domingo, 29 de outubro de 2006

Pena Branca e Xavantinho


A dupla formada pelos irmãos José Ramiro Sobrinho (Pena Branca), nascido em Uberlândia (MG), em 1939, e Ranulfo Ramiro da Silva (Xavantinho, Uberlândia, 1942-1999) é um raro caso de fidelidade às raizes caipiras no universo sertanejo atual.

Criado na roça com cinco irmãos, José Ramiro aprendeu "de orelha" no cavaquinho do pai antes de passar para a viola. A dupla com o irmão começou em mutirões, feiras, folias de reis e teve outros nomes como José e Ranulfo, Peroba e Jatobá, Zé Mirante e Miramar e até Xavante e Xavantinho.

Num festival organizado pelo sertanejo Zé Bétio, eles conquistaram o primeiro lugar e o direito de gravar uma música, Saudade, de Xavantinho, num compacto duplo em 1971. Em 1980, outra música de Xavantinho, Que Terreiro é Esse?, foi classificada para a final do festival MPB-Shell da TV Globo e a dupla finalmente estreou em LP, Velha Morada - Rodeio, já se distinguindo pela escolha do repertório: incluía entre as faixas a dissonante O cio da terra de Chico Buarque e Milton Nascimento.

A audácia de afrontar o comercialismo do mercado gravando material selecionado, das folclóricas Cuitelinho (recolhida por Paulo Vanzolini) e Calix Bento (recolhida e adaptada por Tavinho Moura) a Vaca Estrela e Boi Fubá (do cearense Patativa do Assaré), deu certo. Logo a dupla seria um dos esteios do programa de TV Som Brasil, apresentado pelo ator e intérprete Rolando Boldrin, que a incluiria em seus shows Brasil adentro.

Boldrin produziu o segundo disco dos dois, Uma Dupla Brasileira. Milton Nascimento cantou (e gravou) com eles o Cio da Terra, além de levá-los ao Teatro Municipal para o espetáculo em que recebia o Prêmio Shell, de 1986.

Além de Tavinho Moura, com quem Xavantinho faria Encontro de Bandeiras, a dupla foi ampliando sua participação na MPB em encontros (e gravações) com Fagner, Almir Sater, Tião Carreiro, Marcus Viana, entre outros.

Em 1990, eles ganharam o Prêmio Sharp de melhor música com Casa de barro, de Xavantinho e Moniz, e de melhor disco, Cantadô do mundo afora. Dois anos depois, ao vivo em Tatuí levaram outro Sharp de melhor disco e também foram escolhidos pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Sempre mesclando repertório matuto, clássicos da MPB e obras de lavra própria, PB & X gravaram de Mário de Andrade, Viola quebrada, a Ivan Lins e Vitor Martins, Ituverava, Caetano Veloso, O ciúme, e o Uirapuru (Murilo Latini/Jacobina), sucesso do grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano em Violas e Canções, de 1993, ano em que os dois excursionaram também aos EUA.

Em Pingo d'água (1996), o rei do baião Luiz Gonzaga, A vida do viajante, convive com os caipiras históricos João Pacífico e Raul Torres da faixa título. E no Coração matuto (1998), entram Djavan, Lambada de serpente, Milton Nascimento, Morro Velho, com participação do próprio, e até Guilherme Arantes, Planeta Água.

Já sem o irmão, falecido no ano anterior, Pena Branca prosseguiria solo em Semente caipira (2000). Congregando de Tom Jobim e Luiz Bonfá, Correnteza, a Renato Teixeira, Quando o amor se vai, Joubert de Carvalho, Maringá, e composições próprias, Casa amarela, Rio abaixo vou viver, o disco de Pena Branca mantém acesa a chama de integridade que marcou a trajetória da dupla e continua lhe servindo de farol.

Tárik de Souza / ENSAIO / 21/2/1991

Hermínio Bello de Carvalho

Hermínio Bello de Carvalho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1935. Neto de violeiro e filho de ator, morava no bairro da Glória quando começou a freqüentar reuniões na casa do músico Burle Marx, onde conheceu Claudete Soares e Helena de Lima.

