno amor, o alvorecer / Amor o alívio para insônia
---------------------------E7 -----A ---------------------E----- Db7
Perdão, a graça para o fim / Quero este luar de Vila Sônia
-----------Gb7----- B7------ E------- E7
Para morrer cantando assim

FALADO:

Nove horas! Apagam-se as luzes do presídio
Mais uma esperança perdida na insipidez de um dia
estiolado que se foi para o além
Como tantos outros que se foram desde que me destinaram
esta vida amargurada de encarcerado.
Mais um período de lágrimas para a minha grande
desventura. - A noite tenebrosa dos fantasmas.
A escuridão da lei privando-me do luar perfumado e
encantador de Vila Sônia, adormecida! - A corneta da
sentinela lá no portão longínquo do presídio inicia o
toque de silêncio enquanto sobre o cáustico do pranto
abrasador prossigo o meu destino marcado, cantando e
chorando a minha saudade imensa.

CANTADO:
----A ------------------A7+ ---------E7
Luar mais nada me seduz
----A---- (Bm7)--------- A----- (A)
Agora eu sei o que perdi ....

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Rosa Maria

Gilberto Alves
Rosa Maria (samba, 1948) - Aníbal Silva e Éden Silva - Intérprete: Gilberto Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Rosa Maria / Aníbal Silva (Compositor) / Éden Silva (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 09/10/1947 / Lançamento: 01/1948 / Nº do Álbum: 80-0564 / Nº da Matriz: S-078792-1 / Gênero musical: Samba


--------D--- G -------------------D------ G
Um dia / ----Encontrei Rosa Maria
------------------D----- B7 ----------Em
Na beira da praia /-------- A soluçar
--------------A7--------------------- D
Eu perguntei / -------O que aconteceu?
----B7---- Em ----A7 -----D
Rosa Maria me respondeu
---------------Gb7
O nosso amor, morreu!


Não sei ainda explicar qual a razão
De Rosa Maria desprezar meu coração
Eu fazia-lhe toda vontade
Será que ela tem outra amizade ?



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sábado, 8 de abril de 2006

Gilberto Alves

Gilberto Alves Martins, cantor, nasceu no Rio de Janeiro em 15/04/1915 e faleceu em Jacareí SP, em 04/04/1992. Foi criado no subúrbio de Lins de Vasconcelos. Aos 12 anos, fugiu de casa com o irmão mais velho e arranjou emprego de carregador de marmitas, passando a viver desse serviço. Depois, começou a trabalhar como carregador de sapatos, até que aprendeu o ofício de sapateiro, ao qual passou a dedicar-se por conta própria. Paralelamente, cursava o secundário e iniciava-se em música, reunindo-se com amigos para serestas nas ruas de Lins de Vasconcelos e Meyer.


Conheceu Jacó do Bandolim, então garoto, que viria a ser seu grande amigo, e depois dos 16-17 anos começou a frequentar os cabarés da Lapa e o Café Nice, travando conhecimento com Grande Otelo e Sílvio Caldas.

Por volta de 1935, as serestas começaram a ser proibidas, e a guarda noturna dissolvia os grupos de seresteiros que encontrava. Nessa época, conheceu Almirante, que, depois de ouvi-lo cantar, o convidou para se apresentar na Rádio Clube do Brasil. Começou a cantar naquela emissora, mas sem contrato, recebendo apenas cachê. Passou, depois, a apresentar-se na Rádio Guanabara, programa de Luís Vassalo, para onde foi levado pelos compositores Cristóvão de Alencar e Nássara, que conheceu numa seresta em Vila Isabel. Cantou ainda na Rádio Educadora, programa dos irmãos Batista (Marília e Henrique), atuando paralelamente em outras emissoras.

Em 1938 gravou seu primeiro disco, com os sambas Mulher toma juízo (Ataulfo Alves e Roberto Cunha) e Favela dos meus amores (Roberto Cunha), na Columbia. Conheceu então Roberto Martins e Mário Rossi, gravando seu segundo disco com uma música dessa dupla de compositores, Mãos delicadas, além de Duas sombras, esta de Roberto Martins e Jorge Faraj, também lançadas pela Columbia. Daí em diante gravou vários sucessos da dupla Roberto Martins e Mário Rossi, entre os quais seu primeiro êxito em disco, Tra-lá-lá, em 1940, pela Odeon.

A este seguiram-se outros sucessos, como Natureza bela (Felisberto Martins e Henrique Mesquita), em 1942, a marcha Cecília, no Carnaval de 1943, e no ano seguinte o fox Adeus, dos mesmos autores. Ainda em 1944 gravou Despedida (Tito Ramos), Algum dia te direi (Cristóvão de Alencar e Felisberto Martins), Sinfonia dos tamancos (Roberto Martins) e Capital do samba (José Ramos).