Adolescente, gostava muito de música clássica, tendo sido presidente do Centro Cívico Carlos Gomes, de sua escola. Aos 14 anos, cantava em coro de igreja e, em 1958, começou sua carreira na Rádio MEC, do Rio de Janeiro, tendo escrito, entre outros, os programas Violão de Ontem e de Hoje, Reminiscências do Rio de Janeiro, Retratos Musicais e Concertos para a Juventude.

Agitador cultural, poeta, produtor musical, compositor e descobridor de talentos, desde cedo Hermínio conviveu de perto com a música e com os músicos brasileiros. Em 1962, publicou seu primeiro livro de uma série de cerca de 20 que viriam depois, entre eles poesias e crônicas dos personagens da MPB.

Em 1964, com a inauguração do bar Zicartola, no Rio de Janeiro, aproximou-se de Cartola e de alguns de seus futuros parceiros como Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Mauricio Tapajós, com quem fez sua primeira música, Mudando de conversa.

No ano seguinte, dirigiu um musical que marcou época, Rosa de ouro, apresentado no Teatro Jovem, no Rio de Janeiro, que contou com a participação de Clementina de Jesus e Araci Cortes, acompanhadas pelo conjunto Rosa de Ouro, liderado por Paulinho da Viola e Elton Medeiros, que se consagrariam a partir desse show. O musical foi transformado em disco gravado ao vivo – Rosa de Ouro, volume I –, considerado por unanimidade o melhor do ano.

Ainda em 1965 promoveu, com Edu Lobo, no Teatro Jovem, a Feira de Música Popular, reunindo nomes como Nara Leão, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Torquato Neto, realizou palestras sobre Villa-Lobos, em Lisboa, Portugal, Madrid, Espanha, e Paris, França, e compôs com Zé Keti o samba Cicatriz. Produziu mais de cem discos, como os de Radamés Gnattali, Dalva de Oliveira, Pixinguinha e Eliseth Cardoso. Foi o primeiro a fazer discos de Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça.

Na primeira metade da década de 1960, dedicou-se a poesia, lançando vários livros: Chove azul em teus cabelos, Rio de Janeiro, 1961; Ária e percussão, Rio de Janeiro, 1962; Novíssima poesia brasileira, Rio de Janeiro, 1963; e Poemas do amor maldito, Rio de Janeiro, 1964.

A partir de 1964, iniciou movimento de integração da música popular e erudita, produzindo concertos mistos, num dos quais apresentou pela primeira vez em público Clementina de Jesus, acompanhada pelo violonista clássico Turíbio Santos.

Deixou a Funarte em 1989 após 13 anos no cargo de diretor adjunto da Divisão de Música Popular Brasileira. Neste período, esteve à frente dos seguintes projetos: Almirante, de recuperação de arquivos e gravação de discos pouco comerciais; Lúcio Rangel, de biografias de MPB; e, o mais conhecido, o Pixinguinha, de shows, uma reedição nacional do Projeto Seis e Meia, que reuniu duplas inesquecíveis para cantar pelo país. Foi membro fundador do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som (MIS).

Em 1978 recebeu o Troféu Estácio de Sá, do MIS, por ter sido a personalidade que mais prestou serviços à musica naquele ano. Apresentou na TVE o musical "Água Viva", de 1976 a 1977 e de 1981 a 1983. Na comemoração dos seus 60 anos, em 1995, foi homenageado com shows e a exposição Isso é que é viverHomenagem aos 60 anos de Hermínio Bello de Carvalho, do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, quando autografou seu livro Umas e Outros.

Ainda em 1995 foram lançados o livro Sessão Passatempo pela Relume-Dumara, RJ, em que conta histórias sobre personalidades da música popular e dois CDs Alaíde Costa canta Hermínio Bello de Carvalho, com canções remasterizados do LP de 1982 e composições novas como a inédita O sabiá e o vento (com Vicente Barreto), e a coletânea de sua obra na série Mestres da MPB, da Warner, em que participam intérpretes como Dalva de Oliveira, Maria Bethânia, Elizeth Cardoso e Gal Costa.