No ano seguinte, deixou a Odeon e foi para a Victor, gravando em 1948 o sucesso carnavalesco Rosa Maria (Aníbal Silva e Éden Silva). No mesmo ano, passou a atuar na Rádio Nacional. Em 1949 casou com Jurema Cardoso. No ano seguinte, transferiu-se para a Rádio Tupi, onde permaneceu até 1970, quando se aposentou. Os maiores sucessos de sua carreira foram Pombo correio (Benedito Lacerda e Darci de Oliveira), Agora é tarde (Tito Ramos e Mário Rossi), Recordar é viver (Aldacir Louro e Aluísio Martins), De lanterna na mão (com Elzo Augusto e J. Sacomani), Louca pela boêmia (Alcebíades Barcelos e Armando Marçal), além de Cecília e Natureza bela.

Mesmo depois de aposentado, continuou apresentando-se em emissoras de rádio e televisão. Em 1975 completou quarenta anos de carreira; nos últimos anos de sua vida apresentava-se em churrascarias e na televisão, ao lado de cantores da chamada velha guarda.

Algumas músicas






















Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Branca


"Aurora", "Branca" e "Elza" são os nomes femininos que intitulam três das mais conhecidas valsas de Zequinha de Abreu. Dessas, pelo menos "Branca" seria inspirada por uma musa verdadeira, a jovem Branca Barreto (foto acima), filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro, terra do compositor.

Conta João Bento Saniratto - amigo de Zequinha, citado por Almirante num artigo publicado em O Dia - que a valsa foi composta de improviso, na presença de um grupo que conversava à porta do Grêmio Literário Recreativo. Como na ocasião a moça passasse pelo local, o autor (que era seu admirador) resolveu homenageá-la na composição.

"Branca" é uma bela valsa sentimental, de melodia triste, uma característica predominante na música de Zequinha de Abreu. Composta por volta de 1918, ganhou popularidade a partir de 1924, quando teve a sua primeira edição. Mas, ao que se sabe, somente seria gravada em 1931, no mesmo disco que lançou o Tico-tico no fubá. Tem uma letra de Duque de Abramonte (Décio Abramo), embora seja uma valsa essencialmente instrumental.

Branca (valsa, 1924) - Zequinha de Abreu e Duque de Abramonte. A seguir duas interpretações do tema:

Interpretação de Gilberto Alves em disco Copacabana lançado em 1959:

Disco 78 rpm / Título da música: Branca / Zequinha de Abreu (Compositor) / Duque de Abramonte (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Copacabana / Nº do Álbum: 5985-a / Nº da Matriz: M-2367 / Lançamento: Janeiro/1959 / Gênero musical: Valsa / Coleção: Nirez



Intérpretação de Francisco Petrônio em 1965:

LP Francisco Petrônio – O Grande Baile da Saudade / Título da música: Branca / Zequinha de Abreu (Compositor) / Duque de Abramonte (Compositor) / Francisco Petrônio (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Coro (Acompanhante) / Gravadora: Continental / Nº Álbum: PPL-12.186 / Lançamento: 1965 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Valsa



Am-------------------------- A7------- Dm
Há tempos que a vi / Que eu a conheci
-----------------------Am
Ela era linda, um primor, de amor
-----B7------------------ E7
Misto de estrela e de flor
Am ----------------------A7------------ Dm
Mas também sofreu / Eu sei vou contar
---------------------Am --------E7------- Am
Pois li naquele olhar, / Cansado de chorar

E7 -----------------------Am
De tarde ao chegar / Os trens um a um
--------E7------------------------- Am
Ela viu desembarcar / Um estranho tentador
E7----------------------- Am ---------------A7
Vi Branca cismar / Num sono de amor
-----------Dm--------- Am ---------E7-------- Am
Ficou logo apaixonada / Do mancebo tentador

C------------ G7------------------------ C
Mas essa flor / Não sentiu florir o amor
---------------------G7 --------------------------C---- G7
Nunca o sentiu florir / Porque ele teve que partir
C--------------- G7--------------------------- C---- C7
Viu-o embarcar / Como um dia após o amar
F------ Fm--- C --A7 ------------------D7 ----G7
E nunca mais / ----Sentiu o puro amor
--------------------C
Do jovem tentador



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sábado, 18 de março de 2006

Clélia (Ao desfraldar da vela)

A valsa Clélia é um clássico do repertório seresteiro de nossa música. Considerado um dos maiores trompetistas de sua época, o autor, Luiz de Souza (RJ, 12/03/1865 / 08/12/1920), também conhecido como Souza Pistom, iniciou os estudos de trompete com José Soares Barbosa, autor da famosa polca Que é da chave?. Mais tarde chegou a contramestre da Banda do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, CE.

No Rio de Janeiro, aperfeiçoou-se na Banda do Arsenal de Guerra e fez parte, ao lado de Albertino Pimentel (Carramona), da primeira formação da Banda do Corpo de Bombeiros sob a regência de Anacleto de Medeiros. Foi integrante de orquestras de cinematógrafos, além de fazer parte do rancho Ameno Resedá. Frequentou, no início do século, a loja de música O Cavaquinho de Ouro, ponto de encontro de chorões como Quincas Laranjeiras, Anacleto de Medeiros, Irineu de Almeida, Villa-Lobos, entre outros. Gravou alguns discos com músicas de sua autoria para a Casa Edison, como líder do Grupo Luiz de Souza.

A valsa Clélia foi gravada pela Banda da Casa Edison, pela Banda da Casa Faulhaber e pelo cantor Mário Pinheiro, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e reintitulada Ao desfraldar da vela. Parte da programação da Rádio Nacional, nos anos 1940, a valsa recebeu arranjos para orquestra escritos por Radamés Gnattali e Alexandre Gnattali. De 1947 a 1952 o trecho inicial da valsa era executado semanalmente, fazendo parte do prefixo do programa O pessoal da velha guarda, produzido por Almirante na Rádio Tupi, com direção musical de Pixinguinha, com o intuito de valorizar a memória musical brasileira. As partituras desses arranjos se encontram digitalizadas e podem ser consultadas no acervo do Museu da Imagem e do Som.

Clélia (Ao desfraldar da vela) (valsa, 1907) - Catulo da Paixão Cearense e Luiz de Souza - Interpretação: Gilberto Alves

LP Os Ídolos Do Rádio Vol. IX - Gilberto Alves / Título da música: Clélia (Ao Desfraldar da Vela) / Luís de Souza (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Collector's / Álbum: S/nº / Ano: 1989 / Tracklist: A4 / Gênero musical: Valsa / Obs.: Gravações recuperadas de acetato radiofônico, realizadas ao vivo na Rádio Tupi - Rio de Janeiro, entre 1947 e 1952, e inéditas em disco.



Clélia adeus! / Adeus, minha doce Clélia adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Clélia, ó vem!
Adeus, vou me separar de ti / Vem. Ó vem meu bem!
Vem ouvir-me aqui

Vou singrar a vastidão do mar / A imensidão do mar, do mar
Vou cantar a minha dor / Sob este céu primaveril
Clélia, adeus! / Que o céu é todo puro anil, gentil
Beija a lua o verde mar / Na areia a se enrolar


Ai, que lancinante é o meu sofrer! 
Ai, pensar em nunca mais te ver!
Ó, são horas de partir meus ais! / A vela a desfraldar
Pede um sorrir, um teu olhar
Ó vem, ó minha Clélia, adeus!
Vai meu coração em chaga / De vaga em vaga
À solidão do mar clamar

Clélia adeus! / Adeus, vem dizer-me o eterno adeus!
Desce à praia e vem calmar o verde mar
Que em breve irei sulcar além / Vem, ó vem!
Por Deus, vem me dar um beijo aqui
Vem, ó vem, Clélia meu bem! / Vem me ouvir aqui



Fonte: MIS Blog - A valsa Clélia, escrita por Luiz de Souza

Três estrelinhas (O que tu és)

Três estrelinhas (O que tu és) (polca, 1906) - Catulo da Paixão Cearense e Anacleto de Medeiros - Interpretação: Gilberto Alves

LP Os Ídolos Do Rádio Vol. IX - Gilberto Alves / Título da música: O Que Tu És (Três Estrelinhas) / Anacleto de Medeiros (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Gilberto Alves (Intérprete) / Gravadora: Collector's / Álbum: S/nº / Ano: 1989 / Tracklist: B2 / Gênero musical: Polca

Obs.: Gravações recuperadas de acetato radiofônico, realizadas ao vivo na Rádio Tupi - Rio de Janeiro, entre 1947 e 1952, e inéditas em disco.



Se um riso vem / Teus lábios colorir de almo rubor / As almas a teus pés / Vêm prosternar-se com ardor / A luz transluz nos céus / Nos céus dos olhos teus / Saudosos como o luar / No mar a cintilar

Tua alma cheira mais / Que um alvo jasmineiro todo em flor / Onde tu passas fica um aroma a soluçar / Tu és de Deus a obra-prima / Não tens par! / És uma rima singular

Tu és a pérola ideal / Que o mar gerou / Tu és a flor mais aromal / Que Deus sonhou / A mais plangente e meiga lira sons não tira / Como as notas desse teu falar

Teus seios têm o sacro / E doce aroma de um missal / Teus lábios têm a eterna / Sensação da extrema-unção / Tu fazes sem pensar os astros palpitar / Tu fazes sem querer as almas padecer

Tuas tranças cheiram mais / Que as rosas trescalantes de um rosal ; Que a madrugada vem de orvalho perolar / És uma flor da fonte à margem / De cristal / És um poema divinal!

És a mais sonora estrofe do Senhor / És a irradiação mais branca do luar / És a luz solar / Um hino sideral! / Nos olhos tens os raios / De uma estrela vesperal

Nos lábios tens a graça / Inebriante de hidromel / Da imagem do perdão / Tu és a cópia mais fiel / Tu és um coração de orvalho lá do céu / Que um anjo a chorar verteu