Em 1997 idealizou o Centro de Memória da Mangueira, para a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.

Algumas músicas

Alvorada
Catedral do inferno
Chão de esmeraldas
Fala baixinho
Folhas no ar
Labaredas
Mudando de conversa
Noites cariocas
Pressentimento
Rosa de ouro
Sei lá, Mangueira

Fonte: Educarede

Paulo Soledade

Paulo Soledade (Paulo Gurgel Valente do Amaral) nasceu em 1919 Paranaguá, PR, e morreu em 1999 no Rio de Janeiro, RJ. Compositor, produtor de shows, empresário. Interessou-se por música desde a infância, mas sua primeira atividade artística foi como ator.

Em fins da década de 1930, trabalhou em um pequeno grupo onde atuavam Gustavo Dória, Luísa Barreto Leite, Ziembinski, entre outros. Na década de 1940, viajou para os Estados Unidos para realizar curso de piloto de caça.

Regressou como tenente da Força Aérea Norte-Americana, ingressando posteriormente em uma companhia aérea comercial como comandante. Manteve-se nessa função por um período de sete anos, abandonando-a por problemas de saúde.

Fundou no Rio de Janeiro o "Clube dos Cafajestes", grupo de boêmios que ficou famoso com o "Hino dos cafajestes" que ele compôs para grupo. Nessa época atuou também como produtor de shows.

Em 1950, teve sua primeira composição gravada, a marcha Zum zum, com Fernando Lobo lançada por Dalva de Oliveira. Foi um grande sucesso do Carnaval. Nos anos seguintes, teve muito êxito com as composições feitas em parceria com Marino Pinto, Fernando Lobo e outros. Suas músicas foram gravadas por cantoras como Araci de Almeida, Eliseth Cardoso, Linda Batista, Emilinha Borba.

Em 1961, abriu a Boate "Zum-Zum", onde apresentava produções de Aloysio de Oliveira, quase sempre ligadas ao novo movimento musical carioca – a Bossa Nova –, do qual participavam artistas como Sylvia Telles, Lenie Dale e Vinícius de Moraes. Data dessa época a marcha-rancho Estão voltando as flores, que logo se tornaria um hino nas noites cariocas.

Em 1980, teve as músicas O pato e O relógio, parcerias com Vinícius de Moraes, lançadas no LP "A Arca de Noé". No ano seguinte, as músicas O peru, O pinguim e A formiga, em parceria com Vinícius de Moraes, foram gravadas no disco "A arca de Noé volume 2".

Em 1990, no projeto "O Som do Meio-Dia" foi apresentado espetáculo em sua homenagem, no qual suas obras foram executadas. Em 1996, Miltinho regravou Estão voltando as flores e Emílio Santiago fez o mesmo no ano seguinte.

Em julho de 2001, o crítico R. C. Albin homenageou-o no espetáculo "Estão voltando as flores", com as Cantoras do Rádio. O show virou disco de igual título, lançado em 2002 pela Som Livre. Dentre seus sucessos, destacam-se ainda Estrela do mar, com Marino Pinto, Insensato coração, com Antônio Maria, Já é noite, com Fernando Lobo e Sonho desfeito, com Tom Jobim, e as músicas infantis como O pato.

MPB-4


Rui Alexandre Faria, nascido em Cambuci, em 1938, Milton Lima dos Santos Filho, de Campos, 1944, Antônio José Waghabi Filho, de Itaocara, 1945, e Aquiles Rique Reis, de Niterói, 1949, todas cidades do Estado do Rio de Janeiro, formam o mais antigo conjunto de que se tenha notícia, no mundo, a manter, desde a criação, os mesmos integrantes.

Rui, Miltinho e Aquiles criaram o grupo em 1962, em Niterói, e a eles juntou-se, em seguida, Waghabi - que, pelo tipo físico, tinha o apelido de Magro, que mantém ainda hoje. No início, eram o Quarteto do CPC, pois apresentavam-se nos espetáculos promovidos pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

Foi Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que os batizou de MPB-4 - e nascia, aí, a sigla MPB, para designar aquele tipo de música popular brasileira voltada para a história urbana da constituição da música popular.

O primeiro disco, um compacto - aqueles disquinhos com uma música de cada lado - saiu em 1964. No ano seguinte eles juntaram as quatro vozes com as das meninas baianas, descobertas por Aloísio de Oliveira, do Quarteto em Cy, num espetáculo montado em São Paulo por Chico de Assis.

Chico de Assis foi um dos incentivadores do jovem Chico Buarque de Hollanda e entra nessa história não só por haver aproximado o xará Buarque do MPB-4 quanto por haver dado o ultimato aos meninos fluminenses: ou vocês largam a faculdade e resolvem fazer música profissionalmente, em tempo integral, ou é melhor desistir. Eles largaram a faculdade, depois de uma reunião - que varou a noite - realizada ali no então célebre bar Redondo, na Av. Ipiranga, em São Paulo.

Começava uma das histórias mais bonitas e íntegras da canção brasileira. Com uma formação de extrema simplicidade - o violão de Miltinho, a tumbadora do Magro, um eventual chocalho de Aquiles e a voz de Rui (inicialmente era só isso), o grupo alcançou um grau de sofisticação que poucas vezes um quarteto vocal conseguiu.

O uníssono é perfeito, as vocalizações (quase sempre escritas por Magro) mudaram o conceito de arranjo vocal e ainda hoje constituem a fórmula em que se baseiam os arranjos vocais. Trabalharam - em shows, peças de teatro, comícios, ou que manifestação tenha sido importante para nossa história recente - com os maiores artistas de seu tempo (houve época em que Chico Buarque não entrava em palco sem eles) e o conjunto de seus discos memoráveis forma uma antologia do que melhor se produziu na MPB - afinal, eles são homônimos da sigla e de certa forma responsáveis por ela - nos últimos 40 anos.

Mauro Dias / MPB ESPECIAL / 4/6/1973

Época de Ouro


Em 1964, quando Jacob do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt) resolveu reunir em torno de si os melhores executantes dos conjuntos regionais das rádios e estúdios de gravação do Rio de Janeiro, não poderia ter sido mais feliz na escolha do nome do grupo.

Época de Ouro retrata não só o momento raro da música popular brasileira ao qual se refere o nome, como o faz da maneira mais brilhante, mais virtuosa que se poderia encontrar no gênero.

Eram famosos os ensaios no casarão de Jacarepaguá, o castelo de Jacob. O menino Paulinho da Viola acompanhava o pai, o senhorial violonista César Farias, carregando o violão para ter o privilégio de sentar-se silenciosamente a um canto e ouvir os deuses.

Sentados em semicírculo ("chorão" tem de ver as caras dos companheiros, tocar "namorando"), liderados pelo bandolim, lá estavam, além do seis cordas de César, o solene sete-cordas de Horondino Silva, o Dino, o outro "seis" de Carlinhos, o estupendo cavaquinho de Jonas e o pandeiro cantabile de Gilberto.

Passava-se uma vez a melodia, luzes acesas. A segunda era no escuro. Terminada, o vozeirão de Jacob corrigia cada raro erro, que não escapava nenhum a seu ouvido. O mestre só se contentava com a perfeição. Os crescendos e diminuendos maravilhosos em Noites cariocas, por exemplo, são frutos de muito ensaio e burilamento.

Damásio entrou no lugar de Carlinhos. Jorge assumiu o pandeiro de Gilberto. Jacob morreu e seu aluno Deo Rian empunhou o bandolim, e o Época de Ouro continuou a cintilar belezas sonoras.

Qualquer apresentação do grupo sempre foi garantia de música brasileira de primeiríssima qualidade. Mantida por sua formação atual, de que fazem parte os originais Dino e César, mais o também antigo Jorge no pandeiro, Ronaldo no bandolim, Jorge Filho, cavaquinho, e Toni no segundo violão de seis cordas.

Arley Pereira /ENSAIO / 23/5/1997

Zé Keti

"O Zé ficou quietinho?" - A pergunta da mãe, quando voltava do trabalho, era infalível. E como o moleque Zé sempre ficava quietinho, virou Zé Quieto, logo em seguida, Zé Keti.

Neste século que se finda, na raiz da maioria das coisas boas que aconteceram no ramo samba da árvore da música popular brasileira, tem o dedo de Zé Keti, o compositor que se tornou um dos símbolos de sua escola de samba, a Portela, guardiã da cultura popular e menestrel maior de Madureira, a capital dos subúrbios da Zona Norte do Rio de Janeiro.

Nascido em 1921, José Flores de Jesus fez do bairro carioca de Bento Ribeiro e contornos o seu reinado. Ninguém cantou a Portela como ele, ninguém soube compreender a beleza e a importância do mar em azul e branco que cobre a passarela a cada carnaval, vencendo ou não a competição com as co-irmãs. Zé era portelense e deixou isso bem claro em suas rimas e harmonias.

Criador perfeito em A voz do morro, crítico social em Acender as velas, lírico em Máscara negra, boêmio em Diz que eu fui por aí, cronista em Malvadeza durão, historiador em Jaqueira da Portela, ator de teatro no show divisor de águas Opinião e de cinema em Rio, 40 Graus e A Grande Cidade, Zé Keti tinha a generosidade entre outras de suas qualidades.

Foi ele, quando diretor musical do restaurante Zicartola - outro marco cultural carioca e brasileiro -, que lançou dois novos compositores: Elton Medeiros e o menino (também portelense) Paulo César Batista de Faria, a quem Zé batizou como Paulinho da Viola e para o qual profetizou a carreira que ajudou a consolidar, até mesmo dando a ele para gravar jóias como As moças do meu tempo.

Aos 78 anos, vitimado por uma parada cardíaca, Zé Keti morreu no hospital da Venerável Ordem Terceira Penitência, no bairro suburbano da Tijuca, no seu Rio de Janeiro, na manhã de 14 de novembro de 1999.

Arley Pereira /MPB ESPECIAL / 4/7/1973

Eliana Pittman


Eliana Pittman (Eliana Leite da Silva), cantora, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 14/8/1945. Nascida no bairro de Botafogo, mas criada em São Paulo, sempre quis ser artista, tendo recebido apoio e grande influência musical do saxofonista Booker Pittman, de quem se tornou enteada aos 11 anos (ele foi o segundo marido de sua mãe, Ofélia).

A afinidade do músico pela filha adotiva era muito forte, e foi ele quem começou a lhe transmitir ensinamentos musicais. Logo, passou também a estudar canto, e aos 13 anos ja estreava como crooner, ao lado de Booker Pittman, na boate carioca Little Club, no Beco das Garrafas, cantando musicas norte-americanas e bossa nova, embora não tivesse participado desse movimento.

Em 1963, fez sua primeira viagem ao exterior, realizando temporada no Casino Philips, na Argentina. Logo depois, gravou no Brasil, com Booker Pittman, o LP New Sound Brazil Bossa Nova. Convidada por Jack Parr para participar de seu programa de televisão, em Nova York, foi para os EUA, com Booker Pittman e Ofélia, fazendo estudos de empostação de voz com Fred Steai, professor de cantores como Sammy Davis Jr.

A apresentação no programa de Jack Parr deu-lhe oportunidade de assinar contrato com a agência artística William Morris. Contratada pelo Play Boy Club, realizou uma tournée por 14 Estados norte-americanos, apresentando-se em shows individuais. De volta ao Brasil, em 1965, percorreu o país durante quatro anos, firmando-se assim como cantora.

Gravou, em 1966, Tristeza (Niltinho), samba que foi o seu primeiro sucesso, mas no ano seguinte, quando Booker Pittman adoeceu gravemente, chegou a pensar em abandonar a carreira. Por insistência dele próprio, resolveu continuar, gravando o LP É preciso cantar e apresentando-se no show com o mesmo titulo, no Teatro de Bolso, no Rio de Janeiro.

Durante três anos, a partir de 1968, participou de vários programas especiais em televisões da Argentina, Venezuela, Portugal, República Federal da Alemanha, Suécia, Espanha, Itália e França, onde foi convidada, em 1970, para ser, ao lado de Sacha Distel, a apresentadora oficial do MIDEM, realizado em Cannes.

No mesmo ano, fez um show no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, e, em 1972, gravou Esse mar é meu (João Nogueira), conseguindo grande destaque. Lançou, em 1974, o LP Tô chegando, já cheguei, onde incluiu Mistura de carimbo (Pinduca), ritmo do Pará, ao qual passou a se dedicar.

Cláudia Barroso


Cláudia Barroso, cantora e compositora, iniciou carreira no disco nos anos 60, gravou Nenhum de vocês e Dio como ti amo, sem muito sucesso. No início dos anos 70 ficou nacionalmente conhecida como jurada do programa Sílvio Santos.

Nessa época teve um romance com o cantor Waldick Soriano. Quando voltou a gravar fez incrível sucesso, com seu temperamento forte e sem meias palavras; seus grandes sucessos são Ah se eu fosse você, Quem mandou você errar, Por Deus eu juro, A vida é mesmo assim, Mentiroso , O gavião, entre outros.

Dona de um carisma sem igual e de uma voz límpida de timbre sereno e encorpado, Cláudia Barroso é uma das principais intérpretes da música romântica que o país conhece... ou deveria conhecer. Com uma carreira pontuada por longos hiatos fonográficos, Cláudia obteve destaque a partir do álbum Dose Dupla que gravou ao lado do ídolo Waldick Soriano, lançado em Julho de 95.

Mas foi com Cláudia Barroso Ao Vivo que ela consagrou seu canto. Nesse registro, Cláudia interpreta músicas de sua própria autoria, assim como canções de Fernando Dias, Anastácia e Mário Lago.

Toró de lágrimas


Toró de Lágrimas (samba, 1974) - Antônio Carlos Pinto, Jocafi e Zé do Maranhão - Interpretação: Antônio Carlos e Jocafi

LP Definitivamente / Título da música: Toró de Lágrimas / Antônio Carlos Pinto (Compositor) / Jocafi (Compositor) / Zé do Maranhão (Compositor) / Jocafi (Intérprete) / Antônio Carlos (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1974 / Nº Álbum: 110.0005 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Samba / MPB.


 A7+ E7/5+       A7+
Toró . . . . de lágrimas
Abm7         Db7                 Gbm7     
Foi o retrato doído que você deixou
B7                                 Bm7
Foi um momento de sede que a fonte secou
E7
Ai de mim
A7+ E7/5+       A7+
Toró . . . . de lágrimas
Abm7          Db7                Gbm7
Foi o amor programado por computador
B7                                  Bm7
Tanta lembrança bonita e você não guardou
E7
Ai de mim
A7+          Dbm7       G6         Gb7
O seu amor fabricado que fez por fazer
Bm          Gb7        Bm7
Angústia e desprezo, desmancha prazer
E7                 A7+ E7/5+
No fundo, no fundo você não prestou
A7+              Dbm7        G6          Gb7
Um sentimento emprestado perdeu seu valor
Bm            Gb7    Bm7
Eu compro esta briga e não faço favor
E7                   A
No fundo, no fundo, você não prestou

Dona de casa

Antônio Carlos e Jocafi
C      C7       F
dona da casa, ando adoentado
G7               C
ressabiado, sem o seu amor
E7           Am               Dm
ah, agora é tarde, a inês é morta
G7                  C  G7
abre essa porta, vem se apaixonar
C     C7         F
dona da casa, destino malvado
G7                  C
tá do meu lado, não tente escapar
E7          Am              Dm
ah,agora é tarde, a inês é morta
G7                  C
abre essa porta, vem se apaixonar
G7           C                 Dm
ó...dona da casa, por nossa senhora
G7
dai-me o que beber
C
senão eu vou-me embora

Shazam

Antônio Carlos e Jocafi
       G               C           G
Ei, Shazam, herói de revista em quadrinhos
C         D7
Ei, Shazam, valete de espadas do amor
G                 C         D7
Ei, Shazam, aprendi a sorrir com você
     G                    C          D7
Nada sei, o que sei foi você que ensinou
Em                 C        G
Escapei por milagre, você me ajudou
C        G
Do perigo você me salvou
C       D7
Ei, Shazam, meu herói é você
       G                     C         D7
Ei, Shazam, é que a vida lhe fez professor
G                   C         D7
Com você é que o mundo precisa aprender
Em                  C     G
As matérias que todos deviam saber
C         G
Pois você tem diploma de amor
C       D7
Ei, Shazam, meu herói é você

Ossos do ofício

Antônio Carlos e Jocafi
F                                 Gm  C   F
Para viver um grande amor      faria
Dm                              Gm   C   F
Todo e qualquer sacrifício        faria
Dm            Gm    C         F        C7
São os ossos do ofício               sabia


F    Em  A7             Dm            Em                         Dm
Saiu sexta-feira da paixão pediu ao amigo um gole de café
Gm      C                F  Gm C  F   Em         A7                   Dm         Em
Perguntou pelo jornal      sorriu     um sorriso que não convenceu
A7              Dm    Gm        C              F  Gm C  F    C7
Deu-lhe um beijo e desapareceu      pela porta principal        segura

F
Para viver...

F  Em         A7         Dm           Em        A7                   Dm
Saiu sexta-feira da paixão  fugiu     na bagagem levou sua fé  
Gm         C                F Gm C
um vestido e um colar
F    Em       A7                   Dm     Em       A7                   Dm     
Deixou   um recado como explicação    um retrato como recordação
Gm        C                F   Gm C  F  C7
não deu bola pro azar
F
Para viver...

Fraqueza

Antônio Carlos e Jocafi
F#7  Bm7          E7              A6
Errei, quero uma chance pra recomeçar
C#m               F#7                  Bm
Dizem que pau que nasce torto morre torto
Bm7         E7             A6  E7/9+
Ah! Eu não sou pau posso me regenerar

A    Em3b  F#7       Bm        Bm6b    C#7
Aceitei tudo que você falou
F#m   Bm6b  C#7  F#m
Ouvi pelo menos dessa vez
B7                                                E7
Perdoa um malandro ciente dos erros que teve na vida

A    Em3b  F#7       Bm        Bm6b    C#7
Judiei, mas como eu sofri demais
F#m  Bm6b  C#7   F#m
Paguei pelo menos dessa vez
B7                                             E7
Perdoa um malandro ciente dos erros que teve na vida

Encabulada

Antônio Carlos e Jocafi
G
Adeus, namorada
Em         Am            D7        G    D7
Que, encabulada, pediu licença e saiu
G
Adeus, madrugada
Em         Am            D7         G
Que, encabulada, pediu licença e partiu
B7                 Em
Ah! Você tem manias de segredo
A7
Se empolgou e fez brinquedo
D7
Se enturmou no desamor
G             Am           G
Ah! Você, com esse amor mal assombrado,
Am
Já não vale os meus trocados
D7           G
Nem merece a minha dor.

Desacato


Desacato (1971) - Antônio Carlos e Jocafi - Inerpretação: Antônio Carlos e Jocafi

LP Antonio Carlos & Jocafi - Mudei De Idéia / Título da música: Desacato / Jocafi (Compositor) / Antônio Carlos (Compositor) / Antônio Carlos e Jocafi (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1971 / Nº Álbum: BSL 1547 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


Tom: A  

                   A7M
Inofensivo aquele amor
Que nem sequer se acomodou
Bbº   Bm7
Já morreu
Quem destratou a ilusão
                        E7
Quem freqüentou meu coração
        A7M
Não fui eu
Não adianta me envolver
Nas artimanhas que você
Bbº  Bm7
Preparou
E vá tratando de esquecer
                        E7
Leve os breguetes com você
      A7M
Me zangou

    E7    F#m  C#m7
Por isso agora deixa estar
Bbº     Bm7                 E7    A7+
Deixa estar que eu vou entregar você.